Pesquisa científica avalia veracidade das cartas de Chico Xavier

Estudo realizado na Universidade Federal de Juiz de Fora abrange supostas mensagens de afogado em 1974

Publicado em O Globo

O domingo de 3 de fevereiro de 1974 prometia muitas alegrias para o estudante de Engenharia Jair Presente. Ele havia saído de casa, onde morava com os pais e a irmã, para um animado fim de semana com os amigos. Mas, o passeio terminaria em tragédia: Jair morreria afogado na Praia Azul, em Americana, a 37 quilômetros de Campinas. A história do rapaz, porém, não acabaria ali. Ele teria escrito 13 cartas após a morte, reproduzidas em psicografias do médium Chico Xavier. Quarenta anos depois, uma pesquisa científica investigou o conteúdo das mensagens e comprovou a autenticidade das informações.

O resultado do trabalho foi publicado pela revista científica “Explore”, da Editora Elservier, sediada em Amsterdã, na Holanda.

– Estas cartas produzem informações verificáveis. Não são informações genéricas. Trazem nomes de pessoas, situações que aconteceram, e estas informações eram, de modo geral, verídicas – observa o psiquiatra Alexander Moreira-Almeida, o diretor do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde (Nupes), da Universidade Federal de Juiz de Fora, o orientador da pesquisa.

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O estudo das cartas atribuídas a Jair Presente é o primeiro de uma série realizada pelos pesquisadores Alexandre Caroli Rocha e Denise Paraná, resultado do trabalho de pós-doutorado, parceria entre a Universidade Federal de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

– A grande discussão que existe no meio acadêmico é se estas cartas, efetivamente, proporcionam evidências, informações verídicas, sobre a pessoa falecida, e se o médium não teria tido acesso por meios normais. Esta é a grande pergunta – atesta Almeida, também coordenador das seções de Espiritualidade e Psiquiatria da Associação Mundial de Psiquiatria.

O médium Chico Xavier, que morreu em 2002, chegou a ser acusado de infiltrar seguidores entre o público durante as seções espíritas, justamente para conseguir informações essenciais e inseri-las nas cartas. A acusação sempre foi refutada por admiradores do médium.

– A grande limitação do estudo – reconhece Almeida – é que estamos analisando fatos que aconteceram 20, 30 anos atrás. É difícil ter certeza do grau de informações passadas para Chico Xavier.

A metodologia da pesquisa incluiu entrevistas em profundidade com familiares e pessoas que tiveram acesso aos fatos, além da checagem de recortes de jornal e de outros documentos.

– Houve casos, por exemplo, nos quais nem as pessoas que foram obter a carta com Chico Xavier tinham aquela informação que estava na mensagem – observa Almeida –. Apenas posteriormente foi feita uma investigação pelos próprios familiares para descobrir que aquelas informações eram também verídicas.

A pesquisa, porém, não é a comprovação de que as cartas foram mesmo escritas por alguém já morto, mas que as informações ali contidas são verdadeiras. Os pesquisadores se preparam para concluir as avaliações de conjuntos de mensagens de mais três casos psicografados por Chico Xavier. O médium passou pelo primeiro teste.

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Álcool torna os sorrisos mais contagiantes para os homens, diz estudo

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publicado no UOL

Beber pode tornar os homens mais sensíveis aos sorrisos dos outros, segundo pesquisa feita nos Estados Unidos. A conclusão pode ajudar a explicar por que os homens são cerca de 50% mais propensos a beber excessivamente do que as mulheres.

O estudo foi realizado por pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, e publicado na revista Clinical Psychological Science, da Associação Americana de Psicologia.

Os pesquisadores selecionaram aleatoriamente 720 bebedores sociais saudáveis, de ambos os sexos, com idades entre 21 e 28 anos, que foram separados em grupos convidados para sentar e beber numa mesa.

Uma parte recebeu bebida alcoólica (vodca com suco de cranberry), enquanto outra, uma bebida não alcoólica ou uma bebida sem álcool descrita como alcoólica. Todos receberam partes iguais enquanto interagiam livremente uns com os outros.

Ao analisar os registros em vídeos, os pesquisadores conseguiram observar o quanto os sorrisos foram replicados pelos participantes de cada grupo. A tendência foi clara entre os que consumiram álcool, mas só nas mesas compostas unicamente por homens.

Para os pesquisadores, o contágio pelo sorriso pode funcionar, para os homens, como um reforço positivo para beber, algo que talvez seja importante para estabelecer a dependência.

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10 lições sobre liderança (ou a falta dela)

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publicado no Administradores

Liderança é conversa fiada, afirmou Peter Drucker, o grande guru da Administração, em sua última entrevista para a imprensa americana, pouco antes de partir, em 2005. Como se trata de alguém que dedicou a vida à Administração, muita gente torceu o nariz, mas não se manifestou nem contra nem a favor.

