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Agência recruta funcionários para o trabalho mais difícil do mundo

24 candidatos foram testados para a vaga, mas nenhum aceitou os termos. Você aceitaria?

Eber Freitas, no Administradores

Quem iria querer um trabalho desses? Full time, sem hora para descanso, 135 horas por semana, que exige o máximo do funcionário, conhecimentos em medicina, finanças e culinária, sem férias nem feriados (incluindo Natal e Ano Novo), sem hora para dormir e o pior: sem nenhuma remuneração, apenas por amor.

Provavelmente, você achará essas exigências insanas e ilegais. Os 24 candidatos entrevistados para o posto também acharam. Mas milhões de pessoas exercem esse emprego sem sequer reclamar: as mães.

A campanha, em homenagem ao Dia das Mães, foi realizada pela agência Mullen. Foram publicados anúncios reais na internet e em jornais. Nenhum dos candidatos conhecia o propósito real da campanha. O Dia das Mães neste ano será comemorado no dia 11 de maio.

Confira abaixo o vídeo e veja as reações dos candidatos. Realmente é um trabalho pesado, mas extremamente compensador.

5 coisas para fazer todas as manhãs e ser mais produtivo

O jeito como você encara as primeiras horas do dia pode influenciar seus níveis de stress e produtividade no trabalho; veja como lidar com isso

foto: Getty Images

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Talita Abrantes, na Exame

O sucesso do seu expediente começa muito antes da hora que você bate o ponto ou passa o crachá no escritório.

A maneira como você encara o período que se estende entre o primeiro abrir de olhos até o momento em que chega ao trabalho pode ser determinante para a toada que o resto do seu dia seguirá.

Não é por acaso que Chieko Aoki, CEO da Blue Tree Hotels, e Ernesto Haberkorn, fundador da TOTVS, dedicam uma atenção especial às manhãs.

Para ambos, as primeiras horas do dia se revelaram como momentos preciosos para que eles conseguissem fazer a rotina caber na agenda, como revelaram recentemente para EXAME.com.

Este é o mote do livro “What the most successful people do before breakfast” (O que as pessoas mais bem sucedidas fazem antes do café da manhã, em uma tradução livre), lançado em 2012.

Nele, a autora Laura Vanderkan elenca argumentos que provam que a chave para conseguir o que quer está na maneira como você lida com as primeiras horas do dia. ”Este é o tempo que você pode ter para você mesmo, antes da prioridade das outras pessoas”, disse para o Business Insider.

Com isso em mente, elaboramos um guia para seguir todas as manhãs e que pode garantir produtividade, além de leveza, nas horas que estão por vir. Confira.

1 Tire o peso

Antes  de qualquer coisa, calibre seus primeiros pensamentos. Em outros termos, pare de encarar o início de um novo dia com tanta ansiedade, medo e frustração. “Acordar cedo é acordar cedo, não é melhor, nem pior. É só acordar”, afirma Eduardo Shinyashiki, consultor de carreira.

Esforce-se, portanto, para apreciar o que está a sua volta – do sol que entra pela janela até a água que escorre pelo corpo durante o banho.

“Em vez de alimentar a rotina de levantar com pressa, dedique 15 minutos para sentar e olhar as pessoas que dividem a vida com você”, sugere o especialista. E, como ele aconselha, faça de cada manhã uma celebração.

2 Faça uma atividade física 

Uma medida para começar o expediente já prevenido contra o stress é investir em atividade física. “Você deixa o stress na academia, na pista ou na praia”, diz Fernando Camilo, sócio da Kaminarh Consulting, que mora no Rio de Janeiro.

“O exercício aeróbico oxigena o cérebro e diminui o cortisol no sangue”, descreve Luis Fernando Garcia, autor do livro “O cérebro de alta performance” (Editora Gente).

Quando combinada com uma boa noite de sono, a prática de exercícios faz toda a diferença na produtividade, segundo o especialista.

3 Alimente-se

Para encarar o dia, é preciso de energia. Ou seja, café da manhã é indispensável. Afinal, como já diziam sua avó ou mãe, “saco vazio não para em pé”, brinca Garcia. Um cardápio rico em frutas e cereais pode ser uma boa pedida.

4 Coloque coordenadas no dia

Aclamada por especialistas de gestão do tempo, a “ingênua” lista de tarefas do dia é uma “poderosa” ferramenta da neurociência para que seu cérebro não surte no meio do expediente.

“O ser humano não funciona se não visualizar uma saída”, afirma Garcia. “Quando você materializa no papel tudo o que precisa fazer, em vez de circuitos desencontrados, você reduz a ansiedade”.

Em outros termos, a lista de tarefas cumpre o mesmo papel de um mapa recheado de coordenadas para que seu cérebro encontre foco para as horas que estão por vir.

