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Aos meus queridos irmãos “ateus” ou aos “traumadeustizados”

Caio Fábio

Quase tudo o que vejo de uns tempos pra cá na Internet é, SUPOSTAMENTE, “blasfêmia”!

São “ateus” que um dia foram “crentes” ludibriados, e que, agora, vazam sua raiva e ressentimento contra tudo o que se chame Deus!

Com o advento das comunicações de nível global, e com o que a religião no ocidente vem fazendo — num espetáculo de blasfêmia quase sem precedentes históricos — e que se tornou escândalo mundial [...], os que antes “obedeciam por medo”, hoje levantam as mãos aos céus em acusações contra “Deus” — que, no caso, é apenas uma “projeção” da religião do engano.

Sim, para esses e outros igualmente doentes de ódio e amargura, a sua atual expressão de descrença supostamente encontra na Bíblia seu maior argumento.

Como foram enganados pelas “sistematizações perversas” feitas de textos bíblicos sem contexto e usados por pretexto, agora usam do mesmo artifício para “sistematizar” as “blasfêmias” de escola dominical que propalam…

Os argumentos são tão idiotas quanto eles próprios foram no tempo em que criam “num deus” que não é Deus!

Agora, por causa disso, usam os argumentos tolos dos fundamentalistas para blasfemar contra Deus. São argumentos expostos em fotos montadas e em tirinhas, os quais são bobos desde o tempo em que a bobeira nasceu na cabeça dos “teólogos” da Bíblia inerrante em suas concordâncias verbais, em genealogias, e, sobretudo, na suposta coerência total entre o Velho Testamento e o Novo.

São os ateus da Bíblia. De fato são anti-biblos muito mais do que ateus; posto que todo ateísmo deles se baseia num fato: Deus se revela na Bíblia, e, portanto, se se prova que a Bíblia tem “imperfeições”, ou que se tem um choque entre o V.T. e o Novo, então… ambos são mentira; e, assim, “Deus” é negado, enquanto é apresentado com a cara do “Moisés” de Miguel Angelo.

Na realidade a blasfêmia dos bichinhos não ofende nem a mim, quanto mais ao Deus que é, e que entende e se condói de cada desespero humano vinculado ao engano sofrido na “religião”, tanto a do engano ladrão, quanto a do ensino “montado”…

Grande é o amor de Deus por esses passarinhos frágeis e de asinhas quebradas!

Precisam de tempo até que eles mesmos vejam que o “ateísmo” deles é ainda uma versão religiosa da negação!

Mas se houver briga, discussão e se alguém vier a tomar tais “tolas blasfêmias” como coisa séria demais, aí sim se aprofundará em tais pessoinhas a necessidade de firmar posição em convicções que não têm profundidade e nem inteligência de qualquer natureza.

São “ateus” google!

Tenho muito a dizer a esses “irmãos ateus”, pois, sei que são apenas traumadeustizados!

Também sinto a dor da jovenzinha que se suicidou em razão de ter sido perseguida em casa pelo seu “ateísmo”, o qual, de fato, é tudo menos ateísmo; sim, é um ateísmo do qual eu sofro sem perder a fé a minha vida inteira.

“Desse Deus” que eles agora denunciam, sinceramente, eu sempre descri!

fonte: site do Caio Fábio

A maldição da teologia deuteronômica

Rui Luis Rodrigues, no site da Carisma

Em muitos aspectos o Exílio babilônico, suportado pelo reino de Judá a partir de 587 a. C., foi a fonte de avanços significativos na compreensão que esse povo tinha de seu Deus. Foi a partir dali que o javismo – termo pelo qual os estudiosos se referem à fé em Yahweh até o momento do Exílio – passou a reconhecer o caráter único de Deus, tão belamente descrito em passagens do Dêutero-Isaías (a porção do livro de Isaías escrita na época do Exílio e que corresponde aos capítulos 40-55) como, sobretudo, o capítulo 44.

Mas os ganhos também foram acompanhados por fraquezas. É preciso que compreendamos que isto faz parte das dinâmicas formativas da Escritura Sagrada. A Bíblia não é texto “divino”, mas relato humano através do qual Deus conseguiu revelar a Si próprio. A revelação de Deus está presente no texto, mas este foi construído humanamente e, em consequência, carrega as marcas e limitações de toda produção humana.

