Mil seguidores por US$ 18 no Twitter

Nayara Fraga, no Radar Tecnológico

Por trás das 500 milhões de contas existentes no Twitter existe um ativo mercado negro de compra e venda de seguidores. Em estudo recente, a empresa americana de segurança virtual Barracuda Labs encontrou 72.212 contas falsas e 11.283 “abusadores” (perfis que compram os falsos seguidores e vendem propaganda com base em sua rede).

A pesquisa detectou a ocorrência desse tipo de comércio no eBay, onde havia 20 perfis vendendo seguidores, e em outros 58 sites. A análise levou em conta os cem primeiros resultados de busca no Google para “buy Twitter followers” (“comprar seguidores no Twitter”, em português).

Os seguidores saem por menos de US$ 0,02, se comprados em pacotes. Dezoito dólares, em média, são suficientes para adquirir mil seguidores, conforme o estudo.

Um dos sinais de que uma conta no Twitter é de um “abusador” é o número de seguidores que ele tem — 48.885, em média. Setenta e cinco por cento deles divulgam a URL de algum site, ante 31% entre os usuários totais da rede social.

Os resultados da pesquisa da Barracuda foram compilados no infográfico abaixo, em inglês. (O texto continua após a imagem.)

Os usuários que criam e vendem milhares de contas falsas no Twitter são chamados no estudo de “negociadores” (“dealers”, em inglês). Sessenta e um por cento das contas criadas por eles têm menos de três meses de existência.

Romney

A empresa de pesquisa sugere que Mitt Romney, candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, tenha recorrido à compra de seguidores para aumentar sua popularidade na rede social. Apenas no dia 21 de julho, o número de seguidores do candidato subiu 17%.

Entre os novos seguidores, conforme a Barracuda, 80% tinham menos de 3 meses de existência e 25% não haviam chegado a completar três semanas. Além disso, um em cada quatro seguidores de Romney não havia chegado a publicar um tweet sequer. “Mitt Romney é apenas o último exemplo de milhares de pessoas que pagam por seguidores”, diz a empresa de pesquisa, no infográfico acima.

Todas as fotos que aparecem ao redor do infográfico são de contas falsas.

Em seu blog, a Barracuda explica que um “negociador” pode ganhar até US$ 800 por dia, caso ele consiga controlar 20 mil contas falsas. A estimativa considera contas falsas aleatórias que passaram a seguir 2 mil perfis em sete semanas e assume que a venda de cada seguidor tenha tido o valor mínimo de US$ 20.

O estudo não se aprofunda, no entanto, na natureza da compra de seguidores. Em março, uma pesquisa revelou que por trás da venda de “curtidas” no Facebook havia criminosos que invadiam perfis de usuários comuns. Isso era feito por meio de aplicativos falsos, como “Veja quem visitou seu perfil”, que convenciam o usuário a baixar o malware (software usado para fins criminosos).

O Radar Tecnológico entrou em contato com a Barracuda para conversar sobre esse tema, mas, até a publicação deste texto, a empresa não havia retornado.

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Twitter pode ajudar a manchar reputações políticas

Editora Globo
Guilherme Pavarin, na Revista Galileu

Ofensas gratuitas, boca suja, insensibilidade, erros gramaticais. Grande parte dos políticos ainda não aprendeu a usar o Twitter. Nos EUA, surgiu até um projeto que visa arquivar todas as gafes de autoridades na rede social, o Politwoops, para que nem mensagens deletadas caiam no esquecimento. Como um site assim ainda não existe por aqui, fizemos questão de relembrar alguns casos recentes.

1 – Soninha e o #mtoloco

Em maio, depois de um acidente na Linha Vermelha do metrô de São Paulo, Soninha Francine, pré-candidata do PPS à Prefeitura, afirmou que estava “sussa” em outra linha, a Verde, e nem saberia do infortúnio não fosse o Twitter. Soou arrogante e desproposital. Pior foi o uso da hashtag no fim da frase: #mtoloco. Ainda hoje, tuiteiros a usam para expressar algo oposto.

Editora Globo
Soninha Francine // Créditos: Daniela Toviansky

2- A inocência de Roberto Freire

O deputado federal Roberto Freire (PPS-PE) chegou ao topo do Trending Topics depois de acreditar numa notícia falsa, retuitá-la e comentá-la. A paródia jornalística do site G17 afirmava que Dilma pedira para imprimir “Lula seja louvado” nas notas de real. Revoltado, o político postou: “Isso é uma ignomínia!”. Alertado, pediu desculpas.

Editora Globo
Roberto Freire // Créditos: Gustavo Miranda

3- O dia em que Rebelo se rebelou

Certa manhã, Aldo Rebelo acordou de sonhos intranquilos e encontrou-se metamorfoseado num tuiteiro ferino. Em meio a uma polêmica sobre o Código Florestal, uniu frio de São Paulo, ambientalismo e consumismo. “Cadê a turma do aquecimento global? Nas lojas, ora, ora, comprando o último aquecedor… Elétrico! E viva Belo Monte!” Que deselegante.

