Cabral diz que anda de helicóptero porque o Rio é muito perigoso e o trânsito muito ruim

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Vinicius Antunes, impagavelmente no Sensacionalista

Em declaração polêmica, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, afirmou que costuma, sim, utilizar o helicóptero da frota oficial do governo para seus deslocamentos diários. Ele alega que pessoas de seu nível socioeconômico não devem “dar mole” por um estado perigoso e mal administrado. “Se não bastasse a violência cotidiana, agora ainda tem protestos e vandalismos, toda figura pública precisa ser preservada. Se eu sou assaltado, o prejuízo é muito maior para o Estado. Você sabe quanto custa o terno que eu uso?”

Cabral também recebeu críticas por usar o helicóptero para transportar seu animalzinho de estimação. Porém, ele justificou: “Não teria cabimento  eu ir com a minha família para nossa casa de veraneio de helicóptero e mandar o Tobi de carro, né? Isto deveria ser visto como uma medida de proteção ao animal, inclusive já recebi mensagens de apoio de várias associações e ONGs que defendem os cães. Pena a grande mídia não ver da mesma forma e preferir manipular a população.”

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Sou crente, aleluia, e o Egito é a Bahia

Nelson Oliveira, no Vice

Há mais de 30 anos, algumas colinas de Salvador começaram a ganhar um movimento curioso. As dunas de bairros praianos como Itapuã e Stella Maris começaram a ser ocupadas por pessoas que vestiam muito mais que um sumário traje de banho. Mortalhas e longas saias, no caso das mulheres, e trajes sociais, às vezes com direito a terno, para os homens. As dunas de Salvador se tornaram um oratório a céu aberto para muitos evangélicos.

Houve um tempo em que falar de Egito na Bahia era coisa de música de carnaval composta por Carlinhos Brown. Hoje, artigo vintage no Circuito Barra-Ondina, a busca pelos mistérios egípcios é dos protestantes, que veem as dunas como uma metáfora para o Monte Sinai, local em que Moisés viu um arbusto em chamas que falava, recebeu de Deus as palavras dos Dez Mandamentos e toda aquela psicodelia.

Mesmo longe de possuir os 2288 metros de altura do monte histórico, as dunas de Salvador viraram um verdadeiro local de peregrinação de grupos de crentes – desculpa, mas eles mesmos se chamam assim, então nem vem procurar confusão, valeu? – nos últimos anos. Os frequentadores aparecem em qualquer horário do dia, mas, sobretudo à noite. Eles gostam de ir ao local porque se sentem mais próximos de Deus. Estar no topo das dunas remete a um momento de paz de espírito, reflexão e deslocamento da realidade. Afinal, Deus é uma viagem.

Antes, a prática era individual e agora se organizou: grupos de igrejas de regiões muito distantes das dunas e até mesmo de outras cidades baianas fretam micro-ônibus para realizarem cultos no local, que é considerado perigoso por ser ermo e não possuir qualquer iluminação. Nas sextas-feiras, as dunas chegam a receber mais de 200 crentes orando em voz alta, em português ou na chamada “língua dos anjos”, com direito a pastores realizando conversões e exorcismos. Outros, que geralmente vão sozinhos, ficam compenetrados, de quatro e com a cabeça na areia, entre os braços, ou queimam papeis com pedidos de graças.

Curioso para saber o que acontecia lá, fui fotografar os momentos de oração nas dunas. Foi divertido. Eu e meu flash acabamos ungidos por um pastor, que, assim como outros religiosos, perceberam as luzes do equipamento, mas não se deram conta inicialmente que estavam sendo fotografados. Outro grupo, mas atento, foi direto: “Vamos fazer uma foto, gente. Vai para os Estados Unidos. Vai para o Facebook!”. Bom, de alguma forma, sim.

dica do João Marcos

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Tite é o homem mais influente do Brasil em 2012, diz revista

Tite encabeça lista da revista masculina  Alfa. Foto: Léo Pinheiro/Terra
Tite encabeça lista da revista masculina Alfa

Publicado originalmente no Terra

As conquistas de Tite com o Corinthians não se limitam apenas ao futebol. Responsável por conduzir a equipe ao inédito título da Copa Libertadores da América e concentrado na possível final contra o Chelsea, no Mundial de Clubes da Fifa, o treinador foi eleito pela revista Alfa como o homem mais influente do ano no Brasil. O prêmio deixou Tite lisonjeado, mas também serviu para revelar a timidez do técnico longe do futebol.

A lista formulada pela publicação colocou o treinador do Corinthians à frente de importantes personalidades nacionais. O ministro do Superior Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, o ator Reynaldo Gianecchini, o ginasta medalhista de ouro em Londres, Arthur Zanetti, e o atacante Fred, do Fluminense, foram alguns dos nomes superados por Tite. No entanto, a importância dele longe dos gramados não escondeu o incômodo gerado ao vestir terno e gravata para participar do pleito.

“Eu fui entrevistado após essa eleição, mas o meu negócio é futebol. Eu fico meio atrapalhado com essas coisas. Já foi uma briga para tirar foto colocando terno e gravata. Esse não é o meu chão. Meu chão é cheio de grama, batendo na bola e treinando o Corinthians”, disse o encabulado treinador, que não se esqueceu de agradecer a todos os que contribuíram para as conquistas dentro e fora de campo.

“Esse reconhecimento vem com a grandeza do clube, da torcida e dos jogadores. O time sempre é representado por alguém em determinado momento. E foram essas pessoas que me ensinaram a dividir e a vencer esses prêmios como equipe”, emendou o técnico, contratado para assumir o Corinthians em 2010 e idealizador do projeto que levou o time aos títulos do Campeonato Brasileiro de 2011 e da histórica Libertadores deste ano.

Apesar de ter o apoio de toda a diretoria para continuar à frente do clube nas próximas temporadas, Tite ainda não sabe se seguirá após o encerramento do vínculo. O treinador entende que passagens de longa duração por clubes podem gerar um desgaste natural no trabalho realizado pelo grupo. Este posicionamento, contudo, ainda é uma mera especulação e não influencia em nada na preparação do técnico para o Mundial.

“Tudo depende do que vai acontecer e do trabalho que será feito. A regra diz que existe um desgaste muito grande como profissional. Vai depender do clube e da própria avaliação. Esse é o primeiro passo. Depois do técnico concordar com o que será estipulado. Vai ter que ir por esse ou por outro caminho para ajustar o trabalho. Isso tudo já foi exceção para dois anos, imagina para três”, completou Tite.

Foto: Léo Pinheiro/Terra

dica do Rogério Moreira

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