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Blogueira é condenada por criticar restaurante em post

Segundo juiz, o texto tinha grande relevância nas buscas do Google e prejudicava o estabelecimento

taca-vinho-porto-size-598Publicado na Veja on-line

A blogueira francesa Caroline Doudet tem razões a mais para não visitar o restaurante Il Giardino, em Cap-Ferret, na França. A crítica que ela fez do local, que falava mal do estabelecimento, foi considerada ofensiva pela justiça francesa. Segundo o veredicto de um juiz de Bordeaux, o post da blogueira tinha grande relevância nas buscas do Google e, por isso, prejudicava o estabelecimento. Caroline foi condenada a mudar o título de seu review e a pagar uma indenização ao restaurante.

O título em questão, “O lugar para evitar em Cap-Ferret: Il Giardino”, não agradou o dono do restaurante, que procurou a justiça francesa. Segundo o processo, o texto aparecia em quarto lugar no Google quando um usuário fazia uma pesquisa pelo nome do estabelecimento. Para o proprietário, o review prejudicava o seu negócio injustamente. Carolina discorda. De acordo com a blogueira, o serviço do local, bem como o atendimento do proprietário, foram ruins e não mereciam elogios.

A popularidade de Caroline nas redes sociais influenciou a decisão do juiz. A blogueira, que escreve sobre moda, literatura e gastronomia, tem mais de 2.000 seguidores no Twitter e uma comunidade de leitores bastante ativa. A justiça determinou que ela não use a construção “lugar para evitar” no título do post e pague o valor de 1.500 euros (4.578 reais) para o restaurante. A blogueira acabou tirando o texto do ar.

Crime — Para Caroline, a decisão transformou em disparate aparecer bem nas buscas do Google. A blogueira reclamou: “Esta decisão cria um novo crime: o de ter uma influência muito grande na internet”, disse a crítica para a rede britânica BBC. Para um site local, o proprietário do restaurante se manifestou: “As pessoas podem criticar, mas com respeito”. A blogueira disse que não vai recorrer da decisão.

Quando o inferno nos rodeia

Palestino carrega corpo de uma menina de dois anos morta após os ataques israelenses (foto: Suhaib Salem/Reuters)

Palestino carrega corpo de uma menina de dois anos morta após os ataques israelenses (foto: Suhaib Salem/Reuters)

Ricardo Gondim

Em Metamorfose, obra-prima de Franz Kafka, o caixeiro viajante Gregor Samsa acorda transformado em inseto. Kafka se vale dessa terrível sina para denunciar o descaso. No sofrimento crônico, enquanto a agonia de Samsa se prolonga, familiares, inclusive os inicialmente chocados e prontos para ajudar, o abandonam.

Kafka fez Gregor Samsa incorporar a insignificância do ser humano nos longos processos de dor para denunciar: o tempo conspira contra a solidariedade. Se, para sobreviver ele continua necessitando dos outros, morrerá à mingua. A família acaba por esquecer o homem metamorfoseado em inseto (alguns acham que era uma barata). Quem se vê preso ao sofrimento abjeto, acorrentado à miséria, não terá escapatória.

Diversos países da África agonizam há anos. Na Palestina que arde, crianças voltam a morrer, dizimadas por bombas de fósforo – Israel já usou essas bombas banidas na Convenção de Genebra. Mas, com o alongar do horror, os noticiários acabam mudando a ênfase – ninguém suporta ficar diante da barbárie o tempo todo.

O fracasso do capitalismo de evitar que mais de um bilhão de pessoas durmam com fome, o neocolonialismo econômico, que perpetua os bolsões de miséria, e o poder da indústria bélica passam quase despercebidos por serem já antigos.

No começo do ano, o Jornal Nacional da Globo gasta, invariavelmente, vários minutos, com alguma reportagem sobre o preço do material escolar de grife; mães e filhos falam sobre o absurdo de comprar um caderno duas vezes mais caro por estampar o emblema de algum time de futebol na capa. O telejornal de maior audiência no Brasil dá pouca ou nenhuma nota sobre o genocídio do Congo, sobre a violência mexicana ou sobre a vida dos emigrantes africanos. A Palestina não toma mais que dois minutos – e a matéria vem de Nova Iorque, Londres ou Tel Aviv – que, obviamente, é versão oficial de quem detém o poder. A mídia brasileira é medíocre.

Voltemos a Gregor Samsa. A morte cotidiana de crianças e idosos em Gaza, pouco a pouco, perderá espaço. Não é bom ver meninos despedaçados. Quem gosta de jantar com imagens de um campo de refugiados da ONU?  Milhares de seres humanos a vagar, transformados em gafanhotos em um deserto sem grama, nunca é agradável.

