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‘Show das Poderosas’, de Anitta, ganha versão gospel e bomba nas redes

salma-mendes1Publicado no UOL Música

A cantora gospel Salma Mendes gravou uma versão “cristã” de Show das Poderosas, do fenômeno do funk Anitta, batizada como Culto das Senhoras. A faixa de apenas 1min15, que entrou no ar no último dia 26 até esta sexta-feira (05) havia superado 200 mil visualizações no YouTube.

A paródia diz: “Prepara, que agora é hora do culto das senhoras, que oram e jejuam por horas e horas”. Salma, segundo o portal gospel Gnotícias, disse que a versão é só uma brincadeira: “Esse vídeo não visa ofender, criticar nem a Anitta, nem os cristãos, muito menos as senhoras do culto de oração… É apenas uma paródia que mistura ‘ficção’ com coisas que acontecem no cotidiano”, afirmou.

Veja o vídeo de Culto das Senhoras, versão gospel de Show das Poderosas

Veja o vídeo que a cantora postou para explicar o caso

Você lembra que viu primeiro aqui, neam? :D 

Lobão diz que rótulo universitário “chancela coisas que beiram à demência”

O cantor Lobão participa de mesa sobre música em programação paralela da Flip, em Paraty (foto: Mais Mirella Nascimento/UOL)

O cantor Lobão participa de mesa sobre música em programação paralela da Flip, em Paraty (foto: Mais Mirella Nascimento/UOL)

Mirella Nascimento, no UOL

Conhecido por declarações polêmicas, Lobão disparou críticas ao sertanejo universitário, a MPB, ao rap dos Racionais MC’s e aos intelectuais de esquerda. O cantor participou de uma mesa sobre música na Festa Literária Internacional de Paraty (RJ) na noite desta sexta-feira (5).

“O rótulo universitário chancela coisas que beiram à demência”, disse o músico, depois de relatar uma experiência em uma casa noturna dedicada ao sertanejo em São Paulo, passagem que está presente em seu livro “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”.

Mais adiante, foi a vez da MPB: “O ranço maior da MPB é ser totalmente desprovida de virilidade. É uma coisa molenga. Quanto mais molenga, mais MPB”.

Lobão criticou ainda o rap e elogiou o funk, ao dizer que o primeiro também é carregado de ranço e até racismo, sem o humor e a irreverência do segundo.

“O rap ainda foi apropriado pelos intelectuais de esquerda. Como esse último disco dos Racionais, ‘Marighella’, que fala em luta armada. Eles são patrocinados pelo governo, fazem propaganda do governo. Luta armada contra quem? O rap não tem humor. Quando você perde o humor, fica burro”, disparou.

Lei dos Direitos Autorais

Lobão criticou também a aprovação do PLS 129/12, que altera as regras para cobrança de direitos autorais, aprovada na quarta-feira (3) no Senado, classificando-a como “um golpe”. “Essa lei é um engodo, é um golpe. Posar do lado do Renan Calheiros e da Dilma vai ter volta. Aquilo não representa nossa classe. Temos milhares de músicos contra isso. Vão ser criados cargos comissionados, um Ministério da Cultura inflado”, disse.

O PLS  estabelece que o Ecad passe a ser fiscalizado por um órgão específico e preste satisfações precisas sobre a distribuição dos recursos. O projeto também determina a redução do teto da taxa administrativa cobrada pelo escritório e pelas associações de gestão coletiva de 25% para 15%, garantindo que os autores recebam 85% de tudo o que for arrecadado pelo uso das obras artísticas.

De acordo com ele, o senador Humberto Costa montou o projeto de lei sem consultar nenhum músico. “O governo está nos devendo milhões, e eles vão gerenciar o que é nosso. É colocar a raposa para cuidar do galinheiro. Nós temos muito mais gente que é contra essa lei”, disse ele em entrevista ao UOL.

No entanto, o PLS  foi resultado de CPI realizada em 2012 que investigou supostas irregularidades na arrecadação e distribuição de direitos por execução de músicas por parte do Ecad.

