Arte transforma

Em vez de campeã de suicídios, minha cidade natal agora é berço de todo tipo de artista e criador

Companhia “Os Cogitadores”.
Companhia “Os Cogitadores”.

Walcyr Carrasco, na Época

Nasci numa pequena cidade do interior de São Paulo, Bernardino de Campos. Meus avós vieram da Espanha e foram colher café em fazendas da região, assim como centenas de imigrantes, italianos também. Estruturada em torno da estrada de ferro, a antiga Sorocabana, onde meu pai trabalhava, a cidade não cresceu de forma expressiva. Antigos cafezais permanecem abandonados em torno dela. A estrada de ferro fechou. O número de habitantes? Cerca de 11 mil. Meus pais se mudaram quando eu tinha 3 anos de idade. Passei todas as minhas férias, quando criança, em Bernardino, na casa de minha avó paterna, Rosa. Ainda reconheço ruas e casas. Há muito tempo não tenho nenhum parente bem próximo na cidade. Meus primos vivem em São Paulo, como eu; meus tios e meus avós já se foram. Mas sinto uma afinidade com Bernardino. Raízes contam na vida de alguém.

Por que falo tudo isso?

Há dez anos fui convidado para participar do primeiro Festival de Teatro de Bernardino de Campos (Festar), com grupos de várias cidades do interior. Fui, é claro. Gostei de ver o entusiasmo pelas peças, a alegria dos grupos em participar. Era uma novidade. Conversando com as pessoas, descobri que Bernardino se transformara numa campeã de suicídios. A tal ponto que, quando alguém ia comprar corda, já diziam, meio brincando, meio assustados:

– Vai partir desta para melhor?

É que as pessoas sempre se matavam da mesma maneira, se enforcando. Eu mesmo, ao visitar uma tia-avó, me surpreendi ao constatar que não só ela não me reconhecia, como também, ao despertar, não sabia quem era o próprio filho, devido aos remédios que tomava. Fiquei triste, é claro. Olhei aquelas ruas desertas, onde a partir das 20 horas nada acontecia, e pensei:

– Que esperança, que perspectiva de vida há aqui?

Os anos se passaram, e não voltei à cidade. Para minha surpresa, no último fim de semana fui convidado a participar da nova edição do Festar, agora comemorando dez anos. É de admirar um festival de teatro no interior que dura dez anos. Soube depois que outras cidades também têm seus festivais, uma iniciativa que vale a pena aplaudir. Fui bem contente. Além de também escrever para teatro, penso que todos nós, da televisão, temos nossa primeira pátria nas artes cênicas. Ao chegar, descobri que Bernardino continua com suas dificuldades econômicas. Mas o prefeito apoia as artes. A secretária de cultura, Cibele, já montou uma escola de dança, teatro, para crianças e adolescentes – totalmente gratuita. Criou-se um baile para a terceira idade que, soube, bomba todos os fins de semana. Durante a semana do festival, as peças, infantis e adultas, tiveram casa cheia, mesmo às 23 horas, um dos horários de apresentação. Esperava, inicialmente, textos ingênuos, bem amadores. Preconceito meu. Entre os principais, havia Casa de bonecas, de Ibsen, sobre a independência e a dignidade da mulher; Pterodáctilos, criação de um grupo de Registro que vem arrebatando prêmios em festivais; e a peça Um pequeno animal selvagem, do grupo Os Cogitadores, de São José do Rio Preto, escrita por Zeno Wilde, autor paulista de vanguarda que já morreu. Era uma montagem forte, intensa, que não ficou em cima do muro. Pelo contrário, os atores não tiveram medo de chocar. Surpreso, pensei: “Arte não é só para encantar, também pode chocar, abrir uma janela para um universo que os espectadores não conhecem”. Aplaudi a peça de pé. Também vi uma montagem de um auto de São João, escrita e dirigida por uma garota da cidade, bem divertida. O que mais me impressionou foi ser um texto escrito, dirigido e interpretado por um grupo local. Teve de pedir roupas emprestadas para o figurino, ajuda de todos os tipos e até uma carroça para colocar no palco. (Como vão tirar, não me perguntem.)