“Quando você sistematiza o dia, o cérebro cria um caminho para como o dia vai funcionar”, diz o especialista.

Não é preciso muito para traçar este roteiro. Liste as atividades que devem ser feitas no dia usando verbos de ação no infinitivo e coloque um parâmetro de tempo para cada atividade. Por exemplo, fazer 10 ligações em 45 minutos.

Depois, eleja uma ou duas tarefas que “farão seu dia” caso as concretize. “Quando a gente conclui uma coisa importante, temos uma leve sensação de satisfação”, afirma Garcia.

Cuidado para não enumerar tudo – ou cair na tentação de fazer de todas as tarefas uma prioridade. Do contrário, seu mapa do dia pode desembocar em mais ansiedade e frustração.

5 Adiante os ponteiros 

Agora, se você, de fato, quer começar a labuta com o pé direito, trate de rumar para o trabalho alguns minutos mais cedo. “Deus ajuda quem cedo madruga”, brinca Fernando. “Se você sai com antecedência, já sai tranquilo”.

Lembre-se: “Trabalho não deve ser agonia. Deve ser satisfação, um local de realizações”, diz o especialista.

Papa Francisco: ‘sou feliz porque não sou desempregado’

Em conversa com jovens belgas, pontífice disse, ainda, ter muita paz interior

Pontífice recebeu jovens em encontro informal (foto: AP / Gregorio Borgia)

Pontífice recebeu jovens em encontro informal (foto: AP / Gregorio Borgia)

Publicado em O Globo

O papa Francisco disse, durante uma entrevista informal divulgada neste sábado (5), que está feliz pelo fato de “ter um trabalho” e por ser alguém com “paz interior”, sentimento que, segundo ele, vem com a idade. A conversa informal aconteceu no início da semana, entre o religioso e jovens belgas, e acabou sendo divulgada pelo Vaticano.

Na entrevista Francisco foi questionado por um de seus interlocutores se estaria feliz. O pontífice respondeu positivamente e ainda afirmou que se sentia assim, possivelmente, porque “eu tenho um trabalho, eu não sou desempregado”.

Francisco afirmou aos jovens, também, que sua felicidade não é a mesma coisa que os jovens sentem. Ele diz que aos 77 anos, é possuidor de “uma certa paz interior, uma grande paz, uma felicidade que vem bem com a idade.” Em tom pastoral, disse ainda que encontrou seu caminho na vida e que este caminho é o que lhe faz feliz.

Os jovens belgas ainda quiseram tirar uma curiosidade sobre como o Papa Francisco faz suas orações. “Sentado, porque sinto dor se me ajoelhar”.

Empresas buscam autistas por suas habilidades únicas

Patrick Brophy trabalha em sua mesa na SAP. (foto: Ciaran Dolan / The Wall Street Journal)

Patrick Brophy trabalha em sua mesa na SAP. (foto: Ciaran Dolan / The Wall Street Journal)

Shirley S. Wang, no The Wall Street Journal

Algumas empresas estão vendo o autismo cada vez mais como uma vantagem no trabalho, em vez de uma deficiência.

A empresa alemã de software SAP AG, SAP.XE +0.03% por exemplo, tem procurado ativamente pessoas com autismo para certas posições, não como uma iniciativa de caridade, mas por acreditar que as características do autismo podem tornar algumas pessoas melhores para determinadas tarefas.

Segundo especialistas na deficiência, a iniciativa tem mérito: Estima-se que 85% dos adultos com autismo estejam desempregados. O programa, iniciado na Alemanha, Índia e Irlanda, também está sendo lançado em quatro escritórios da empresa na América do Norte.

A SAP pretende que, até 2020, 1% da sua mão-de-obra, de cerca de 650 pessoas, seja de pessoas com autismo, diz José Velasco, responsável pela iniciativa da SAP nos Estados Unidos.

Pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) — que têm como características um comportamento repetitivo e deficiência para interações sociais — tendem a prestar muita atenção a detalhes, o que pode torná-las muito indicadas para fazer testes de software e eliminar falhas, segundo Velasco, que tem dois filhos com a doença.

Além disso, essas pessoas trazem uma perspectiva diferente ao local de trabalho, o que pode contribuir para a eficiência e a criatividade, diz.

“Elas têm uma natureza muito estruturada” e apreciam resultados precisos e sem ambiguidade, diz. “Estamos olhando para esses pontos fortes e vendo onde eles teriam valor na organização.”

Os funcionários autistas da SAP assumiram funções como a identificação de problemas de software e a distribuição de consultas feitas pelos clientes à central de atendimento, para membros da equipe responsável pela solução de problemas.

