Trabalhar em horários irregulares pode prejudicar o cérebro e a memória, diz pesquisa

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Publicado em O Globo

Trabalhar em turnos irregulares pode causar danos a longo prazo para a memória e a saúde mental dos funcionários, segundo um novo estudo feito pelas universidades de Toulouse (França) e Swansea (País de Gales).

A mudança constante de horários no batente afeta o nosso relógio biológico, causando desgaste parecido com a fadiga de uma longa viagem de avião em que mudamos muito de fuso horário. Essas alterações já foram associadas, por exemplo, ao aumento de riscos para o coração e até de câncer. Agora, cientistas descobriram uma redução da função cerebral em pessoas que variam muito seu turno de trabalho, especialmente pra quem alterna entre manhã, tarde e noite.

Num estudo com 3 mil pessoas que vivem na França, os pesquisadores notaram que aqueles que trabalhavam em turnos rotativos tiveram desempenho significativamente pior em testes de memória e velocidade cognitiva do que as pessoas que haviam trabalhado em horários regulares.

A forma exata como o trabalho por turnos pode ter impacto sobre o funcionamento do cérebro não é totalmente compreendida. Mas sabe-se que perturbações no relógio biológico são conhecidas por afetar o corpo e a mente.

Estudos anteriores já mostraram, por exemplo, que pessoas que voam por longas distâncias regularmente apresentam uma função cerebral mais pobre, o que pode ser causado pela ruptura de algumas estruturas cerebrais, devido ao excesso de produção de hormônios do estresse. Um mecanismo semelhante pode estar ocorrendo em pessoas que alternam turnos diurno e noturno de trabalho por um período prolongado de tempo.

Também tem sido sugerido que os trabalhadores do turno da noite podem ser mais suscetíveis a deficiências de vitamina D por causa da menor exposição à luz solar. E a deficiência de vitamina D, por sua vez, tem sido associada a prejuízos na função cerebral em alguns estudos.

No estudo francês, 1.200 dos participantes foram acompanhados em três fases diferentes, em 1996, 2001 e 2006. Um em cada cinco havia trabalhado turnos rotativos entre manhãs, tardes e noites.

Aqueles que já trabalharam em turnos irregulares ou atuam assim tiveram notas mais baixas em testes de velocidade de processamento e memória do que aqueles com horário de expediente normal.

Os pesquisadores descobriram que a substituição dos turnos irregulares por horas regulares apresentou ligação com uma melhora na função cognitiva, o que sugere que quaisquer efeitos nocivos são reversíveis. Mas, segundo eles, foram necessários cinco anos para que estes efeitos fossem vistos.

Em artigo publicado no “British Medical Journal”, os autores da pesquisa, liderados pelo pesquisador Jean-Claude Marquié, da Universidade de Toulouse, disseram que a saúde dos trabalhadores que atuam por turno deve ser acompanhada de perto, como resultado de suas descobertas.

“O comprometimento cognitivo observado no presente estudo pode ter consequências importantes para a segurança não só para os indivíduos, mas também para a sociedade como um todo, visto o número crescente de postos de trabalho em situações de alto risco que são realizados à noite”, escreveram.

“Os resultados atuais destacam a importância de manter uma vigilância médica dos trabalhadores por turnos, especialmente daqueles que permaneceram em trabalhos divididos por turnos durante mais de dez anos.”

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7 frases proibidas em uma entrevista de emprego

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publicado na EXAME.com

Você tem um currículo interessante, demonstrou ter todas as competências exigidas para a vaga, mas no fim da entrevista deixou escapar uma frase que pôs tudo a perder?

De acordo com Felipe Brunieri, gerente de finanças da Talenses, não é raro que um candidato seja desqualificado por conta de uma declaração infeliz – mesmo que tenha ido bem em todas as outras etapas da seleção.

“O peso de uma frase mal colocada é muito grande para um recrutador”, alerta ele. “A impressão causada na entrevista corresponde a aproximadamente 50% da nota final”, estima Brunieri.

