Richard Dawkins diz que “é imoral” uma mulher dar à luz um filho com síndrome de Down

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Publicado em O Globo

O biólogo britânico Richard Dawkins, um dos principais cientistas do mundo no estudo da evolução das espécies, tornou-se o centro de um caloroso debate sobre o aborto na internet. Ele utilizou sua conta no Twitter para afirmar que uma mulher, se estivesse grávida de um feto com síndrome de Down, “deveria abortar e tentar novamente. Seria imoral para trazê-lo para o mundo, se você tem a escolha”.

Ateu declarado, Dawkins é autor de diversos livros, como “Gene egoísta” (1976) e “Deus, um delírio” (2006). Nesta quarta-feira, ele publicou no Twitter, para seus mais de 1 milhão de seguidores, o link de um artigo da revista liberal “New Republic” intitulado “A Igreja Católica prefere barbárie medieval ao aborto moderno”. Ao publicar, Dawkins comentou: “a Irlanda é um país civilizado, exceto em uma área”, referindo-se às conservadores leis irlandesas sobre aborto.

Foi o bastante para se iniciar, então, uma discussão sobre o tema. Dawkings recebeu uma saraivada de críticas de internautas. Em uma das respostas, o católico irlandês Aidan McCourt perguntou-lhe: “994 seres humanos com síndrome de Down deliberadamente mortos antes do nascimento na Inglaterra e no País de Gales em 2012. Isso que é civilizado?”.

Dawkins respondeu: “Sim, é muito civilizado. Esses são os fetos, diagnosticados antes que eles tenham sentimentos humanos”. Mais tarde, ele acrescentou: “Aprenda a pensar em formas não-essencialistas. A questão não é ‘é humano’, mas ‘ele pode sofrer?”.

O debate se estendeu por toda a quarta-feira. Momentos depois da primeira declaração de Dawkins, outra internauta comentou afirmando que não saberia o que fazer se fosse informada que estaria grávida de uma criança com síndrome de Down, tachando a questão de um “dilema ético real”. Foi nesta ocasião que o biólogo retrucou em tom frio e seco: “Abortar e tente novamente. Seria imoral para trazê-lo para o mundo, se você tem a escolha”.

PEDIDO DE DESCULPAS

Nesta quinta, no site da sua fundação, o biólogo se posicionou ao pedir desculpas pelo “frenesi” criado no feed da sua conta do Twitter. Após dar uma explicação sobre a síndrome, Dawkins afirma que geralmente os pais que cuidam de filhos com síndrome de Down formam fortes laços de afeto com eles, como fariam com qualquer criança, provavalmente tendo sido o que causou alguns dos tweets de ódio que recebeu.

Adiante no texto, ele afirma que quando a síndrome é detectada, “a maioria dos casais optam por aborto e a maioria dos médicos recomenda isso”.

Em seguida, desenvolve o que teria dito para a mulher se tivesse mais do que 140 caracteres:

“Obviamente, a escolha seria sua. A quem interessar possa, minha escolha seria de abortar o feto com síndrome de Down e, assumindo que você quer ter um bebê, tentaria de novo. Tendo a chance de fazer um aborto cedo ou deliberadamente trazer a criança com Down no mundo, eu acho que a escolha moral e sensata seria abortar. E, de fato, isso é o que a grande maioria das mulheres, nos Estados Unidos e especialmente na Europa, fazem. Eu pessoalmente iria além e diria que, se sua moral é baseada, como a minha é, no desejo de aumentar a soma de felicidade e reduzir o sofrimento, a decisão de deliberadamente dar à luz o bebê com Down, quando você tem a chance de abortar no começo da gravidez, pode realmente ser imoral do ponto de vista do próprio bem estar da criança. Concordo que essa opinião pessoal é controversa e precisa ser mais discutida, possivelmente para ser afastada. Em todo caso, você provavelmente estaria condenando a si mesmo como mãe (ou como um casal) a uma vida de cuidar de um adulto com necessidades de criança. Seu filho vai provavelmente ter uma expectativa de vida curta, mas, se ele viver mais que você, você provavelmente vai ter que se preocupar com quem irá cuidar dele depois que você se for. Não me admira que a maioria das pessoas escolha aborto quando têm essa opção. Dito isso, a escolha seria inteiramente sua e eu nunca sonharia em tentar impor minha visão em você ou em qualquer outra pessoa.”

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Twitter passa a remover imagens sobre pessoas falecidas

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Publicado no Olhar Digital

O Twitter passará a remover determinadas fotos de pessoas falecidas, caso receba pedidos dos falimiares.

