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Fernanda Montenegro beija atriz na boca em protesto contra Feliciano

As duas mostraram que não apoiam o deputado no cargo.

Cristiana Granato/Divulgação

Cristiana Granato/Divulgação

Publicado originalmente na Folha de S. Paulo

A atriz Fernanda Montenegro, 83, deu um beijo na boca da atriz Camila Amado, 77, em protesto contra a permanência do deputado e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) no comando da da comissão de Direitos Humanos da Câmara.

As duas mostraram que não apoiam o deputado no cargo durante a 7ª edição do Prêmio APTR (Associação dos Produtores de Teatro do Rio), que aconteceu nessa segunda-feira (25).

No entanto, apesar das manifestações contrárias a sua permanência na Casa, Feliciano reafirmou, nesta quarta-feira (27), que não pretende deixar o posto. Ele também negou que esteja em meio a uma crise.

O deputado foi eleito neste mês para o comando da comissão e tem sido criticado por opiniões consideradas homofóbicas e racistas. Feliciano nega, mas confirma que tem posições comuns a evangélicos, como ser contra a união homossexual.

Trama Virtual chega ao fim: “Concorremos com gigantes”, diz João Marcello Bôscoli

O produtor e empresário João Marcello Bôscoli, dono da Trama Virtual João Sal/Folhapress

O produtor e empresário João Marcello Bôscoli, dono da Trama Virtual.     João Sal/Folhapress

Lucas Nobile, na Folha de S.Paulo

A Trama Virtual anunciou nesta quinta-feira (28) o encerramento das atividades de seu site. A página da internet, que conta com material de 78 mil bandas, sairá do ar no dia 31 de março.

Segundo o produtor e empresário João Marcello Bôscoli, dono da Trama Virtual, os motivos que levaram ao encerramento das atividades do site não são de ordem financeira. “Hoje, a gente concorre com gigantes como iTunes, Facebook, YouTube, Twitter, entre outros. Quando a gente surgiu, tinha um caráter muito inovador, que hoje não tem mais”, disse Bôscoli.

“Hoje, as bandas têm todas essas outras plataformas para divulgar seu trabalho. Temos um crescimento pequeno e acredito que, no fim deste ano, talvez no ano que vem, entrássemos no vermelho”, afirmou à Folha.

“Mas o fim da Trama Virtual é uma questão filosófica. É como você criar um blog e ser o único. Depois, criam 4 mil blogs e você passa a ser mais um. É como tantos jogadores de futebol que a gente gosta, que esperam entrar num período ruim para encerrar a carreira. Não é o nosso caso”, completa o produtor.

Ainda segundo Bôscoli, a Trama Virtual vai cumprir com os compromissos restantes e pagar às bandas os downloads remunerados que estejam pendentes. Ele também comenta que os artistas do site são independentes e que não têm nenhuma relação contratual com a Trama.

“Hoje, o Facebook está na agenda a humanidade. Nós achávamos que iríamos durar sete anos, pela obsolescência programada. Dez anos no mundo digital é muito tempo. Hoje as bandas conseguem divulgar seu trabalho em outros lugares.”

Entre as 78 mil bandas que utilizam o site para divulgar seu trabalho, estão artistas como Fresno, Teatro Mágico, Nasi, Vanguart, Cine, Forgotten Boys, Wander Wildner, entre outros que oferecem na página músicas para download, fotos e a agenda de shows.

Mesmo com o encerramento das atividades do site, Bôscoli diz que a marca Trama seguirá atuando em outras áreas, como já fazia.

“Vamos prosseguir com a editora, com o estúdio, com o agenciamento de artistas, com nosso canal no YouTube. Hoje, recebemos 220 bandas por ano no estúdio e subimos mais de dois mil vídeos no YouTube anualmente. Estamos também montando a nossa própria loja digital da Trama. E vou mergulhar na música voltada para a educação. Tenho um projeto ainda em fase de consultoria, mas não posso dar detalhes”, informou Bôscoli.

