Arquivo da tag: terra

‘Quero participar disso’, diz missionário americano em protesto em SC

Josue Viller estuda teologia e missões no Brasil. Ele ajudou a bloquear uma das pontes de acesso a Florianópolis

Missionário americano Josue Viller participou dos protestos em Florianópolis (Foto: Fabrício Escandiuzzi / Especial para Terra)

Missionário americano Josue Viller participou dos protestos em Florianópolis (Foto: Fabrício Escandiuzzi / Especial para Terra)

Fabrício Escandiuzzi, no Terra

Um jovem missionário norte-americano estava entre os quase 10 mil manifestantes que bloquearam as pontes de acesso à Ilha de Santa Catarina, em Florianópolis, na noite de terça-feira.

Carregando um cartaz com os dizeres “Brasil, I Love You”, Josue Viller disse amar o País e sentir orgulho de participar das manifestações. “Faço trabalhos sociais e adoro morar aqui. Me sinto muito feliz de ter a oportunidade de participar disso”, afirmou. “Os brasileiros estão dando uma lição ao mundo. E eu estou participando.”

Viller trabalha como missionário e estuda teologia e missões no País. Ao mesmo tempo, ele atua em organizações sociais nas áreas mais carentes de Florianópolis e realiza estudos bíblicos com crianças.

Com o cartaz na mão, Josué atravessou uma das pontes tentando acompanhar os gritos entoados pelos manifestantes. “Tudo que busca o bem, a melhoria da qualidade de vida, deve receber o apoio da sociedade”, afirmou.

Papa quer cristãos ‘revolucionários’ que se arrisquem

Papa Francisco, durante discurso a fiéis no salão Salão Paulo VI, no Vaticano Foto: AP

Papa Francisco, durante discurso a fiéis no salão Salão Paulo VI, no Vaticano Foto: AP

Publicado originalmente por AFP [via Terra]

O papa Francisco pediu nesta segunda-feira à noite, em uma das homilias mais radicais já pronunciadas por ele, que os cristãos “revolucionários” propaguem o Evangelho por seu “testemunho”.

“Hoje, um cristão, se não for revolucionário, não é cristão!”, foi uma das frases lançadas pelo papa argentino aos milhares de participantes do Congresso Eclesiástico da diocese de Roma.

Durante um pronunciamento cheio de expressões de impacto, o Papa criticou as comunidades cristãs “fechadas”.

Na Sala Paulo VI, no Vaticano, o papa Francisco falou durante meia hora, em pé, às vezes em um tom grave, em outras, mais descontraído.

“Não entendo as comunidades cristãs que são fechadas”, disse o papa antes de dizer: “No Evangelho, há uma bela passagem que nos conta que o pastor retorna e percebe que falta uma de suas 99 ovelhas e começa a procurar… Irmãos e irmãs, mas temos uma só, e faltam 99 !”.

“Devemos pedir ao Senhor generosidade, coragem e paciência para sair e anunciar o Evangelho”, acrescentou o Papa, reconhecendo que é “difícil”.

“É mais fácil ficar em casa com nossa única ovelha, para tosquiá-la, mas nós, padres, e todos os cristãos, o Senhor quer que sejamos pastores, e não tosquiadores de ovelhas.”

“Houve muitos revolucionários na história, mas nenhum teve a força da revolução transmitida por Jesus, uma revolução (…) que muda profundamente o coração do homem”, afirmou o Papa em uma sala de audiências lotada. “Na história, as revoluções mudaram os sistemas políticos, econômicos, mas nenhuma modificou verdadeiramente o coração do homem”, revelou o Papa antes de afirmar que “a verdadeira revolução, a que transforma completamente a vida”, foi feita por Jesus.

Citando seu antecessor Bento XVI, o papa Francisco disse que essa revolução foi “a maior mudança da história da Humanidade”.

Durante esse longo improviso, o Papa também criticou os “cristãos desencorajados” que “fazem com que nos perguntemos se eles acreditam em Jesus Cristo ou na deusa das queixas”. Considerando que “o mundo não está pior do que há cinco séculos”, o pontífice brincou com “aqueles que se queixam da juventude de hoje dizendo: Ah os jovens!”

Uma cidade egípcia encontrada embaixo d’água, 1200 anos depois

lost-city-of-heracleion-egypt-franck-goddio-4

Janara Lopes, no IdeaFixa

1200 anos atrás, a antiga cidade egípcia de Heracleion desapareceu sob o Mediterrâneo. Fundada por volta do século 8 aC, acredita-se que Heracleion serviu como porta de entrada obrigatória para o Egito, para todos os navios que vinham do mundo grego.

lost-city-of-heracleion-egypt-franck-goddio-5

Antes de sua descoberta em 2000, pelo arqueólogo Franck Goddio, nenhum traço de Thonis-Heracleion tinha sido encontrada (a cidade era conhecida pelos gregos como Thonis). Seu nome foi quase destruído pelos poucos registros, apenas preservada em textos clássicos antigos e inscrições raras encontradas em terra por arqueólogos.

