Arquivo da tag: twitter

Festa de Neymar tem celebridades de ’2ª linha’, reclamações e manual para Neymarzetes

Neymar promoveu uma festa em São Paulo para comemorar premiação da Fifa

Luiza Oliveira, no UOL Esporte

Mais que um jogador de futebol, Neymar é um fenômeno pop. E tudo o que envolve o craque se transforma em um grande evento. Em sua festa de comemoração pelo gol mais bonito do ano, a premiação da Fifa acabou ofuscada. O que chamou a atenção foram as celebridades de segundo escalão, os colegas jogadores ‘escondidos’ e, claro, as Neymarzetes.

A festa aconteceu em uma balada nobre no centro de São Paulo para pouco mais de 400 convidados de uma lista considerada bem seleta. A esmagadora maioria composta por mulheres bem diferentes das que provocam histeria nos estádios para conseguir apenas um olhar do ídolo. Elas abusam das roupas extravagantes, dos saltos ‘altérrimos’ e saias com um palmo de comprimento, apesar de também estarem saindo da adolescência.

E recebem até orientações. O promoter e amigo do jogador, Leonardo Cardoso, pede às mais fanáticas que não solicitem autógrafos, tirem fotos ou incomodem o atleta em seu momento de lazer. Ainda dá conselhos valiosos: é melhor se comportar e ganhar a confiança do craque para ser lembrada em eventos futuros do que criar constrangimento e ser esquecida.

Uma convidada revelou ao UOL Esporte que chegou a ser anunciado no sistema de som da casa noturna uma recomendação para que as pessoas apenas ‘curtam a festa’ quando um flash foi disparado em direção a Neymar.

Se as privilegiadas tentam andar na linha, quem fica de fora apela para todas as armas. As mais desesperadas fingem ser amigas da joia santista e simulam uma troca de mensagens pelo celular para convencer os segurança. E tem também quem implore por um convite telefonando incessantemente para o promoter do evento.

Mas nada feito. Leonardo abusou do jogo de cintura para ‘descartar’ entre 100 e 150 pedidos. “Não gosto de dizer ‘não’, a gente vai com jeito. Fala ‘nessa não dá, mas na próxima a gente combina’”, contou.

Mas as mulheres não eram a principal atração. A grande estrela só chegou por volta de meia-noite deixando os seguranças em alerta. De boné azul e tênis rosa choque, Neymar reinava absoluto com tudo do jeito que pediu.

O jovem se divertiu ao som dos seus ritmos preferidos, hip hop, samba e funk, e não dispensou um energético Red Bull, marca de um de seus patrocinadores pessoais. Bem-humorado, não se irritou nem quando foi cumprimentado com um ‘feliz aniversário’ por uma convidada que confundiu o real motivo da comemoração, segundo ela própria relatou.

Se o anfitrião não gosta de bebida alcoolica, os convidados não tinham do que reclamar. A balada foi regada a vodka Cirok e whisky Golden [sic] Label, considerados os ‘tops’ do mercado. E gente não faltou para apreciar, inclusive jogadores de futebol, visivelmente incomodados por serem flagrados no local. Lucas Gaúcho, que defendeu a Portuguesa em 2011, não parou para conversar com os jornalistas, assim como o santista Ibson, que pediu até para não se fotografado.

Dessa forma, os cliques dos fotógrafos se voltaram para as belas mulheres em diversas poses, especialmente as celebridades menos badaladas que ainda buscam um lugar ao sol. Estavam lá, a modelo Núbia Oliiver, a ex-repórter do TV Fama e capa da Playboy, Mônica Apor, a assistente de palco do Domingo Legal, Bruna Manzon, e a bailarina do programa Domingão do Faustão, Katia Volkland.

No fim da noite, tudo saiu como esperado ao menos na visão de Neymar. “O baguio foi loko tio” kkkkkk valeu galerinha”, resumiu em seu Twitter, antes de dizer que estava com sono e anunciar que finalmente iria dormir por volta de 5h desta quinta-feira.

