Mulher de 101 anos vê mar pela primeira vez

Ruby Holt contou que nunca teve tempo ou dinheiro para visitar uma praia

A americana Ruby Holt viu o mar pela primeira vez na vida pouco antes de completar 101 anos (foto: BBC)
A americana Ruby Holt viu o mar pela primeira vez na vida pouco antes de completar 101 anos (foto: BBC)

Publicado por BBC [via G1]

A poucas semanas de completar 101 anos, a americana Ruby Holt viu o mar pela primeira vez na vida.

Ruby passou a maior parte da vida em uma fazenda na zona rural do Tennessee onde colhia algodão. Ela disse que nunca teve tempo ou dinheiro para visitar uma praia.

O asilo onde ela vive em parceria com ONG que realiza os últimos desejos de idosos pagou a viagem da americana até o Golfo do México, onde ela pôde, pela primeira vez em um século, caminhar sobre a areia e sentir as ondas em seus pés.

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Tristeza é emoção que demora mais tempo para passar, diz estudo

Por Jairo Bouer, no UOL

Uma pesquisa revela que a tristeza é a emoção que demora mais tempo para passar. A sensação que temos após o rompimento de um namoro ou a perda de um ente querido dura 240 vezes mais do que a vergonha, a surpresa ou o tédio, segundo pesquisadores da Universidade de Leuven, na Bélgica.

Para chegar à conclusão, eles coletaram depoimentos de 233 estudantes universitários sobre episódios recentes que resultaram em emoções. Os resultados foram publicados na revista Motivation and Emotion.

De acordo com o levantamento, que avaliou 27 emoções, a tristeza leva uma média de 120 horas para passar. Já o ódio tem uma duração média de 60 horas e a alegria, de apenas 35 horas. O desespero costuma durar 24 horas e o ciúme, 15 horas.

No fim da lista, as emoções que passam mais rápido são a vergonha e o nojo – que desaparecem, em média, depois de meia hora.

Segundo os pesquisadores Philippe Verduyn e Saskia Layrijsen, o tédio também está entre as emoções mais fugazes – costuma durar duas horas – ainda que as pessoas tenham a sensação de que o tempo passa mais devagar ao ficar entediadas.

O estudo ressalta que emoções mais curtas têm relação com eventos que têm importância menor para as pessoas. No entanto, quando acontece algo de maior impacto na vida de uma pessoa, ela tende a repensar o acontecimento continuamente. Essa mania de “ruminar” faz com que certas pessoas sintam ansiedade e culpa, por exemplo, por longos períodos.

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A arte de esquecer

Pôr os sentimentos de lado é permitir que a vida prossiga

esquecer

Ivan Martins, na Época

O livro mais triste que conheço sobre o amor se chama O legado de Eszter, do húngaro Sándor Márai. Quando o li, tive a sensação de que minha vida, como a da personagem, seria destruída pela esperança de um romance irrecuperável. Eszter espera pela visita do grande amor do passado, que a salvará de uma existência de solidão e vergonha. Eu esperava pelo retorno de uma mulher que nunca voltou.

Lembro o livro, o período e a dor como partes de um mesmo corpo. A prosa límpida e hipnótica de Márai ligava a vida da mulher no início do século XX à minha, que se desenrolava às vésperas do século XXI. As personagens e as palavras dele deram àquele momento as cores de uma profunda melancolia, mas a tingiram, ao mesmo tempo, de uma estranha lucidez. Lembro-me de pensar, de forma um pouco dramática, que afundava de olhos abertos.

Fui procurar ontem o livro na minha estante e descobri que não está mais lá. Sumiu, assim como o afeto inextinguível que eu sentia. Alguém levou meu livro embora, ou se esqueceu de devolvê-lo. O tempo dispôs silenciosamente da minha paixão. Diante disso, me ocorre que esquecer é uma bênção – ou uma arte, a aprimorar meticulosamente ao longo da vida. Pôr pessoas e sentimentos de lado é permitir que a existência prossiga.

Não há nada que eu gostaria tanto de ensinar aos outros e a mim mesmo como a capacidade de deixar sentimentos para trás. Olho ao redor e vejo gente encalhada como barcos na areia. Homens e mulheres. Esperam pelo passado, embora a vida se espraie em possibilidades à volta delas. Precisam de tempo para se recuperar, mas carecem de luz. Necessitam entender que a dor – embora inevitável – não constitui uma virtude, nem mesmo um caminho. Tem apenas ser superada, para que o futuro aconteça.

