F de fake – Sobre Pereios e falsários

Publicado no Roteiro de Cinema News

“This is a promise. For the next hour, everything you hear 
from us is really true and based on solid fact. “
Orson Welles in F for Fake (1973)

“Dei uma de Orson Welles”, afirmou à Folha de São Paulo o ator José de Abreu. O jornalista Alberto Pereira Jr. conclui tratar-se de uma referência a Guerra do Mundos, obra radiofônica escrita e narrada por Welles nos anos 30 que levou pânico a incautos ouvintes. Não tenha tanta certeza, pois a história narrada pela Folha para tentar contextualizar a declaração de bissexualidade do ator sexagenário nas redes sociais é tão falsa como a biografia de Howard Hughes escrita por Clifford Irving.

A verdade é que por meses José de Abreu serviu de avalista para um perfil de twitter que representava ser o ator Paulo Cesar Pereio. O perfil @pereio1 era falso mas enganou muita gente, justamente por emprestar credibilidade de quem conhece o Pereio pessoalmente, como o jornalista Palmério Dória, amigo pessoal de Pereio, e o próprio Zé de Abreu. Mas por que José de Abreu dava suporte ao falsário que acusava sem provas e difamava pessoas aleatórias que ousavam dizer que o perfil era falso ou discordar das opiniões políticas publicadas pelo perfil? Essa é a pergunta que José de Abreu se esquiva de responder, e que obviamente Alberto Pereira Jr. não fez.

O perfil fake de Pereio virou notícia em portais e revistas de celebridades por causa de uma briga pública com o vocalista do Ultraje a Rigor, Roger Moreira, por conta de diferenças políticas que descambaram numa imatura disputa para ver quem tinha o órgão sexual mais diminuto. Não foi só a imprensa incauta que acreditou que o perfil era verdadeiro, Roger caiu como um pato e não passava um dia sem que os dois trocassem insultos.

No dia 4 de janeiro o perfil falso de Pereio surgiu com mais uma acusação. Dizia que o professor Francisco, conhecido na rede pelo “monicker” @elcapeto – que ao contrário do que a Folha afirmou não é um perfil falso – era um pedófilo que tinha cumprido pena em Bangu II. José de Abreu endossou a acusação falsa do Pereio falso e nunca se retratou da acusação. Pelo contrário, lançou novas acusações contra o professor, acusando de tentar agarrá-lo a força em uma ocasião – acusações que Francisco nega, apresentando testemunhas que corroboram sua versão. É este o contexto das declarações de José de Abreu sobre sua bissexualidade.

Eu nunca havia dado bola para o fake do Pereio. Qualquer pessoa bem informada (desculpem-me ingênuos) sabia que a pessoa por trás do computador digitando freneticamente aquelas palavras e defendendo cegamente o governo não era o ator Paulo Cesar Pereio. Somente dois tipos de pessoas afirmavam ser mesmo Pereio. Os incautos e os cúmplices. Quando chegaram a mim informações do que o perfil andava fazendo, achei que alguém precisava fazer alguma coisa. O perfil estava sendo usado para difamar outros usuários, acusando pessoas de serem pedófilos condenados e estelionatários.  E como ninguém se dispunha a fazer nada, eu mesmo resolvi acabar com a farsa.

Em 7 de janeiro liguei para o ator Paulo Cesar Pereio que estava curtindo uma temporada em Paraty. Do outro lado da linha o senhor de 72 anos tinha dificuldades em entender sobre o que eu falava: “Qualquer pessoa escreve qualquer coisa na internet e fala que sou eu, não sou eu não”. Pereio, que diz ser tecnofóbico, não conseguia abstrair direito o conceito de redes sociais. Eu já havia contado o que se passava para sua filha Lara, e agora contava para o próprio Pereio o que o seu fake andava aprontando: “Que merda”, exclamou Pereio. “Foi feito pelo Pingo pra campanha, não sei quem tinha o “código” (senha), eu nem tenho esse código.”

Pingo é o irmão de Pereio, o roteirista Jota Pingo, falecido no primeiro dia de dezembro passado. Ele criou a conta, que foi usada para a campanha a vereador do ator pelo PSB, quando recebeu pouco mais de mil  e quatrocentos votos. Segundo Pereio, antes e depois da morte de Pingo, várias pessoas tinham acesso e publicavam no perfil. Era um fake coletivo. Pereio me disse que não sabe quem atualizava o perfil, e nem o teor do que era publicado.

