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Nanda Costa fala de novo papel: ex-prostituta que vira evangélica

“Não tenho problema em me despir”, diz Nanda Costa sobre nudez em série

Nanda Costa marca presença na coletiva de imprensa da série "O Caçador" (foto: Alex Palarea e Felipe Assumpção / AgNews)

Nanda Costa marca presença na coletiva de imprensa da série “O Caçador” (foto: Alex Palarea e Felipe Assumpção / AgNews)

Marcela Ribeiro, no UOL

Nanda Costa está de volta à tela da Globo na pele da ex-prostituta Marinalva, que vira evangélica e casa com um pastor na série “O Caçador”, que estreia dia 11 de abril às 23h30.

Apesar de exibir um visual simples, com roupas fechadas, cabelos presos e pouca maquiagem, ao longo da trama, Nanda aparecerá com pouquíssima roupa e em cenas ousadas em flashbacks da personagem da época que ainda era garota de programa.

“Sou uma atriz que se joga no trabalho, adoro desafios. A Marinalva está totalmente sem sex appeal, entrou para a igreja e está ali, toda coberta, mas já teve um passado de garota de programa. Em cena procuro sempre dar o meu melhor, me surpreender comigo mesma. Gosto de desafios”, contou ela durante apresentação da série à imprensa na última quarta-feira, 19, no Rio de Janeiro.

Para viver Marinalva, que só aparece a partir do sexto capítulo, a atriz frequentou cultos de igrejas evangélicas e pegou dicas com uma prima evangélica.

Sobre as cenas de nudez, ela garante que não vê problema em fazê-las. “Visto a roupa da personagem, não tenho problema em me despir, para mim, a arte não tem limites”, destaca ela, que ainda completa:

“A gente tem que saber onde está a sensualidade, a fragilidade, a beleza, a feiura. A minha vaidade maior é estar contando a história da forma mais verdadeira possível. Se ele estará sexy ou não, isso não tem problema”.

Em “O Caçador”, Marinalva tem um papel importante para ajudar André (Cauã Reymond) a provar que ele foi preso injustamente por um crime que não cometeu. Ela é filha de um policial envolvido no esquema que o botou na cadeia, que morreu, por isso, é a única pessoa que pode ajudá-lo a confirmar sua inocência.

No elenco, além de Nanda e Cauã, estão Alejandro Claveaux, que será Alexandre, policial irmão de André que vive um triângulo amoroso com Katia, papel de Cleo Pires. Jackson Antunes e Ailton Graça também estão na série, de Fernando Bonassi e Marçal Aquino com direção de José Alvarenga.

Na Moral e o estado laico

Foto: TVG

Foto: TVG

Magali do Nascimento Cunha, no Mídia, Religião e Política

Quem espera densidade em qualquer das tantas “mesas redondas” de qualquer programa de entretenimento na TV aberta, seja de momentos liderados por Ratinho ou Fernanda Lima; por Luciana Gimenez ou Ana Maria Braga; por Ronnie Von ou Fátima Bernardes; por Cátia Fonseca ou Pedro Bial, certamente ficará frustrado. Não poderia ser diferente com a edição do Programa da Rede Globo “Na Moral”, amplamente divulgada nas redes sociais, que se dedicou ao tema do Estado Laico, e, por tabela, da liberdade de crença, gravada há duas semanas e que foi ao ar por 40 minutos na noite da quinta, 1 de agosto de 2013.

Um aspecto não pode ser negado: o fato de o tema “religiões” estar presente naquela edição do programa, como já esteve por, pelo menos, três edições do “Esquenta”, de Regina Casé na Globo; ter ganho espaço semanal no quadro “Fórum Religioso” no Programa Mulheres, das tardes da TV; ter sido objeto de diversas “mesas” no Programa Superpop da Rede TV, com Luciana Gimenez; ter momentos garantidos no Programa do Ratinho, no SBT, entre outros exemplos, mostra como a questão religiosa é cada vez mais pulsante no Brasil e as mídias não estão desatentas a isso, em especial quando tema se relaciona à arena da política.