Ele aconselha prestar atenção à escolha das palavras e, sobretudo, ao tom de voz. “Às vezes, o que mais impacta o recrutador é a forma de falar”, comenta.

A seguir, veja algumas frases que causam ruído numa entrevista de emprego, na opinião de três especialistas:

“Meu antigo emprego era horrível.”
Falar mal do empregador ou dos colegas do passado soa muito mal aos ouvidos do recrutador. “Além de ser anti-ético, dá a impressão de que o candidato é uma pessoa agressiva e intolerante”, afirma Brunieri.

“Todo mundo costuma elogiar o meu trabalho.”
Não é proibido mencionar feedbacks positivos que você já recebeu. Mas a autoconfiança pode beirar a arrogância. Segundo Brunieri, o candidato que não cuida do tom das suas afirmações sobre seu próprio desempenho pode parecer antipático ou avesso ao trabalho em equipe.

“Odeio / detesto / não suporto tal coisa.”
Brunieri recomenda evitar palavras com carga negativa muito forte. “Frases muito carregadas podem dar a ideia de que você é inflexível e agressivo”, afirma.

“Tipo / cara / meu / animal / etc.”
Frases recheadas de gírias também não costumam soar bem. “É preciso um mínimo de formalidade e distanciamento, sobretudo num primeiro momento”, diz Brunieri

“Qual é o salário?”
Indagar sobre remuneração de forma muito direta ou apressada é outro risco. “É bom ter calma e escutar a proposta antes, ou você dará a entender que só quer o emprego pelo dinheiro”, afirma a coach Débora Monique.

“Meu problema é que sou perfeccionista e trabalho muito.”

Recrutador nenhum acredita num candidato que diz que seu pior “defeito” é ser dedicado demais. Além de ser pouco honesta, essa declaração transmite falta de autoconhecimento, segundo Luís Arrobas, sócio da 2GET.
“Não faço questão dessa vaga.”
Mesmo que você tenha recebido outra proposta melhor, demonstrar completo desinteresse pela vaga que você vai declinar pode ser ruim para o seu futuro. “Declarações assim fecham portas”, diz Brunieri.

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Agência recruta funcionários para o trabalho mais difícil do mundo

24 candidatos foram testados para a vaga, mas nenhum aceitou os termos. Você aceitaria?

Eber Freitas, no Administradores

Quem iria querer um trabalho desses? Full time, sem hora para descanso, 135 horas por semana, que exige o máximo do funcionário, conhecimentos em medicina, finanças e culinária, sem férias nem feriados (incluindo Natal e Ano Novo), sem hora para dormir e o pior: sem nenhuma remuneração, apenas por amor.

Provavelmente, você achará essas exigências insanas e ilegais. Os 24 candidatos entrevistados para o posto também acharam. Mas milhões de pessoas exercem esse emprego sem sequer reclamar: as mães.

A campanha, em homenagem ao Dia das Mães, foi realizada pela agência Mullen. Foram publicados anúncios reais na internet e em jornais. Nenhum dos candidatos conhecia o propósito real da campanha. O Dia das Mães neste ano será comemorado no dia 11 de maio.

Confira abaixo o vídeo e veja as reações dos candidatos. Realmente é um trabalho pesado, mas extremamente compensador.

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“Trabalhar demais é tão perigoso quanto fumar”

Um neurocientista comprova, com base numa pesquisa, o que a filosofia já sabia: o ócio estimula o cérebro a ser mais criativo e inovador

O neurocientista Andrew Smart, autor de Auto-pilot: provas científicas de que trabalhar demais faz mal
O neurocientista Andrew Smart, autor de Auto-pilot: provas científicas de que trabalhar demais faz mal

Elisa Tozzi, na Você S/A [via Exame]

Para ter uma vida mais equilibrada e feliz, é necessário diminuir a carga de trabalho e incluir momentos de ócio na rotina. A teoria de Domenico De Masi, sociólogo e autor de O Ócio Criativo (Editora Sextante), já está bem disseminada desde 1995, ano de lançamento de seu ensaio mais famoso.