A ação vem logo após Zelda Williams, filha do ator Robin Williams, anunciar que deixaria a plataforma por estar recebendo montagens de fotos que seriam do corpo de seu pai.

Em comunicado, a rede de microblogs informa que os familiares podem enviar as solicitações para o e-mail privacy@twitter.com especificando o tipo de conteúdo que desejam ver removido. Entram na mira fotos de momentos antes ou após a morte e os que mostrem ferimentos críticos.

O Twitter avisou, entretanto, que nem todos os casos serão atendidos. Será levado em conta, por exemplo, o interesse público em torno da imagem.

Para mais informações, há um artigo sobre como lidar com a conta de pessoas falecidas aqui.

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Marcelo Paiva e Roger travam duelo sobre a ditadura militar

O escritor Marcelo Rubens Paiva durante mesa sobre a ditadura militar na Flip, no início do mês (foto: Danilo Verpa - 2.ago.2014/Folhapress)
O escritor Marcelo Rubens Paiva durante mesa sobre a ditadura militar na Flip, no início do mês (foto: Danilo Verpa – 2.ago.2014/Folhapress)

Juliana Gragnani, na Folha de S.Paulo

Na semana passada, o vocalista da banda Ultraje a Rigor, Roger Moreira, 57, apagou do Twitter mensagens (reproduzidas abaixo) em que atacava o jornalista e escritor Marcelo Rubens Paiva, 55. Mas isso não quer dizer que tenha se arrependido.

À Folha, o autor da canção “Inútil” admitiu ter sido “extremamente grosso”, mas reiterou suas declarações e disse que o jornalista “pode ter sofrido lavagem cerebral”. Paiva não quis comentar as declarações.

FLIP

O imbróglio começou durante a Flip, em 2/8, quando Paiva, em mesa sobre o golpe militar no Brasil, usou Roger como exemplo de alguém que desconhece aquele período histórico.

Como resposta, Roger escreveu as mensagens no Twitter, e as apagou em seguida.

Paiva causou comoção ao chorar quando falou do pai, o deputado Rubens Paiva, morto sob tortura na ditadura militar.

“Não sofri na ditadura porque não estava fazendo merda. A pessoa tem que saber quais são os riscos do que está fazendo”, afirma Roger. O cantor diz ter vivido “uma vida absolutamente normal” durante o período. “Era melhor do que essa ditadura disfarçada que vivemos hoje.”

Roger diz que a lavagem cerebral é “um processo de anos e anos” praticado por militantes da esquerda.

Para o cantor, é mais difícil “lavar o cérebro” de quem, como ele, pertence à Mensa, organização que reúne pessoas com QI alto. “Você pode ser uma peneira ou uma esponja. Nós somos peneiras.”

Questionado sobre se suas preferências políticas são de direita, afirmou que a repórter também estava “com o cérebro lavadinho”. Respondeu que votará em quem “tirar o PT do poder”, Aécio Neves (PSDB) ou Marina Silva (provável candidata do PSB).

INÚTIL

O humorista do “Porta dos Fundos” João Vicente de Castro, filho do jornalista Tarso de Castro, um dos fundadores do jornal “O Pasquim”, entrou na briga na sexta (15).

Ele escreveu uma mensagem no Instagram a Roger. “Quem estava fazendo merda era o seu pai, que criou um homem simplista, preconceituoso como você (…) Você é realmente inútil”, diz o texto.

Roger contra-atacou: “Uma pena que o filho de um escritor tão brilhante seja tão tapado. Resultado de anos de lavagem cerebral. Ele acha que o pai dele é um herói que lutou por mim. Uma mentira repetida tantas vezes”.

Atualmente, Roger toca no “talk show” do SBT “The Noite”, e também faz “comentários inteligentes” (segundo o site do programa) no quadro “O Homem do QI 200″.

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Selfie em velório de Campos gera indignação nas redes sociais

Autorretratos foram feitos ao lado do caixão e com pessoas próximas do ex-governador

Selfie é feita durante velório de Eduardo Campos (foto: Pedro Kirilos / Agencia O Globo)
Selfie é feita durante velório de Eduardo Campos (foto: Pedro Kirilos / Agencia O Globo)

Raphael Kapa, em O Globo

Entre os mais de 100 mil que foram ao velório de Eduardo Campos, no Palácio das Princesas, alguns aproveitaram o momento para tirarem uma selfie na cerimônia e despertaram a indignação de internautas nas redes sociais.