A edição permitiu apenas ponderações pontuais de um padre, um pastor evangélico pentecostal, um babalaô (Candomblé) e um ateu, tudo embalado por canções do sambista Arlindo Cruz, que se declarou “espírita, do Candomblé” mas também católico, frequentador de cultos com a mãe evangélica e simpatizante do budismo. Entradas gravadas do Ministro do Supremo Tribunal Federal Aires Brito simularam o aprofundamento do tema “estado laico” do ponto de vista jurídico. O vereador evangélico que, quando presidiu a Câmara em João Monlevade (MG), retirou o crucifixo da sala de sessões e, por isso, foi alvo de manifestações e processos, participou presencialmente e prestou depoimento. Trechos de entrevista gravada com estudante do ensino médio ateu que passou a sofrer bullying por se recusar a orar o “Pai Nosso” com a turma nas aulas de uma professora de Geografia também foi base para o debate da mesa.

Vale ressaltar que a simulação de profundidade com depoentes gerou momentos curiosos em relação à temática. Por exemplo, perguntado pelo apresentador Pedro Bial se retirou o crucifixo porque era evangélico, o vereador de João Monlevade negou, visivelmente sem muita veemência, tendo declarado ter agido para defender a neutralidade religiosa no espaço. Faltou da parte do apresentador a pergunta-chave para aprofundar a questão: se houvesse uma Bíblia aberta na sala de sessões ao invés de um crucifixo, o vereador agiria da mesma forma?

De igual modo, a fala de especialista do Ministro Aires Brito terminou por defender que símbolos do catolicismo sejam mantidos nas repartições públicas, mas com argumento frágil, baseado em valores subjetivos. O ministro afirmou que crucifixos são aceitáveis nas repartições públicas pois é Jesus como humanista e autêntico que está ali ressaltado; ele foi, segundo o ministro “o mais autêntico dos seres humanos”. Fica no ar o sentido de autenticidade que coloca o Jesus humano como superior a outros, e as bases para tal afirmação. Ninguém questionou isto no programa editado.

As performances

A maior celebridade presente na “mesa redonda” era o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo Silas Malafaia, consultor da Rede Globo para assuntos religiosos. Ele fez ampla campanha no Twitter para que seus fãs o assistissem. Eles próprios estão atribuindo os bons índices de audiência alcançados pela edição do programa à presença do pastor. De acordo com a coluna de Patrícia Kogut, no jornal O Globo, os 12 pontos alcançados foram record no horário (meia-noite às 00h37). É possível que estejam certos mas também é possível que o clima político do País, que desde março vem sendo embalado com tons religiosos (vide o caso Marco Feliciano – leia aqui – e as polêmicas provocadas pelo próprio Silas Malafaia com a Marcha pela Família em Brasília – leia aqui) somado à cobertura da mídia à visita do Papa e ao tema, como afirmado cima, tenha atraído a atenção de boa parte do público.

O pastor Malafaia tentou assumir uma postura mais equilibrada e serena em suas abordagens, e quando o fez, apresentou argumentos interessantes e curiosamente surpreendentes, como a crítica à postura da professora de Geografia que criou constrangimento a quem não queria orar com ela, ou a favor de que crucifixos estejam em repartições públicas como símbolo cultural, ou ainda como defensor da liberdade religiosa e crítico da perseguição às religiões afro-brasileiras. No entanto, quando palavras, em especial do participante ateu Daniel Sotto-Mayor pareciam lhe caber, como a crítica à Teologia da Prosperidade, da qual é pregador, o pastor Silas Malafaia retomou sua já conhecida retórica de palavras exaltadas, agressivas e debochadas. Sotto-Mayor caiu na “armadilha” do pastor, que lhe perguntou “quer dizer que todo pastor é rico?” desviando a crítica originalmente proferida. O participante ateu acabou por fazer a acusação do enriquecimento de pastores a partir da exploração da fé de pessoas, da qual se defendeu Silas Malafaia, com algum apoio de Pedro Bial.