Um dos aspectos negativos adquiridos pelo javismo durante o Exílio (e que se desenvolveu enormemente no retorno para a Palestina) foi a teologia deuteronômica. Nenhum estudioso sério do Antigo Testamento questiona, hoje, o caráter pós-exílico do Deuteronômio e a releitura da Lei que esse texto faz. Indubitavelmente nesse texto encontramos grandes riquezas em termos de percepção do caráter de Deus e do seu amor. Mas isso vem misturado a outros elementos. Um desses elementos é o caráter retributivo dessa teologia, exemplarmente representado pelas bênçãos e maldições do capítulo 28.

O javismo precisava, no Exílio, compreender o próprio fato de sua desgraça, entender as causas que levaram à extinção do reino de Judá; sobretudo, precisava entender por que Deus permitira aqueles acontecimentos. A alternativa seria supor que o próprio Yahweh fora derrotado, em batalha cósmica, pelos deuses mesopotâmios. Essa explicação foi rejeitada fortemente pela escola profética de Isaías. Ao contrário, do cadinho do sofrimento emergiu a fé firmemente monoteísta que, a partir de então, iria caracterizar o javismo (até então o javismo era henoteísta, ou seja, cria na existência de vários deuses, cada um com autoridade sobre seu próprio território; daí porque a derrota dos judeus em sua própria terra era um problema teológico de enorme magnitude).

A explicação mais plausível parecia ser a de que Deus entregara seu povo ao sofrimento do Exílio em retribuição de sua infidelidade. Naquele contexto era impossível àqueles homens e mulheres qualquer consideração sobre o caráter histórico e social de seu próprio sofrimento; eles não conseguiam perceber o fato, para nós simples, de que foram submetidos aos babilônios porque estes se erguiam então como potência “mundial” (a rigor, como potência predominante no Oriente próximo). Precisamos compreender bem este ponto: imaginar que o Exílio fora concessão de Deus por causa da infidelidade de Judá serviu para preservar, no javismo, a fé em Yahweh como Deus que ama seu povo e se interessa por ele. Isso foi de valor inestimável. Mas, ao mesmo tempo, essa explicação lançava uma sombra sobre a imagem de Deus.

O caráter mais perverso da imagem de Deus que essa concepção formou foi, justamente, a teologia retributiva que encontramos em Deuteronômio 28. Essa teologia, segundo a qual sofrimentos resultam sempre da maldição que se segue à desobediência e prosperidade é a consequência lógica da obediência, incorporou-se à mentalidade judaica desde então. Culminará, nos dias de Jesus, naquela atitude religiosa que enxergará a desobediência de alguém como causa, por exemplo, de uma cegueira congênita (ver João 9:2 e a contundente negativa de Jesus, no versículo seguinte). Nos dias de Jesus essa teologia ganhou um peso opressivo todo especial: num contexto de miséria motivada, sobretudo, pela dominação estrangeira, a parcela mais sofredora do povo era mantida em duplo cativeiro; o cativeiro social, fruto da opressão estrangeira, e o cativeiro religioso, segundo o qual sua própria miséria era fruto de desobediência, pecado e negligência da Lei (ver, a propósito, a atitude dos líderes religiosos a respeito do povo, expressa em João 7:49).

É interessante perceber, também, como a própria teologia dos “amigos de Jó” (rejeitada como um todo pela lógica do livro) é essa mesma teologia deuteronômica: os amigos de Jó acreditavam que o sofrimento de seu amigo só podia ser fruto de pecado. Como sabemos hoje, o livro de Jó é de redação pós-exílica, tendo sido composto como reação a esse ambiente no qual a teologia deuteronômica começava a predominar. Continue lendo

Os limites da pregação religiosa

Para o padre Anísio Baldessin, é melhor atrair pelo exemplo do que pelo discurso

Aline Viana, no iG

A situação é difícil: um colega de trabalho descobre uma doença grave ou perde um ente querido. A intenção é boa: o primeiro consolo que lhe vem à cabeça é de cunho religioso. Mas pode ser ofensivo “evangelizar” alguém neste contexto. E em outros contextos também.

Quem nunca ouviu que religião, política e futebol não se discutem? “Na verdade, esses assuntos não se condenam. Não tenho como julgar a escolha do outro, apenas me cabe respeitá-la”, redefine Janaína Depiné, coach em relacionamentos e especialista em etiqueta.