Quando anunciei a obviedade no Twitter, foi uma comoção. Alguns se sentiram enganados, outros duvidaram. Algumas horas depois uma foto do Pereio segurando os dizeres “Eu não tenho Twitter” começou a circular na rede, e a maioria dos negacionistas se renderam. Não era mesmo o Pereio. @Pereio1 era fake. Hildegard Angel, decepcionada com a revelação (e ainda em dúvida) escreveu a hagiografia do Pereio Fake em seu blog. “Falou o que todo mundo queria e não tinha coragem”, afirma a colunista. Quem seria esse “todo mundo” não fica claro. No meu mundo

via @mulhertombada

Quem eram as pessoas por trás do fake do Pereio? Perguntem ao Palmério Dória e ao José de Abreu, que emprestavam credibilidade ao falsário: Mandem a pergunta para eles em @palmeriodoria e @zehdeabreu.

Seguem capturas de tela bem interessantes sobre o caso:

 Dois dias antes da confirmação que Pereio1 era mesmo fake, Palmério Dória sustenta a farsa.
Uma hora depois de eu inquirir Palmério sobre o Pereio fake, o Pereio fake me pede para deixar Palmério em paz.

Pereio fake me ataca e se apoia em Palmério Dória. (mais…)

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Saiba como bloquear tudo sobre o BBB no Twitter e Facebook

Publicado originalmente no CanalTech [via Exército Universal]

Há treze anos, o Brasil é invadido por uma febre chamada Big Brother Brasil. Se você não faz parte dessa legião de fãs, bloquear esse assunto no Twitter e Facebook é uma ótima opção para usuários do navegador Chrome.

Para isso, basta filtrar o conteúdo relacionado ao programa. Mas como, Bial?
O primeiro passo é criar uma lista de palavras que estejam relacionadas ao reality-show. Termos como BBB, Big Brother Brasil, Big Brother, BigBrother, BBB13, paredão, eliminação, prova do anjo, prova do líder, Big Fone, estalecas, casa de vidro, Pedro Bial, Bial, Boninho e os nomes ou apelidos dos participantes são ótimos para a filtragem fazer efeito.

Mas atenção: incluir o nome “André”, por exemplo, irá bloquear qualquer André. Assim como outros termos que podem estar relacionados a assuntos diversos. Avalie se isso valerá a pena.

1. A extensão Open Tweet Filter faz toda a coisa do Big Brother desaparecer da timeline do Twitter e ainda indica quais usuários foram bloqueados. Vá até o topo da página, do lado direito, clique em “Usar no Chrome”. Uma notificação aparecerá na tela e então você deve aceitar. Assim que instalado, vá até sua conta no Twitter, clique em Configurações > Filters e então acrescente os termos que quer bloquear.

2. Já a extensão No BBB promete bloquear o assunto tanto no Facebook quanto no Twitter. Para instalar, basta fazer o download e ir até o topo da página, do lado direito. Clique em “Usar no Chrome”. Uma notificação aparecerá na tela e então você deve aceitar. Depois de instalado, atualize a página. Um ícone da extensão aparecerá no canto superior direito, logo ao lado das Configurações. Clicando no ícone e depois em “Palavras”, você pode adicionar novos termos ao filtro.

Porém, estas extensões só estão disponíveis para o navegador do Google. O Feed Filter costumava ser o filtro de termos usado no Firefox, mas não está mais disponível na página de Add-ons da Mozilla. Alguns sites de download oferecem filtros, mas quem baixa estes programas corre risco de baixar algum malware.

dica do Ronaldo Gratsch

o site da Universal não informa como bloquear “A Fazenda” e “A Fazenda de Verão”, os genéricos do BBB.

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“Crescendo e aprendendo”, diz Bieber sobre fotos com cigarro suspeito

Publicado no UOL

TMZ mostra imagem de Justin Bieber com cigarro suspeito nas mãos
TMZ mostra imagem de Justin Bieber com cigarro suspeito nas mãos

O cantor Justin Bieber falou pela primeira vez apos ser visto em fotos publicadas pelo TMZ com um cigarro que aparenta ser maconha. Bieber falou que está “crescendo e aprendendo” todo dia e que está pronto para 2013. As informações são do site Acess Hollywood.

Em alguns posts em sua conta no Twitter, o astro teen disse que todo dia tenta ser “uma pessoa melhor” em suas escolhas, mas não comentou as fotos publicadas pelo site.

Justin agradeceu os fãs pelo apoio: “Eu vejo todos vocês, escuto a todos vocês. Eu vou tentar nunca desapontá-los. Eu os amo e os agradeço”.

“Vou voltar para minha turnê amanhã. Estou pronto para ver seus sorrisos. Hora de fazer o que eu deveria estar fazendo, me apresentando”, escreveu.

