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Câmara de SP torna lei ‘Dia da Independência Corintiana’

Sheik comemora gol na vitória do título da Libertadores: 4 de Julho passa a ser “Dia da Independência Corintiana”

Sheik comemora gol na vitória do título da Libertadores: 4 de Julho passa a ser “Dia da Independência Corintiana”

Diego Zanchetta, no Estadão

O presidente da Câmara Municipal, José Américo (PT), promulgou hoje o projeto de lei que inclui o 4 de julho no calendário oficial da cidade como “Dia da Independência Corintiana” em São Paulo.

A proposta dos vereadores Goulart (PSD), David Soares (PSD) e Juscelino Gadelha (PSB) “tem como objetivo instituir uma data comemorativa que representa a conquista da Copa Libertadores da América pelo Sport Clube Corinthians Paulista.”

Com pareceres favoráveis das comissões de Justiça, Educação e Finanças, a proposta não precisou ser votada em plenário. O próprio Executivo informou à presidência de que caberia ao Legislativo fazer a promulgação da lei.

Como justificativa para instituir a data, os autores do projeto argumentam que “a data deve ser comemorada anualmente”, já que “trouxe a libertação do Corinthians”, e “merece entrar no calendário oficial”. O clube paulista derrotou o Boca Juniors, da Argentina, na decisão, que aconteceu no mesmo dia da independência dos Estados Unidos.

“Quem é corinthiano jamais vai esquecer aquela noite, tínhamos que vencer e, finalmente, conseguimos tirar esse fardo das nossas costas”, argumenta Goulart.

É a terceira data incluída do calendário oficial da cidade em homenagem ao Corinthians. O dia 1º de setembro é desde 2011 o “Dia do Corinthians”, em homenagem à data de fundação do clube, aberto em 1910. O “Dia do Torcedor Corintiano” é celebrado no dia 13 de outubro, data da vitória do Corinthians sobre a Ponte Preta na final do Campeonato Paulista de 1977 – na época o clube conseguiu quebrar um jejum de 23 anos sem títulos.

A seguir, o despacho que tornou lei o “Dia da Independência Corintiana”, publicado hoje no Diário Oficial da Cidade:

LEI Nº 15.741 DE 10 DE MAIO DE 2013
(PROJETO DE LEI Nº 342/12)
(VEREADORES DAVID SOARES – PSD, GOULART – PSD
E JUSCELINO GADELHA – PSB)
Altera a Lei nº 14.485, de 19 de julho de
2007, para incluir o Dia da Independência
Corintiana, a ser comemorado anualmente
no dia 04 de julho, e dá outras providências.
José Américo, Presidente da Câmara Municipal de São Paulo,
faz saber que a Câmara Municipal de São Paulo, de acordo
com o § 7º do artigo 42 da Lei Orgânica do Município de São
Paulo, promulga a seguinte lei:
Art. 1º Fica inserida alínea ao inciso CXXXII do art. 7º da
Lei nº 14.485, de 19 de julho de 2007, com a seguinte redação:
“o Dia da Independência Corintiana;” (NR)
Art. 2º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação,
revogadas as disposições em contrário.
Câmara Municipal de São Paulo, 14 de maio de 2013.
JOSÉ AMÉRICO, Presidente
Publicada na Secretaria Geral Parlamentar da Câmara Municipal
de São Paulo, em 14 de maio de 2013.
KAREN LIMA VIEIRA, Secretária Geral Parlamentar

dica do Guilherme Massuia

‘Ela parecia um anjo’, diz ‘mendigo gato’ sobre mulher que o fotografou

Rafael Nunes se emocionou ao encontrar a fotógrafa que o deixou famoso.
Reencontro aconteceu na clínica onde ele está internado.

Rafael reencontrou a fotógrafa que o tornou famoso (Foto: Arquivo pessoal)

Rafael reencontrou a fotógrafa que o tornou famoso (Foto: Arquivo pessoal)

Natália de Oliveira, no G1

“Foi como se eu estivesse vendo um anjo, que veio para me salvar e, de fato, ela realmente me salvou”. Essas foram as palavras de Rafael Nunes, de 31 anos, após reencontrar a mulher que o fotografou e que, sem saber, mudaria sua vida para sempre.