Para Janaína, os atritos ocorrem quando se desrespeita o direito do outro de pensar diferente ou se fica preso a uma interpretação literal de uma escritura. “Jesus pregava para leprosos e prostitutas. Por isso é estranho ver alguns pastores evangélicos condenando os homossexuais. Mesmo que o Antigo Testamento condene a prática do homossexualismo, a Bíblia também diz para respeitar todos”, pontua Janaína.

Junto ao respeito, há a questão da oportunidade. Por mais que se queira levar a palavra de Deus, Jeová, Ogum, Maomé, etc. a todos, existem hora e lugar certos para fazer isso.

“Usamos muito a expressão ‘a pessoa tal é uma pessoa de Deus’ porque não precisa pregar, as atitudes falam por si mesmas”, observa o padre Anísio Baldessin, autor do livro “Entre a Vida e a Morte: Medicina e Religião” (Editora Loyola). “É melhor atrair pelo exemplo do que pelo discurso, porque se o outro se sentir agredido jamais ficará interessado em conhecer mais sobre a sua religião”, concorda Janaina.

Intolerância ao pé da letra

Paulo Vinicius passou por uma saia justa incomum no velório do pai: em vez de confortá-lo, membro da igreja que ele deixara de frequentar ignorou-o
foto: Gustavo Magnusson/ Fotoarena

No velório do próprio pai, o auxiliar judiciário Paulo Vinicius Mendes Ananias, 29, se sentiu agredido pelo comportamento de um irmão de sua antiga igreja. Ele tinha sido Testemunha de Jeová e, segundo as leis da igreja, os fiéis não podem mais manter contato com quem se afasta.

“No velório do meu pai, estávamos eu, minha mãe e a minha namorada. Chegou um irmão da igreja e cumprimentou todo mundo, menos eu. Apertou a mão da minha mãe, dos outros e passou direto por mim. Só tinha eu de filho lá na hora. E ele é um ancião, uma figura de autoridade da igreja. Eu me senti humilhado e mais triste do que já estava”, relembra Paulo.

Ele pontua que nem todos os religiosos agiram assim na ocasião. “Havia outras pessoas da igreja que me cumprimentaram, conversaram e tentaram me confortar. Mas foi justamente com aquele que não me cumprimentou que eu tive um relacionamento mais próximo, porque foi ele quem me passou os ensinamentos da religião quando eu era criança”, conta. “Hoje eu não vou mais a nenhuma igreja porque não acredito mais em nada.”

O que não fazer

Sugerir um momento de oração em local de trabalho ou de estudo pode ter a melhor das intenções, mas sair pela culatra e criar um clima de isolamento para quem não quer participar. Se uma única pessoa se sente constrangida ou desconfortável, é melhor respeitar e deixar a prática para outro momento.

Dar presentes de cunho religioso sem conhecer bem o outro também é arriscado. Se a pessoa não comunga da mesma fé, pode se ofender.

Convites para cultos também devem ter contexto adequado. Esteja pronto para ouvir um “não”. “O próprio Jesus Cristo sempre propôs: ‘se você quiser me seguir’, ‘se você quiser entrar no Reino dos Céus’…”, diz o padre Anísio.

Mas se uma pregação fora de hora ou de lugar ofender, não responda. Uma discussão não vai mudar a opinião do outro, nem torná-lo mais tolerante. Se isso acontecer, será por meio de um processo mais longo, não de um bate-boca.

Que deselegante!

A ex-primeira-dama Rosane Collor , em entrevista à edição de maio da revista “Marie Claire”, disse que a atual mulher do ex-marido, Caroline Medeiros, foi punida por Deus por ter lhe roubado Fernando Collor. Segundo Rosane, essa é a razão de uma das filhas gêmeas do ex-presidente com Caroline ter nascido com problemas de saúde.

Além de deselegante, a declaração não encontra respaldo no próprio pensamento religioso. “Deus não conserta um erro com outro erro. No Antigo Testamento, pensava-se que doença era um castigo. Mas no Cristianismo é inconcebível que os pais cometam um erro e que os filhos paguem por ele”, diz o padre Anísio.

Segundo Anísio, as dificuldades da vida serão as mesmas para os fiéis de qualquer religião – e para quem não tem nenhuma. “Ter ou não ter uma religião não livra da doença, do desemprego. E religião não é para resolver o problema de ninguém, mas sim para pôr Deus em contato com as pessoas”, conclui.

dica do Fábio Davidson