Nas imagens publicadas pelo site, Bieber é visto com o que aparenta ser um cigarro de maconha nas mãos. O músico participava de uma festa com amigos. O TMZ afirmou que o local era “coberto por uma névoa de maconha”.

De acordo com uma fonte do site, o melhor amigo do popstar, Lil Twist, também estava na festa. Ele dirigia a Ferrari de Bieber quando o paparazzi Chris Guerra morreu atropelado em 2 de janeiro.

A fonte também contou que o cantor não parecia preocupado que imagens dele fossem divulgadas na imprensa.

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Participante do BBB13, Fernanda Keulla é advogada em BH e adora mensagens bíblicas

A advogada Fernanda Keulla, do "BBB13", em foto de sua formatura
A advogada Fernanda Keulla, do “BBB13″, em foto de sua formatura (fonte: Twitter)

Publicado originalmente no UOL

Bastante preocupada com a boa forma, a mineira Fernanda Keulla Vilaça, de 26 anos, é advogada e uma das beldades que estarão na casa do “BBB13″.

Em seu perfil no Twitter, ela se mostra adepta da malhação pesada e adora divulgar mensagens de fé como “Perdi tanto tempo longe desse Deus que só me dá alegrias. Nunca mais irei deixá-lo” e “Breve, Deus te entregará o que você ainda não pode ver!”

Ela também já apareceu na seção “Giro Pela Cidade”, do jornal “O Tempo” de Contagem. Segundo o jornal, ela gosta de ser chamada apenas de Keulla e “provoca suspiros e olhares por onde passa”.


via site da Caras

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Autores de paródias de Dilma Rousseff querem audiência com ela

Jeferson Monteiro, da página “Dilma Bolada”, Gustavo Mendes, do “Casseta & Planeta Vai Fundo” e Renato Terra, da revista “Piauí” (Foto Ana Branco)
Jeferson Monteiro, da página “Dilma Bolada”, Gustavo Mendes, do “Casseta & Planeta Vai Fundo” e Renato Terra, da revista “Piauí” (Foto Ana Branco)

Marina Cohen, no O Globo

“Presidenta, meu Bolsa Família ainda não bateu esse mês.” “Dona Dilma, o prefeito da minha cidade comprou um carro novo. Acho que tem desvio de verba aí.” Dezenas de reclamações e pedidos desse tipo chegam, todo dia, à caixa de e-mails do estudante Jeferson Monteiro. Carioca de 22 anos, ele é o cidadão por trás da página Dilma Bolada, no Facebook, e do perfil @diImabr, no Twitter. De tanto encarnar a presidente com muito humor — e um bocado de exagero —, Jef, como prefere ser chamado, acaba sendo confundido com a própria Dilma Rousseff.

— Muita gente acha que é a Dilma escrevendo, mas faço questão de responder, explicando que é só uma personagem ficcional e linkando à seção “Fale com a presidenta”, do site do Planalto — diz o criador de uma Dilma de ego estratosférico, que adora bordões como “Êta, presidenta maravilhosa!”.

Juntamente com a Dilma Bolada, que tem mais de 200 mil fãs na web, incluindo as “curtidas” no Facebook e os seguidores no Twitter, outras paródias da presidente fazem muito sucesso. O humorista Gustavo Mendes, por exemplo, fez tanto barulho com seus vídeos no YouTube que sua personagem, hoje, tem um quadro no “Casseta & Planeta Vai Fundo”, da TV Globo. Já a Dilminha, protagonista da coluna “Diário da Dilma”, escrita pelo jornalista Renato Terra e publicada mensalmente na revista “Piauí”, é motivo de comentários até nos corredores do Planalto.

Essas três “Dilmas” — a Bolada, a do “Casseta” e a Dilminha — se encontraram pela primeira vez, na sede do GLOBO, onde conversaram sobre a tarefa de encarnar a presidente. Papo vai, papo vem, os criadores das personagens se deram conta de que suas personagens têm um elemento em comum: a surpreendente doçura da terceira mulher mais poderosa do mundo, segundo a revista “Forbes”. Entre uma bronca no ministro da Fazenda, Guido Mantega, e um pito no povo brasileiro, a Dilma de Gustavo Mendes faz o tipo “mãezona”. A Dilma Bolada não perde uma chance de exibir seu lado de diva da moda. Já no diário de Renato Terra, Dilminha se divide entre os grandes dilemas nacionais e dúvidas como o esmalte que vai usar nas unhas.