Foi depois daquela foto, que Indy Zanardo tirou em uma praça no centro de Curitiba e depois publicou no Facebook, que Rafael se tornou conhecido como o “mendigo gato”. A fotógrafa esteve na clínica onde o rapaz está internado há cerca de 7 meses, em Araçoiaba da Serra (SP), para um emocionante e inesperado reencontro com Rafael e sua família, registrado pelo Globo Repórter.

Rafael não tinha a mínima ideia de que encontraria novamente a mulher que ele havia pedido para ser fotografado para ficar famoso “na rádio”. “Quando ela entrou na sala eu não tinha noção de quem ela era, mas parecia um anjo. Daí quando me contaram quem era, chorei. Foi muito emocionante”, contou o rapaz ao G1.

Para Rafael, Indy foi enviada por Deus para que ele tomasse um novo rumo na sua vida. “Eu já tinha tentado outras internações antes que não deram certo. Depois de toda a repercussão da minha foto, as coisas mudaram muito na minha vida e eu acabei vindo pra cá [se referindo à clinica em Araçoiaba da Serra]. Agora tenho em mente o que quero para minha vida e estou focado a não voltar mais para as drogas.”

A fotógrafa também acredita que uma força divina juntou os dois. “Acho que de alguma forma Deus tocou nossas vidas, fez Rafael me pedir a foto e me guiou para tirá-la e divulgá-la. Eu poderia ter me recusado a tirar ou ter simplesmente esquecido ela no meio das outras 800 que tirei naquele passeio, mas foi a única que publiquei no meu mural”, revela Indy, que diz não fazer ideia da repercussão que aquela foto causaria.

No reencontro, Indy presenteou o ex-dependente químico com um terço. “Eu me lembro bem das palavras dela, quando me deu o terço. Ela me disse: ‘Guarde isso, porque se Deus me colocou no seu caminho é porque era pra acontecer tudo isso na sua vida. Deus me usou para te ajudar, te dar mais uma chance’. Fiquei muito emocionado com as palavras dela”, relembrou, com lágrimas nos olhos.

Rafael cortou o seu bolo de aniversário com uma espátula (Foto: Natália de Oliveira/G1)

Rafael cortou o seu bolo de aniversário com uma
espátula (Foto: Natália de Oliveira/G1)

Aniversariante do mês
O rapaz, que completou 31 anos, recebeu uma festa de aniversário nesta sexta-feira (10), assoprou as velas junto com outros internos na clínica onde vive há cerca de sete meses.

O rapaz aproveitou a oportunidade para incentivar os colegas internos na luta contra as drogas. “Eu estou muito feliz em estar aqui na clínica com vocês. Acreditem que se está dando certo para mim, com certeza dará certo para cada um de vocês”, discursou Rafael, lembrando aos colegas que passou o aniversário do ano anterior nas ruas – o dia em que ele mais usou drogas. “Queria extravassar e usei mais drogas do que o normal. E por isso tava até feliz, mas eu prefiro a felicidade que eu estou sentindo agora, ela é real.”

Na hora de cortar o bolo, na falta de uma faca – já que os internos da clínica não podem ter contato com objetos pontiagudos -, o jeito foi improvisar com uma espátula. O pedido: ter a cada dia mais progresso e dar segmento na vida. “Estou focado em mim, na minha recuperação. Não estou deslumbrado com a repercussão que o meu caso tomou, mantenho os pés no chão. Eu quero voltar a conviver em sociedade e ter uma vida normal.”

A fotógrafa que o tornou famoso também torce pelo novo amigo. “Me sinto responsável por ele, de alguma forma. Desejo que ele consiga um emprego para levar uma vida normal, como todos nós, e que ele possa servir de exemplo para tantas familias que sentem que não há solução.”

A próxima etapa no tratamento de Rafael será voltar para a casa dos pais, para um beve convívio de sete dias. Depois disso ele retorna a Araçoiaba da Serra para a conclusão do tratamento.

