“Manda essa negra macumbeira sair da sala”

Preconceito e intolerância religiosa em unidade hospitalar na Bahia

Ialorixa

Publicado no Bahia Notícias [via Geledés]

Um acontecimento na última semana chocou a comunidade do candomblé de Salvador. A ialorixá Therezinha da Silva, 65 anos, estava no Hospital Roberto Santos, onde procurava pelo médico de prenome Raimundo, quando diz ter sido destratada pela coordenadora da emergência da unidade, chamada Carol.

“Fui totalmente maltratada por essa mulher”, contou a líder religiosa, visivelmente abalada, ao Bahia Notícias. Segundo dona Therezinha, após perguntar por Raimundo, Carol teria relatado a ausência do profissional e pedido que ela se retirasse da sala. Do lado de fora, contudo, a ialorixá ouviu a suposta frase que gerou o problema.

“Manda essa negra macumbeira sair da sala, já conheço ela aqui do hospital”, acusou.

Consternada com a situação, a idosa se dirigiu à ouvidoria da unidade e teve como resposta que “a pessoa [Carol] estava nervosa e que quando eu precisasse falar com o médico, não fosse ao hospital”.

A equipe do Roberto Santos foi procurada pela equipe do Bahia Notícias, porém não quis se pronunciar. “Publique. Depois a gente responde”, disse a assessora Bernadete Farias, aos gritos.

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6 previsões acertadas feitas por De Volta para o Futuro 2

Filme de 1989 conseguiu antecipar algumas tendências e prever o desenvolvimento e o uso de certas tecnologias.

Guilherme Haas, no Megacurioso

O cinema continua sendo uma fonte inesgotável de inspiração, especialmente no que se trata da imaginação de dias futuros. Carros voadores, equipamentos de alta tecnologia, gadgets e computadores de vestir já apareceram em filmes, séries e até em desenhos, que continuam dando ideias sobre como pode ser a nossa vida no futuro. Afinal, será que um dia teremos uma rotina parecida com a dos Jetsons?

Antes de termos carros voadores e robôs inteligentes trabalhando em casa, nosso cotidiano está cada vez mais cercado de interfaces interativas, com ambientes digitais e equipamentos eletrônicos que dominam todo um mercado de consumo. E uma das obras mais marcantes da história do cinema conseguiu antecipar, em muitos aspectos, como seria a vida nesta década, com a forte presença da tecnologia em nossas vidas.

Lançado em 1989, “De Volta para o Futuro 2” coloca o garoto Marty McFly no ano de 2015, quando ele pode colocar as suas mãos em gadgets tecnológicos, dispositivos inteligentes de vestir e até video games com captura de movimento – todas as novidades que não existiam no final da década de 80, seja na realidade ou mesmo na ficção.

1. Computadores de vestir

O Google Glass deve ter sido inspirado no aparelho que McFly utiliza nessa cena. Até o design dos óculos guarda certa semelhança com o dispositivo da Google. Além disso, a Nike também lançou uma versão limitada dos Hyperdunks, baseada nos tênis que Marty utiliza no filme – mas o modelo não amarra o cadarço sozinho como os calçados da ficção.

imagem: Reprodução/Business Insider
imagem: Reprodução/Business Insider

2. Filmes em 3D e muitas sequências

Olhar uma lista de filmes em cartaz nos cinemas hoje não é muito diferente do que Marty vê no futuro de 2015. A propaganda de “Tubarão 19” em 3D lembra muito as produções atuais, cheias de efeitos especiais, com emprego da terceira dimensão para atrair os espectadores e com muitas sequências de títulos de sucesso dominando o mercado cinematográfico.

3. Televisores finos, múltiplos canais e aspecto de tela 16:9

Uma das mais surpreendentes imagens de “De Volta Para o Futuro 2” mostra Marty Jr. com um aparelho de televisão muito similar ao padrão que temos hoje – grande, fina, pendurada na parede, e com aspecto de tela 16:9. Como eles sabiam naquela época que deixaríamos de assistir a TV de tubo com imagem 4:3? E, mais do que isso, que poderíamos acompanhar vários canais simultaneamente, em sistema Picture in Picture?

imagem: Reprodução/Business Insider
imagem: Reprodução/Business Insider

4. Videoconferências e interfaces interativas

O filme conta também com muitas telas de projeções e interfaces interativas, que mostram como somos mesmo uma sociedade dominada pelas imagens. E claro que a produção antecipou a necessidade de se comunicar por videoconferências e não apenas por chamadas de voz. Ligações com a utilização de câmeras são hoje uma realidade com mensageiros como o Skype, o FaceTime e o Hangouts.

imagem: Reprodução/Business Insider
imagem: Reprodução/Business Insider

5. Jogos sem utilizar as mãos

Marty encontra um antigo fliperama da sua época em uma lanchonete e mostra para os garotos do futuro (o pequeno Elijah Wood em sua estreia nos cinemas) como se joga aquele game. Os meninos ficam indignados que Marty esteja usando as mãos para controlar o jogo e dizem que aquilo é brinquedo de bebê.