— Dilma é muito sisuda e séria, então, colocá-la em situações de menininha, comprando maquiagem ou se apaixonando, é o que torna a paródia engraçada — comenta Renato, que tem uma pilha de revistas “Capricho” e “Atrevida” em cima da mesa de trabalho, para usar como fontes de pesquisa.

Para o comediante Gustavo Mendes, parte da popularidade da presidente se deve à qualidade das paródias. E não é só ele que acha isso. Em artigo publicado em agosto, o “The New York Times” enfatizou que o trabalho de humoristas brasileiros como Gustavo Mendes contribui para a grande aceitação popular do governo Dilma:

— Nós humanizamos a figura técnica e, muitas vezes, antipática da presidente. Ajudamos a transformá-la em alguém que o povo brasileiro ama.

Preferindo se manter apartidários, os três cérebros por trás das paródias apenas afirmam que têm “um carinho” pela chefe de estado, e que o compromisso é com o humor, não com o governo ou com a oposição.

— A intenção é fazer graça, e o que tem de mais engraçado na Dilma é essa mistura de mãe, avó, política e zagueira de futebol. Ela poderia tanto governar um país quanto bater a laje na sua casa — define Gustavo.

Durante a conversa, as “Dilmas” ainda combinaram de tentar marcar uma audiência com sua musa inspiradora.

— Será que ela gosta das nossas paródias? Eu gostaria muito de saber o que ela pensa — questiona Renato.

A revista entrou em contato com a assessoria da Presidência da República para tirar a dúvida, mas até o fechamento não houve resposta. Renato, Gustavo e Jeferson prometem fazer uma campanha pela realização do encontro com a mineira de Belo Horizonte.

“Temos a mesma cara de bolacha”

Hoje famosas e com ambições tão grandes quanto um encontro com a presidente, as paródias de Dilma começaram modestas, ainda em 2010. Antes de ser um quadro no “Casseta & Planeta Vai Fundo”, a interpretação de Gustavo Mendes era veiculada só na web. A personagem nasceu a partir de outra que o ator mineiro já costumava interpretar: Margarida Salomão, candidata à prefeitura de Juiz de Fora, cidade onde o comediante nasceu e foi criado. Só foi preciso ajustar um trejeito ou outro. Assim que fez o vídeo de teste, o humorista notou que a versão daria certo.

— Fazer o quê? Eu sou parecido com a Dilma, né? Nós dois temos essa cara de bolacha. E o sotaque mineiro também ajuda — pondera Gustavo.

A característica mais forte da Dilmandona Rousseff, retratada pelo humorista, é o estilo briguento. As broncas bem-humoradas respingam em todos os ministérios e também no povo brasileiro. Mas Gustavo nem liga para quem acha que sua Dilma é feroz demais.

— Uma senhorinha com a bolsa debaixo do braço esperando o ônibus no ponto é tudo o que a Dilma não é. Ela é uma mulher forte, que sofreu com a ditadura — defende-se, respondendo a críticas de quem acha que a personagem passa uma imagem negativa da presidente. — Muito pelo contrário. Nas paródias, ela é muito carismática. A militância tem que nos amar.

Após 89 apresentações de seu espetáculo de stand-up comedy “Mais que Dilmais” em 2012, Gustavo reconhece que grande parte do seu sucesso vem da paródia de Dilma. Mas o ator avisa que o personagem não deve continuar na TV em 2013, já que “Casseta & Planeta Vai Fundo” não terá nova temporada.

— Ainda estou estudando o que vou fazer na Rede Globo no ano que vem. Já cansei da personagem da Dilma e tenho vontade de partir para outras ideias, mas não vou deixar a presidenta morrer. Ela vai voltar à internet — garante o comediante.

Passando para o papel, o “Diário da Dilma” é inspirado numa coluna de humor semelhante sobre a ex-primeira dama francesa Carla Bruni, que costumava ser publicada no jornal francês de humor “Le Canard Enchaîné”. A ideia partiu do então editor da revista “Piauí”, Mario Sergio Conti, mas é Renato Terra que, todo mês, passa dois dias imerso no noticiário nacional e em revistas adolescentes para compor o diário da personagem Dilminha de acordo com a agenda cumprida pela presidente na vida real.

Entre um compromisso oficial e outro, a Dilma criada por Renato se preocupa bastante com o seu visual nas fotos publicadas pela imprensa e sonha acordada com seu príncipe encantado, o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão.

— O universo da Dilma é tão rico justamente porque ele é muito fechado. Esse mistério todo permite que a gente se sinta livre para criar em cima dele — justifica Renato. — Por isso, as paródias são extremamente autorais. Não são imitações da presidente, mas personagens criados a partir dela.