Indy conheceu o pai, a mãe, a irmã e os sobrinhos de Rafael (Foto: Arquivo pessoal)

Indy conheceu o pai, a mãe, a irmã e os sobrinhos de Rafael (Foto: Arquivo pessoal)

Mágico do Rio grita e ofende menino de 6 anos em vídeo postado na web

Família registrou queixa na polícia contra Rodrigo Valadares.
Sindicato dos Artistas diz que vai cassar registro profissional do mágico.

Tathiane e o enteado, agredido verbalmente por mágico. (Foto: Arquivo Pessoal)

Tathiane e o enteado, agredido verbalmente por mágico. (Foto: Arquivo Pessoal)

Priscilla Souza, no G1

Uma apresentação de mágica em uma festa de aniversário, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio, se tornou um show de horror para os convidados, e para uma família em especial. Contratado pela aniversariante, que completava 50 anos, o mágico Rodrigo Valadares aparece na filmagem da festa agredindo verbalmente um menino de 6 anos, na frente de toda a plateia – composta também por pelo menos outras cinco crianças, entre elas, a irmã dele, de 2 anos. O caso foi registrado na 37ª DP (Ilha) e está sendo investigado pela polícia.

Procurado pelo G1, Rodrigo Valadares não retornou as ligações até a publicação desta reportagem. Em uma das chamadas, uma mulher – que se identificou como Aline – disse que o mágico estava reunido com advogados e que daria o recado a ele.

Além de registrar a ocorrência na delegacia, a madrasta da criança, Tathiane Cristine Pereira Passos, de 31 anos, publicou o vídeo de 2 minutos e 34 segundos na web no dia 11 de abril e o compartilhou em redes sociais. Menos de uma semana de exposição na internet foi o suficiente para que os 12 segundos de descontrole do mágico resultassem em mais de 250 comentários de pessoas chocadas com a atitude de Rodrigo Valadares. Até terça-feira (15), o vídeo teve mais de 13,5 mil visualizações.

“Você nunca vai imaginar que num show de mágica alguém vá fazer isso com o seu filho. Porque nós convivemos há quatro anos e ele é como um filho para mim. Eu fiquei revoltada. Toda nossa família está abalada”, disse a organizadora de eventos.

Gritos e palavrões
No vídeo, o mágico Valadares pede a uma mulher da plateia que o ajude em um truque com cartas, que ele chama de “premonição”. A jovem levanta e vai até o mágico, que prossegue com o show.

Aos 2 minutos e 13 segundos, o menino de 6 anos, que está na plateia, tenta pegar a irmã de dois anos. Incomodado com o “barulho” causado pelas crianças, o mágico dispara dois palavrões. Depois, ele se aproxima do menino, demonstrando irritação, e grita no ouvido da criança outro palavrão, seguido de: “Moleque! Senta aí!”. Assustado, o menino reage, respondendo: “Ela é minha irmã, seu bobo!”. Enquanto o menino sai, o mágico sorri e diz para o público: “Psicologia infantil! Sempre funciona”.

Enquanto algumas pessoas riem, é possível ouvir a voz de um homem reclamando da atitude do mágico, que responde ironicamente: “Me processa, parceiro. Fica à vontade. Não tô nem aí”. A sugestão de reportagem foi enviada para o VC no G1.

Caso veio à tona dois meses depois
O evento aconteceu no dia 2 de fevereiro em uma casa de festas na Ilha, mas Tathiane e o marido, pai das crianças, souberam das agressões apenas dois meses depois, quando tiveram acesso a um trecho da filmagem da festa.

“Tinha dois ambientes na festa. Nossa família estava num ambiente e o show de mágica acontecia no outro, mas as crianças pediram para ver a apresentação. Deixei as crianças lá, sentadinhas, e não vimos o que aconteceu. Só soubemos que algo de errado havia acontecido, quando a irmã do mágico veio me pedir desculpas pelo comportamento dele”, contou Tathiane, acrescentando que a mãe do mágico – que era a anfitriã da festa – também se desculpou com a família através de uma rede social.