Agora parece haver a comprovação científica para a tese do italiano com o livro Auto-pilot: the Art and Science of Doing Nothing (“Piloto automático: a arte e a ciência de não fazer nada”, numa tradução livre e sem edição no Brasil), de Andrew Smart, neurocientista e pesquisador da Universidade de Nova York.

A partir de estudos neurológicos, o autor mostra que fazer longas pausas é crucial para que o cérebro estabeleça conexões que podem levar ao autoconhecimento e à criatividade. Nesta entrevista a VOCÊ S/A, o cientista explica por que o ócio é tão importante para a saúde dos neurônios e mostra por que a divagação deveria ser estimulada dentro das empresas.

VOCÊ S/A – Em seu livro, a imagem do piloto automático é usada para mostrar que o cérebro é mais ativo quando descansamos. Por que isso ocorre?

Andrew Smart – Estudos de neurociência deixam claro que o cérebro possui algumas regiões que têm mais atividade quando estão em repouso. Essas áreas formam um circuito chamado default mode network (rede neural em modo padrão, numa tradução livre). Simplificando, essa rede faria o papel do piloto automático do cérebro.

Descobriu-se que a energia consumida pelo cérebro muda pouco de acordo com as tarefas que executamos. Tanto faz se você está resolvendo uma equação ou descansando. A variação da energia cerebral é de 5%. isso prova que o cérebro não desliga quando descansamos, pelo contrário. Há conexões que só são possíveis no repouso, cruciais para a saúde mental.

O piloto automático se conecta a quase todas as áreas cerebrais, inclusive ao subconsciente. isso é bom, porque é possível encontrar informações que fcam ocultas. O resultado é que, ao repousar, a atividade cerebral proporciona insights inesperados e nos torna mais criativos.

VOCÊ S/A – Dormir é uma maneira de acionar o piloto automático mental?

Andrew Smart – A atividade cerebral durante o sono é um pouco diferente, e pesquisas mostram que o cérebro faz uma limpeza quando dormimos. Mas a rede neural padrão é ativada em momentos de ócio. O cérebro tem diversos níveis de atenção, e é necessário estimular essas variações fcando sem fazer nada por algum tempo todos os dias.

Quando você tem uma rotina que oscila entre os extremos mentais de sono profundo e atenção, o cérebro sofre. Se você levanta e vai direto para o trabalho e quando chega em casa estimula ainda mais sua mente ficando em frente à TV ou ao computador, prejudica os processos cognitivos.

VOCÊ S/A – Há pessoas que ficam ansiosas quando não fazem nada. Por quê?

Andrew Smart – Há uma reação cerebral nos momentos de ócio: o efeito negativo. Isso acontece porque o subconsciente pode trazer à tona informações ou pensamentos que não são prazerosos, o que causa desconforto.

Outro ponto é o sentimento de culpa que surge com o ócio. Estamos tão acostumados a nos encher de atividades que, quando paramos, temos a sensação de que estamos perdendo algo ou de que não estamos agindo como seria esperado. Também não estamos acostumados a acessar o subconsciente e achamos estranho deixar a mente vagar sem um objetivo. Esses fatores podem gerar estresse.

VOCÊ S/A – Como mudar esse estado mental de estresse e atenção constante?

Andrew Smart – Mudando o modo como trabalhamos. Concordo com alguns pensadores, como Keynes (John Maynard Keynes , economista britânico), que dizem que deveríamos reduzir a jornada de trabalho para 4 horas.

VOCÊ S/A – Isso seria possível mesmo com as empresas exigindo bons resultados e alta produtividade?

Andrew Smart – Acredito que sim. Mesmo trabalhando mais de 8 horas, só há, em média, 4 horas reais de produtividade. Isso é plausível, tendo em vista o modo como o cérebro funciona: existem ciclos naturais de atenção e desatenção. Meu ponto é que, trabalhando menos, os profissionais teriam mais tempo livre para divagar e ser mais criativos. E ter funcionários inovadores seria positivo para as empresas.