Marcelo Adnet: o novo rosto do humor brasileiro

AS CARAS DE ADNET Ele imita, canta, ironiza e faz questão de evitar o preconceito (Foto: Tomás Rangel/ÉPOCA)

AS CARAS DE ADNET
Ele imita, canta, ironiza e faz questão de evitar o preconceito (Foto: Tomás Rangel/ÉPOCA)

A geração de comediantes que nasceu no teatro, cresceu na internet e agora brilha na televisão

Martha Mendonça, na Época

“UAU” Interjeições pontuam as frases do comediante Marcelo Adnet. Em pouco mais de uma hora de conversa, foram 13 exclamações. Elas parecem cumprir sua função gramatical de exprimir, pelo exagero, o estado emocional de quem as pronuncia. Depois de uma carreira que começou no teatro há menos de dez anos e chegou à TV somente em 2009, o comediante apontado como o mais completo de sua geração gravará seu primeiro programa na TV Globo. Na MTV, onde estava até agora, Adnet não chegava a 1 ponto no Ibope. Agora, prestes a receber o prêmio de Melhor Humorista de 2012, conferido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), será protagonista de seriado num horário noturno que tem de 15 a 20 pontos de audiência. Como cada ponto corresponde a cerca de 200 mil telespectadores, é certo que nunca tantos rirão dele ao mesmo tempo.

Uma das maiores qualidades de Adnet é a capacidade de reunir dois ou mais assuntos em quadros impagáveis. Em 2011, na mesma semana em que Osama bin Laden foi descoberto e morto pelo Exército americano, bombava nas redes sociais um vídeo de Luiza Marilac, um travesti brasileiro radicado na Itália que curte “uns bons drinque” na piscina. Foi o suficiente para Adnet encarnar o Bin Laden, de sunga e turbante, com um texto semelhante e o mesmo gestual do travesti. A conexão entre a fama passageira de um personagem e o ocaso sangrento de outro conferiu ao quadro um resultado surreal, inteligente – e naturalmente hilário.

Parte da quase unanimidade que Adnet se tornou vem do tipo de humor que ele faz. Seria difícil chamar de “politicamente correto” alguém que mistura um travesti e um terrorista assassino no mesmo esquete. Mas, ao contrário do humor sem travas praticado por colegas como Rafinha Bastos, Adnet manifesta um grau de preocupação com aquilo que transforma em piada. Não costuma falar de homossexuais, negros ou adeptos de alguma religião. “Tenho uma regra: nunca sacaneio quem não escolheu ser daquele jeito”, afirma. Pobre e deficiente, não pode. Playboy ou político corrupto, pode. Gay e negro, não pode. Perua e rico preconceituoso, pode. Ele também acha machistas os programas de humor com mulheres seminuas.

“Impossível não acompanhar tudo o que o Marcelo faz. Ele é um virtuoso, um multitalento que nasce de tempos em tempos”, diz o roteirista Alexandre Machado, autor de sucessos do humor como TV Pirata e Os normais. Machado, ao lado da mulher, Fernanda Young, assina a estreia de Adnet na TV Globo, no seriado O dentista mascarado. Seu protagonista atende no consultório pela manhã e defende os fracos e oprimidos à noite. Machado diz que o texto está aberto aos pitacos de Adnet, assim como a improvisos nas gravações. “Se quiser, ele pode até escrever alguns episódios.”

Aos 31 anos, o carioca Adnet é o nome mais engraçado da nova geração do humor nacional. É uma geração que escreve, atua e produz. Além de Adnet e Bastos, reúne nomes como Bruno Mazzeo, Fábio Porchat ou Gregório Duvivier. Eles se tornaram conhecidos por dois caminhos. O primeiro foi o teatro, mais especificamente o stand-up comedy. É um espetáculo em que o comediante se apresenta sozinho, sem figurino ou cenário, fazendo observações sobre o cotidiano. Tradição nos Estados Unidos, ele era feito no Brasil por José Vasconcelos, na década de 1960, depois por Chico Anysio e Jô Soares, na década seguinte. No começo dos anos 2000, o estilo foi trazido de volta ao Rio de Janeiro por Fernando Ceylão, primeiro brasileiro a participar do festival de stand-up de Nova York. Com Claudio Torres Gonzaga, ele criou o espetáculo Comédia em pé, que há quase dez anos roda o Brasil. Em São Paulo, na mesma época, jovens humoristas criaram grupos que se apresentavam em bares e pequenas casas de espetáculo. Abrasileirado, o stand-up já incorporava alguns figurinos e o humor de tipos, consagrado na televisão. Nomes populares na TV de hoje, como Danilo Gentili, Dani Calabresa ou o próprio Rafinha Bastos, começaram sozinhos no palco. Em apenas uma década, o Brasil aprendeu a apreciar intensamente esse tipo de humor. No ano passado, o espetáculo de stand-up a céu aberto da Virada Cultural de São Paulo reuniu 52 comediantes e foi visto por mais de 10 mil pessoas.