Em todas as minhas turmas de MBA com foco em liderança, testemunho a preocupação dos jovens e adultos sobre a dificuldade cada vez maior de se obter comprometimento das pessoas que ingressam no mercado de trabalho.

Na prática, essa nossa maldita cultura de dependência das benesses do governo e a preguiça natural do ser humano serve muito mais para criar pessoas descompromissadas e abusadas em alguns aspectos do que para formar cidadãos preocupados com o futuro do país e com o seu próprio futuro.

O comprometimento com os resultados e o respeito à hierarquia tornaram-se uma utopia e as pessoas mudam de emprego na mesma velocidade com que mudam de roupa em razão do imediatismo financeiro e profissional que tomou conta do mundo.

Tenho avaliado com profundidade essa questão da liderança e arrisco a dizer que nenhuma faculdade, universidade ou mesmo escola de negócio forma líderes. O que a maioria tenta é adestrar profissionais para seguirem a cartilha das empresas, as quais, lamentavelmente, pelo menos no Brasil, ainda pensam que as pessoas são apenas um número e, portanto, devem fazer aquilo que a empresa quer, não o que é necessário ser feito.

Como professor da matéria, posso dizer que a nossa tarefa consiste em formar pessoas que cometam o menor número possível de erros em cargos de liderança considerando que os mitos do líder nato, do líder treinável ou mesmo do carismático já foram derrubados há muito tempo.

É duro imaginar que, em pleno século 21, as pessoas ainda necessitem de “líderes” para comandá-las ou para ensinar o que elas mesmas não conseguem aprender em trinta anos de carreira e que ainda tenhamos de utilizar exemplos de lideranças questionáveis como as de Hitler, Putin, Clinton e a do próprio Jack Welch.

Liderança é uma forma de dominação social e de poder, seja ela carismática, racional-legal ou tradicional. Como diria Stephen Covey, estudioso do assunto, é um conceito misterioso e ilusório que nunca será dominado na face da Terra, pois as variáveis políticas, sociais e econômicas mudam constantemente e não temos o menor controle sobre elas.

Se você quer apenas conhecer as melhores práticas sobre liderança e, de quebra, ainda levar um certificado, a escola é o melhor caminho, mas se você quer entender como funciona os bastidores da liderança nua e crua, aqui vão algumas lições que, raramente, são ensinadas nas escolas.

1. Liderança é uma forma de dominação social, mas o fato é que ninguém gosta de receber ordens; a maioria das pessoas se sujeita por uma questão pura e simples de necessidade ou de sobrevivência;

2. Para a maioria dos presidentes, diretores e gerentes, o melhor profissional sempre foi e sempre será aquele que não questiona e, principalmente, aquele que não tem a menor pretensão de ocupar o lugar do chefe;

3. Chefe é aquilo que você deseja ser, mas odeia ter; Se você precisa de um chefe para se motivar, você está no lugar errado;

4. Os quatro mitos da liderança já foram quebrados por Robert Goffe e Gareth Jones, pesquisadores do assunto: 1º) Nem todos podem ser líderes, alguns nem querem; 2º) Nem todos os líderes que chegam ao topo são líderes, alguns chegam por conchavo, conluio e outros métodos nada ortodoxos; 3º) Nem todos os líderes levam a resultados, caso contrário, o serviço público seria maravilhoso; e 4º) Nem todos os líderes são grandes coaches.;

5. Existem coisas da alta administração que nunca vão chegar ao chão de fábrica e vice-versa, portanto, não há razão para conspirar nos banheiros da empresa. Alimentar expectativas em relação a isso é uma forma inquestionável de sofrimento;

6. A maioria dos profissionais que se dizem líderes tem dificuldades em reconhecer o bom trabalho dos seus liderados; portanto, se o reconhecimento não vier como o esperado, pare de reclamar e continue trabalhando;

7. Não existe liderança nata, mas algumas pessoas são favorecidas por características de comando e controle, fruto do meio onde nascem, crescem e se desenvolvem;

8. As empresas são realidades socialmente construídas muito mais nas cabeças e mentes de seus líderes do quem em métodos aprendidos nas escolas; as empresas refletem o pensamento do dono, do diretor, do chefe e assim por diante;

9. A maioria dos líderes não sabe dar nem absorver feedback, primeiro porque não foram preparados para isso, segundo porque tomam o próprio feedback como ofensa pessoal; quem não sabe avaliar, reposicionar e demitir pessoas nunca deve se meter em cargos de liderança;

10. Ao contrário do que afirmava James Hunter, autor de O Monge e o Executivo, liderança não exige perdão, nem humildade, nem altruísmo, nem nada parecido; liderança exige muita disposição para engolir sapos e lidar com gente dissimulada, uma boa dose de hipocrisia corporativa e, principalmente, desprendimento de alguns valores, caso contrário, você pode chegar até o topo, mas não conseguirá se manter nele.

