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Vereadores aprovam projeto com 6 meses de férias e 2 sessões por ano no Sertão da Paraíba

O projeto foi assinado por todos os vereadores da cidade. O documento assinado pelos vereadores deixa agendado reuniões somente para dois períodos no ano. Assim, os parlamentares de Jericó ficarão de férias durante seis meses

Antônio Andrade, presidente da Câmara de Jericó

Antônio Andrade, presidente da Câmara de Jericó

Publicado no Portal Correio

Os nove vereadores do município de Jericó (localizado no Sertão da Paraíba, a 404 km da capital João Pessoa) aprovaram uma resolução que prevê a realização de apenas duas sessões ordinárias por ano. O projeto foi assinado por todos os vereadores da cidade. O município tem 6.326 eleitores e o vereador mais votado nas eleições do ano passado foi Antonio Marciones de Sousa e Silva, eleito com 536 votos.

Com a assinatura do projeto, as férias dos parlamentares se prolongarão por seis meses. O documento assinado pelos vereadores deixa agendado reuniões somente para os períodos compreendidos entre 1° de março a 31 de maio e 1° de setembro a 30 de novembro. Assim, os parlamentares de Jericó ficarão de férias em junho, julho, agosto, dezembro, janeiro e fevereiro.

A matéria foi submetida à apreciação e aprovada no dia 14 de junho, apesar de apresentar uma clara contradição textual. Ao mesmo tempo em que diz que haverá apenas duas sessões ordinárias por ano, a resolução prevê que o trabalho, em metade dos meses do ano, se dará uma vez por semana, às sextas-feiras.

O município de Jericó fica encravado na microregião de Catolé do Rocha e tem uma população estimada em 7.538 habitantes.

dica do Rogério Moreira

A chama não tem pavio

Ruas do Rio de Janeiro tomadas pelos manifestantes na noite da segunda-feira (foto: Felipe Dana / AP)

Ruas do Rio de Janeiro tomadas pelos manifestantes na noite da segunda-feira (foto: Felipe Dana / AP)

Ed René Kivitz

Mais do que oferecer respostas às perguntas, Jesus respondia aos corações. Ele sabia que por trás de um cego de nascença estava a angústia a respeito das eventuais maldições divinas; nas entrelinhas da pergunta a respeito do divórcio, a sugestão de que tanto o legalismo quanto a licenciosidade são igualmente destrutivos; na possibilidade do apredrejamento da mulher flagrada em adultério, o ocultamento de uma injustiça que transcende as relações sociais.

Jesus não era ingênuo, não enxergava a realidade ao seu redor de maneira superficial, e não ficava preso aos fatos. Seu olhar e sua escuta alcançavam a alma humana que não se revela ao observador desatento. Sua ação, reação e proposição desciam aos meandros sombrios das articulações sociais, religiosas, políticas e econômicas de seu mundo, desmascaravam as artimanhas dos podres poderes, arrebentavam as correntes das diferentes escravidões, e instalavam bombas de tempo na estruturas de promoção e manutenção da morte. É urgente aprender com Jesus a ler as gentes e os tempos.

Quem observa de longe as manifestações dos últimos dias que encheram as ruas de nossas capitais com palavras de ordem e protestos, acredita que o povo reivindica apenas R$0,20 a menos na passagem do ônibus e melhorias no transporte urbano. Os mal intencionados se apressam em criticar os arruaceiros e baderneiros, e propositada ou inconscientemente, desviam a atenção para um debate absolutamente periférico – como é o caso de discutir a atuação da PM, em detrimento do aprofundamento do debate a respeito do que levou as multidões às ruas.

Não faltam manifestantes orgânicos, protestantes de fim tarde, que confundem engajamento e militância com programa legal com gente antenada numa esquina descolada, o que, de fato, dá motivos para quem quer desmerecer o movimento como coisa de gente alienada. Mas os que se deixam levar por esses tipos de comentários já foram julgados e condenados. A respeito deles já foi dito que “sua piscina está cheia de ratos e suas ideias não correspondem aos fatos”.

A verdade verdadeira é que a rua foi invadida não apenas por milhares de pessoas, mas por múltiplas ideias, que, somadas, ou melhor, multiplicadas, declaram em alto e bom som que o Brasil está amanhecendo para outro salto quântico em sua democracia e respectivas dimensões políticas, sociais e econômicas.