O padre católico-romano Jorjão teve participação pouco enfática e indicou fazer uma parceria com o pastor Malafaia, que manifestava concordância com ele em diversas afirmações e vice-versa. Não houve discussão entre os dois. Quem pareceu estar mais à vontade, com postura beirando a de um pastor, foi o babalaô Ivanir dos Santos. Ele não só chamou participantes de “irmãos”, como, sempre com serenidade e respeito, denunciou a opressão e a perseguição histórica sofrida pelas religiões afro-brasileiras e o projeto de poder de membros da Frente Parlamentar Evangélica que já manifestaram desrespeito e discriminação ao demonizar a população de matriz africana e suas religiões não-cristãs. Ivanir dos Santos afirmou que isto não é democrático mas uma “semente do facismo”.

A parte mais interessante do programa aconteceu ao final quando um curioso convite foi feito ao pastor Silas Malafaia pelo representante do Candomblé: já que o primeiro havia declarado indignação com a perseguição religiosa e uma defesa da liberdade de crença, afirmando até que quem “invade terreiro tem que ir para a cadeia” (nítida crítica à Igreja Universal do Reino de Deus). O convite foi para que Silas Malafaia e outros líderes evangélicos participem da Marcha pelo Estado Laico e a Liberdade Religiosa, realizada em diversas cidades do País anualmente e está por acontecer. Ivanir dos Santos afirmou: “a maior demonstração que podemos dar de respeito e tolerância é ir juntos para a rua”. Ele declarou já ter participado de missas e de cultos em igrejas evangélicas mas que evangélicos se recusam a estarem no mesmo espaço que pessoas de religiões afro. Ele cobrou mais atitudes simbólicas e não só palavras, sob aplausos da plateia que ainda não havia se manifestado,

Silas Malafaia foi surpreendido com o convite destacado pelo apresentador: “O senhor está formalizando um convite para o pastor Silas Malafaia?” Depois de ouvir o “sim” de Ivanir dos Santos, com mais aplausos ao fundo, o pastor Malafaia afirmou que “não é necessário fazer uma caminhada com o outro para dizer que tolera o outro, porque a caminhada também tem viés de interesses políticos, de ONGs e de organizações”, engando a forma e do conteúdo das Marchas que ele tem organizado, em especial a de Brasília em junho passado. Mais uma vez exaltado, ressaltou que os evangélicos tem pontos que não negociam: a defesa do Estado laico, o não-privilégio a qualquer grupo e que não se massacre a religião de ninguém. O pastor declarou que aos evangélicos que defendem o Estado laico não interessa o que qualificou como “jogo visual”, pois andar juntos não significa concordar com o pensamento.

Para contrapor o pastor Malafaia, Ivanir dos Santos mencionou o valor das atitudes simbólicas como o exemplo do evangélico metodista Nelson Mandela que tomou um café com o seu carcereiro, antes de assumir o governo e comparou: “se um pastor importante como o senhor vai na caminhada dos religiosos a lição que se está mandando para a juventude, para a criança na escola, para não discriminar… é muito simbólico. (…) A intolerância não acaba só com retórica política vai acabar com ações concretas de sinceridade e amor”. Diante do desafio, o pastor Silas Malafaia procurou assumir o rumo da conversa, afirmando que os evangélicos também são perseguidos e discriminados e que ninguém ensina a ser tolerante mais do que eles com as escolas dominicais. Ele denunciou não serem os evangélicos chamados para debates, para uma conversa, Pedro Bial afirmou: “mas agora está acontecendo”, sob concordância do pastor. O líder evangélico afirmou: “E se o convite vier, eu estarei aqui para tantos quantos forem”. “E para a caminhada?” foi feita a pergunta, com a resposta do pastor: “quando não houver nenhum interesse político aí eu participo sem nenhum problema”.