Com as imagens em mãos, a família, que mora em Olaria, no Súburbio, procurou a 22ª DP (Penha). No entanto, o caso foi remetido à delegacia da área onde ocorreu: a 37ª DP (Ilha). O registro foi feito com base no artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente: “Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento”. A pena prevista é de seis meses a dois anos de detenção.

“Ele grita palavrões, não pode tratar uma criança assim. Tem que respeitar. É um constrangimento à criança e ele vai responder pela infração a esse artigo do ECA porque eu vou remeter o caso à Justiça”, afirmou ao G1 o titular da 37ª DP (Ilha), José Otílio Bezerra.

Família vai entrar na Justiça
A mãe do menino, Camila Marques, contou que, desde o dia da festa, ele se recusa a falar sobre o que aconteceu. Ela é advogada e afirmou que pretende processar Rodrigo Valadares também na área cível.

“A atitude desse mágico foi descabida. Ele vive disso [mágica] e não merece. É uma humilhação para a criança, um trauma, e ele, certamente, já deve ter feito isso outras vezes. Não queremos dinheiro, mas que ele nunca mais faça isso com ninguém”, disse Camila, acrescentando que, ainda nesta semana, deve entrar com uma ação indenizatória.

Não foi a primeira vez
O Sindicato de Artistas e Técnicos de Espetáculos do Rio de Janeiro(Sated-RJ) informou que já havia recebido uma reclamação, em outubro de 2012, em relação ao comportamento de Rodrigo Valadares. Segundo a entidade, o mágico foi contratado para animar uma festa e a madrinha da aniversariante relatou ter sido alvo de piadas de mau gosto feitas por ele.

Ainda segundo o sindicato, Rodrigo Valadares teve o registro profissional concedido em 2007, depois de uma ex-diretora da entidade atestar sua capacidade – processo considerado normal, já que, nestes casos, os artistas precisam passar por testes de habilidade.

No entanto, de acordo com o sindicato, ele não poderia estar exercendo a função desde 2009, quando foi desligado dos quadros do Sated-RJ por estar inadimplente com a contribuição sindical. Depois de assistir ao vídeo, a pedido do G1, o presidente da entidade, Jorge Coutinho, lamentou o fato e disse que o mágico terá o registro cassado.

“É lamentável esse caso. Nós fazemos um apelo para que, numa situação como essa, as pessoas não só denunciem à polícia, mas também ao sindicato para que tenhamos conhecimento. Vamos consultar o jurídico e cassar o registro desse mágico porque ele não pode fazer uma coisa dessas e não representa a categoria”, disse o ator.

Shows para crianças
Em sua página a internet, Rodrigo Valadares diz que faz shows para adultos, crianças e empresas, levando a arte da mágica para que as pessoas “acreditem em seus sonhos”. No último parágrafo de sua apresentação pessoal, diz o texto: “Com isso, o mágico Valadares tem se destacado no mercado onde atua, pois acredita que trabalhando com seriedade, dignidade e responsabilidade os caminhos que levam aos objetivos finais se encurtarão”.

Procurado pelo G1, o presidente do Círculo Brasileiro de Ilusionismo, Mauro Cataldi, confirmou que Valadares recebeu certificado da entidade, mas não comentou o caso porque disse que ainda não tinha visto o vídeo.

O ator e mágico profissional, Nizo Neto, filho do humorista Chico Anysio, foi diretor do Círculo Brasileiro de Ilusionismo por dois anos e considerou o caso “absurdo”. “O público é sagrado e deve ser tratado com o maior respeito. Nada justifica essa atitude com uma criança. O comportamento foi totalmente inapropriado, absurdo.”

Benefícios sociais fazem nordestinas terem “independência” financeira e impulsionam divórcios

Carlos Madeiro, no UOL

Veroneide da Silva, 25, e o pequeno Alexandre: renda dos benefícios do governo federal é maior que pensões de dois dos pais de seus três filhos foto: Beto Macário/UOL

Veroneide da Silva, 25, e o pequeno Alexandre: renda dos benefícios do governo federal é maior que pensões de dois dos pais de seus três filhos               foto: Beto Macário/UOL

O pagamento do Bolsa Família tornou as mulheres nordestinas mais independentes e, por sua vez, menos necessitadas de manter casamentos exclusivamente para garantir renda e sustentar os filhos. Essa é a opinião de professores que estudam o lado social e o comportamento feminino de comunidades pobres da região.