Em certo momento, nas conversas, perguntei sobre os casos de depressão e suicídio. Estranharam. Alguém lembrou que isso acontecia, sim, em Bernardino há um certo tempo, mas agora não se ouve mais falar. Óbvio. As pessoas estão criando! Mexer com as cabeças não é tão tangível como construir um viaduto. Vi essas pessoas convivendo com música, teatro, dança, trocando experiências. A arte tem um profundo poder de transformação. É um lindo caminho, que começa a acontecer. E que com certeza cria novas consciências e um jeito novo de viver.

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Putin assina lei que proíbe palavrões na Rússia

Conjunto de especialistas vai definir expressões que não são permitidas

O presidente russo Vladimir Putin em uma reunião em Moscou (foto: MIKHAIL KLIMENTYEV / AFP-6-5-2014)
O presidente russo Vladimir Putin em uma reunião em Moscou (foto: MIKHAIL KLIMENTYEV / AFP-6-5-2014)

Publicado em O Globo

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, promulgou na segunda-feira uma lei que proíbe o uso de obscenidades e grosserias em espaços públicos como meios de comunicação, teatro, filmes, peças, livros, concertos e obras de arte.

Quem usar palavrões ou gestos grosseiros a partir da entrada em vigor da lei no próximo dia 1º de junho poderá ser multado em até R$ 156. Funcionários públicos e pessoas jurídicas também podem ser punidos com cifras ainda maiores, de R$ 280 e R$ 3116, respectivamente. A informação é do jornal espanhol “ABC”.

De acordo com o diário, especialistas determinarão o que é ou não um palavrão ou gesto obsceno.

O “ABC” informa que filmes com palavrões não receberão certificados para serem exibidos nos cinemas russos.

Críticos consideram a lei uma artimanha para fazer pressão sobre a classe artística e intelectual do país.

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Jovem transforma vida de moradores de comunidade carente com ONG

Voluntários atendem crianças, adolescentes e adultos com dança, teatro, alfabetização, reforço escolar, cursos profissionalizantes e vários outros

Publicado no Bom Dia Brasil

O Bom Dia Brasil foi conhecer a ONG Mundo Novo, que funciona em um dos bairros mais carentes e violentos da Baixada Fluminense. O projeto existe há onze anos com o objetivo de oferecer alternativas para a comunidade.

Os voluntários atendem crianças, adolescentes e adultos com vários cursos: dança, teatro, alfabetização de adultos, reforço escolar, cursos profissionalizantes e vários outros. Tudo isso foi ideia da Bianca. Ela percebeu que o bairro precisava de ajuda e decidiu fazer alguma coisa para mudar a vida das pessoas.

“Eu sempre me deparei, desde muito nova com as desigualdades. Por que não tinham muitas coisas aqui onde eu moro e em outros locais tinham?”, conta Bianca Simãozinho.

Desde pequena Bianca é uma transformadora. “Tudo começou na casa da minha mãe, quando eu tinha 16 anos e tive um sonho de trazer um projeto cultural para a Chatuba. A gente tinha uma cortina no meio, metade era sala e metade era o quarto dos meus irmãos. Minha mãe desmontou tudo, nós passamos a morar no quarto dela e tudo virou um projeto social. Só que a maior surpresa é que na primeira semana foram mais de 150 inscritos. Nós éramos os maiores investidores, cada um com o que tinha. Um amigo comprava um pão, no outro dia outro comprava, a gente pedia material escolar e todo mundo juntava o que tinha em casa. Era tudo improvisado”, lembra.