Editora Globo
Aldo Rebelo // Créditos: Marcelo Min

4- Dilma, a oficial, leva prêmio de melhor fake

O Twitter não é seguro nem para quem some dele. Em maio, o perfil oficial da presidente Dilma Rousseff ganhou o prêmio de melhor fake no Shorty Awards. O Oscar do Twitter confundiu o verdadeiro @dilmabr com o falso @diimabr, também conhecido como Dilma Boladona. E a verdadeira Dilma, que não posta desde 2010, foi quem levou.

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Campanha na internet prega começo da vida sexual só após o casamento e ganha milhares de adeptos

Paula Fernandes, no Extra

“Deus tem uma bênção específica para cada um de nós, no momento certo. Se formos precipitados, atrapalhamos o processo”, repete o missionário Felipe Augusto Medeiros, da Igreja Congregacional de Bento Ribeiro. Aos 27 anos, o jovem conta que deu o primeiro beijo somente aos 22, em sua única namorada, com quem permaneceu por um mês. Desde o fim do relacionamento, garante que permaneceu sozinho, sem qualquer envolvimento com outra mulher.

– Não tenho vergonha de dizer que sou virgem. Escolhi aguardar no Senhor, que colocará no meu caminho a pessoa certa, na hora certa. A banalização do amor causou em mim o desejo de fazer algo contrário – diz Felipe, convicto da escolha.

“A banalização do amor causou em mim o desejo de fazer algo contrário”, revela Felipe Medeiros, da da Igreja Congregacional de Bento Ribeiro. Foto: Nina Lima / Extra

Os princípios são bíblicos, a escolha é natural e a espera, inevitável, segundo muitos. Baseados nessas questões, jovens de todo o país têm encontrado na internet uma ferramenta para propagar o ideal de iniciar a vida sexual somente após o casamento. Criada em abril do ano passado pelo pastor Nelson Junior, de Vitória, Espírito Santo, a campanha “Eu Escolhi Esperar” já conta com a adesão de mais de 500 mil pessoas no Facebook. No Twitter, já são mais de 120 mil seguidores, enquanto que, no Orkut, são quase 20 mil.

– Por semana, mais de 15 milhões de pessoas são alcançadas pelas postagens no Facebook, e a campanha já tem seguidores em outros países, como Estados Unidos, México, Argentina, Peru, Chile, Angola, Itália, Espanha, Inglaterra e Austrália – conta Nelson Junior.

Longe da esfera virtual, a atuação do movimento ocorrer por meio de seminários, realizados constantemente em diversas igrejas pelo país inteiro. O objetivo, segundo o pastor, é reforçar fundamentos bíblicos eternos que foram abandonados.

– A sociedade que prega tanta liberdade sexual, que defende o direito da livre escolha, é a mesma que não respeita, debocha e desaprova o desejo de se guardar para o casamento. Atualmente, isso é considerado quase um retrocesso comportamental – afirma Nelson.

A mobilização, segundo ele, é fruto da própria vivência humana, em que as decepções amorosas são cada vez mais frequentes.

– As pessoas estão cansadas das frustrações emocionais. Com o tempo, descobrem que o sexo é bom, mas não é tudo. Existem valores que precedem o prazer. Ensinar que o desejo está acima de qualquer coisa é gerar indivíduos cada vez mais egoístas e solitários – diz ele.

Após um relacionamento, Carla da Rocha optou pela abstinência Foto: Nina Lima / Extra

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Paulo Coelho: “‘Ulysses’ fez mal à literatura”

Paulo Coelho em biblioteca em Praga em 2009
Paulo Coelho em biblioteca em Praga em 2009

Rodrigo Levino, na Folha de S.Paulo

“Você sabia que eu sou mago?”, pergunta Paulo Coelho, em francês, a um amigo que o visita na Suíça, onde vive. “Mago das letras!”, responde rindo o interlocutor.

“Está vendo? Fora do Brasil ninguém sabe dessa história”, retruca o escritor em entrevista à Folha, por telefone.

É que o autor brasileiro de maior sucesso internacional, agora lançando “Manuscrito Encontrado em Accra” (Sextante), seu 22º romance, se reinventou.

Aos poucos, a aura mística que atribuía a si e o epíteto de mago foram deixados de lado. Hoje ele veste as roupas da modernidade e do pragmatismo.

Consagrado por 140 milhões de livros vendidos em 160 países e traduzido em 73 línguas, Paulo Coelho defende a livre circulação dos seus livros, pirateados ou a preços baixíssimos, e, conectado praticamente o dia inteiro, se tornou um militante digital e suprimiu qualquer tipo de atravessador. É ele quem fala com o seu público.

“O Twitter é o meu bar. Sento no balcão e fico ouvindo as conversas, puxando papo, sentindo o clima”, diz ele, que logo mais deve alcançar 15 milhões de seguidores em redes sociais.

A interlocução facilitada com os leitores o fez se abster de sessões de autógrafos e viagens de divulgação.