6. Tablets

Outra antecipação chocante da vida no futuro ocorre quando Marty é abordado para assinar uma petição para salvar o relógio da torre. A petição é apresentada em um aparelho portátil muito similar aos modelos de tablets que temos hoje em dia. Será que Steve Jobs imaginou o iPad enquanto assistia a “De Volta ao Futuro 2”?

imagem: Reprodução/Greenville College
imagem: Reprodução/Greenville College

Erros grosseiros

Apesar dessas e de outras divertidas previsões acertadas sobre o futuro, “De Volta Para o Futuro 2” não deixa de ter erros e equívocos grosseiros. A falha mais bizarra da produção é achar que o fax seria a maneira mais comum de passar recados e não imaginar o domínio das tecnologias de comunicação celular e via internet.

Outra curiosidade é que o filme prevê uma visita da “Rainha Diana” a Washington no ano de 2015, de acordo com uma manchete no jornal do futuro – o que ficou impossível depois da morte de Lady Di em 1997.

Quais são as melhores previsões do futuro que você viu primeiro nos filmes e que viraram realidade? E quais são os maiores equívocos já cometidos na imaginação de dias futuros na sua opinião?

Fonte: Business Insider Media Match

dica do Jarbas Aragão

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Quando minhas palavras voaram

Publicado por Fabrício Carpinejar

Nossa vida não é triste.

Mesmo quando não temos uma alegria, temos uma esperança.

A esperança é a alegria nascendo.

Nunca fui vítima do passado, órfão da memória, coitadinho da infância.

Não me diferenciei pela dor, nem me destaquei pela tristeza.

Detesto reclamar. Reclamar só chama rancor.

O que eu passei, passei, superei de algum jeito, os traumas não me mataram.

As brigas não me levaram ao ódio e ao ressentimento. Não fiquei sequelado.

Aquilo que parecia um sofrimento eterno também esqueci.

Não irei me vangloriar das feridas. Gosto mais das minhas sardas do que das minhas cicatrizes.

Sofri o que aguentei. Aguentar é deixar de sofrer.

Fui educado numa escola pública em que não tinha ninguém para me defender.

Durante dois anos, cedi meu prato de comida para a turma da rua Lavras. O bom é que odiava sagu e polenta, as duas refeições básicas da época.

Era terrível a gangue formada por garotos quatro anos mais velhos do que eu. Andava com canivete e chaco. Arrastava vítimas pelos corredores do Imperatriz Leopoldina. Cobrava a feitura de temas e revistava bolsos dos colegas no recreio.

Desfalcou várias vezes minha mochila. Levou estojos, cadernos, réguas e a coleção de bolitas.

Sobrevivi ao roubo. Sobrevivi ao medo. Sobrevivi aos reveses.

Lembro que eles me seguraram pelos pés na janela do terceiro andar do refeitório.

Fiquei balançando do lado de fora. Um ioiô das risadas dos meninos.

Eu gritava de horror.

Quinze minutos balançando pelo avesso. Um enforcado dos pés.

Como se estivesse num kamikaze do parque de diversão.

Alucinado de ponta-cabeça. Batendo com o peito na parede do lado de fora.

Minhas palavras de socorro voaram pelo pátio. Pelo bairro. Foi quando aprendi a voar pela boca.

Eu me esvaí em lágrimas como qualquer criança naquela situação-limite.

Devo ter mijado, devo ter babado, devo ter feito o testamento na hora.

Olhava para baixo e me enxergava despedaçado no concreto.

A poça de sangue marcaria minha despedida do mundo.

Os guris me mantinham preso apenas pelos tênis.

Agradeço que usava Kichute amarrado nas canelas, o calçado nunca escorregava. O cadarço firme como um cordão umbilical.

Se não fosse o Kichute, estaria morto.

Sempre teremos uma esperança maior do que a tristeza. A esperança já é uma alegria.

Mesmo que seja um Kichute.

arte: Alexandre Calder

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O pão como símbolo da fé cristã

O Papa Francisco participa da Via Sacra nesta sexta-feira com os jovens na Praia de Copacabana. A Via Sacra, exercício de piedade cristã, teve seu auge na Idade Média. Consiste em percorrer, mental e espiritualmente, 14 estações ou fases da prisão, tortura e morte de Jesus, em Jerusalém, do palácio de Pilatos até o Monte Calvário, onde o crucificaram.

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Frei Betto, em O Globo

Em igrejas e capelas são encontrados, nas paredes laterais, os quadros da Via Sacra: Jesus condenado à morte; Jesus carregando a cruz etc. Após o Concílio Vaticano II, muitas comunidades adotaram uma 15ª estação: a ressurreição de Jesus.

Chama a atenção o fato de o Papa Francisco dispensar a 15ª estação. Toda a fé cristã está centrada na Páscoa, no fato de Jesus ter ressuscitado, o que foi testemunhado pelos apóstolos, e por “apóstolas” como Maria Madalena, a primeira a encontrar e anunciar Jesus ressuscitado.