A sede da ONG Mundo Novo foi inaugurada há três anos e tem três andares. Foi com muito esforço. É como se fosse um oásis, um sonho na Chatuba, um dos bairros com o maior índice de criminalidade na cidade de Mesquita, que fica na Baixada Fluminense.

“Isso aqui era um terreno abandonado, onde a comunidade costumava jogar lixo. A gente rejuntou, colocou piso, pinta. Todo início de ano a gente reúne nossos alunos, reúne a equipe de voluntariado e a gente mesmo vai fazendo a obra, dando um jeito”, afirma Bianca.

“Eu consegui colocar todos eles na ONG através do Leonardo. Na época eu tinha me separado do pai dele, ele não queria estudar, estava ficando rebelde e eu não queria perder o meu filho. Fizeram um bom trabalho com ele, ele começou a gostar de estudar. Fiquei feliz da vida”, conta Maria Lucia Jacinto, mãe e aluna da ONG.

“Hoje em dia se eu não tivesse aqui, não sei nem o que seria de mim. Quero ser marinheiro. Fiz uma prova, passei para fuzileiro naval, eu passei. Basta a gente querer. Quando a gente quer, a gente consegue”, diz Leonardo.

“Já estou aprendendo a ler e escrever. Em vista do que eu era antes, eu falo para ela que agora eu estou bem melhor. Me esforçando, falta muito, mas estou vindo”, brinca Maria Lucia.

“Lorraine entrou na instituição com 12 anos de idade como aluna. Veio de um relacionamento familiar difícil”, conta Bianca.

“Passei minha vida toda com a minha avó e meu avô. Eles que de me deram a criação. Meu pai era alcoólatra e agressivo. Quando eu chegava na ONG era diferente, parecia que tudo que eu passava lá fora, com os meus pais, eu esquecia”, lembra Lorraine Gonzaga.

“Quando ela se deparou com a arte, com a educação, isso transformou a vida dela. Hoje ela é uma professora contratada pela instituição, faz faculdade de pedagogia”, conta Bianca.

“Quero continuar este trabalho de transformação. Assim como um dia transformaram a minha vida, quero transformar a vida de outras pessoas”, diz Lorraine.

“É muito significativo para a instituição. Não só ela, mas hoje temos outras ex-alunas que são contratadas e atuam no projeto como monitores”, lembra Bianca.

“Meu sonho é me profissionalizar na dança, ser professora e mostrar o que eu sei para as outras crianças também. Quando eu entrei aqui eu era uma delas, e hoje eu passo para elas o que eu aprendi com a Bianca”, diz Julia Fernandes da Silva.

“A gente não quer fazer um depósito de criancinhas, a gente quer transformar vidas. Vamos cada um fazer a sua parte. Enquanto a gente fica reclamando a gente perde tempo. Existem muitas pessoas querendo transformar o mundo”, completa Bianca.

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Produção de ‘Jesus Cristo Superstar’ se preparou para protestos de religiosos

Grupos católicos se reuniram na frente do teatro na estreia do musical para manifestação contra espetáculo

Ubiratan Brasil, em O Estado de S.Paulo

A produção do musical Jesus Cristo Superstar estava preparada para manifestações mais contundentes de religiosos contrários ao espetáculo – além de seguranças na porta de entrada do Complexo Ohtake Cultural, outros dois permanecem dentro do teatro para impedir qualquer reação mais exaltada vinda da platéia durante o musical.

A manifestação que aconteceu na noite de sexta-feira, na estreia do espetáculo, reunindo representantes do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, Associação Devotos de Fátima, Associação Sagrado Coração de Jesus e Brasil pela Vida, já era esperada. “Acompanhamos, pelas redes sociais, uma combinação do encontro na porta do teatro, na data de estreia para o público”, disse o diretor do musical, Jorge Takla, ao Estado. “Mas foi algo totalmente pacífico, sem prejudicar a venda de ingressos ou o acesso do público à sala de espetáculo.”