Nos últimos anos, o Bolsa Família tem sido apontado como um fator “encorajador” às mulheres a buscarem separação. Antes, por conta da dependência financeira dos maridos, muitas mulheres largavam mão do trabalho para cuidar dos filhos e se tornavam “reféns financeiras’ do marido. Hoje, sete milhões de famílias nordestinas recebem o benefício, quase todos sendo tutelados por mulheres.

A independência financeira é apontada como fator decisivo na hora da separação. Segundo a pesquisa do Registro Civil 2011, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), o número de separações é sempre maior nos Estados mais ricos. Distrito Federal, São Paulo e Santa Catarina, por exemplo, têm taxas anuais de divórcio de 4,8, 3,4 e 3 por mil casamentos, respectivamente. Já as menores taxas estão nos Estados mais pobres: Maranhão (1,1) e Piauí (1,4) apresentam as menores taxas. No país, a média é de 2,6 divórcios por mil.

Apesar dos menores índices, é nos Estados mais pobres que o índice de divórcios mais cresceu proporcionalmente nos últimos anos. No Maranhão, por exemplo, o índice aumentou 175% entre 2009 e 2011, saltando de 0,4 por mil para 1,1. Em Alagoas, a taxa também mais que duplicou, saltando de um para 2,4 por mil casamentos. Ceará e Piauí também viram seus índices duplicarem em dois anos.

Impulso

O impulso dado as separações é relatado no estudo “Ações de transferência estatal de renda: o caso do Programa Bolsa Família”, da antropóloga Walquíria Leão Rego, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Para ela, o programa produziu uma “mudança significativa, observável a olho nu” na vida de mulheres beneficiadas.

No estudo, a antropóloga cita como exemplo as entrevistas com mulheres no sertão de Alagoas. Walquíria cita um caso que chamou atenção: “Refiro-me ao caso de uma mulher que conseguiu separar-se do marido que a maltratava. Livrou-se dos maus tratos graças, em grande parte, a este início de independência econômica.”

O exemplo é de Quitéria Ferreira da Silva, 34, casada e mãe de três filhos. Em entrevista à antropóloga, ela primeiramente se negou a falar sobre o momento de seu casamento, em 2006. Um ano depois, após ser inscrita no Bolsa Família, teve coragem de separar e passou a usar a renda do governo para sustentar os filhos.

Na pesquisa, a antropóloga relata que há um “consenso generalizado entre as mulheres” sobre a “avaliação positiva do programa de renda familiar e a consciência da superioridade feminina no quesito da responsabilidade maior na gestão da economia doméstica.”

Apesar da aprovação, as mulheres citam que o valor repassado é insuficiente. “[Elas] Reivindicam mais renda diante da ausência quase absoluta de perspectiva de empregos regulares. Seu horizonte de expectativas é reduzido, simples. Apenas querem ter acesso a uma vida mais digna, habitações melhores do que seus miseráveis casebres, normalmente mal iluminados, mal ventilados e exíguos para abrigar toda a família”, aponta.

esempregada, Elisângela Maria da Silva, 24, conta com o benefício social para sustentar os 4 filhos

esempregada, Elisângela Maria da Silva, 24, conta com o benefício social para sustentar os 4 filhos

Independência

Com as separações cada vez mais comuns entre os casais nordestinos, exemplos não faltam de mulheres que se separaram, recebem benefício do governo federal e deixam de contar com as pequenas pensões como única renda para sustento dos filhos.

Com três filhos de pais diferentes, Veroneide da Silva, 25, manteve união estável de 10 meses com o pai de seu filho mais novo –Alexandre, dois meses. Sem saber o paradeiro do ex-companheiro, a mulher, que mora em Murici (a 51 km de Maceió) afirma que o benefício do governo federal é determinante para o sustento mínimo de seus filhos.