Ainda é cedo para dizer se o que está acontecendo é realmente algo de primeira grandeza, como a campanha pelas Diretas Já, em 1984, e o movimento dos Caras Pintadas, em 1992. Mas é fato que mais uma vez o povo está na rua. Quando isso acontece nas proporções em que estamos assistindo, mais do que a quantidade de manifestantes ou as reivindicações objetivas, o que importa mesmo é constatar o fato de que o espírito democrático se adensa e o povo dá um tapa na mesa.

A partir de então começam a aparecer novas e mais profundas propostas, são deflagrados processos de mudanças, projetos são tirados da gaveta (reformas tributária e política, quem sabe?), as leis são aperfeiçoadas, as instituições democráticas fortalecidas, a sociedade civil aprende a se organizar, os ocupantes do poder colocam as barbas de molho temendo os desdobramentos nas eleições seguintes, surgem novos atores sociais, nascem novos coletivos, são adensados e ganham fôlego os velhos movimentos, e com a chegada de novos engajados, são depurados e oxigenados os grupos que têm marchado com suas bandeiras desde sempre.

Participar de uma manifestação de rua faz nascer e crescer no peito uma paixão pelo protagonismo no estabelecimento dos rumos da sociedade, expõe os caminhantes às conversas, gritos de guerra, argumentos mais elaborados e informações mais precisas a respeito dos temas em pauta, e trazem a boa experiência de mobilização popular: repetir uma palavra de ordem para transmiti-la como uma onda que vai se espalhando até chegar às bordas da multidão; ocupar o espaço público sem violência e em busca da simpatia dos circunstantes; identificar os inimigos internos – infiltrados das forças antagônicas ao movimento ou meramente os espíritos de porco oportunistas; olhar nos olhos das forças de repressão, perder o medo dos cassetetes, e adquirir as habilidades dos que têm o velho e bom hábito de ficar “calmos em meio a tantos gases lacrimogêneos”.

Caso você esteja se aborrecendo com as interrupções do seu trajeto com barricadas, fogo e multidões, e com o barulho em volta da sua casa, vai se acostumando, “o rio de asfalto e gente” que “entorna pelas ladeiras e entope o meio fio” vai continuar fazendo curvas e canções, pois aqueles que nos fizeram homens, também se chamavam homens, e “porque se chamavam homens, também se chamavam sonhos e os sonhos não envelhecem”.

fonte: Facebook

20 centavos e o preço das manifestações

Foto: Rafael Lira

Foto: Rafael Lira

Isaac Palma, no Blog do Fale

Invariavelmente, não foram os 20 centavos que nos levaram as ruas de São Paulo, apesar de existirem razões cabíveis para protestar por esses 20 centavos. Definitivamente não são apenas os valores das passagens que tem levado pessoas as ruas, não só em São Paulo, mas em várias cidades do Brasil. Existe algo simbólico em todo levante popular, não significa que o que o Estado fez nunca foi feito, mas que chegou ao nível de ser intolerável, não saímos as ruas por esse último aumento, mas por todos os que tiveram até agora e em um tipo de esperança de que eles não sejam mais uma realidade entre nós, graças a uma indignação constante.

Existe uma distância astronômica, para aqueles que foram as ruas por esses dias pedir pela redução do valor da passagem, entre o valor anterior e esse que o Estado nos presenteou. Se enganam aqueles que acham que esses protestos são sobre transporte público ou mobilidade urbana, eles passam inevitavelmente por isso, mas não são sobre isso. Existe um tanto de revolta não só com o Estado, mas também com toda a Sociedade, e isso obviamente nos inclui, não estamos ali somente pelo que está posto agora, estamos também por todas as nossas omissões anteriores. Estamos ali porque não aguentamos mais ficar parados dizendo que ninguém faz nada, ou que os políticos são corruptos e nada pode mudar isto.

Isaac (esquerda) e Rafael  - Falantes marcando presença nas manifestações. (Foto: Rafael Lira)

Isaac (esquerda) e Rafael – Falantes marcando presença nas
manifestações. (Foto: Rafael Lira)

Entre a Avenida Paulista e a Consolação, nos poucos centímetros quetransformam uma em outra, pisei em 2013 como se pisasse em meados das décadas de 80, época em que os sonhos não descansavam, e que sonhar não era só possível como era necessário. Era como se num lapso de tempo pudesse viver aqueles anos que não vivi como ser humano mas inevitavelmente vivi como Brasileiro. Abandonar nossas distopias cotidianas talvez ainda nos leve tempo, trocar por velhas e (por que não?) novas utopias nos custe esforços que não estamos ainda dispostos. Ver aqueles sonhos de uma nação mais justa serem transformados em ensaios tecnocratas de mentiras mal contadas, talvez tenha sido um baque por demais doloroso em nós, e por isso esse silencio sepulcral, talvez por isso nossas omissões anteriores.