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Cerca de 40 pessoas se reuniram a partir das 19h30 para gritar palavras de ordem alternadas com orações contra o que consideram blasfemo em Jesus Cristo Superstar: considerar o Filho de Deus um ser humano normal. “Eles repetiam frases nossas publicadas em textos da imprensa com essa intenção”, disse Takla. “Eu sou cristão, profundamente religioso , e não considero que a obra desrespeite a minha religião em momento algum. Ao contrário, estimula a minha fé, provoca em mim uma série de questionamentos que nutrem a minha alma.”

As reações continuaram no momento em que o espetáculo era encenado, inclusive com o uso de uma gaita de fole, mas o barulho não foi percebido dentro do espetáculo. Segundo a produção, cerca de 80% da capacidade do teatro foi ocupada. “E a reação, ao final, foi entusiástica”, completou Takla.

Evangélica, a atriz Negra Li, que interpreta Maria Madalena, contou ter conversado com pessoas de sua congregação sobre participar do espetáculo. “Eles ficaram tranquilos quando eu disse que frases da Bíblia são usadas nos diálogos, ou seja, nada da história de Cristo é deturpada. Com isso, tive a aprovação deles e de meus fãs”, afirmou ao

Cerca de 40 pessoas se reuniram a partir das 19h30 para gritar palavras de ordem alternadas com orações contra o que consideram blasfemo em Jesus Cristo Superstar: considerar o Filho de Deus um ser humano normal. “Eles repetiam frases nossas publicadas em textos da imprensa com essa intenção”, disse Takla. “Eu sou cristão, profundamente religioso , e não considero que a obra desrespeite a minha religião em momento algum. Ao contrário, estimula a minha fé, provoca em mim uma série de questionamentos que nutrem a minha alma.”

As reações continuaram no momento em que o espetáculo era encenado, inclusive com o uso de uma gaita de fole, mas o barulho não foi percebido dentro do espetáculo. Segundo a produção, cerca de 80% da capacidade do teatro foi ocupada. “E a reação, ao final, foi entusiástica”, completou Takla.

Evangélica, a atriz Negra Li, que interpreta Maria Madalena, contou ter conversado com pessoas de sua congregação sobre participar do espetáculo. “Eles ficaram tranquilos quando eu disse que frases da Bíblia são usadas nos diálogos, ou seja, nada da história de Cristo é deturpada. Com isso, tive a aprovação deles e de meus fãs”, afirmou ao Estado.

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Quem foi que disse que o silêncio não mata

silencio

Graça Taguti, na Revista Bula

Já parou pra ouvir? Volta e meia, o silêncio tenta nos dizer tantas coisas, sussurrar segredos lá dentro dos nossos ouvidos, mas estamos ocupados demais para prestar atenção. Ou então tagarelando, jogando conversa fora, linguarudos toda a vida. Só um zíper pra fechar nossa boca maldita. Que, aliás, nem sempre funciona.

Há silêncios de todos os jeitos, tonalidades, inflexões, cores e propósitos. Silêncios poéticos. Teatrais.  Os discretos discursos da alma. Silêncio dos interrogatórios, dos assassinos, na acareação; do padre no confessionário; da audiência, em um espetáculo de música clássica, orquestrada em um teatro de arquitetura imponente.

Silêncios de práticas terapêuticas, como as de algumas vertentes da Ioga. Das meditações em centros de autoconhecimento. Os silêncios graves e carregados de sentido dos psicanalistas, ponderando frente às aflições de seus pacientes.

Os silêncios saltam dos provérbios, dos ditados, dos tácitos acordos amorosos, nos quais apenas os olhos se comunicam. Há os que brotam dos gestos tão genuínos de quem já nasceu mudo. Emergem dos atos contritos de refletir durante o sermão na missa dominical. Ou manter-se atento à preleção do pastor, no caso dos cultos evangélicos.