Precisamos resistir. Nenhum ser humano, diminuído à condição de inseto, merece ser esquecido. Continuar a vida e abandonar ao largo os que jazem na estrada entre Jerusalém e Jericó, só nos desumaniza. Rejeitemos a notícia rala sobre a vida íntima de ricos e famosos. Procuremos análises mais profundas sobre os acontecimentos. Cobremos manchetes imparciais. Não aceitemos melindre piegas quando circulam fotografias pavorosas na internet, elas nos acordam da complacência.

Acostumar-se à guerra é monstruoso. Toda aventura militar é sórdida. O arrazoamento bélico, que desconsidera pessoas em nome de projeto político, nasce no inferno. Paz forjada sobre retaliação e vingança não é paz. Intolerância fermenta ódio.

Diz-se que C.S. Lewis confrontou seus amigos que gostavam de discutir literatura em um pub de Oxford em plena II Guerra: O que fazemos aqui discutindo literatura, enquanto a Europa arde? Nero não foi um monstro por incendiar Roma, mas por tocar violino diante do inferno. 

Se crianças morrem estraçalhadas por granadas ou de fome, a vida não pode seguir adiante, como normal. Kafka abandona Gregor Samsa empoeirado e triste para nos avisar: se nos acostumarmos com o inferno, nós nos tornamos menos que gente. Que Deus não nos deixe dormir em paz.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

Vida efêmera

foto: Hesham Alhumaid

foto: Hesham Alhumaid

Ricardo Gondim

Como um pai tem compaixão de seus filhos, assim o Senhor tem compaixão… pois ele sabe do que somos formados; lembra-se que somos pó”  [Salmos 103.13-14]

Somos limitados. O número de palavras que nos valemos para conversar, escrever, poetizar, criticar, não lota cem páginas. O espectro da nossa audição é menor do que o dos cães. Existem milhões de cores que nossos olhos não conseguem perceber. Intuímos, mas estamos longe de entender o que significa a palavra percepção. Na vastidão do mistério que nos escapa, oscilamos entre a passividade e a angústia. Qualquer altitude nos mete medo. Tratamos uma pequena depressão como vale da sombra da morte. Dizemos que o futuro parece um oceano desconhecido. O medo do infortúnio se torna pior do que o próprio infortúnio – [ditado iídiche]

Somos óbvios. Previsíveis. Não relutamos quando a vida reduz as opções. Se precisamos alçar voo, nos amesquinhamos. Contentes, sequer reparamos o ar viciado da sala povoada com nossos iguais. Não nos envergonhamos de nosso sedentarismo – que atrofia músculos e coração.

Somos efêmeros. As carpas vivem mais do que nós. Os abutres sobrevivem com bem menos. A ursa cuida da prole com mais atenção. Nossa pele enruga com pouco sol. Bastam quatro décadas, e nossos olhos perdem a capacidade de manter a nitidez. Nosso cabelo embranquece e cai sem motivo. Basta um mínimo desequilíbrio no sangue, um leve aumento da temperatura, e convulsionamos. Sacrificamos a boa comida em nome da saúde, mas não driblamos o câncer, a diabetes, a pressão alta. A vida passa e apagamos como fagulha na neblina. Os primeiros anos – da infância – se esconderam no inconsciente e os últimos – da velhice – se perderão na demência. Custamos atinar: não passamos de folha, que amarela e despenca no outono.

Somos carentes. Precisamos de companhia. O outro, por mais impertinente que seja,  é melhor que a solidão. Se fugimos para o deserto, lá choramos de saudade. A irritação do conflito não basta para nos afastar do amor. Suplicamos por abraço, mão estendida, colo. O crepúsculo nos inunda de melancolia. Sentimento de orfandade nos acorda de manhã e passamos o resto do dia à espera da mãe que perdemos.

Bendita precariedade que escancara nossos limites. Por nos sabermos passageiros, conhecemos a peculiaridade do instante. Na especificidade de cada momento vivido, degustamos a eternidade.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

‘Coragem é característica essencial para que haja bondade’

coração

Ariovaldo Ramos

Muitas vezes, os maus triunfam por causa da covardia dos aparentemente bons! Daí, a gente fica sem saber se estes são os bons, ou se são só os acomodados, isto é, gente tão má quanto, mas que não agita.

De fato, coragem é a característica essencial para que haja bondade. Pois, a bondade, por definição, se opõe à maldade, logo, o ser humano, que é bom, tem a coragem necessária para se opor ao mal e para enfrentar os maldosos.

fonte: Facebook