Recordo-me que a mesma cena se repete diversas vezes na história, como o estopim de uma coisa aparentemente insignificante pode se transformar num levante que muda os rumos de países, cidades ou bairros. Relembro a história do Cristo indignado, com os exploradores do povo, dos profetas que não quiseram nem puderam se calar com a hipocrisia daqueles que exploravam os oprimidos. Me identifico com esses sonhadores que vislumbraram outro mundo sobre os escombros daquele que estava a sua frente.

Por fim não podemos ser ingênuos a ponto de acreditar que mudaremos o Brasil de uma hora pra outra, ou que todos temos o mesmo sentimento, que todos os que foram as ruas acreditam nas mesmas coisas, esses movimentos aglutinam forças opostas dentro de si, e isso deve ser ressaltado, mas é justamente na contradição que emana a beleza dessa luta, somos sim contraditórios e múltiplos: plurais. Existem brigas e divisões, mas em comum decidimos Sonhar.

*Isaac Palma é articulador da Rede FALE SP e escreveu esse texto reflexivo a partir da experiência na marcha acontecida no dia 11/06/2013, que uniu mais de 10 mil pessoas nas ruas de São Paulo.

V de Vinagre: Um evangélico no #protestosp

vdevinagre

Moisés Lourenço, especial para o Pavablog

Este é meu depoimento sobre a noite do dia 13/06/2013 e podemos chamar de “A REVOLTA DA SALADA” ou “V DE VINAGRE”, como estão dizendo por aí. Julgue-me:

Nos encontramos em frente ao Teatro Municipal de SP. Protestos com canções e faixas. Nada de violência, muito pelo contrário, havia entre os manifestantes, muita educação sob um clima de protesto e a leveza de estar assegurado pela Lei. A policia, como em qualquer protesto, apenas acompanhava a fim de conter os excessos. Não tiveram problema algum com o ponderado protesto inicial.

Andamos até a praça Roosevelt e a manifestação continuou do mesmo jeito. O povo concentrado na praça. Saí de perto para tentar ligar para uma amiga, no que fui surpreendido com a tropa de choque chegando sorrateiramente bem atrás de mim. Desliguei o celular e saí correndo, gritando para dar tempo de avisar os demais manifestantes. Em questão de segundos, a tropa fez cair sobre a turba, uma nuvem de gás que asfixiou a todos, de modo simultâneo.

Corremos, indo para a outra extremidade da praça. O povo ponderado se transformou pelo caos do terror. Desmaios, aglomeração. A larga praça se tornou estreita para os milhares que tentavam sair da fumaça covarde. Moradores e transeuntes tiveram que fugir pelo mesmo encurralamento dos manifestantes. Vi um idoso de bengala no meio da turba, sendo deixando para trás, aparentemente “calmo”, mas que na verdade, estava “condenado” pela pouca força. Estava condenado a andar devagar, com a preocupação exclusiva de se apoiar na bengala, quando era a hora de correr. Não pude fazer nada, por mais que eu quisesse.

Nos espalhamos pelas ruas da Bela Vista. O coração a mil, a revolta instaurada, o cansaço, as mãos vazias. Fomos brutalmente atacados, munidos apenas de nossas vozes. “Para quê o capacete”, “o vinagre”, “a máscara”?. Bem, você é inteligente. Pense. Todas essas coisas são usadas para se proteger do gás e dos tiros de borrachas. Você pensava que era uma armadura terrorista? O vinagre seria utilizado para declarar uma guerra biológica? Não. O vinagre serve para ajudar contra ataques do gás e para nossa surpresa, a polícia decidiu prender a todos que fosse encontrado com o vinagre, ou seja, a ideia era: “você tem que se asfixiar até desmaiar”.

Uma vez encurralados, aviltados, agredidos, submanizados, reprimidos e privados de seus direitos, o povo tolhido e coagido se defendeu com pau, pedra, lixo queimado e pichação do tipo: “O Estado precisa ouvir o povo”. Ora, o povo estava fazendo um protesto limpo, se ajoelhou, pediu clemência e mesmo levou tiro de borracha nos olhos. Foi obrigado a se defender e revidar. O revide foi quase insignificante perante o ataque da polícia. Éramos indefesos diante da cavalaria, dos tiros e dos gases.