A Eszter de Márai vive encarcerada no universo moral e jurídico legado a ela pelo século XIX. Mulher, seu destino era ligado às decisões de um homem, Lajos. Ela espera porque não tem meios de agir. Ser corrompida pela esperança e pelo perdão é o que lhe resta. Sua posição na sociedade consiste numa espécie inexorável de destino.

Não há, no mundo em que vivemos, uma jaula social correspondente aessa. Fazemos nossas escolhas no interior de amplos limites existenciais. Somos inteiramente responsáveis por nossos sentimentos, ou ao menos pelas atitudes que tomamos diante deles. Se decidimos ficar e esperar, se permitimos nos tornar o objeto passivo das manipulações ou indecisões alheias, não há um Lajos a quem acusar.

Ainda assim, construímos prisões mentais à nossa volta. Prisioneiros de uma noção ridícula de amor do século XIX, quando ainda não havia liberdade pessoal, imaginamos que o amor é único e eterno – e que perdê-lo equivale a perder a vida, como um trem que passasse uma única vez numa estação deserta. Nada mais longe da realidade. Nossa vida se abre desde o início em múltiplas possibilidades e se desenvolve em companhia de inúmeras pessoas. Alguns terão papéis importantes e duradouros. Outros serão passagens breves e luminosas, como uma tarde de verão. Todos, com uma ou outra exceção monumental, veremos partir. Nós mesmos iremos embora em incontáveis ocasiões. Nos restará o desapego, como antes só restava a Eszter a resignação.

Por isso, a arte de esquecer é essencial. Ela me parece a mais moderna das sabedorias sentimentais, aquela que mais permite mover-se no mundo como ele é, não como nos fizeram crer que ele seria. Nesse mundo haverá sexo, haverá paixão e, às vezes, haverá amor. É provável que haja desencontro e ruptura e que sejamos forçados a começar de novo, sozinhos. Esse é o ciclo da vida como ela se apresenta no século XXI. Nele, deixar para trás e esquecer é tão essencial quanto reconhecer e se vincular. Consiste no nosso legado sentimental. Ele começou a ser elaborado por tipos rebeldes nos anos 60 e continua a ser refeito hoje em dia. Nada tem a ver com o legado de Eszter, embora este ainda nos ensine e nos comova.

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A importância de ter tempo para pausas

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Publicado no Papo Feminino

Você já reparou como corre durante o dia? Não estamos falando em corrido de atividade física, mas em como as 24h diárias passam por você e você mal percebe. Afinal, ser mulher te encarrega de acordar, ficar linda, cuidar dos filhos e do marido, levar os filhos para a escola, ir trabalhar, fazer o almoço, buscar os filhos na escola, pagar as contas, voltar para o trabalho, voltar para casa, fazer o jantar, arrumar a bagunça, colocar os filhos para dormir e, enfim, poder descansar. Ufa, dá canseira só de pensar né? Foi pensando nisso que a especialista em inteligência relacional Thirza Reis escreveu um artigo sobre a importância de termos tempo para parar e refletir, decidir qual caminho tomar. Confira!

“Outro dia fui a um restaurante que costumo ir em Brasília. O garçom me atendeu e, depois de anotar o pedido, colocou em minha frente, sobre a mesa, um jogo americano com a frase de Drummond “a vida precisa de pausas”. Essa frase é antiga e o jogo americano também. Já o tinha visto várias vezes. Mas dessa vez me impactou de um jeito diferente. Não sei se é porque estou em pleno processo de saída da pausa (voltando de férias) ou se porque esse tempo de férias me fez refletir e olhar para o tempo a partir de outra perspectiva. É essa perspectiva que gostaria de compartilhar. O tempo de hoje nos pede urgência, rapidez.

As mudanças são constantes e não há muito tempo para refletir sobre elas. Somos demandados a tomar as melhores decisões, de forma inovadora e criativa, em menor tempo possível, gastando o mínimo possível. Não é isso? Pelo menos, é este o apelo que tenho visto em algumas empresas. Faz sentido. E é exatamente por isso que precisamos de pausas. Para melhor saber no que investir nosso tempo, nosso dinheiro e, mais importante que tudo isso, no que investir nossas vidas e nossos afetos. A ansiedade por fazer sempre do jeito certo (e rápido!) tem gerado em nós desconexão uns com os outros e com nós mesmos. Não conseguimos desfrutar. Estamos no agora pensando no por vir, o que tira de nós a integralidade da experiência de estar simplesmente presente.