“Agora, só aceito ir a lugares curiosos. Semana que vem vou ao Azerbaijão. Chega de hotéis”, se gaba.

Mas não só disso. Segundo ele, ser lido de Nova York a Caruaru (PE) e Ulan Bator, na Mongólia, se deve ao fato de ser um autor moderno, de literatura globalizada, a despeito do que diga a crítica.

“Houve um tempo em que era possível aos críticos destruírem um filme ou um livro e isso tinha reflexo direto no público. Hoje essa relação se horizontalizou, o que vale é o boca a boca”, diz.
Sobre o tal modernismo de sua escrita, Coelho diz não ter a ver com estilo ou experimentações de narrativa.

“Sou moderno porque faço o difícil parecer simples e, assim, me comunico com o mundo inteiro.”

CULPA DE JOYCE

Para ele, escritores caíram em desgraça ao perseguirem o reconhecimento pela forma e não pelo conteúdo.

“Os autores hoje querem impressionar seus pares”, opina. E aponta em seguida o culpado: “Um dos livros que fez esse mal à humanidade foi ‘Ulysses’ [clássico de James Joyce], que é só estilo. Não tem nada ali. Se você disseca ‘Ulysses’, dá um tuíte”, provoca.

A acessibilidade pregada por ele dá o tom também em “Manuscrito”, o primeiro livro que escreveu desde o susto que tomou em 2011, quando ouviu de seu médico que, por causa de um problema cardiológico, teria apenas 30 dias de vida. “Perdi o chão”.

Sobreviveu para contar a história de uma Jerusalém sitiada, prestes a ser tomada por cruzados. Trocando em miúdos, uma reflexão com forte tom religioso sobre a iminência do fim. Sem ligações autobiográficas, garante.

“A única referência que faço no livro ao que passei é quando digo que recebi o manuscrito em questão no dia 30 de novembro, que foi a data da minha cirurgia. De resto, é um livro como qualquer outro meu”, conta ele, que escreve um desses a cada dois anos e sempre de uma vez só.

Entre uma coisa e outra, diz que se dá “ao luxo de ter tempo”. Tempo para se informar a respeito de tudo. Do julgamento do mensalão às intrigas sobre os autores brasileiros selecionados pela revista “Granta” (Alfaguara).

Lista sobre a qual ele diz não ter interesse. “Não faz parte do meu mundo. Gosto de autores como Eduardo Spohr [autor de 'A Batalha do Apocalipse']“.

Spohr é uma das estrelas da “Geração Subzero” (Record), coletânea de autores que se julgam negligenciados pela crítica, contraponto à “Granta”. É nesse oposto que Coelho se sente à vontade e para quem pretende continuar escrevendo até morrer. “Depois disso, nada meu será publicado.” Tem medo de que haja disputa por direitos autorais entre herdeiros ou, pior, publiquem obras sem a sua autorização. “Aconteceu com Nabokov. Isso é um horror.”

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Após Joelma ser acusada de homofobia, fã gay defende cantora: “Ela não é preconceituosa”

Joelma no vídeo em que "tenta converter" um fã gay (Reprodução/ Youtube
Joelma no vídeo em que “tenta converter” um fã gay

Neto Lucon, no Virgula

Joelma, da banda Calypso, foi acusada de homofobia nesta semana após um vídeo da cantora conversando com um fã gay cair na rede. Nele, a artista dizia para Michel Mendes se converter, “virar homem, casar, ter filhos e dar alegria aos pais”.

Após as declarações caírem nas redes sociais – e de a cantora, que é evangélica, ser considerada homofóbica – o fã Michel publicou um novo vídeo nesta quinta-feira (2) no Youtube para defender a sua musa. Segundo ele, Joelma não é preconceituosa e tudo foi uma grande brincadeira.

“A Joelma não é essa pessoa que todos estão pensando. Ela não é anda preconceituosa, nada homofóbica. Ela trata a gente superbem. Essa história foi uma brincadeira que eu comecei e ela fez comigo. Foi tudo uma brincadeira”, declara o jovem.

Em seu Twitter, na noite de quinta-feira (2), a cantora assumiu que era ela nas imagens, mas garantiu que não é preconceituosa. “Foi em Belém. Um dos ‘abusados’ do Calypso estava brincando comigo, falando das intimidades deles para mim. Fique vermelha e brinquei. Se eu fosse preconceituosa, meu melhor amigo não seria gay”.

A assessoria da artista afirmou que a religião não atrapalha em nada no contato com os fãs e que a maior parte dos admiradores da banda Calypso é formada por homossexuais. “Cerca de 90% dos fãs da Calypso são homossexuais e eles estão completamente ao lado dela, porque conhecem ela. Muitos deles sabem da relação dela com a religião e brincam dessa forma para deixá-la constrangida, vermelha e ela brinca assim para reverter a situação, mas não que ela queira converter alguém, é uma troca de brincadeiras”.

O fã concorda: “Tudo não passa de um mal entendido”.

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