“O Bolsa Família ajuda muito, pois recebo R$ 134 por mês, que é mais que o dinheiro repassado pelos pais dos meus dois filhos [que pagam entre R$ 40 e R$ 50 de pensão]. Minha mãe também ajuda, porque mesmo com a ajuda do governo, é pouco”, disse, citando que o motivo da separação foi que o ex-companheiro “não queria trabalhar.” “Ela botou ele pra fora por isso, e está certa”, gritou uma vizinha, durante a entrevista ao UOL.

Elisângela Maria da Silva, 24, também é separada e desempregada. Sem o dinheiro do marido, do qual se separou há seis anos, ela conta que –após ser deixada pelo então companheiro– deu entrada com pedido do Bolsa Família e sobrevive com o dinheiro repassado pelo governo federal em Rio Largo (na região metropolitana de Maceió).

“Tenho quatro meninos [entre um e nove anos] e depois que me separei isso passou a ser a única fonte de renda que tenho, fora a ajuda dos pais dessas crianças. O pai da última criança não ajuda com nada, e se não fosse o Bolsa Família, teria que me virar sozinha”, conta a mulher, que ainda recebe R$ 100 de pensão do ex-marido.

Programa “feminista”

O professor de economia regional da UFAL (Universidade Federal de Alagoas), Cícero Péricles Carvalho, explica que, além de dar condições financeiras às mulheres, o Bolsa Família influenciou também diretamente na vida cotidiana da parcela feminina de pobres do Nordeste. Isso ocorre porque, segundo as diretrizes do programa, a renda do programa vai prioritariamente para as mulheres.

“Isso é explicado pela prática de vida: elas são mais comprometidas com os filhos, têm menos vícios, como alcoolismo, e gastam esses poucos recursos com mais sabedoria, principalmente no tocante à alimentação”, disse.

Para explicar a “independência” pós-separação, Carvalho cita que, com o Bolsa Família, “milhões de mães de família estão recebendo, pela primeira vez, algum tipo de renda mínima.” No Nordeste, o repasse médio mensal do programa às mulheres é R$ 150, segundo dados de dezembro de 2012.

Ainda segundo Carvalho, as mudanças com a renda federal vão desde a melhoria na alimentação doméstica, até uma maior independência dos maridos e companheiros. O professor afirma que ainda há uma cultura machista que impera na região.

“No Nordeste, devido ao seu atraso social, apesar das mulheres serem maioria, com dois milhões a mais que homens, a predominância de valores conservadores faz com que o papel social da mulher seja sempre secundário. Por isso, o acesso a renda do Bolsa Família, mais a possibilidade de colocar os filhos na escola e ter acesso a saúde pública, ampliando as possibilidades de trabalho, modificam um pouco a relação interna familiar, abrindo perspectivas para esse conjunto pobre que vive nas periferias das cidades ou no campo nordestino”, explicou.

Homem encontra pérola rara ao comer ostras para curar ressaca

Tinha comprado duas ostras numa peixaria em Newquay, na Cornualha, depois de uma noite de álcool a mais

publicado no TVi24

Comer ostras tornou-se numa experiência inesquecível para o inglês James Humphries depois de encontrar uma pérola verdadeira num desses momentos.

O homem, de 34 anos, comprou duas ostras numa peixaria local em Newquay, na Cornualha, Inglaterra, depois de uma noite de álcool a mais.

Para James, as ostras são a «cura perfeita para a ressaca», pelo que, mesmo embriagado, notou algo de estranho na boca quando começou a comer. «Quando cuspi o que tinha na boca é que percebi que era uma pérola. É pequena, perfeita e eu adoro-a», contou ao The Telegraph.

As pérolas encontram-se, normalmente, em «Ostras de Pérola» e não no tipo que James comeu, mais conhecido por a «Ostra do Pacífico».

Gareth Hornel, proprietário da peixaria, disse ao jornal que nunca assistiu a algo assim em 30 anos de serviço.

A pérola rara pertence agora a James Humphries, que já sabe o que vai fazer com ela. «Estou a pensar transformá-la numa peça de joalharia, provavelmente um peixe de prata com a pérola no olho», adiantou.