Programa acontece em data simbólica

O edição do Na Moral foi exibida coincidentemente justamente na data em que a Presidenta Dilma Rousseff não cedeu a pressões de grupos religiosos (evangélicos, católicos e espíritas) e sancionou a lei aprovada em julho, por unanimidade, pelo Congresso Nacional que regulamenta atendimento na rede pública de Saúde à mulher vítima de violência sexual. Veja aqui o histórico.

O ponto mais polêmico do texto, de autoria da deputada Iara Bernardi (PT-SP), é o artigo que trata do atendimento às vítimas de estupro, determinando que a rede pública precisa garantir, além do tratamento de lesões físicas e o apoio psicológico à mulher, também os meios de evitar que ela tenha uma gravidez indesejada. Os religiosos entendem estar na expressão “profilaxia da gravidez” uma liberação para realização do aborto em qualquer período da gestação. As pressões sobre a Presidenta Dilma passaram por ameaças de campanha religiosa contra a reeleição dela em 2014.

A lei, criticada por grupos religiosos, determina a todos os hospitais vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS) que ofereçam atendimento imediato às vítimas de violência sexual, e autoriza o uso da pílula do dia seguinte – que já era liberada mediante norma do Ministério da Saúde, mas não tinha força de lei. Além disso, os hospitais passam a ser obrigados a fornecer informações sobre os direitos legais e todos os serviços sanitários disponíveis para as vítimas. Para Nalu Faria, da Marcha Mundial das Mulheres, a aprovação da lei é importante não só para a garantia de direitos, como também para o avanço do debate sobre o Estado laico. “Existe amplo reconhecimento de que o estupro é crime hediondo, as mulheres precisam ter assegurados seus direitos e não correr risco de gravidez”, disse à Rede Brasil Atual.

Para Faria, que também é integrante da ONG Católicas pelo Direito de Decidir, a pílula do dia seguinte, considera abortiva por setores religiosos conservadores, garante que as vítimas não corram o risco de recorrer a um aborto por causa de uma futura gravidez indesejada. “A pílula não é abortiva, porque impede o processo de fecundação. Ela é essencial no primeiro atendimento. E a reação ao fornecimento de informações não é justificável, não fornecer informações que as pessoas têm direito é contra todos os direitos humanos do cidadão”, afirma.

O deputado federal presidente da Comissão de Direitos Humanos pastor Marco Feliciano já vinha fazendo ameaças à Dilma Rousseff para pressionar por vetos, atualizou o discurso no Twitter em 2 de agosto:

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A coluna Radar, de Lauro Jardim (Veja), registrou que a Presidenta teria avaliado que a aprovação por unanimidade da lei contra a violência sexual, tanto na Câmara quanto no Senado, foi uma armadilha da bancada evangélica, mais precisamente do deputado federal líder do PMDB na Câmara Eduardo Cunha. Nessa avaliação, a bancada religiosa teve o mote que precisava para acusá-la de avançar na legislação de atendimentos de casos de abortos no SUS. A uma ministra, Dilma Rousseff teria dito estar cumprindo o que prometeu em campanha em 2010. Ou seja, não ampliar a legislação que trata do atendimento de casos de abortos no SUS – mas sem retroceder.

Como podemos avaliar, há muito o que monitorar e refletir como estamos indicando neste espaço.

Prefeito no interior de SP renuncia para ‘não roubar’

Márcio Faber (PV), que deixou a Prefeitura de Paranapanema, no interior de SP

Márcio Faber (PV), que deixou a Prefeitura de Paranapanema, no interior de SP

Natália Cancian, na Folha de S.Paulo

Menos de oito meses após assumir o cargo, um prefeito do interior de São Paulo decidiu abrir mão do mandato. O motivo: descobriu que o salário era baixo demais em relação ao que ganhava como médico.

