“Pessoas não são aplicativos”, afirma estudo de universidade catarinense

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Publicado por Paulo Brabo

ORLEANS, SC. Um estudo publicado pela Universidade Federal de Orleans, em Santa Catarina, concluiu que pessoas não são aplicativos da internet, e não precisam estar disponíveis cem por cento do tempo para produzir satisfação no seu público consumidor de amigos e conhecidos.

Durante três semanas o estudo acompanhou os hábitos de 12 pessoas e sua interação com familiares e amigos. Hugo Parbá, professor de Antropologia e Webcinese, autor de Vida além da net, afirma ter encontrado indícios de vida offline em pelo menos 20% dos integrantes do grupo teste.

“Aparentemente não é preciso estar conectado 100% do tempo e passar o dia promovendo as suas próprias atividades na net para que as pessoas se lembrem de você”, afirma Parbá. “Encontramos indicações de que as pessoas talvez continuem a gostar de você mesmo sem que as duas partes tenham acesso à rede em um dado momento. Pelo que sabemos essa afeição offline pode durar meses, quem sabe anos, mas testes adicionais serão necessários.”

Estudos que buscam indícios de vida offline enfrentam oposição e ceticismo em diversos círculos acadêmicos. “Isso é pseudociência”, opinou o filósofo e ensaísta Luiz Felipe Pondé quando tomou conhecimento da pesquisa. “A internet é tudo que existe, existiu ou existirá”, completou o escritor, citando o subtítulo de seu novo livro, A rede é o peixe.

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Seis maneiras cientificamente comprovadas de ser mais feliz

Você sabe o que diz a sabedoria popular: não existe uma fórmula para a felicidade. E a sabedoria popular tem razão – de fato, não existe uma fórmula, mas várias

foto: Shutterstock
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Ana Freitas, na Galileu

Nos últimos anos, cientistas sociais têm chegado a várias conclusões sobre a felicidade. Eles identificam comportamentos, hábitos e maneiras de enxergar o mundo que são mais observados em gente que se declara mais feliz e que desencadeiam sentimentos relacionados à felicidade. Baseando-se nesses estudos, redigimos uma lista de seis atitudes que devem te deixar mais satisfeito consigo mesmo, mais calmo, mais concentrado e, no fim do dia, mais feliz:

6. Levante do sofá e mexa-se…

Muitos estudos mostram que quem pratica exercícios físicos é mais feliz – trata-se, inclusive, de uma estratégia comprovada para superar a depressão. No livro The Happiness Advantage, o autor Shawn Achor menciona um estudo feito com pacientes que trataram depressão e o grupo que associou medicação com exercícios físicos teve apenas 9% de recaída, contra 38% dos que só tomaram remédio e não se mexeram.

Além disso, um estudo de 2012 do Journal of Health Psychology confirmou que gente que se exercita se sente muito mais satisfeita com o corpo, mesmo quando não há mudanças físicas aparentes. Sem contar a parte que você já conhece: exercício físico desencadeia no cérebro a liberação da endorfina, que alivia a sensação de dor muscular e cujo nome vem de endo + morfina. É conhecido, não à toa, como hormônio do prazer: uma droga natural.

5. …mas também descanse um pouco

A maioria de nós trabalha demais, passa o resto do tempo livre vendo TV e usando o Facebook e dorme menos do que deveria. Esse hábito não só influencia negativamente sua saúde, mas também impacta na sua felicidade. É que quem dorme mais é mais positivo e encara emoções negativas com menos sensibilidade. Um estudo publicado nesse livro observou que quem dorme pouco tem mais facilidade em acessar memórias felizes, mas não tem problema nenhum em se lembrar das ideias e memórias com conotação negativa. Desnecessário dizer que a quantidade e a qualidade do seu sono à noite afetam seu humor e produtividade pelo dia todo, né?

4. Medite

Meditar não apenas te deixa mais focado, calmo e produtivo. Parar alguns minutos por dia para esvaziar o cérebro, comprovadamente, pode te fazer mais feliz, imediatamente e a longo prazo. Estudos mostram que, minutos depois de meditar, há um aumento nas sensações de calma, contentamento, na percepção e na empatia. E uma pesquisa do Hospital Geral de Massachusetts, publicada na revista Psychiatric Research: Neuroimaging, concluiu que depois de participar de um curso de meditação, os cérebros dos voluntários do estudo pareceram reprogramados para a felicidade: aumentaram as atividades nas áreas associadas com compaixão e diminuíram nas áreas relacionadas ao stress.

