Juiz veta decote e exige higiene em fórum de SP

Magistrado de Santana proíbe roupas ‘incompatíveis com decoro e dignidade forenses’; entidades de advogados consideram medida elitista.

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Publicado originalmente no Estadão

Quem precisar resolver pendências judiciais no Fórum de Santana, zona norte de São Paulo, a partir de amanhã, vai ter de pensar bem antes de abrir o guarda-roupa. Portaria assinada pelo juiz Maurício Campos Velho, diretor da unidade, veta o uso de regatas, shorts, camiseta de gola “v”, boné, saias curtas e blusas transparentes, com decotes profundos ou tomara que caia. A justificativa é proibir o ingresso de pessoas com “trajes incompatíveis com o decoro e a dignidade forenses” ou que apresentem “péssimas condições de higiene”.

As novas regras serão fiscalizadas por dois funcionários da Justiça – um homem e uma mulher -, que ficarão posicionados na entrada do prédio. Os agentes terão a função de checar o comprimento das vestimentas e a higiene. Visitantes descalços também serão barrados. Somente haverá exceção quando a pessoa considerada com traje inadequado for esperada para uma audiência ou quando o juiz-corregedor autorizar.

As regras despertam reações. Para o presidente da Ordem do Advogado do Brasil (OAB-SP), Marcos da Costa, a portaria é “absurda e discriminatória”. Segundo ele, as restrições criam constrangimentos, principalmente por não levarem em conta que há pessoas que não têm condições financeiras para dispor de roupas ditas adequadas.

O presidente da Comissão de Segurança Pública do órgão, Antonio Ruiz Filho, aponta dificuldade na fiscalização. “São detalhes de tamanhos de peças difíceis de inibir, a não ser que haja alguém com fita métrica.”

Segundo a Associação Paulista dos Defensores Públicos, a portaria tem “visão elitista, preconceituosa e destituída dos valores que norteiam o Estado Democrático de Direito”. A entidade ressalta que a dignidade humana está acima da forense.

Argumentos. Em nota, Campos Velho afirmou que a falta de regras provoca problemas aos fiscais, que já barram visitantes com microssaias, regatas e roupas transparentes – peças não toleradas em “nenhum lugar do mundo civilizado em um ambiente forense”. Ele cita que em outros órgãos também há regras estipuladas, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Provimento do Conselho Superior da Magistratura do Tribunal de Justiça (TJ-SP) permite a regulamentação dos trajes e determina que “nas dependências do fórum, partes, testemunhas, auxiliares e demais pessoas deverão apresentar-se convenientemente trajados, segundo sua condição social”.

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E se uniformes de super-heróis fossem concebidos como os de super-heroínas?

superhero-costumes-sexism-01-PT-BRCansada de caras que não entendem as meninas que acham as fantasias de super-heroínas meio sexistas, Fernacular fez uma série de desenhos com três objetivos:

1. Fazer com que a primeira coisa que você pense ao olhar para eles seja sexo, quer você queira ou não.

2. Fazer com que qualquer homem que olhe para eles se sinta desconfortável.

3. Torná-los engraçados, porque, bem, é realmente meio que ridículo.

É bom lembrar que as super-heroínas, na maioria esmagadora das vezes, sempre foram concebidas com uniformes nada práticos, fetichistas e muito, mas muito sexys. E isso não é nada novo – veja as tirinhas feitas por Kate Beaton retratando como são criadas personagens femininas poderosas.

Kevin Bolk fez uma versão alternativa parodiando o poster d’Os Vingadores depois de notar que na maioria do material de divulgação do filme, os caras estão em poses heróicas, mas a Viúva Negra está quase sempre numa pose de look at my ass ataque impraticável, com a silhueta curvada e bumbum empinado.

Esse tema também passou – embora sem pretensão moral - pela cabeça do artista Michael Lee Lunsford que andou imaginando como seria a indumentária das super-heroínas sem aquele tom fetichista e extremamente sexy!

Well, eu prefiro as super-heroínas do jeito de sempre, thanks! :P

Quer ver mais alguns exemplos de super-heróis provando do drama das super-heroínas? Clique aqui!

Dica da Fabiana Zardo

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Sou crente, aleluia, e o Egito é a Bahia

Nelson Oliveira, no Vice

Há mais de 30 anos, algumas colinas de Salvador começaram a ganhar um movimento curioso. As dunas de bairros praianos como Itapuã e Stella Maris começaram a ser ocupadas por pessoas que vestiam muito mais que um sumário traje de banho. Mortalhas e longas saias, no caso das mulheres, e trajes sociais, às vezes com direito a terno, para os homens. As dunas de Salvador se tornaram um oratório a céu aberto para muitos evangélicos.