“Tinha dois rumos a seguir: ou voltava a trabalhar e ganhava meu dinheiro honestamente ou tirava da prefeitura”, disse Márcio Faber (PV) à TV Globo, após deixar o cargo de prefeito em Paranapanema (a 261 km de São Paulo).

Faber afirmou que o salário de R$ 5.800 não chegava a 20% do que recebia como médico, R$ 30 mil. Por isso, afirma, estava em dificuldades financeiras.

A Folha tentou entrar em contato com Faber ontem, mas foi informada que ele já havia voltado a atuar como médico e não poderia atender à reportagem.

O vice-prefeito Antonio Nakagawa (PV) disse ter sido pego de surpresa pela decisão. “Não imaginava, embora ele já comentasse que a situação não estava fácil”, disse.

“Foi o maior exemplo de hombridade. É um caso inédito no Brasil, alguém renunciar para não roubar”, disse.
Apesar das críticas, o agora ex-vice diz acreditar que a saída do prefeito não tenha contrariado eleitores. Mário Faber havia sido eleito em outubro com 55% dos votos.

De acordo com a Constituição, é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos. “Mas nada impede que ele exerça a profissão no seu consultório”, diz Eduardo Pereira, presidente da Associação Brasileira de Municípios.

O novo prefeito diz que irá aceitar o salário. “Sou contador e aposentado, para mim é suficiente”, diz.

‘Jovem que não protesta não me agrada’, diz Papa em entrevista

Papa Francisco em entrevista exclusiva aos repórteres Gérson Camarotti, da Globonews, e Fellipe Awi, da TV Globo (foto: Reprodução TV)

Papa Francisco em entrevista exclusiva aos repórteres Gérson Camarotti, da Globonews, e Fellipe Awi, da TV Globo (foto: Reprodução TV)

Publicado originalmente no Extra

Em entrevista exclusiva aos repórteres Gerson Camarotti, da Globonews, e Felipe Awi, da TV Globo, exibida neste domingo no “Fantástico”, o Papa Francisco afirmou que o jovem que não vai às ruas protestar não lhe agrada, mas alertou para o risco de manipulação. O Pontífice voltou a defender a simplicidade e a necessidade de a Igreja se aproximar dos mais carentes. Falou ainda do combate à corrupção no Vaticano e disse que nem todos que estão na Cúria Romana são “sementes ruins”. No início de julho, o monsenhor Nunzio Scarano foi preso, acusado de levar 20 milhões de euros da Suíça para a Itália.

Perguntado se sentiu medo no primeiro dia da visita ao Rio, quando o carro que o levava da Base Aérea do Galeão à Catedral Metropolitana ficou preso no trânsito da Avenida Presidente Vargas, no Centro, e foi cercado por populares, Francisco afirmou que não. E voltou a dizer que a Igreja precisa ser missionária, ao falar sobre a queda do número de católicos no Brasil. Segundo o último Censo do IBGE, há 123,2 milhões de católicos no Brasil, que representam 64,6% da população. No ano 2000, eles representavam 74%. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Os jovens e os protestos

“Com toda a franqueza lhe digo: não sei bem por que os jovens estão protestando (no Brasil). Esse é o primeiro ponto. Segundo ponto: um jovem que não protesta não me agrada. Porque o jovem tem a ilusão da utopia, e a utopia não é sempre ruim. A utopia é respirar e olhar adiante. O jovem é mais espontâneo, não tem tanta experiência de vida, é verdade. Mas às vezes a experiência nos freia. E ele tem mais energia para defender suas ideias. O jovem é essencialmente um inconformista. E isso é muito lindo! É preciso ouvir os jovens, dar-lhes lugares para se expressar, e cuidar para que não sejam manipulados. Porque há tanta exploração de pessoas, trabalho escravo, há tantos tipos de exploração… Eu me atreveria a dizer uma coisa, sem ofender. Há pessoas que buscam a exploração de jovens. Manipulando essa ilusão, esse inconformismo que existe. E depois arruínam a vida dos jovens. Portanto, cuidado com a manipulação dos jovens. Temos sempre que ouvi-los. Cuidado. Uma mãe, um pai, um filho que não escutam o filho jovem o isolam e geram tristeza em sua alma.”