“Gente, que falta de respeito é esse? Tem gente tirando selfie no velório de Eduardo Campos!”, escreveu Alcielly Barbosa no Twitter.

A iniciativa foi vista como um desrespeito pela maioria dos internautas. Para o psicólogo Alexandre Mosso, é complicado avaliar este tipo de comportamento.

— O luto é pessoal. Cada pessoa enfrenta de maneira diferente e não se pode julgar isso. O que não pode acontecer é a invasão do luto do outro por qualquer motivo. Pedir uma foto com uma pessoa próxima ao falecido, neste momento, é uma violação — afirma Mosso.

Sobre o registro de uma mulher tirando um autorretrato ao lado do caixão de Campos que foi criticada nas redes sociais, o psicólogo afirma que existe uma necessidade de registrar presença e compartilhar com amigos que é prejudicial.

— Não posso avaliar as motivações desta pessoa especificamente. Mas o que ocorre hoje é quase um egoísmo. As pessoas esquecem que uma atitude delas pode ser mal vista por aqueles que estão em luto naquele momento — afirma.

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#RIP bom senso

abobrinhaTati Bernardi, na Folha de S.Paulo

Provavelmente, quando este texto for publicado muito já terá sido falado sobre o mau gosto e a chatice dos comentaristas de óbitos nas redes sociais. Mas, por amor ao meu fígado, eu não consegui pensar em outro assunto.

A moda agora é colocar a culpa no “2014″. Os dramáticos clamam “pare de levar os melhores” e os jocosos correm, tentando fazer antes a piada boba que todos já fizeram: “e o Sarney continua vivo”. Daqui a pouco a Nike 10K vai patrocinar engraçadinhos do Twitter: ser “zoão” antes do coleguinha virou a maratona do momento.

Gente, 2014 tá aí curando o câncer de muita gente, fazendo muitos bebês nascerem, aumentando as ciclovias, trazendo muitos orgasmos a casais corados, paremos de falar tão mal dele! E só uma dica: desejar a morte de alguém, seja quem for, com esse ardor explícito (ao estilo: era fulano que merecia estar dentro daquele avião!), é coisa pra personagem loira e botocada de novela duvidosa. A gente é melhor que isso, não?

Semanas atrás, alguns amigos, emocionadíssimos, cutucaram o Todo Poderoso: “não, Deus, Suassuna não! Sacanagem!” Ele era mesmo incrível, mas vamos combinar uma coisa: eram quase 90 anos de vida. Poxa, sei lá, não foi exatamente o destino nos apunhalando pelas costas com uma perda precoce, confere? Vale ficar triste, reler um texto, assistir o “Auto da Compadecida” no Viva, mas brigar com Deus? E, pior: brigar com Ele pelo Facebook? Deus, caso exista, tá ocupado demais na Faixa de Gaza e não vendo nossas selfies e tentativas de risoto.

As redes sociais são, depois do convívio íntimo, o meio mais rápido e iluminado para garrar verdadeira ojeriza alheia e transformar, em segundos, nossos ídolos em sacos vazios, voando pelo limbo. Tem sempre aquele super profissional que você admirava postando vergonhosas teorias conspiratórias #foiaDilma, aquele artista misterioso mandando um brega #ficaaobra ou aquele paquera gato e metido a intelectual dissertando, sem medo do ridículo: “luto é marketing”.

Fiquei arrasada com a morte do Fausto Fanti e não resisti. Postei o vídeo (maravilhoso, genial, eu amava esse comediante) do Padre Gato. Sim, também cometo minhas homenagens póstumas. O auge do meu ridículo foi quando poetizei sobre José Wilker. Contei os detalhes de uma antiga entrevista com ele. Eu estava fragilizada pelo término do meu namoro e ele, muito charmoso e elegante, parou a entrevista no meio e me deu conselhos amorosos.

Depois fiquei pensando: teria eu, assim como certos amigos que julgo mal, tirado casquinha da desgraça pra me autopromover? Teria eu, assim como certos colegas que deletei, virado mais uma trovadora de obituário? Quem é que aguenta mais uma foto do Patch Adams tendo seu nariz vermelho apertado e a hashtag “hjtemfestanoceu”? Tá, é muito triste ter morrido o Robin Willians, mas você tem certeza que gosta desse filme ou só quer parecer um “fofo-informado-com-algo-a-dizer-sobre-o-que-estão-todos-dizendo”? Tenho a impressão que nós, jovens tão conectados, estamos virando aquelas vovós carpideiras, pagas pra chorar em velório.

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