Agora, me responda: você acha que a nossa atitude foi de vandalismo? Se você está sendo atacado por uma brutal e esmagadora força superior, você não pegaria em cabo de vassoura ou saco de lixo? Jornalistas sofreram também, por portarem vinagre e por filmarem. Imaginem o que aconteceu com os manifestantes… a mídia pega a cena da queima do lixo, dos jovens de máscaras ou da pichação, edita com a polícia chegando “depois” e…. bingo. O telespectador chega a conclusão: “nossa, um grupo de vândalos com máscaras está queimando a cidade, ainda bem que a polícia chegou a tempo”. Percebem a inversão nos fatos?

Você pode questionar o motivo do protesto. Se é relevante ou não, uma coisa é certa, é preciso respeitar quem julga relevante a ponto de se reunir para se manifestar. Todos têm direito, não é? “Vadias”, evangélicos, homossexuais, professores, índios, “maconheiros” e etecéteras. A conclusão é que o que aconteceu no dia “13”, assim como em dias anteriores, abre um novo tempo no Brasil, de modo semelhante ao que aconteceu na Turquia, que no dia 31/05/2013, levaram milhares de pessoas a contestar a truculência governamental contra cidadãos que se opunham à derrubada de árvores para a construção de um shopping na Praça Taksim, em Istambul. Esses vinte centavos da tarifa, sairão muito caro.

Outrossim, conclamo a todos a aquecer o mercado brasileiro! Vamos deixar nosso país mais rico! Vamos comprar! Vamos comprar vinagre e desembainhar nas ruas, como se fosse uma espada. Porque o vinagre é a versão da arma química do Iraque.

Saia do Facebook. Isso vai chegar na sua cidade. Se organize e proteste. Prepare-se para correr. Se proteja. Filtre as informações da mídia. Contenha os excessos. Quem sabe, esta revolta expanda e abranja protestos contra a corrupção, contra educação falida, onde estudantes concluem o ensino sem saber ler e escrever direito, contra a saúde, que, por causa da negligência, milhares de pessoas morrem todo ano (você vai marcar uma cirurgia hoje, só que precisa entrar na fila e esperar 6 meses; tempo suficiente para o agravamento e a morte), contra a violência, onde vira “moda” queimar dentistas e etc.

Você não acreditou em nada do que eu disse? Venha comigo. Simples. Venha comigo participar do próximo protesto. Você vai ver outra realidade, completamente diferente da noticiada por parte da mídia brasileira (inclusive, a mídia internacional está sendo mais verdadeira).

Acompanhe a página do Passe Livre.

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Mais fotos aqui.

Após incitar violência em ato, promotor será desligado do Mackenzie

Comentário do promotor no Facebook na noite de sexta-feira (7) durante protesto contra o aumento da tarifa

Comentário do promotor no Facebook na noite de sexta-feira (7) durante protesto contra o aumento da tarifa

Marcelo Almeida, na Folha de S.Paulo

O promotor Rogério Leão Zagallo, que causou polêmica ao escrever um comentário no Facebook pedindo à Tropa de Choque que atirasse contra os manifestantes do Movimento Passe Livre, será desligado da Universidade Mackenzie, onde dá aulas no curso de Direito.

O próprio professor declarou aos seus alunos que não mais fará parte do corpo docente da universidade a partir do próximo semestre. Segundo ele, a universidade decidiu não renovar o seu contrato.

Preso no trânsito durante o protesto da última quinta-feira (6), o promotor escreveu em seu perfil pessoal: “Por favor, alguém poderia avisar a Tropa de Choque que essa região faz parte do meu Tribunal do Júri e que se eles matarem esses filhos da puta eu arquivarei o inquérito policial?”.

Após a repercussão do comentário, Zagallo justificou o seu comentário dizendo que foi um “desabafo” de alguém que estava há muito tempo parado na trânsito e que tinha um filho pequeno a sua espera. Ele disse ainda que a manifestação era legítima e que o comentário sobre o arquivamento de inquérito foi apenas uma “forma de expressão”.

Sobre o comentário do professor Zagallo, a universidade Mackenzie afirmou que mantém uma posição contrária a qualquer tipo de ação que desrespeite a liberdade e incite à violência. A assessoria de imprensa da universidade, no entanto, não confirmou o desligamento do professor Zagallo.