Assista alguns dos sucessos de Adnet :

‘Vim para fazer diferença’, afirma passista que teve perna amputada

Passista da Nenê de Vila Matilde (Foto: Raul Zito/G1)

Passista da Nenê de Vila Matilde (Foto: Raul Zito/G1)

Ela é veterana no carnaval: ‘vi que no samba tenho mais oportunidade’. Haone disse que terminou namoro para desfilar pela Nenê da Vila Matilde.

Roney Domingos, no G1

A estudante Haone Thinar, de 20 anos, é uma veterana do carnaval de São Paulo. Ela não se deixa abater pela condição de amputada. No carnaval 2012, desfilou como passista da Nenê de Vila Matilde.  “Vi que no samba tenho mais oportunidade. Queria mostrar que, apesar de ser deficiente, não preciso deixar de ser passista, vim para fazer diferença no mundo”, disse a jovem.

Nos anos anteriores, ela desfilou pela Mancha e Vai-Vai. A estudante conta que mantém uma rotina na qual não se deixa prender por barreiras: já fez capoeira e freqüenta bailes funk. Ela teve a perna amputada aos nove anos por causa de um câncer, mas mesmo assim não desistiu dos sonhos e já cursou teatro.

Estudante do 3º ano de ensino médio, ela trabalha como atendente no DER. Se pudesse deixar um exemplo, falaria diretamente para as garotas que enfrentam problemas parecidos. “Menina é mais vaidosa, acha que quando perdeu um membro, perdeu a vida. As pessoas dão risada de mim, mas eu sou mais eu. Vou atrás dos meus objetivos”, disse.

Haone terminou um relacionamento de 5 meses na véspera do carnaval porque o namorado não queria que ela desfilasse. “Terminei por causa do carnaval, ele tem ciúmes. Ele pediu para escolher e eu falei que ficaria com o carnaval”, disse.

A mãe, Sandra Silva, de 42 anos, já não se surpreende: “sempre falei para ela nunca se deixar abater por ninguém”, disse.

Templo é dinheiro

Os mandamentos para faturar e conquistar fiéis

João Batista Jr., na Veja SP

Inovar nas ofertas

Há múltiplas alternativas para pedir contribuições: para a construção de novos templos, para imprimir livros, para ajudar a gravar um CD ou para pagar uma palestra de um pastor de outro estado. A venda de objetos como fronhas e toalhas figura entre outras fontes de receita. É fundamental ter máquinas para receber ofertas nos cartões de débito e de crédito.

Caprichar no discurso

Frases de efeito, muitas vezes cheias de clichês, são ditas a cada minuto de forma a dar ênfase à mensagem e prender a atenção da plateia. “Não deixar o cavalo morrer na batalha”, “A fofoca é capaz de destruir as bases sociais” e “Morar com a sogra é ruim porque se dá um incesto emocional” são alguns exemplos. Fechar os olhos enquanto se prega dá ares ainda mais dramáticos.

Ter dons artísticos

Chorar, soltar o gogó como se cantasse numa ópera e pular de um lado para o outro. O púlpito, muitas vezes decorado com telões de LED, vira um palco, onde o pastor faz um monólogo. Daí ser fundamental dominar técnicas teatrais, como saber dar ênfase exata a determinadas palavras e mexer os braços de forma a projetar uma imagem de profeta. O visual deve sempre estar alinhado.

              Sonia e Estevam Hernandes, da Renascer: provas escritas para contratar novos membros
Sonia e Estevam Hernandes, da Renascer: provas escritas para contratar novos membros (Foto: Gilberto Telles)

“Esses homens tinham cotas para arrecadar. Uma vez ultrapassada a do mês atual, o valor atingido vira a cota do mês seguinte. É como um banco”, compara Leonildo Silveira Campos, professor de pós-graduação em ciências da religião da Universidade Metodista e autor do livro Teatro, Templo e Mercado: Organização e Marketing de um empreendimento Neopentecostal. Os salários da Universal variam hoje entre R$ 1. 500 e R$ 10.000, mas há cargos mais bem remunerados, como o dos chefes regionais. “Os pastores têm tabelas a ser preenchidas, com os gastos e os ganhos do mês”, acrescenta o especialista.