A internet contribui para ampliar a prostituição no mundo

Daniela Fernandes, na BBC

Mais de 40 milhões de pessoas no mundo se prostituem atualmente, segundo um estudo da fundação francesa Scelles, que luta contra a exploração sexual. A grande maioria (75%) são mulheres com idades entre 13 e 25 anos.

O relatório analisa o fenômeno em 24 países, entre eles França, Estados Unidos, Índia, China e México e diz que o número de pessoas que se prostituem pode chegar a 42 milhões no mundo. O estudo revela ainda que 90% delas estão ligadas a cafetões.

O documento também analisa a questão da exploração sexual por redes de tráfico de seres humanos. De acordo com o relatório, o maior número de vítimas está concentrado na Ásia, que representa 56% dos casos.

Exploração de crianças
A América Latina e os países ricos registram, respectivamente, 10% e 10,8% do tráfico de pessoas para atividades ligadas ao sexo, afirma o “Relatório Mundial sobre a Exploração Sexual – A prostituição no coração do crime organizado”, publicado em um livro.

E quase a metade das vítimas de redes de tráfico humano são crianças e jovens com menos de 18 anos.

“Essa é uma das características da prostituição nos dias de hoje: um grande número de crianças é explorada sexualmente”, diz o documento. Estima-se que 2 milhões de crianças se prostituam no mundo.

Tráfico de mulheres brasileiras
O juiz Yves Charpenel, presidente da Fundação Scelles, diz que não há dados suficientes para avaliar o aumento da prostituição no mundo.

“O elemento marcante, na Europa, é a multiplicação de prostitutas vindas de países diversos, normalmente controladas por quadrilhas que as fazem circular por todo o continente”, afirma.

O estudo da fundação francesa afirma, com base em dados da agência da ONU contra as drogas e o crime, que o tráfico de mulheres brasileiras na Europa estaria aumentando. O documento não revela, no entanto, números em relação a esse crescimento.

“Essas vítimas são originárias de comunidades pobres do norte do Brasil, como Amazonas, Pará, Roraima e Amapá.”

“Se a maioria das prostitutas na Europa são de países do leste europeu e de ex-repúblicas soviéticas, a predominância desses grupos parece estar diminuindo no continente”, diz o relatório, acrescentando que paralelamente a isso o número de brasileiras estaria aumentando.

Em dezembro passado, a polícia espanhola desmantelou uma quadrilha internacional de prostituição que mantinha dezenas de menores brasileiras sob cárcere privado.

Tráfico de mulheres brasileiras na Europa estaria aumentando
O estudo também afirma que grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo de futebol e os Jogos Olímpicos, contribuem para agravar o fenômeno da prostituição.

“Futebol e Olimpíadas são identificados como os cenários mais comuns da exploração sexual”, afirma o relatório.

Segundo o texto, essas grandes competições internacionais permitem que as redes criminosas “aumentem a oferta” de prostitutas.

Na África do Sul, por exemplo, 1 bilhão de camisinhas foram encomendadas pelas autoridades para enfrentar eventuais riscos sanitários durante a Copa do Mundo em 2010.

O número de prostitutas no país, estimado em 100 mil, aumentou em 40 mil pessoas durante o evento.

Internet
Segundo a Fundação Scelles, a internet também contribui para ampliar a prostituição no mundo.

“As redes de cafetões agora recrutam pessoas em redes sociais como Facebook e Twitter”, diz o estudo, citando um caso na Indonésia em que as autoridades prenderam suspeitos de aliciar jovens estudantes no Facebook e no Yahoo Messenger.

Nos Estados Unidos, a maioria das menores prostitutas são recrutadas por cafetões no site Craiglist, de anúncios, diz o estudo.

“Os cafetões fazem falsas propostas de trabalho como manequim e utilizam as vítimas para recrutar outras jovens.”