A Via Sacra que culmina na 14ª estação — “Jesus é sepultado” — reforça uma espiritualidade de quem encara esse mundo como “vale de lágrimas”, o que não aproxima os jovens da Igreja. Jesus não veio pregar sofrimento e morte. Veio trazer para todos “vida, e vida em abundância” (João 10, 10).

Ao longo de sua história, a Igreja adotou dois símbolos de fé cristã: o peixe, em referência ao batismo pela água; e a cruz, na qual Jesus foi assassinado.

Nos primeiros séculos, a comunidade, fundada por pescadores, preferiu o acróstico grego Ichthys, que significa peixe, iniciais da frase Iesous Chistós Iheou hyiós Soter (Jesus Cristo, filho de Deus Salvador).

Sob as perseguições do Império Romano, os cristãos se reuniam em catacumbas, imersos na clandestinidade, como peixes dentro da água. Frente a tantos que foram martirizados, a Igreja adotou o símbolo da cruz.

Soa paradoxal que o Cristianismo, que celebra a vida como dom maior de Deus, adote como símbolo um instrumento de morte. Cruzes são adequadas a cemitérios, sobre tumbas. Não é o caso de Jesus, que deixou vazio seu túmulo de pedra. O fato central da fé cristã não é a morte de Jesus, é a sua ressurreição. Como diz Paulo, não houvesse ele ressuscitado, a nossa fé seria vã (I Coríntios 15, 14).

Como simbolizar a ressurreição? Através de algo que expresse a vida. E não conheço melhor símbolo que o pão. Alimento universal, é encontrado em quase todos os povos, seja feito de trigo, milho, mandioca, centeio, cevada ou qualquer outro grão ou tubérculo.

“Eu sou o pão da vida”, definiu-se Jesus (João 6, 48). No entanto, muitos têm a vida ameaçada por falta de pão. É vergonhoso constatar que, hoje, segundo a FAO, um bilhão de pessoas vive em estado de desnutrição crônica. Isso em países ditos cristãos, muçulmanos, budistas…

Jesus fez da partilha do pão e do vinho o sacramento central da comunidade de seus discípulos — a eucaristia. Ensinou que repartir o pão é partilhar Deus.

Repartir o pão era um gesto tão característico de Jesus que isso permitiu aos discípulos de Emaús o reconhecerem (Lucas 24, 30-31).

Em Jesus, Deus se fez carne e pão, a ponto de o Filho afirmar “o pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo” (João 6, 51). Se já não temos, entre nós, a presença visível de Jesus, ao menos adotemos, como sinal de sua presença, isto que ele mesmo escolheu na última ceia — o pão. Sinal de que somos também seus discípulos, empenhados em tornar realidade, para todos, “o pão nosso de cada dia”, os bens que imprimem saúde, dignidade e felicidade à nossa existência.

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Católicos de Varginha reclamam de vigília evangélica durante festa do papa

Fiéis da Igreja Evangélica Monte Sião participaram de uma vigília na véspera e durante o dia da chegada do papa

Moradores da comunidade de Varginha em Manguinhos, se preparam para receber o Papa Francisco - (foto: Heitor Feitosa/Veja)
Moradores da comunidade de Varginha em Manguinhos, se preparam para receber o Papa Francisco – (foto: Heitor Feitosa/Veja)

Élcio Braga, no iG

Nem todo mundo recebeu o Papa Francisco de braços abertos nesta quinta-feira pela manhã na Comunidade da Varginha, em Manguinhos, na zona norte do Rio. Fiéis da Igreja Evangélica Monte Sião participaram de uma vigília às vésperas da chegada do Santo Padre. O templo fica exatamente em frente ao campo de futebol, onde Francisco discursou para os católicos. Foram em vão os apelos para que o culto terminasse.

Policiais estiveram no templo para convencer os pastores a interromper a vigília. Três agentes entraram na igreja e demoraram a sair. “Os policiais que entraram devem ter aceitado Jesus e se juntaram aos evangélicos”, provocou uma moradora, sem se identificar.

Quando o papa chegou à Varginha, o volume do som foi reduzido. Mas cânticos e louvores permaneceram mesmo durante o discurso papal. “Tem gente que não conseguiu dormir. O som estava alto demais”, lamentou o marítimo Alexandre Pereira, 42 anos, hospedado na casa de amigos, bem em frente ao culto evangélico.

Católico, Alexandre acredita que a vigília havia sido convocada só para os fiéis da denominação não terem como ver o papa. “Peço ao papa que os abençoe também”, observou o peregrino, defendendo a união de todas as religiões.

A reportagem do iG tentou ouvir uma representante da Monte Sião, mas ela alegou não ter tempo para falar. Obreiros que cuidavam do portão de acesso ao templo não permitiam a entrada de quem não fosse membro. Eles não quiseram comentar se a vigília seria uma resposta à visita do Papa Francisco. O templo fica na rua Carlos Chagas, a principal da comunidade, por onde o papa iniciou a visita.

A aposentada Arilda Cruz, 71 anos, reclamou da vigília evangélica durante a recepção ao papa. “Se a festa fosse dos evangélicos, duvido que os católicos fariam isso. Mas não são todos os crentes que agem assim”, ponderou.

dica do Ailsom F. Heringer

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