Essa matéria da Psychology Today reúne diversos estudos parecidos, e o que todos eles parecem concluir é que meditar vai te deixar mais gentil, mais calmo e mais satisfeito consigo mesmo. Ou seja: mais feliz.

3. Seja grato

Apenas o sentimento de gratidão é capaz de aumentar sua satisfação geral com a própria vida. Um dos exercícios mais recomendados é anotar, diariamente, três coisas pelas quais você ficou grato naquele dia. Nesse estudo, o humor e o bem-estar geral dos sujeitos pesquisados melhorou só com esse hábito diário. Gratidão te ajuda a lembrar dos aspectos positivos da sua vida, além de contribuir para te deixar mais otimista por transformar coisas ruins em boas e te lembra do que realmente importa.

2. Seja solidário

Fazer os outros felizes é fórmula garantida para aumentar seus níveis de satisfação e felicidade. Em vários estudos, conduzidos em épocas e por pesquisadores diferentes (como esse, por exemplo) cientistas observaram que participantes eram mais felizes depois de comprar algo para outra pessoa do que para si mesmo. Outra passagem do livro The Happiness Advantage menciona que gastar dinheiro com outras pessoas aumenta a felicidade. Mas isso, obviamente, não significa que você não pode ser mais feliz se a grana estiver curta e você não puder pagar coisas para os outros. Ajudar os outros de qualquer maneira é um método comprovado de trazer satisfação pessoal e felicidade.

No livro Flourish: A Visionary New Understanding of Happiness and Well-being, o autor Martin Seligman, que é professor da Universidade da Pensilvânia, diz ter concluído que ser gentil e solidário é o ato mais provável de produzir um aumento na sensação de bem estar, de todos os exercícios testados durante estudos conduzidos por ele. Outro estudo observou dois grupos de pessoas: as que faziam trabalham voluntário e foram obrigados a parar e outras que continuavam com a atividade voluntária. Os resultados mostraram que aqueles que continuavam voluntários mostravam um nível maior de satisfação com a vida.

1. Tudo que você é precisa é de amor

Não foi a toa que Gandhi, John Lennon e Martin Luther King, por exemplo, bateram nessa tecla há tanto tempo. Pesquisadores de Harvard analisaram a vida de 268 homens por 72 anos e observaram, entre outras coisas, como mudamos quando envelhecemos e quais coisas são mais prováveis de nos fazerem feliz e satisfeitos na vida. O curador chefe do estudo, George Vaillant, um psiquiatra que dirigiu as pesquisas de 1972 a 2004, escreveu um livro para descrever suas descobertas e disse ao Huffington Post que o estudo mostrou há dois pilares para uma vida feliz: “um é o amor. O outro, encontrar uma maneira de lidar com a vida que não afaste o amor.”

Mais de uma vez, quando perguntado o que ele observou que é realmente importante na vida, Vaillant confirmou: “a única coisa que realmente importa na vida são seus relacionamentos com outras pessoas”. Talvez seja necessário dizer que Vaillant não está falando só de relacionamentos amorosos, mas de seus amigos e da sua família, também. Daniel Gilbert, outro pesquisador de Harvard especialista em felicidade, pontua: “somos felizes quando temos família e amigos, e quase todas as outras coisas que nos fazem felizes são apenas jeitos diferentes de conseguir mais família e mais amigos.”

 

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‘Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura’

Ricardo Gondim recita “O Haver”, de Vinicius de Moraes. #purolirismo

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
– Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido…

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada…

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

15/04/1962

A poesia acima foi extraída do livro “Jardim Noturno – Poemas Inéditos”, Companhia das Letras – São Paulo, 1993, pág. 17.

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Como ser alguém incrivelmente mediano

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Publicado no Pequeno Guru

Entre os maiores desejos que as pessoas costumam ter estão morar no exterior, fazer trabalho voluntário, escrever um livro e morar na praia. Infelizmente, isso quase nunca acontece e elas arrumam um emprego, casam, tem filhos, viajam quando dá e nunca tem tempo para escrever um livro tampouco ajudar os outros, praia só carnaval. “Muitas pessoas pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo”, disse Tolstói uma vez.

Na ânsia por querer conquistar certas coisas na vida –casa própria, carro, um bom emprego–, as pessoas esquecem de viver e só se dão conta disso quando já têm tudo que precisam menos aquele sonho antigo. Aí elas se acham velhas demais para realizar e morrem sem nem tentar,um pouco frustradas pela vida ter passado tão depressa. Uma vida assim está longe de ser ruim, mas acho que todos nascem para ter uma experiência extraordinária aqui, viver do seu jeito e deixar a sua contribuição. Chris Guillebeau é um desses caras que podemos ter inveja da vida que leva, ele já conheceu todos os 193 países do mundo e trabalha como escritor provocando as pessoas a fazerem o mesmo: o que quer que você tenha vontade. O dele era viajar, qual é o seu?