O cargo de “ghost-writer não oficial” de Dilma caiu como uma luva em Renato. Depois de dois anos escrevendo o diário, o jornalista, responsável também pelo blog de humor “Piauí Herald”, muitas vezes se pega lendo o jornal pelos olhos da Dilminha.

— Uma vez, minha mulher comentou com alguém que eu escrevo o “Diário da Dilma”. A pessoa respondeu: “Nossa, adoro a coluna! Mas achava que o tal Renato fosse gay.”

Além das revistas teen e dos notíciários, muitas informações de bastidores servem de material para Renato:

— Muita gente nem imagina. Há histórias ali que parecem brincadeira, mas são informações exclusivas que eu recebo.

Assim como a personagem Dilminha, a presidente real pediu mesmo a Selton Mello um DVD com os episódios da primeira temporada do seriado “Sessão de terapia”, ao receber o ator, que dirige o programa, no Palácio do Planalto, em março.

Já o comediante Gustavo Mendes garante que as flores favoritas da chefe de governo são orquídeas, e que a estadista passou um pito na comitiva presidencial durante a viagem a Nova York, em setembro deste ano. E teria proibido os integrantes de seu séquito de voltar para casa cheios de bugigangas.

“Se fosse como Hebe Camargo, não imporia respeito”

No início de sua carreira “vestindo a saia” de Dilma, Gustavo mantinha contato com a militância do PT para conseguir informações exclusivas. Foi assim que descobriu que, segundo ele, a presidenta nutriria uma antipatia pelo ex-ministro José Dirceu.

— Hoje, não preciso me esforçar tanto. As fofocas caem no meu colo — comenta o humorista, que passou a devorar o noticiário político depois que se tornou intéprete da governante petista.

Quando não está na faculdade estudando administração ou no seu estágio, na produtora Bananeira Filmes, Jeferson Monteiro, morador de Mesquita, na Baixada Fluminense, diverte os internautas encarnando uma versão “bolada” da presidenta. Hoje, metade da rotina do criador da página “Dilma Bolada” no Facebook e do perfil @diImabr (o “L” é, na verdade, um “I” maiúsculo) do Twitter é dedicado a criar declarações.

A governante imaginada por Jef tem um cachorrinho chamado Boladinho, gosta de se arrumar para as ocasiões de festa e se sente uma diva soberana. Ela também não cansa de ressaltar que o Brasil é um país rico.

— Uma vez, o marqueteiro do PT, João Santana, disse que a Dilma era uma rainha no trono. E é exatamente assim que eu a vejo — define o jovem.

Jef, porém, acredita que Dilma é bem diferente na realidade:

— Ela deve ser simpática, mas sem dar muita liberdade. Afinal, precisa agir de acordo com seu cargo. Se fosse fofinha como a Hebe Camargo, não imporia respeito.

Apesar de haver muitas empresas loucas para anunciar nas páginas virtuais da Dilma Bolada, Jef não pretende usar a sua glamurosa presidente como garota-propaganda. Ele recebeu até proposta de “uma pessoa ligada a um partido político” para comprar os direitos autorais de sua criação.

— A Dilma não está à venda — afirma.

Mesmo sem gerar dinheiro diretamente, os perfis da chefona já renderam ao estudante um emprego. Ele foi contratado para gerenciar as redes sociais na Bananeira Filmes graças à fama na internet. Mas, para o estudante, a maior retribuição de seu empenho é encontrar “dilmetes” que entram para valer no universo criado por ele.

— Me realizo quando as pessoas pedem para ouvir mais histórias sobre a empregada doméstica do Planalto, a Marcela (Temer, mulher do vice-presidente, Michel Temer), ou perguntam como estão as emas criadas pela presidenta no quintal. Os brasileiros que moram fora do país são os que mais se entregam à brincadeira — conta o rapaz, que também tem fãs latino-americanos. — Recebi um recado de alguém dizendo que tinha depressão, e que sua única alegria era acompanhar os posts da Dilma Bolada. Saber que posso levar felicidade para as pessoas é demais.

Diferentemente de Gustavo Mendes, Jef não pretende largar sua Dilma Bolada tão cedo. Em janeiro, ele estreia um blog, com textos maiores, contando aventuras inéditas da presidente no poder. Caso a nova plataforma seja um sucesso, virá por aí um livro, com outras histórias:

— Mesmo dividindo a minha vida com a Dilma Bolada, ainda chamo essa atividade de lazer. Acima de tudo, me divirto.

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