Segurança

“Eu não tenho medo. Sou inconsciente, não tenho medo. Sei que ninguém morre de véspera. Quando for a minha vez, o que Deus permitir assim será. Mas, antes de viajar, fui ver o papamóvel, que seria trazido para cá. Era cercado de vidros. Se você vai estar com alguém a quem ama, amigos com quer se comunicar, você vai fazer essa visita dentro de uma caixa de vidro? Não. Então eu não poderia vir ver este povo, que tem um coração tão grande, por trás de uma caixa de vidro. E nesse automóvel, quando ando pela rua, eu baixo o vidro. Para poder estender a mão, cumprimentar as pessoas. Quer dizer, ou tudo ou nada. Ou a gente faz a viagem como deve ser feita, com comunicação humana, ou não se faz. Comunicação pela metade não faz bem.”

Corrupção no Vaticano

“Agora mesmo, temos um escândalo de transferência de 10 ou 20 milhões de dólares de um monsenhor. Belo favor faz esse senhor à Igreja, não é? É preciso reconhecer que ele agiu mal, e a Igreja tem que dar a ele a punição que merece, pois agiu mal. No momento do conclave, antes temos o que chamamos congregações gerais — uma semana de reuniões dos cardeais. Naquela ocasião, falamos claramente dos problemas. Falamos de tudo. Porque estávamos sozinhos e para saber qual era a realidade e traçar o perfil do novo Papa. E dali saíram problemas sérios, derivados em parte de tudo o que vocês conhecem: do Vatileaks e assim por diante. Havia problemas de escândalos. Mas também havia os santos. Esses homens que deram sua vida para trabalhar pela Igreja de maneira silenciosa no Conselho Apostólico.”

Perda de fiéis

“Não saberia explicar esse fenômeno. Vou levantar uma hipótese. Para mim, é fundamental a proximidade da Igreja. Porque a Igreja é mãe, e nem você nem eu conhecemos uma mãe por correspondência. A mãe dá carinho, toca, beija, ama. Quando a Igreja, ocupada com mil coisas, se descuida dessa proximidade, se descuida disso e só se comunica com documentos, é como uma mãe que se comunica com seu filho por carta. E essa falta de proximidade, a falta de sacerdotes… Povoados ficam sem sacerdotes. E as pessoas buscam (outras religiões). Elas sentem necessidade do Evangelho.

Simplicidade

“O carro que uso aqui (no Brasil) é muito parecido com o que estou usando em Roma. Simples, do jeito que qualquer um pode ter. Sobre isso, penso que temos que dar testemunho de uma certa simplicidade. Eu diria, inclusive, de pobreza. O povo sente seu coração magoado quando nós, as pessoas consagradas, são apegadas a dinheiro. Não é um bom exemplo se um sacerdote tem um último modelo de marca. O nosso povo é simples.”

Aposentos papais

“O apartamento papal é grande, mas não é luxuoso. Minha opção por ficar em Santa Marta tem a ver com o meu modo de ser. Não consigo viver só. Não posso viver fechado. Preciso de contato com as pessoas. Então, costumo explicar assim: fiquei em Santa marta por razões psiquiátricas. Para não ter que estar sofrendo dessa solidão que não me faz bem. E também por razão de pobreza, porque não teria que gastar muito dinheiro com o psiquiatra. (…) Mas é para estar com as pessoas. Santa Marta é uma casa de hóspedes em que vivem uns 40 bispos e sacerdotes que trabalham na Santa Sé. E sacerdotes, bispos, cardeais e leigos que se hospedam em Roma ficam lá. Eu como no restaurante comum de todos, café, almoço e jantar. Sempre se encontra gente diferente. Creio que Deus nos pede neste momento maior simplicidade.”