Um dos mais inspiradores (e famosos) textos do Chris é um guia sobre “como ser ordinariamente mediano”, leitura obrigatória a todos que querem não apenas uma vida feliz, mas uma vida completa. Aqui está a minha versão do guia.

Aversão à risco

A maneira mais fácil de levar uma vida tranquila é aceitando tudo que lhe dizem. Não se destaque, faça o que os outros fazem e você estará seguro. Consiga um emprego normal, de preferência através de um concurso público e você não precisará se preocupar mais com nada. Certifique-se de nunca ser o primeiro a erguer a mão quando perguntarem algo.

Faculdade

Já que todo mundo que você conhece fez ou está fazendo, é melhor você fazer também. Isso, provavelmente, irá garantir um emprego que pague bem e lhe permitir desfrutar melhor da vida, do jeito que os mais velhos vivem. Conforto. Gaste os 4 ou mais anos conhecendo bares, entregando os trabalhos depois do prazo e reclamando dos professores. No final, é quase certo que você estará com canudo nas mãos de qualquer jeito. Certifique-se de seguir a carreira que seus pais sempre quiseram.

Finanças pessoais

Trabalhe para comprar. Comece pela casa própria financiada em parcelas suaves pelos próximos 20 anos, planeje cada cantinho com móveis sob medida para impressionar as visitas e, quando der, financie aquele carro de luxo que você tanto desejou e continue reclamando do preço exorbitante da gasolina à medida que ela vai subindo. Quando algum programa de TV ou comercial pedir a sua doação, troque de canal, afinal há sempre alguém por trás lucrando muito com as criancinhas carentes ou portadores de deficiência. Quando estiver de bom humor, doe R$10,00. Quando ficar triste, compre algum eletrônico ou roupa cara, você merece por trabalhar tanto.

Certifique-se de priorizar o cartão de crédito em vez do dinheiro, a satisfação da compra é maior apontam as pesquisas.

Viagens

Como é bom viajar! Ou será que bom mesmo é tirar um monte de fotos em terras estrangeiras e compartilhar em redes sociais? Seja como for, viaje uma ou duas vezes para fora do Brasil na vida, mas opte por destinos seguros como Paris, Londres, Madrid ou Miami. Fuja do mochilão e pegue a excursão para evitar problemas. Tem McDonald’s e Subway em mais de 100 países, então você não corre o risco de comer algo que possa estragar a sua viagem. Inglês é o idioma do mundo, não se incomode em tentar usar a língua do país, mas quem sabe eles não entendam um pouquinho de português né? Ou melhor, você não encontra um brasileiro por lá?

Certifique-se de que tudo está em completa ordem antes de pegar o avião, hotel, translados, passeios e dinheiro, muito dinheiro.

Trabalho

“Se você trabalhar esperançosamente, 8 horas por dia, quem sabe não vire patrão e trabalhe doze todo dia” escreveu uma vez o premiado poeta Robert Frost. Uma maneira agradável de dizer que trabalhar demais não é o melhor caminho para ser feliz, partindo do princípio que ser feliz envolve mais tempo para curtir a família, hobbies e outras atividades. Quem ama o que faz, nem chama seu trabalho de trabalho, então isso não vale para as raras pessoas que tem o prazer de fazer o que ama. Para a grande maioria, dinheiro e reconhecimento são os dois principais motivos. Há quem trabalha duro porque sonha em montar seu negócio, dar mais conforto à família, ficar rico ou ter uma boa aposentadoria. Viver só depois, para isso a gente se aposenta aos 65.

Então, as pessoas leem Você/SA, fazem um ou dois MBAs que pouco irão ajuda-las a lidar com os problemas do dia a dia (devido à baixa qualidade do ensino ou incongruência do curso com a posição na carreira), passam o dia em reuniões inúteis, se vangloriam de resultados, culpam os outros pelos resultados, falam mal dos chefes diariamente, nunca chamam a responsabilidade para si e desistem após primeiro grande fracasso. Essa é a típica vida corporativa. Cheia de panelinhas que servem para proteger uns dos outros como se fosse uma grande disputa. Em algum momento, será necessário mediar conflitos, foque-se na questões de personalidade em vez de valores.

Certifique-se de que todos vejam que você está trabalhando, isso é mais importante do que tentar resolver grandes problemas e até inovar.