Por fim, lembre-se: não existe fórmula para ser líder. A liderança é um somatório de várias competências raramente encontradas numa única pessoa. Portanto, seja você mesmo, faça o melhor que puder e pratique o senso de justiça. Ter poder não lhe dá o direito de ser cruel nem de brincar com a vida das pessoas.

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Chip faz tetraplégico mover a mão

Publicado no Catraca Livre

Um chip no cérebro de um paciente tetraplégico conseguiu fazê-lo mover a mão. Inventada por cientistas do Instituto Batelle, de Columbus (EUA), o dispositivo usa um bracelete que faz mover os músculos do braço do paciente.

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No experimento, realizado em colaboração com a Universidade do Estado do Ohio, o voluntário Ian Burkhart, 23 anos, conseguiu mover os dedos individualmente e flexionar o punho de sua mão direita.

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Raios solares podem causar vício semelhante ao de drogas, sugere novo estudo

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Publicado em O Globo

A exposição constante a raios ultravioleta (UV) pode provocar efeitos no organismo parecidos com o vício em drogas, o que ajudaria a explicar por que algumas pessoas não deixam de ir à praia ou tomar banhos de sol mesmo diante dos comprovados riscos de desenvolverem câncer de pele. A conclusão é de um experimento realizado com camundongos por pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts e da Escola de Medicina da Universidade de Harvard, nos EUA. Segundo os cientistas, a radiação ultravioleta eleva a concentração de endorfina, o chamado “hormônio do prazer”, na corrente sanguínea, cuja redução, por sua vez, leva a sintomas de abstinência similares aos observados em usuários de opiáceos, como heroína e morfina.

— Nosso estudo identificou um caminho orgânico codificado na pele pelo qual a radiação UV causa a síntese e a liberação de endorfina e produz efeitos parecidos com o de opiáceos, incluindo comportamentos de vício — conta David Fisher, diretor do departamento de dermatologia do Hospital Geral de Massachusetts e principal autor de artigo sobre a descoberta, publicado na edição desta semana do periódico científico “Cell”. — Isso fornece uma potencial explicação para essa busca pelo sol que pode estar por trás do constante aumento na incidência da maioria das formas de câncer de pele.

‘Fico mal-humorada sem praia’

Estudos anteriores, particularmente os envolvendo frequentadores de clínicas de bronzeamento artificial, já tinham revelado pistas sobre esse possível vício. Em um deles, por exemplo, os usuários podiam diferenciar em um teste cego se foram colocados em uma cama de bronzeamento que de fato emitia raios ultravioleta ou se usaram aparelho sem esse tipo de radiação.

Assídua frequentadora das praias cariocas, a advogada Renata Santos Machado não ficou muito surpresa a saber que seu hábito se assemelha ao comportamento de viciados.

— Fico mesmo mal-humorada se não vou à praia por muito tempo — lembra. — Depois de muitos dias nublados e chuvosos como hoje (ontem), qualquer nesga de sol parece que me chama para ir à praia. Além disso, a sensação na pele de estar sob a luz do Sol me é agradável e prazerosa. Ficar bronzeada é só uma consequência. De repente, estou vendo que sou mesmo uma viciada e só não sabia.

No experimento, um grupo de camundongos teve a parte de trás do corpo raspada e, durante seis semanas, recebeu doses diárias de radiação UV equivalentes à exposição de uma pessoa de pele clara a 20 a 30 minutos por volta do meio-dia na Flórida, o suficiente para que ficassem bronzeados mas não tivessem queimaduras. Logo ao fim da primeira semana, porém, o sangue dos animais já mostrava um significativo aumento nos níveis de endorfina, que permaneceram elevados durante todo período da experiência e só recuaram gradualmente quando eles deixaram se ser expostos aos raios ultravioleta. Posteriormente, porém, quando parte desses animais recebeu medicamento que bloqueia a ação de opiáceos, passou a exibir alguns sintomas típicos de abstinência de drogas, como tremores e convulsões.

Segundo Fisher, o mecanismo de recompensa ligado à exposição aos raios ultravioleta na pele provavelmente é uma resposta evolutiva dos mamíferos, já que a radiação é fundamental para que realizem a síntese de vitamina D, mas hoje é prejudicial por estimular comportamentos que aumentam o risco de câncer de pele.

— É possível que um mecanismo natural que reforça comportamentos de busca pela radiação ultravioleta tenha se desenvolvido em certos estágios da evolução dos mamíferos devido à sua contribuição para a síntese da vitamina D, mas tais efeitos comportamentais também trazem riscos de câncer que só agora reconhecemos — diz. — Hoje, porém, fontes alternativas de vitamina D, como suplementos orais baratos, são tanto mais seguros quanto mais eficazes para a manutenção de níveis saudáveis da vitamina no organismo.

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