Houve um tempo em que falar de Egito na Bahia era coisa de música de carnaval composta por Carlinhos Brown. Hoje, artigo vintage no Circuito Barra-Ondina, a busca pelos mistérios egípcios é dos protestantes, que veem as dunas como uma metáfora para o Monte Sinai, local em que Moisés viu um arbusto em chamas que falava, recebeu de Deus as palavras dos Dez Mandamentos e toda aquela psicodelia.

Mesmo longe de possuir os 2288 metros de altura do monte histórico, as dunas de Salvador viraram um verdadeiro local de peregrinação de grupos de crentes – desculpa, mas eles mesmos se chamam assim, então nem vem procurar confusão, valeu? – nos últimos anos. Os frequentadores aparecem em qualquer horário do dia, mas, sobretudo à noite. Eles gostam de ir ao local porque se sentem mais próximos de Deus. Estar no topo das dunas remete a um momento de paz de espírito, reflexão e deslocamento da realidade. Afinal, Deus é uma viagem.

Antes, a prática era individual e agora se organizou: grupos de igrejas de regiões muito distantes das dunas e até mesmo de outras cidades baianas fretam micro-ônibus para realizarem cultos no local, que é considerado perigoso por ser ermo e não possuir qualquer iluminação. Nas sextas-feiras, as dunas chegam a receber mais de 200 crentes orando em voz alta, em português ou na chamada “língua dos anjos”, com direito a pastores realizando conversões e exorcismos. Outros, que geralmente vão sozinhos, ficam compenetrados, de quatro e com a cabeça na areia, entre os braços, ou queimam papeis com pedidos de graças.

Curioso para saber o que acontecia lá, fui fotografar os momentos de oração nas dunas. Foi divertido. Eu e meu flash acabamos ungidos por um pastor, que, assim como outros religiosos, perceberam as luzes do equipamento, mas não se deram conta inicialmente que estavam sendo fotografados. Outro grupo, mas atento, foi direto: “Vamos fazer uma foto, gente. Vai para os Estados Unidos. Vai para o Facebook!”. Bom, de alguma forma, sim.

dica do João Marcos

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O privilégio de fazer História

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Ed René Kivitz

O futuro não está pronto. Diferentemente do que pensou o poeta, o futuro não é uma astronave que sem pedir licença muda a nossa vida e nos convida a rir ou chorar. O futuro não vem do amanhã em rota de colisão com o hoje. Nós é que vamos ao futuro, ou melhor, vamos construindo o futuro. Cada decisão e escolha é um tijolinho nesta casa feita de tempo em que habitamos.

Os cristãos não somos deterministas, isto é, não cremos que a vida seja um jogo de marcas marcadas, ou que tudo o que nos irá acontecer esteja previamente determinado. Não tratamos a liberdade como uma ilusão ou brincadeira de mal gosto de um deus manipulador. Também não somos fatalistas, isto é, não cremos que as coisas acontecem porque tinham que acontecer. Na verdade, cremos o oposto: a história é feita de muita coisa que jamais deveria ter acontecido, sendo que até mesmo Deus ficou contrariado e lamentou o ocorrido (Isaías 5.1-4; Lucas 7.30).

O pessimismo também não faz parte dos nossos trajes, pois não acreditamos que o mundo seja um lugar ruim ou que a vida não tenha valor, ou ainda que o mal prevaleça sobre o bem. Mas também não somos otimistas. Não vivemos na ilha da fantasia, acreditando que “tudo” dá certo “sempre” (onde dar certo é igual a acontecer como desejamos). Não cremos estar vivendo no melhor mundo possível.

Os cristãos cremos na possibilidade de fazer história. Cremos assim porque somos ensinados que Deus um dia nos chamará para prestar contas: “todos nós temos de nos apresentar diante de Cristo para sermos julgados por ele. E cada um vai receber o que merece, de acordo com o que fez de bom ou de mal na sua vida aqui na terra” (2Corintios 5.10 – BLH). Deus nos atribui responsabilidade moral. Deus espera que sejamos capazes de responder à vida com dignidade. O direito de viver implica responsabilidade.

Estas compreensões, de que o futuro não está pronto, mas é construído com nossas escolhas e decisões morais, não nos isentam das surpresas imponderáveis da existência, mas devem ser suficientes para nos colocar de prontidão, em busca de sabedoria, de tal modo que caminhemos em direção do céu baseados nas probabilidades e possibilidades, e não nas exceções ou acontecimentos indesejados: “quem fica esperando que o vento mude e que o tempo fique bom nunca plantará, nem colherá nada” (Eclesiastes 11.4).

Grite. Proteste. Decida. Levante-se de sua poltrona. Escape do sofá. Faça alguma coisa. Peça sabedoria a Deus (Tiago 1.5). Consagre a Deus todos os seus planos (Provérbios 16.1-3,9). Preste atenção e veja o que Deus está fazendo (João 5.19). Depois, arregace as mangas e coloque mãos à obra. Coopere com Deus. Submeta sua história à história do reino de Deus, pois Ele deseja dar para você um futuro de paz e esperança.

fonte: site da Ibab

imagem: Freepik

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