Um desses funcionários autistas trabalha em “marketing de talentos”, enviando mensagens a outros empregados internamente. A empresa procura alguém para produzir vídeos e está considerando um candidato com autismo que tenha experiência em mídia.

A SAP também está cogitando oferecer outras funções para autistas, como a redação de manuais que deem a clientes instruções muito precisas sobre como instalar o software.

As pessoas com autismo podem se sobressair numa descrição passo a passo, por exemplo, sem omitir detalhes que outros podem deixar escapar, diz Velasco. O processo de compras, como a obtenção de notas fiscais ou a gestão da cadeia de suprimentos, é outra área em que um indivíduo com autismo pode se destacar, diz ele.

Dara McMahon trabalha em sua mesa na SAP. (foto: Ciaran Dolan for The Wall Street Journal)

Dara McMahon trabalha em sua mesa na SAP. (foto: Ciaran Dolan for The Wall Street Journal)

A SAP não é a única empresa a ter um programa desse tipo. Nos EUA, a agência de hipotecas Freddie Mac FMCC +2.85% oferece estágios desde 2012, inclusive na área de TI, finanças e pesquisa.

A instituição contratou seu primeiro funcionário em tempo integral desse programa em janeiro, segundo uma porta-voz da Freddie Mac. Na área de TI, a empresa descobriu que os estagiários têm um bom desempenho em testes e modelagem de dados que exigem foco e grande atenção a detalhes, assim como uma maneira de ver as coisas que pode ter sido ignorada pelos desenvolvedores.

“Aproveitar as habilidades únicas de pessoas no espectro autista tem o potencial de fortalecer nosso negócio e nos tornar mais competitivos”, diz a norma interna da Freddie Mac.

Assim como ocorre em qualquer grupo, pessoas com autismo têm uma gama de interesses e habilidades. A SAP está trabalhando com uma consultoria dinamarquesa de treinamento com foco no autismo, a Specialisterne. A firma faz uma seleção cuidadosa de candidatos para encontrar profissionais adequados, antes de enviá-los para serem avaliados pela SAP.

Patrick Brophy, de 29 anos, é bacharel em ciência da computação e fez pós-graduação em sistemas de multimídia, que inclui o desenvolvimento de sites e edição. Brophy diz ter a síndrome de Asperger, termo comumente usado para descrever uma forma mais branda do transtorno do espectro autista.

Ele estava procurando um emprego integral há alguns anos, mas diz que, nas entrevistas pelas quais passou, acabava gaguejando ou interpretando mal as perguntas, o que ela acha que prejudicou seu resultado.

Mas quando chegou à SAP para a entrevista, ele tinha as qualificações técnicas e parecia ter a capacidade de trabalhar num ambiente corporativo, diz Peter Brabazon, gerente de programas da Specialisterne. Brophy foi contratado pelo departamento de garantia de qualidade em julho, onde identifica falhas em software que ainda vai ser vendido.

“Quatro semanas antes de entrar [na empresa], comecei a ficar mais nervoso”, diz Brophy, que se preocupava com sua adaptação a um novo ambiente. “Em um mês, [o trabalho] se tornou natural. Eu me encontrei.”

Para Brophy, o trabalho traz desafios, especialmente quando tem que mudar a forma com que faz uma determinada tarefa. Do ponto de vista social, foi fácil se integrar à equipe, diz Brophy e David Sweeney, colega designado para ser seu mentor.

Estima-se que 1% da população dos EUA, cerca de três milhões de pessoas, tenha uma síndrome do espectro autista. Os dados mais recentes do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, divulgados na semana passada, mostram que 1 em cada 68 crianças foi diagnosticada com alguma espécie de autismo nos EUA.

No Brasil, o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo estimou, em 2007, que há um milhão de casos de autismo no Brasil. Hoje, será inaugurada em Itaboraí, RJ, a primeira clínica-escola para autistas do Brasil, que também funcionará como centro de capacitação profissional.

(Colaborou Camila Viegas-Lee.)

Cheia em Rondônia: a única coisa que a chuva não levou foi a fé

Pastor que faz trabalho humanitário relata drama das famílias

Casas de famílias ribeirinhas estão completamente debaixo d'água

Casas de famílias ribeirinhas estão completamente debaixo d’água

Louise Rodrigues, no Jornal do Brasil

Mais de 18 mil desabrigados, fome, doenças e pressa: esse é o quadro que muitas famílias do Estado de Rondônia têm enfrentado todos os dias diante da maior enchente da história na região. A ajuda só chega de avião ou de barco. Quando chega. Na parte alta das cidades, a água ainda não chegou, mas as populações ribeirinhas não escaparam da tragédia. O Rio Madeira subiu e levou embora casas, eletrodomésticos e a terra cultivada por famílias que vivem da agricultura, principalmente plantando banana e mandioca. A fome é aplacada com carne de peixe e, quando é possível encontrar, outros animais. A água contaminada causa doenças e as crianças e idosos são os que mais sofrem. O ribeirinho tem pressa para que a chuva chegue ao fim e ele possa reconstruir sua vida. A única coisa que a chuva não levou foi a fé.