Idolatria do dinheiro

“Este mundo atual em que vivemos tinha caído na feroz idolatria do dinheiro. E há uma política mundial muito impregnada pelo protagonismo do dinheiro. Quem manda hoje é o dinheiro. Isso significa uma política mundial economicista, sem qualquer controle ético, um economicismo autossuficiente e que vai arrumando os grupos sociais de acordo com essa conveniência. O que acontece, então? Quando reina este mundo da feroz idolatria do dinheiro, se concentra muito no centro. E as pontas da sociedade, os extremos são muito mal atendidos, não são cuidados e são descartados. Até agora, vimos claramente como se descartam os idosos. Há toda uma filosofia para descartar os idosos. Não servem, não produzem. Os jovens também não produzem muito. É uma carga que precisa ser formada. O que estamos vendo agora é que a outra ponta, a dos jovens, está em vias de ser descartada. O alto percentual de desemprego entre os jovens da Europa é alarmante. Nós vemos um fenômeno de jovens descartados. Então, para sustentar esse modelo político mundial, estamos descartando os extremos. Curiosamente, os que são promessa para o futuro, porque o futuro quem nos vai dar são os jovens, que seguirão adiante, e os idosos, que precisam transferir sabedoria aos jovens. Descartando os dois, o mundo desaba.”

Globalização da indiferença

“Hoje, há crianças que não têm o que comer no mundo. Crianças que morrem de fome, de desnutrição, basta ver fotografias de alguns lugares do mundo. Há doentes que não têm acesso a tratamento. Há homens e mulheres que são mendigos e morrem de frio no inverno. Há crianças que não têm educação. Nada disso é notícia. Mas, quando as bolsas de algumas capitais caem 3 ou 4 pontos, isso é tratado como uma grande catástrofe mundial. Esse é o drama do humanismo desumano que estamos vivendo. Por isso, é preciso recuperar os extremos, crianças e jovens. E não cair numa globalização da indiferença, em relação a esses dois extremos que são o futuro da população.”

Diálogo com outras religiões

“Temos que fomentar uma cultura do encontro em todo o mundo. Para que cada um sinta a necessidade de dar à humanidade os valores éticos de que ela precisa e defender a realidade humana. Nesse aspecto, creio que é importante que trabalhemos com os demais. Podar o egoísmo, trabalhar com os demais de acordo com os valores de sua própria fé e nos encontrarmos para trabalhar. Se um menino não tem educação ou sente fome, o que nos deve interessar é que ele deixe de ter fome e tenha educação. Se a educação será dada pelos católicos, protestantes, ortodoxos ou judeus, não me importa. A urgência é que não podemos brigar entre nós, ao custo dos outros. Temos de trabalhar pelo próximo e depois conversar e buscar nos entender.”

Feliciano compara-se ao Papa, se declara discriminado e ataca a Globo

feliciano e papa

Publicado no Blue Bus

Diz o Radar da revista Veja na web que “Marco Feliciano está enciumado com a receptividade que o papa Francisco vem recebendo no Brasil. Agora resolveu comparar-se ao pontífice”.

Segundo reporta o blog, Feliciano declarou que “o papa é político, eu também. Assim como eu, o papa condena casamento de pessoas do mesmo sexo, a descriminalização das drogas e o aborto. Mas, no caso dele, a mídia aplaude”. Pergunta – “Por que o papa é tratado como popstar, ovacionado, e eu, tão atacado?” E sai também contra a Rede Globo – “Onde estava a TV Globo, que não mostrou as manifestações contrárias ao papa, o beijaço e etc? Isso é discriminação religiosa contra mim, contra o pastor Silas Malafaia e outros”.