Mas, quando há tanta pressão pelo lucro, as empresas precisam forçar os funcionários a ficar obcecados pelo trabalho para que
sobrevivam no mercado.

VOCÊ S/A – Por que o ócio tem sido renegado ao longo das décadas?

Andrew Smart – Desde os gregos, há a crença de que não fazer nada é ruim. A explicação é que ter tempo livre estimula as pessoas a questionar. Além disso, minha impressão é que as pessoas não querem ser ociosas porque têm medo de conhecer a si mesmas.

VOCÊ S/A – Então o ócio é um caminho para se conhecer melhor?

Andrew Smart – Sim. Como a rede neural padrão se conecta ao subconsciente, temos fashes de pensamentos obscuros. Essas informações que aparecem só de vez em quando revelam quem somos de verdade.

VOCÊ S/A – É possível transformar a sociedade da pressa na sociedade do ócio?

Andrew Smart – É um longo caminho, mas a ciência vai ajudar a lutar contra a cultura da pressa. Cada vez mais surgirão provas de que o excesso de trabalho e de agitação é prejudicial à saúde. Pense no que ocorreu com o cigarro. Há 50 anos, todos fumavam — e não havia consciência sobre os males do tabaco. A medicina se desenvolveu e mostrou que o cigarro é mortal.

As evidências foram cruciais para que as pessoas e os governos percebessem que fumar é uma péssima ideia. Consequentemente, o número de fumantes caiu no decorrer das décadas e continua a diminuir. Minha esperança é que, um dia, o mundo entenda que trabalhar demais é tão perigoso quanto fumar.

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Proibido de trabalhar de bermuda no Rio, homem vai de saia e é hit na web

André postou a foto no Facebook e tinha mais de 3,5 mil curtidas em 3 horas (Foto: Reprodução / Facebook)
André postou a foto no Facebook e tinha mais de 3,5 mil curtidas em 3 horas (Foto: Reprodução / Facebook)

Segundo ele, funcionária passou mal por conta do calor ‘desumano’.
‘Não é palhaçada, é uma forma de questionar’, disse André Amaral.

Gabriel Barreira no G1

O Rio vive um dos meses de janeiro mais quentes das últimas décadas, e os cariocas que não trabalham em ambientes com ar condicionado sofrem. É o caso do ilustrador André Amaral Silva, que trabalha em um prédio no Centro onde homens são proibidos de entrar de bermuda. A proibição, no entanto, não vale para as mulheres, que podem também usar saias. Inconformado com a limitação e o “calor desumano”, o jovem achou uma alternativa inusitada: foi trabalhar de saia.

A atitude curiosa foi parar na internet e rendeu 3,5 mil compartilhamentos e mais de 5,8 mil curtidas no Facebook em quatro horas, desde as primeiras horas desta terça-feira (4), dia em que uma funcionária vizinha, segundo ele, passou mal e desmaiou.

André posa com a saia (Foto: André Amaral Silva / Arquivo Pessoal)
André posa com a saia (Foto: André Amaral Silva /
Arquivo Pessoal)

“É uma forma de questionar dentro da legalidade. Não foi para fazer palhaçada nem para aparecer. É uma coisa séria”, garantiu.

A ideia, no entanto, quase não foi colocada em prática. Na chegada ao prédio, foi alertado pelo porteiro de que não poderia entrar. “Pela manhã, quando cheguei, o porteiro disse que não podia entrar. Contrargumentei que, se as mulhetes têm esse direito, eu estava correto. O administrador do prédio, que é policial militar, foi muito sensato e esclarecido. Orientou o funcionário a permitir e entrei”, explicou o ilustrador.

Recentemente, uma campanha na internet pediu que as empresas permitissem a entrada de funcionários de bermuda. A Prefeitura adotou a prática.

“Os políticos, em seus carros particulares com motoristas, não pensam no que passamos. O que passo é difícil, mas quem vem do Subúrbio tem esse problema multiplicado por ‘n’ vezes. Os porteiros, os caras da limpeza pegam uma condução que demora quatro horas, que enguiça, vem todo mundo andando e ninguém fala nada”, afirmou.

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