Evangélicos no BBB (3)

Contrariando as pesquisas (e as expectativas), nesta noite a baiana Jakeline não foi eliminada no primeiro paredão desta edição do BBB. Depois de vários dias alternando choro, sono e pitis variados, a sister zoogospel foi alvo de 1 sem-número de manifestações no Twitter.

Se a permanência dela foi inesperada, surpresa mesmo foi a ermã Cleycianne anunciar também nesta noite que  Daniel Echaniz frequenta uma comunidade evangélica em Sampa. Ou seja, eram 3 irmões no reality show.

Naturalmente, o “eram” é por conta da expulsão do modelo ocorrida ontem, após protagonizar 1 dos maiores barracos (com duplo sentido) do programa. O episódio aconteceu na madrugada de domingo, após a primeira festa na casa. (In)devidamente calibrados, Daniel e Monique esticaram (duplo sentido de novo, pls) a festa embaixo do edredom e o resto todos já sabem. Quer dizer…

O bafão ganhou repercussão internacional. Outra nota dissonante foi a deselegância recorrente do sem-noção agente do modelo ao falar sobre o caso no Twitter. Outros afirmaram que se tratava de racismo, tese que perdeu força rapidamente.

Monique e Daniel prestaram depoimento hoje e logo depois o modelo se manifestou no Twitter: “Agora é só esperar para que a justiça seja feita”. Amém.

Manual para ser interessante nas redes sociais

Matheus Pichonelli, na CartaCapital [via Observatório da Imprensa]

Como no Big Brother, existe uma maneira muito simples de a gente parecer mais interessante do que de fato é diante de uma multidão. Basta criar uma conta no Facebook e manifestar desprezo por qualquer coisa que seja popular. Como o Big Brother, ou o Orkut.

Em janeiro, quando as inserções do Pedro Bial passam a ser mais frequentes na TV, o movimento de pudores eletrônicos ganha um tom de campanha política. Depois que inventaram as correntes de Facebook (espécie de TV a cores a substituir o pré-histórico jogo da velha que indicava uma hashtag), ficou muito fácil manifestar nossos bons gostos e engajamentos pela internet.

Basta compartilhar as fotos com as inscrições “Odeio BBB”, “Fora Pedro Bial”, “Meu sofá da sala não é privada”, “Morte ao Paredão”. Pega muito bem. Se houvesse um guia prático do internauta moderno (sim, porque existem os internautas da velha guarda, uns que se deixarem mandam até a íntegra da missa aos domingos), a ojeriza aos reality shows seria a regra número 1.

Coisas fofas em ambiente familiar

Mas não só. Para parecer um cara muito legal na internet e na vida, é preciso também:

** Bater no Michel Teló. Sem dó. Como se ele fosse o Sarney. Todo mundo vai pensar que você morre de saudade dos tempos do sertanejão de raiz, ainda que o mais perto que você tenha chegado de um boi foi naquela visita ao Pet Zoo;

** Ter sempre em seu mural algum auto-retrato pintado da Frida Khalo (serve uma foto em preto e branco) e desenhos estilizados do Tarantino, do Almodóvar, do Che Guevara e daqueles quatro meninos de Liverpool atravessando a zebra de pedestres em Abbey Road. Não é preciso esclarecer a conexão entre eles;

** Fazer um minuto a minuto sobre a sua ansiedade pelo próximo show dos Strokes ou do Arcade Fire no Brasil. De preferência, sem pontos de exclamação nos posts, para não ser confundido (a) com fã de pagode;

** Vale a pena também iniciar, em sua página, uma contagem regressiva para a Feira Literária Internacional de Paraty. Pode começar em qualquer época do ano: “Faltam 291 dias para a Flip”;

** De vez em quando, diga como anda sua vida acadêmica e comemore em letras garrafais quando chegar a formatura. Não se esqueça de dizer que A-M-A a profissão escolhida. No Facebook não existe gente frustrada no campo profissional;