Autoridade

Jamais desafie a máxima “sempre foi feito assim”. Os mais velhos nunca erram, certo? Novas ideias são para grandes empresas inovadoras, deixe para os americanos, apenas fique ligado para copiar o mais fiel possível. Quando todos disserem A, evite dizer B, mesmo que você acredite com todo o seu coração e tenha argumentos para embasar. Afinal, se ninguém perguntou, é porque não quer saber. E quem é você para discordar com o diretor? Se todo mundo é contra algo, seja também. Se todos estão a favor, vista a camisa. Ser popular é “cool”!

Certifique-se de que há alguém abrindo o caminho antes de dar o primeiro passo

Não se preocupe, seja feliz

É arriscado ser diferente. Ideias não convencionais assustam. Experimente dizer para sua mãe que irá deixar seu ótimo emprego em uma grande empresa, ou fechará seu consultório ou empresa bem sucedida para fazer outra coisa. Prepare os ouvidos…

O mundo é mediano, os diretores da maioria das empresas são medianos e políticos só são espertos o suficiente para tirar proveito disso. Você quer ser feliz? Então siga esses conselhos, de verdade. Evite frustrações, grandes desafios, medo de se arriscar e do novo. Você terá a companhia de bilhões de outras pessoas que levam uma vida incrivelmente mediana.

Ou Pare e olhe o que você está fazendo com a sua vida, ainda dá tempo de ser alguém extraordinário e levar a vida que você sempre quis.

Baseado no artigo: “How to be Unremarkably Average”

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Viagens no tempo registradas na Bíblia?

VIAGEM NO TEMPO BIBLIA

Publicado por Hermes Fernandes

O texto que se segue é um exercício daquilo que chamo de “Ficção Teológica”. Não deve, portanto, ser tomado como doutrina. Apesar da coerência do que proponho aqui, não me atrevo a classificá-lo desta forma.

***
“O que foi, isso é o que há de ser, e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há novo debaixo do sol”. Eclesiastes 1:9

A Bíblia é um livro cheio de histórias e personagens misteriosos. Entre eles, destacamos Melquisedeque e Elias. Ambos aparecem do nada, para depois desaparecerem súbita e misteriosamente.

De Melquisedeque se diz que era “rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao encontro de Abraão quando este regressava da matança dos reis, e o abençoou”. Seu nome significa “rei de justiça” “rei de paz”.

As Escrituras sempre relataram a genealogia de seus personagens, demonstrando com isso, que eram seres reais, que viveram em determinada época da História, e não seres míticos. Porém,  Melquisedeque aparece do nada, “sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias, nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus”. Como se não bastasse, lemos que ele “permanece sacerdote para sempre”. O escritor de Hebreus nos leva a considerar “quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu o dízimo”. E aqui, “sem contradição alguma, o menor é abençoado pelo maior”. E ele arremata, afirmando que Melquisedeque é “aquele de quem se testifica que vive” .

Ora, diante de todas essas evidências, que alternativa temos, senão admitir que Melquisedeque é ninguém menos que o próprio Cristo? Alguns teólogos afirmam que Melquisedeque seria uma espécie de Teofania, uma manifestação de Cristo pré-encarnado. Ora, se isso fosse verdade, Melquisedeque não surgiria como um ser humano, de carne e osso, e sim, como um espírito.

Creio que Melquisedeque era o próprio Jesus, em carne e osso, trazendo conSigo o DNA de Maria, Sua mãe terrena. Aquele corpo que segurava o pão e o vinho oferecidos a Abraão, era o mesmo que segurou o pão e o vinho na noite da Santa Ceia. Como isso seria possível se todavia Jesus não havia encarnado? Ora, Jesus não encarnou mais de uma vez. Foi na Plenitude dos tempos que Ele Se fez carne, e habitou entre nós. Apesar disso, afirmo que foi com Cristo que o patriarca Abraão se encontrou naquele dia. Isso é testificado pelo próprio Jesus, ao declarar: “Vosso pai Abraão exultou por ver o meu dia; viu-o e alegrou-se”.

Se Melquisedeque é Cristo, e este só Se fez carne uma vez, logo, como se explicaria a aparição de Melquisedeque/Cristo como uma pessoa de carne e osso muitos séculos antes da encarnação? Seria apenas uma ilusão de ótica? Ou, quem sabe, uma espécie de holograma?

Creio que não!

Não poderia o Filho de Deus ter viajado no tempo, voltando dois mil anos, até os dias de Abraão, para apresentar-Se ao patriarca? A menos que não creiamos que para Ele tudo seja possível, isso me parece factível.

Investiguemos o caso de Elias.

Esse profeta excêntrico surge repentinamente na História, em um momento de grande crise espiritual em Israel.

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