Essa é a pior enchente da história de Rondônia, batendo o recorde de 1997. O Estado convive com a chuva há mais de um mês. Em meio a um quadro desolador, a população conta com a ajuda e solidariedade de quem pode contribuir. Motivado a reunir esforços em prol daqueles que perderam tudo, o pastor José Valamatos, que realiza trabalhos voluntários nessas comunidades, desabafa: “Estamos lutando para minimizar o sofrimento causado pela tragédia”.

Ajuda chega apenas de barco ou avião, estradas estão interditadas

Ajuda chega apenas de barco ou avião, estradas estão interditadas

Valamatos conta que recebeu 50 cestas básicas como doação de uma Igreja em Manaus. Os mantimentos chegaram de barco. “Ficamos muito felizes com a ajuda que recebemos e já distribuímos os alimentos. Só que, infelizmente, não dá para todos”. A alimentação dos atingidos pela chuva é um dos pontos que mais preocupam o pastor. “As pessoas estão comendo praticamente peixe, mas não é só de peixe que se sustenta uma alimentação adequada. Às vezes eles saem para caçar animais e a alimentação acaba sendo basicamente carne”. O grande problema é a escassez dos itens da cesta básica, principalmente, arroz, feijão, sal, açúcar, farinha e café. Valamatos também relata que faltam equipamentos capazes de levar o socorro para todos, deixando muitas famílias sem a ajuda necessária.

Outra preocupação do pastor é com o futuro das famílias que vivem à beira dos rios e igarapés. “Quando as águas baixarem, vai ser uma calamidade. Agora, eles podem pegar uma canoa e fugir para a cidade ou para lugares altos. Só que as águas vão baixar e tudo vai começar do zero: sem casa, sem móveis, sem nada. O solo não vai estar mais próprio para agricultura e o ribeirinho vai ficar praticamente um ano sem produzir sua subsistência”, justifica.

Muitos moradores perderam suas casas com a enchente

Muitos moradores perderam suas casas com a enchente

Ainda segundo Valamatos, as famílias conseguiram subir terras altas e agora aguardam a chuva baixar. Enquanto isso, devido às cheias, elas não podem se sustentar, uma vez que vivem da agricultura. “Essas pessoas perderam tudo, mas o tempo vai ajudar a recuperar o que foi levado”, diz o pastor. Valamatos contou que dez casas estão sendo construídas para abrigar as famílias que precisam. Seis já foram construídas. “Se nós pudermos ajudar de alguma forma, nós vamos ajudar”, afirma.

Além de tudo que já estão sofrendo, os ribeirinhos ainda têm mais uma questão para se preocuparem: a saúde. Devido à contaminação das águas, muitas pessoas, principalmente crianças, vêm apresentando quadros de diarreia, dores no corpo e na cabeça, além de otite, leptospirose, desnutrição e disenteria. “Estamos preocupados com a cólera. Embora ainda não tenham sido registrados casos, pessoas estão doentes e sem acesso total à higiene ou a cuidados”, conta Valamatos.

Para o pastor, a Defesa Civil e o governo do Estado de Rondônia estão conseguindo agir, dentro dos limites estipulados pela tragédia. “Trata-se de uma questão da natureza, uma calamidade ambiental. Não adianta culpar ninguém agora”, afirma Valamatos. No dia 15 de março, a presidente Dilma Rousseff sobrevoou as regiões atingidas pela chuva e mostrou-se preocupada. Na ocasião, a presidente declarou: “Estamos em um momento de fenômenos naturais bem sérios no Brasil. Vamos discuti-los sim”.

No município do Humaitá, onde está o pastor Valamatos, a ajuda chega com um pouco mais de facilidade, devido à localização estratégia entre Manaus e Porto Velho. Ainda assim, a situação é preocupante. Em localidades mais distantes, famílias inteiras estão isoladas, cercadas pela água, longe de suas casas e dependendo da chegada de mantimentos. Estradas estão interditadas, impedindo que caminhões prossigam levando água, alimentos e combustível. Os aviões muitas vezes não encontram lugares para pousar e os barcos, muitas vezes, precisam enfrentar a correnteza para chegarem ao destino final. Diante de um quadro cada vez mais desolador, o pastor Valamatos não perdeu a esperança: “É preciso ter fé”.

dica do Ailsom Heringer