** Conte sempre coisas fofas vividas em ambiente familiar, ainda que te digam que o que se vive entre quatro paredes deva ficar entre quatro paredes;

Uma frase atribuída ao Veríssimo

** Vai a Paris, Roma, Viena ou Nova York? Avise todo mundo pedindo dicas de lugares para os amigos. Chegando lá, não espere a volta para postar impressões e fotos, ainda que você passe 90% do seu tempo livre na sala de internet do hotel;

** Não importa que o Parque Nacional do Xingu fique em Mato Grosso: seja sempre contra qualquer intervenção humana no Pará. Se não colar, lembre também que o país da corrupção não está pronto para receber eventos do porte de uma Copa, uma Olimpíada, um Cirque du Soleil;

** Lista de artistas brasileiros que devem constar das suas preferências musicais: João Gilberto (aquele do “vai, minha tristeeeeeza…”), Chico Buarque (“estava à toa na vida, o meu amor me chamou”), Cartola (ver também: Mangueira. É um morro, além de escola de samba), Noel (o daquela caricatura com nariz grande, cigarro meio desprendido na boca…), Pixinguinha (o moço das bochechas). Engenheiros do Hawaii e Roupa Nova, que te levaram às lágrimas depois daquele fora no colegial, nem pensar. Mantenha certa distância também de Raul Seixas (tiozão demais, coisa de hippie doido);

** Tome duas doses de Clarice Lispector todos os dias. Adicione, de vez em quando, aquele poema da Fidelidade do Vinícius de Moraes (“de tudo ao meu amor serei atento antes…”) e algum pensamento do dia escrito por Mário Quintana ou Caio Fernando Abreu (se não tiver nenhum livro deles em casa, jogue no Google alguma letra sobre despedidas cantada pelo Alexandre Pires. Se não citar a autoria, todo mundo vai achar o máximo). Se estiver de bom humor, use qualquer frase atribuída ao Luís Fernando Veríssimo. Em dias de mau humor, use Arnaldo Jabor (o cineasta e o comentarista são as mesmas pessoas, mas não parece);

Viver cada minuto como se fosse o último

** Faça print screen de erros gramaticais alheios e compartilhe, em tom de lamento, o que você considera um erro grosseiro. De quando em quando, solte um: “Maldita inclusão digital”. É tiro e queda;

** Quando algum autor de renome for dar aquela palestra marota no Sesc perto de casa, marque dois ou três amigos em seu mural e provoque alarde para todo mundo saber: “Vamos, né??????”. Não esqueça de postar o link relacionado;

** Curta a página de qualquer bar com mais de cinco anos de fundação no entorno da rua Augusta; dê preferência ao Ibotirama;

** Use e abuse de qualquer onda retrô. Está sempre em moda;

** Compartilhe diariamente sua indignação com a política nacional. Lembre todos os dias que o governo não presta e que Brasília seria muito melhor se, no lugar do Congresso, funcionasse um estacionamento. É de bom tom ignorar que os governos totalitários do século XX também transformaram seus Legislativos em estacionamento;

** Não conte, nem sob tortura, que você adora passar no McDonald’s depois do rolé pelo Espaço Unibanco;

** Deixe sempre claro que você é habitué de lugares incríveis, como as praias de Trindade-Paraty ou o sofá do Outback;

** Compartilhe qualquer reportagem relacionada ao D.O.M, o mais premiado restaurante brasileiro lá fora, e expresse sua intimidade com o nome de Alex Atala.

Feito isso, você espantará qualquer fantasma da breguice e do lugar-comum que contamina este país que a gente gosta de chamar de atrasado.

Ninguém vai dar a mínima, mas o importante é ficar bem com a gente mesmo. Ou viver cada minuto como se fosse o último. E dormir com a consciência tranquila. Ou qualquer outro clichê que sirva.

***

[Matheus Pichonelli é subeditor do site e repórter da revista CartaCapital]

ilustração: Marcelinho Barros