lost-city-of-heracleion-egypt-franck-goddio-2

Franck Goddio e sua equipe localizaram, mapearam e escavaram partes da cidade de Thonis-Heracleion. Ela está localizada dentro de uma área de pesquisa em Aboukir Bay, uma baía localizada no norte do Egito.

lost-city-of-heracleion-egypt-franck-goddio-1

Até agora foram encontrados:

- Os restos de mais de 64 navios enterrados na argila grossa e areia que cobre o fundo do mar
- As moedas de ouro e pesos feitos de bronze e pedra
- Estátuas gigantes de e mais centenas de estátuas menores de deuses menos importantes
- Lajes de pedra inscritas em egípcio e grego antigos
- Dezenas de pequenos sarcófagos de pedra calcária
- Mais de 700 antigas âncoras para navios

lost-city-of-heracleion-egypt-franck-goddio-8 lost-city-of-heracleion-egypt-franck-goddio-7 lost-city-of-heracleion-egypt-franck-goddio-6

dica da Rina Noronha

Perfil da Veja no Twitter é invadido e revista é chamada de fascista

printvejarep2

Publicado originalmente no Terra

O perfil da revista Veja no Twitter foi invadido por volta das 12h50 desta segunda-feira. O responsável pelo ato, que se identificou como @AnonManifest!, utilizou a conta do veículo para publicar a seguinte mensagem: “‘Jornalismo fascista nós não precisamos de vocês.’ A #LUTA CONTINUA #Brasil #OGiganteAcordou #Brasil #rEvolução“, em alusão aos protestos contra o aumento das tarifas no transporte que têm ocorrido em diversas cidades pelo País.

Até as 13h10 a conta seguia sob o controle do invasor e já exibia três novos tuítes: ” Aos mais velhos: Desliguem suas TVs, deixem o telejornal fascista de lado e venham para as ruas hoje”. “Nem a polícia e nem Mídia irão nos calar!”. Logo em seguida o hacker deixou uma mensagem de aviso a outro veículos de comunicação. “Outros vários perfis estão sendo tomados por min neste momente e estará a dispor, p serem usados como divulgação de videos fotos…(sic)”

A revista Veja é seguida por mais de 2,5 milhões de perfis da rede social.

dica do Sidnei Carvalho de Souza

Bob Fernandes: Passe livre e “saiaço” – com erros e acertos, é a política

Bob Fernandes, no Terra

Conversei com vários, com muitos estudantes. Resumo o que me contaram: a maioria é pacifista, contra atos de vandalismo e quebra-quebra. Jovens punks, ou que se imaginam anarquistas, seriam responsáveis pelos atos de violência. Estudantes dizem ser impossível controlar todos os grupos.

Há divisões entre eles. Muitos pedem que integrantes do PSOL e PSTU abaixem faixas e bandeiras; rejeitam a associação com partidos. E sabem que polícia e mídia forçarão essa simplificação. A maioria entende que perde apoio quando surgem atos e, em seguida, as manchetes sobre “vandalismo” e “baderna”.

É evidente que manifestações mundo afora, tão vivas nas redes sociais, despertam, influenciam e estimulam manifestantes em São Paulo e pelo Brasil. Os manifestantes, adolescentes ou pouco mais do que isso, parecem gritar a mesma coisa: “Ouçam o que temos a dizer”.

Muitos podem nem saber exatamente o que querem dizer, mas é óbvio que querem dizer alguma coisa. O que têm a dizer jovens de classe média e até alta, no caso de São Paulo, é muito mais do que os 20 centavos das passagens.

É tudo muito fluido. É disperso e dispersivo, como é mundo virtual das redes. Como é um mundo que tem o consumo como o ápice da vida. Bem além de 20 centavos, o que os protestos proporcionam são outras sensações.

Com acertos ou erros, a emoção de, enfim, estarem juntos nas ruas; não apenas em casa, na escola, nas redes ou na balada. A sensação de lutar por alguma coisa além do jeans e do smartphone. Muitos outros, a frustração por não ter acesso a nada disso.

Essa geração cresceu ouvindo críticas por “não se interessar” por política. Bem, com acertos e erros, errando ou acertando, o que eles estão fazendo é… política. Como fizeram política os meninos que, de saia, assistiram à aula no “saiaço” do Colégio Bandeirantes.

Quem marchou com a “Família e Deus pela Liberdade”, às vésperas da ditadura, fazia política. Quem foi à “Passeata dos Cem Mil”, contra a ditadura, ou aos comícios pelas “Diretas Já”, fazia política.

Meninos que vão à escola de saia, ou protestam nas ruas, fazem política. Como é política a decisão de escolher o “vandalismo”, a “baderna” ou as saias como a questão central.

Há três décadas muitos jovens se diziam na extrema-esquerda. E muitos eram chamados de vândalos. Ao longo da vida seguiram seus caminhos, alguns se perderam na própria esquerda.

E outros são hoje os mais ferozes e servis porta-vozes da extrema-direita.

Nada como o tempo para ensinar a todos nós.

dica do Fabio Martelozzo Mendes