Há o silêncio dos ateus, que se consideram donos do próprio destino e responsáveis únicos no enfrentamento das batalhas cotidianas. Silêncio da vergonha, que busca um pano preto para se encobrir, depois de fatos desvendados, porém infelizmente não encontra. Silêncio dos prisioneiros políticos, que tentam preservar sua honra na oferta da delação premiada. Quantos mártires, apóstolos ferrenhos de seus ideais definharam e foram apagados em salas escuras, úmidas e implacáveis?

O silêncio frio das mentiras. Que calam por consentir no deslize, no roubo. Que adotam a permissividade no lugar da ética, a promiscuidade atitudinal em detrimento da paz. Silêncio nas falácias dos governantes, discursos vazios de propostas, em torno  dos quais, com frequência, a sociedade permanece perplexa. Em calado desalento.

Silêncio da pré-adolescente, flagrada pela bronca do pai ao provar toda serelepe, ao lado do namoradinho, uma caipirinha no bar da esquina próxima de casa.

O silêncio está em jogo.  Filho legítimo de situações absurdas, bizarras, impensáveis em sua barbárie. Silêncio de quem assiste a injustiças e se flagra de mãos atadas, impotente para reagir.

A covardia explícita no ditado: quem cala consente. O sábio conselho embutido em: falar é prata, ouvir é ouro. A propósito, o seu vizinho, que fala como um papagaio se resolvesse parar pra se ouvir, certamente atiraria dezenas de frases inúteis no lixo.

Em boca fechada não entra mosca! — adverte a professora de português do ensino médio ao aluno que teima defender a conquista dos suados e almejados pontos de sua redação sobre “A Gula”, cá entre nos muito indigesta e mal redigida.

A cena costumeira observada das namoradas carentes reclamando por incessantes  declarações de amor do tolerante parceiro, em alto em bom som. Mas quem disse que o silêncio não traz às costas uma mochila pesada, repleta de afetos enormes?

No filme “O Silêncio dos Inocentes” de 1991, a agente do FBI (Jodie Foster) é destacada para encontrar um assassino que arranca a pele de suas vítimas. Para entender como o ele pensa, a moça procura um perigoso psicopata (Anthony Hopkins), encarcerado sob a acusação de canibalismo.

“O Silêncio” — filme sueco de 1963, escrito e dirigido por Ingmar Bergman, foi considerado bastante controverso, apresentando temas como masturbação feminina, sugerindo lesbianismo e incesto, além de nudez e sexo.

Em “A Tortura do Silêncio” uma das obras-primas de Alfred Hitchcock, de 1953, o padre Michael Logan (Montgomery Clift), aparentemente um exemplo de piedade religiosa, escuta a confissão de um assassino. Tarefa árdua testemunhar o ocorrido, a partir do ponto de vista do matador e as normas da igreja que impedem Logan de se pronunciar.

Escritora filigranada, Clarice Lispector anunciou sem reservas: “Minhas desequilibradas palavras são o luxo do meu silêncio”.

Jack Kerouac, emblemático romancista da geração beat, sublinhou: “Porque o silêncio em si é como o som dos diamantes que podem cortar tudo”.

Nosso Tom Jobim, sempre movido por especial delicadeza, alinhavou irretocável metáfora, segundo a qual a música é o silêncio que existe entre as notas.

Por fim, o eterno Leminski num de seus versos registrou, recorrendo à sua habitual e extrema agudeza: “Repara bem no que não digo”.

Então. Talvez esta seja uma boa ocasião para tentarmos decifrar a sutil conversa das plantas. O significado de certas tempestades, dentro e fora do corpo. Os humores da natureza.  Contemplarmos também alguns sorrisos que dançam imersos na quietude dos olhos. As mensagens impregnadas em longos e profundos  suspiros.

E, naturalmente, a inquestionável cumplicidade de dois amantes, denunciada pela força de silenciosos apertos de mãos.

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