Por isso, precisamos de tempo para contemplar, para nos dar a chance de observar a vida, nos distanciar um pouco do problema e das questões cotidianas para permitir que o essencial emirja. Tempo para nos permitir reconhecer e dizer que, às vezes, não sabemos o que fazer (ainda). Esse reconhecimento é importante e nos acalma, quando somos capazes de fazê-lo. Esse reconhecimento faz a poeira baixar e, com ela baixa, conseguimos ver horizontes que antes não víamos. Dar pausa é garantir esse tempo para a poeira decantar. Tem decisões na vida que precisam desse tempo para amadurecer, para se tornarem possíveis, para ganharem forma. As vezes nos apresamos em tomar decisões e justificamos a intempestividade por não ter tempo para pensar melhor.

É preciso coragem e sensibilidade para romper com esse discurso e permitir pensar e fazer diferente. É preciso que nos deixemos sentir para sermos capazes de concretizar novas realidades. Sou uma defensora do tempo da observação, do tempo para ver como vemos, isto é, ver a nossa forma de nos relacionarmos com o mundo e de interpretarmos a realidade. Só conseguimos fazer isso, quando estamos na “pausa”. É nela que tomamos a distância necessária para ver como vemos. Depois desse momento, ainda na pausa, precisamos nos permitir continuar no ciclo do aprendizado. Precisamos redirecionar o olhar para, então, ver a partir do todo. Por vezes é difícil. Precisamos de ajuda de outras pessoas para contemplarmos o todo, para ver aquilo que, sozinhos, não víamos.

Ao fazer isso, começamos a experimentar o Presenciar, que tem a ver com o “abrir-se para receber” o novo a partir de uma participação consciente que, agora, considera um campo mais vasto de mudança. Nessa presença o que está em questão é “o deixar ir para deixar vir”. Precisamos abrir espaço para a novidade. E isso envolve abrir mão de modos de fazer antigos. Só a partir desse momento que começarmos o movimento de realizar. Só então saímos da pausa para coordenar as ações e, assim, incorporar o novo ao nosso fazer. Até este momento, as ações estavam em fase de incubação. Ao vivermos esse processo, ganhamos maior consciência do todo. Essa consciência promove uma ação mais efetiva, isto é, uma ação que beneficia cada vez mais o todo.

Por isso, é importante sistematizarmos e incluirmos em nosso dia-a-dia os momentos de pausa, para não sermos engolidos por uma rotina que não nos permite pensar e sentir com dignidade. Essa pausa é indicativo de saúde, psíquica e emocional. Nos permitir a pausa, se feito com integridade, nos torna mais presentes, mais vivos e conectados. E essa presença tem a ver com estar mais atento e consciente do aqui-agora, abrindo espaço genuíno para pensar o futuro (sem que isso se traduza em ansiedade). Não sei se Drummond pensava nisso quando escreveu sua célebre frase ou se sua intenção era essa. Mas, ler essa frase na minha pausa, gerou essas reflexões. Espero que encontre eco no corações de vocês como encontrou no meu. E pausa…”

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Redes sociais deixam você triste e desconfiado

foto: flickr.com/dustinq/
foto: flickr.com/dustinq/

Carol Castro, no Ciência Maluca

Chegou até esse post pelo Twitter ou Facebook? Pode continuar por aqui, mas melhor você abandonar, pelo menos por hoje, as páginas de redes sociais. O conselho vem da ciência.

Pesquisadores italianos entrevistaram cerca de 50 mil pessoas para conhecer a rotina da vida de cada um (uso de internet, tempo em frente à tevê, saídas com os amigos, etc). E pediram para que eles avaliassem, numa escala de 0 a 10, quanto confiavam em outras pessoas e como se sentiam em relação à própria vida.

No final das contas, os pesquisadores perceberam que não há nada melhor na vida do que encontrar fisicamente amigos e parentes. Até notaram que as redes sociais têm um papel positivo: aumentam o bem-estar, mas apenas quando são utilizadas para aproximar os amigos ainda mais na vida real (promovendo encontros reais).

Mas, em geral, as consequências do uso de redes sociais oferecem mais malefícios do que benefícios. Segundo a pesquisa, as mensagens negativas e os discursos de ódio compartilhados nas redes, anulam qualquer efeito positivo. E quanto mais tempo você passa conectado a elas, maiores as chances de duvidar dos outros e se sentir um pouco menos feliz.

E aí, você concorda? Ou acha pura bobagem?

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