O músico falou ainda que vai incluir um capítulo sobre as manifestações e o momento político atual em uma nova edição de seu livro. “Quando eu lancei o livro, me disseram que a popularidade da Dilma estava boa, e eu respondi que era por pouco tempo”.

A mesa

Lobão dividiu a mesa com o jornalista André Barcinski, que está preparando um livro, ainda sem título, sobre a música pop brasileira no período entre 1974 e 1983, contando histórias de artistas como a banda Secos e Molhados e  o cantor Richie.

“A jovem guarda foi o primeiro movimento pop no Brasil. Mas, nessa época, se vendia muito pouco disco no país, é um período pré-milagre econômico. A explosão do pop, em termos de venda de discos, se dá com a explosão dos Secos e Molhados, do Raul [Seixas]“, disse o jornalista.

Barcinski e Lobão lembraram diferentes épocas da música brasileira, da jovem guarda até hoje, e contaram histórias dos bastidores de festivais, das gravadoras e das disputas entre músicos. Finalizaram a mesa lendo trechos de seus livros.

Crescimento de evangélicos impulsiona despertar da Igreja Católica, diz Damasceno

D.-Raymundo-Damasceno-Assis

Larissa Leiros Baroni, no UOL

Em entrevista exclusiva ao UOL, a poucos dias da chegada do papa Francisco ao Brasil, dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), disse que o crescimento de evangélicos no Brasil e no mundo impulsionou um “despertar” da Igreja Católica, que, na opinião dele, estava “acomodada”.

“Talvez nós tenhamos nos acomodado e pode ser que o crescimento do movimento neopentecostal tenha nos feito acordar, nos despertar para a nossa verdadeira missão”, disse ele, que ressaltou, no entanto, o aumento da qualidade dos católicos. “Os praticantes são muito mais coerentes com suas práticas e praticam sua fé de modo mais convencido. Isso é muito positivo.”

No Brasil, ao mesmo tempo em que o número de evangélicos aumentou 61,45% em 10 anos, a comunidade católica sofreu uma queda de 1,3% no índice de fieis no mesmo período. É o que aponta o último Censo Demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em 2000, cerca de 26,2 milhões se disseram evangélicos. Em 2010, eles passaram a ser 42,3 milhões. Ainda assim o país ainda segue com maioria católica. O número de católicos foi de 123,3 milhões em 2010, cerca de 64,6% da população. No levantamento feito em 2000, eles eram 124,9 milhões, ou 73,6% dos brasileiros.

Ainda assim Damasceno diz que a eleição do papa Francisco trouxe uma esperança para a comunidade brasileira e mundial. “Gerou muita esperança na Igreja Católica, uma expectativa muito positiva. Mas é muito difícil quantificar essa mudança no aumento do número de fiéis. O que a gente percebe ouvindo e vendo é que há uma expectativa positiva, alegre e esperançosa para o seu pontificado”, complementou o presidente da CNBB, que ressalta o acolhido do pontífice, principalmente pela capacidade de atração que o argentino naturalmente tem.

“E isso tem sido comprovado com o aumento de romeiros e visitantes em Roma. O número de peregrinos está aumentando cada vez mais, sobretudo nas audiências públicas de quarta-feira e no Angelus, no domingo. Estão falando em cerca de 200 mil pessoas por semana”. Esse poder de atração é justificado por Damasceno, principalmente por causa de sua simplicidade e a sua informalidade que o aproximam do povo.

Mas o arcebispo brasileiro relaciona a eleição do papa Francisco à reaproximação da Igreja Católica ao sua missão. “A igreja existe para evangelizar. O que significa que a igreja deve cuidar daqueles que a frequentam, que participam da vida das nossas comunidades, mas que também precisa sair ao encontro dos que estão distantes.” Ele, no entanto, afirma que a mudança da postura da comunidade católica nada tem a ver com o crescimento da Igreja Evangélica.