A disputa por gente qualificada provoca atualmente uma guerra nesse meio. Valdemiro Santiago, da Mundial do Poder de Deus, faz um corpo a corpo para tirar gente dos quadros da Universal e da Internacional da Graça de Deus. “Ele oferece plano de saúde, aluguel da casa e salários maiores”, diz Ricardo Bitun, professor de sociologia e teologia do Mackenzie. O teto salarial da Mundial é de R$ 15.000. “Em alguns casos, ela aumenta a remuneração fixa, concedendo de 8% a 10% da arrecadação das ofertas ao pastor”, afirma Bitun.

              Agenor Duque e a mulher, a bispa Ingrid, da Igreja Apostólica Plenitude do Trono de Deus: projeto de ter emissoras de rádio e TV
Agenor Duque e a mulher, a bispa Ingrid, da Igreja Apostólica Plenitude do Trono de Deus: projeto de ter emissoras de rádio e TV (Foto: Divulgação)

A Renascer, de Estevam e Sonia Hernandes, paga entre R$ 1.500 e R$15.000 aos membros mais graduados. “Para fazer parte da nossa comunidade, é preciso passar por um processo seletivo”, diz a bispa Amanda Baldoni, a responsável pela escola teológica da Renascer (veja ao final do texto algumas questões do vestibular). “Profissional bom, com o dom da palavra e comprometimento com o ministério, precisa ser valorizado”, defende Malafaia, o único entre os grandes líderes a expor a receita de sua igreja: segundo ele, R$ 40 milhões em 2012. “Meus discípulos ganham entre R$ 4.000 e R$ 22.000. Também banco casa e escola para os filhos”, enumera. Mais recentemente, Malafaia estabeleceu que, caso alguém de sua equipe seja aceito em qualquer curso da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, ele financiará integralmente os estudos.

A busca pela prosperidade é estimulada pelas igrejas, e muitos dos fiéis não escondem que vislumbram o ofício como um meio de ascensão social. Entre os estudantes da Eslavec, um caso muito comentado era o de Agenor Duque, fundador da Apostólica Plenitude do Trono de Deus. Em 2006, quando decidiu deixar a Mundial para abrir a própria frente de pregação, ele vendeu seu carro Astra por R$ 25.000. “Precisava comprar tempo em uma rádio”, lembra. Atualmente, aos 36 anos, é dono de cinco templos, sendo um deles localizado em um imóvel na Avenida Celso Garcia, na Zona Leste da capital, pelo qual desembolsou R$ 3,5 milhões. Além disso, tem caixa para bancar espaço diário em três emissoras de rádio e uma de TV. “Gasto R$ 48.000 com esses compromissos”, afirma. O investimento vale a pena. Duque tem sido convidado para aparecer em programas de TV e, no próximo Carnaval, promoverá um evento no estádio do Canindé com a expectativa de receber 30.000 pessoas.

              Edir Macedo: a Universal foi uma das primeiras a investir pesado na qualificação dos seus quadros
Edir Macedo: a Universal foi uma das primeiras a investir pesado na qualificação dos seus quadros (Foto: Rafael Andrade)

Histórias como essa faziam brilhar os olhos de muitos dos presentes nas palestras em Águas de Lindoia. Um dos alunos, Wesley Rebustini, de 28 anos, sonha alto. Seus pais fundaram a Bíblica da Paz há duas décadas. Em 2010, depois de cursar teologia nos Estados Unidos, o rapaz voltou para o Brasil com a missão de tocar os planos de expansão. No ano passado, ele abriu três templos na Grande São Paulo. “Serão outros cinco em 2013”, planeja. Wesley é irmão do cantor gospel Guilherme Rebustini, do elenco da Sony Music, e diz não pagar salários aos seus pastores-funcionários. “Nesse momento, eles podem ter um emprego para se manter e não se dedicam integralmente à nossa causa”, justifica. “Mas isso certamente vai mudar quando crescermos.”