“Não é uma resposta aos evangélicos. Fazemos isso por questão de missão, de objetivo, de finalidade. Muitas vezes nós nos acomodamos e precisamos sair desse comodismo. Isso está muito claro na visão do papa Francisco”, completou dom Damasceno, que garantiu que a Igreja Católica não pretende discriminar ninguém, apesar de não concordar com certos comportamentos da atualidade, tais como o casamento gay, a eutanásia e o divórcio.

A igreja, como ele apontou, não discrimina pessoas, “mas não pode concordar com certas posições que se opõe ao seu ensinamento ético”. “Não podemos equiparar um casamento com duas pessoas do mesmo sexo com outro entre um homem e uma mulher. Não é mesma coisa. Com todo respeito aos que optam por esse caminho. A igreja também não pode aprovar a eutanásia, porque a vida é um dom de Deus. A igreja não pode aprovar o divorcio e não pode dizer que o divorcio é um caminho normal, embora respeite quem fez essa opção”, exemplifica.

Mesmo assim quase metade dos casais homossexuais brasileiros (47,4%) se autodeclaram católicos, segundo dados do Censo Demográfico 2010 divulgados pelo IBGE.

Josias de Souza: Quando a opinião pública já se orgulhava, veio o “Bolsa FAB”

Josias de Souza, no UOLrenanRezaSLim

Quando Renan Calheiros informou no plenário, diante dos olhos da TV Senado, que havia montado uma agenda positiva porque estava preocupado com a Opinião Pública, a própria Opinião Pública estranhou: “Preocupado com o quê?!?”

Impressionado com o ronco do asfalto, Renan reunira os líderes. Formara-se entre eles um consenso de que era preciso corresponder aos anseios da Opinião Pública. E a Opinião Pública: “Os seios de quem?!?”

É compreensível que a Opinião Pública tenha reagido mal. Ela jamais suspeitou que tivesse tanto prestígio no Senado. A Opinião Pública se perguntava, atônita: “Que mumunhas os senadores deixaram de fazer por que estavam preocupados com meus seios, digo, anseios?”

Ainda outro dia a Opinião Pública enviara ao Senado 1,6 milhões de assinaturas contra a volta de Renan à presidência da Casa. Mas Ela não estranhou quando os senadores deram de ombros para sua iniciativa. Estranho mesmo era esse prestígio tardio!

Meio sem jeito, com um pé atrás, a Opinião Pública começou a observar os senadores. Esqueceram as festas juninas. Trabalharam no dia do jogo da seleção brasileira. Tornaram a corrupção crime hediondo. Destinaram a grana dos royalties para educação e saúde, engatilharam o fim do voto secreto… E a Câmara dançava no mesmo ritmo. Hummm!!! Será?!?

Quando a Opinião Pública começava a se orgulhar da sua nova importância, sobrevieram as notícias sobre o programa Bolsa FAB. O presidente da Câmara viajando com a família para ver a final da Copa das Confederações, no Rio. O do Senado voando com a mulher para o casamento da filha de um colega, na Bahia.

Henrique Eduardo Alves ainda esboçou um gesto de contrição. Pagou preço de voo de carreira por serviço de táxi aéreo. Mas Renan não se arrepente de nada. Fará tudo de novo. Disse ter ido ao casamento como presidente do Senado. E o presidente do Senado, a Opinião Pública deveria saber, tem direito “a transporte de representação”. Que diabos, “é um chefe de Poder.”

A Opinião Pública murchou na poltrona. Ela começava a desconfiar que sua nova importância tomava o caminho do beleléu. Teve certeza quando ouviu Renan sustentar que a FAB  não pode dizer isso ou aquilo. ”Nós é que temos o que dizer para a FAB. O transporte é em função da chefia do poder, da representação. A lei não diz que [o compromisso] tem que estar na agenda, não. Isso não é pré-condição para estar dentro da lei.”

A Opinião Pública, que estava muito preocupada, resolveu relaxar. No final de semana, vai ligar o computador na tomada e conectar-se ao Facebook. Começou a planejar a próxima passeata. Já idealizou uma faixa. Nada de ‘Fora Renan.’ Inspirada no Bolsa FAB, a Opinião Pública pensou numa coisa mais elaborada. Algo assim: “Me bate, me joga contra a parede, me arranca tudo à força, e depois me chama de contribuinte!” Não fez bem à Opinião Pública saber que o Renan anda reparando nos seus “anseios”.

Igrejas evangélicas disputam imigrantes haitianos em Rondônia

Quem conduz os cultos em creole na Assembleia de Deus de Porto Velho é o haitiano Pierrelus Pierre (foto). Antes de migrar para o Brasil, ele já era pastor da igreja na República Dominicana. "Vim para o Brasil para trabalhar, só que quando cheguei aqui a história mudou" (foto: João Fellet/BBC Brasil)

Quem conduz os cultos em creole na Assembleia de Deus de Porto Velho é o haitiano Pierrelus Pierre (foto). Antes de migrar para o Brasil, ele já era pastor da igreja na República Dominicana. “Vim para o Brasil para trabalhar, só que quando cheguei aqui a história mudou” (foto: João Fellet/BBC Brasil)

Publicado por BBC [via UOL]

Num templo da Assembleia de Deus no centro de Porto Velho, ao menos cem fiéis cantam em coro, ouvem pregações e oram em conjunto. Ao longo das três horas de cerimônia, não se ouve uma única palavra em português. Todos ali são haitianos.

Atraídos por empregos nas hidrelétricas do rio Madeira, desde 2011 ao menos 3.000 imigrantes do país caribenho se mudaram para a capital de Rondônia, segundo o governo local. E no Estado com o maior percentual de evangélicos do país (33,8%, ante 22,2% da média brasileira), algumas igrejas travam uma disputa por suas “almas”.

A Assembleia de Deus foi a primeira na cidade a erguer um templo só para o grupo. A maioria dos fiéis passou a frequentá-la após se mudar para Porto Velho, seduzida pelos cultos em creole, a língua mais falada do Haiti.

Quem conduz as cerimônias é o haitiano Pierrelus Pierre. Antes de migrar para o Brasil, ele já era pastor da Assembleia de Deus na República Dominicana. “Vim para o Brasil para trabalhar, só que quando cheguei aqui a história mudou”, ele diz à BBC Brasil.

Poucas semanas após mudar-se para Porto Velho, Pierre conheceu o líder da Assembleia de Deus na cidade, o pastor Joel Holden. O pastor o convidou, então, a assumir a pregação a seus compatriotas na igreja que viria a ser erguida para o grupo.

A estratégia surtiu efeito: desde a inauguração do edifício, há dois anos, os cultos estão sempre cheios.

“Já fui a igrejas brasileiras que são muito legais, muito bacanas. Mas aqui na igreja haitiana a gente se sente em casa”, diz o operário Gildrin Denis, de 25 anos.

Denis afirma que, no Haiti, frequentava uma igreja pentecostal que não existe no Brasil e que se converteu à Assembleia de Deus “para manter o padrão”. “Tenho dezenas e dezenas de amigos haitianos em Porto Velho e todos eu vejo aqui na igreja, fizemos amizade aqui.”

Supervisor da Congregação Haitiana da Assembleia de Deus na cidade, o pastor brasileiro Evanildo Ferreira da Silva diz que a igreja já converteu ao menos cem imigrantes. Ao serem batizados, eles recebem uma carteirinha com foto e dados pessoais.

Silva acompanha os cultos em silêncio, sentado no palco. Ele só se levanta para as músicas, que ocupam boa parte da cerimônia e são comandadas por baterista, baixista e guitarrista haitianos.

Um assistente, também brasileiro, é encarregado de coletar o dízimo. O pastor diz, no entanto, que os haitianos “estão com dificuldade de fazer essa parte aí”. “Estamos tentando adaptá-los a essa cultura nossa, de contribuição, até porque a igreja precisa pagar luz, telefone, ar-condicionado.”

Paralelamente, afirma Silva, há um trabalho para fazê-los abandonar as tradições do vodu, culto levado ao Haiti por africanos escravizados. “Eles chegam com uma cultura africana, de candomblé, mas na igreja são doutrinados a abandonar essas práticas.”

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