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Papa Francisco: ‘sou feliz porque não sou desempregado’

Em conversa com jovens belgas, pontífice disse, ainda, ter muita paz interior

Pontífice recebeu jovens em encontro informal (foto: AP / Gregorio Borgia)

Pontífice recebeu jovens em encontro informal (foto: AP / Gregorio Borgia)

Publicado em O Globo

O papa Francisco disse, durante uma entrevista informal divulgada neste sábado (5), que está feliz pelo fato de “ter um trabalho” e por ser alguém com “paz interior”, sentimento que, segundo ele, vem com a idade. A conversa informal aconteceu no início da semana, entre o religioso e jovens belgas, e acabou sendo divulgada pelo Vaticano.

Na entrevista Francisco foi questionado por um de seus interlocutores se estaria feliz. O pontífice respondeu positivamente e ainda afirmou que se sentia assim, possivelmente, porque “eu tenho um trabalho, eu não sou desempregado”.

Francisco afirmou aos jovens, também, que sua felicidade não é a mesma coisa que os jovens sentem. Ele diz que aos 77 anos, é possuidor de “uma certa paz interior, uma grande paz, uma felicidade que vem bem com a idade.” Em tom pastoral, disse ainda que encontrou seu caminho na vida e que este caminho é o que lhe faz feliz.

Os jovens belgas ainda quiseram tirar uma curiosidade sobre como o Papa Francisco faz suas orações. “Sentado, porque sinto dor se me ajoelhar”.

ONU pede que Vaticano entregue às autoridades envolvidos em abusos

O embaixador do Vaticano na ONU, monsenhor Silvano Tomasi, à esquerda, fala com o ex-responsável por investigar abusos na Igreja Charles Scicluna, antes do início dos questionamentos, em 16 de janeiro, na Suíça (Foto: Fabrice Coffrini/AFP)

O embaixador do Vaticano na ONU, monsenhor Silvano Tomasi, à esquerda, fala com o ex-responsável por investigar abusos na Igreja Charles Scicluna, antes do início dos questionamentos, em 16 de janeiro, na Suíça (Foto: Fabrice Coffrini/AFP)

Publicado no G1

A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu nesta quarta-feira (5) que o Vaticano “afaste imediatamente” de seus cargos todos os clérigos responsáveis ou suspeitos de abuso de crianças, e os denuncie às autoridades civis, em um relatório sem precedentes feito sobre pedofilia na Igreja Católica.

O Comitê da ONU para os Direitos da Infância (CRC, na sigla em inglês) disse que a Santa Sé também deve entregar seus arquivos sobre abusos sexuais a dezenas de milhares de crianças para que os culpados e as pessoas ligadas aos crimes possam ser responsabilizados.

“O comitê está gravemente preocupado pelo fato de que a Santa Sé não percebeu a extensão dos crimes cometidos, não tomou as medidas necessárias para lidar com casos de abuso sexual infantil nem para proteger essas crianças, e adotou políticas e práticas que levaram à continuidade dos abusos e à impunidade dos perpetradores [criminosos]“, diz o documento.

O Vaticano disse nesta quarta que enfrenta os casos de pedofilia na Igreja Católica com uma ”exigência de transparência”, e a prova disso é que, nos próximos dias ou semanas, irá explicar o funcionamento da comissão criada para preveni-los.

O comitê da ONU acrescentou que a Igreja Católica ainda não tomou as medidas para evitar a repetição de casos como o escândalo das lavanderias da Irlanda, em que meninas foram colocadas arbitrariamente em condições de trabalho forçado, entre 1922 e 1996.

O órgão pediu uma investigação interna sobre o caso e situações semelhantes, para que os responsáveis possam ser processados e uma “compensação total” seja paga às vítimas e às suas famílias.

Uma comissão criada em dezembro de 2013 pelo Papa Francisco deveria investigar todos os casos de abuso sexual infantil, “assim como a conduta da hierarquia católica ao lidar com eles”, aponta o texto da ONU.

Nos últimos anos, integrantes do clero envolvidos em abuso foram transferidos de paróquia a paróquia em seus países, “em uma tentativa de acobertar tais crimes”, acrescenta o relatório.

“A prática da mobilidade dos criminosos, que tem permitido a muitos sacerdotes permanecer em contato com crianças e seguir abusando delas, continua expondo menores de muitos países a um alto risco de sofrer abusos sexuais”, afirma o relatório.

“Devido ao código de silêncio imposto a todos os membros do clero, sob pena de excomunhão [expulsão da Igreja], casos de abuso sexual infantil dificilmente foram relatados às autoridades policiais nos países onde tais crimes ocorreram”, diz o documento.

O Vaticano viola a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança ao não fazer o suficiente para erradicar os casos de pedofilia na Igreja, afirmou também nesta quarta a presidente do comitê.

“A resposta é sim, até agora tem violado a Convenção, porque não tem feito tudo o que deveriam para acabar com este problema”, disse Kirsten Sandberg.

Sessão pública
Em uma sessão pública realizada no mês passado em Genebra, na Suíça, o comitê da ONU pressionou representantes do Vaticano a revelar o alcance dos casos de pedofilia nas últimas décadas dentro da Igreja.

Na ocasião, a delegação da Santa Sé respondeu a perguntas de 18 integrantes de diversas nacionalidades – pela primeira vez desde que o escândalo surgiu, há mais de duas décadas – e negou as acusações de que o Vaticano tenha acobertado os casos. Além disso, declarou que foram criadas diretrizes claras para proteger as crianças.

O Papa Francisco afirmou, à época, que os casos são motivo de “vergonha” para a Igreja.

ONU acusa Vaticano de ‘sistema de ocultação’ de abusos contra crianças

Publicado no Estadão

Organização das Nações Unidas (ONU) acusa o Vaticano de manter um “sistema de ocultação” de crimes sexuais contra crianças, de não colaborar com a Justiça e pede que a Santa Fé revele qual a dimensão dos casos envolvendo padres pelo mundo. Nesta quinta-feira, 16, o papado de Francisco enfrenta seu primeiro grande teste internacional, ao ser examinado pelo Comitê de Direitos da Criança das Nações Unidas sobre o que tem feito para proteger menores contra abusos sexuais.

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O Vaticano admitiu a existência de abusos sexuais cometidos pelo clero contra crianças e alertou que os crimes “não podem ser ignorados por outras prioridades ou interesses”. Mas os relatores querem mais transparência por parte do Vaticano. Sara Oviedo Fierro, relatora da ONU, foi uma das que lideraram o questionamento. Segundo ela, a Igreja mantém 200 mil escolas pelo mundo, com 50 milhões de alunos.

“O que tem sido implementado de fato? Quantas pessoas foram consideradas culpadas? Quantos padres foram entregues para a Justiça?”, questionou.

Sara Fierro apontou que sanções adotadas pelo Vaticano são vistas como não sendo da mesma magnitude do crime e que o “interesse do clero parece ser mais importante do que o interesse da criança”. “Existe um sistema de ocultação dos crimes”, afirmou.

A relatora ainda acusa o Vaticano de não estar divulgando os números reais do problema. “Vocês estão dispostos a expor a dimensão do problema ao mundo? Vocês sabem o número de casos. Por que não difundir?”

Já Silvano Tomasi, núncio do Vaticano na ONU, nega que o Vaticano esteja escondendo dados. Segundo ele, desde 2006, a Santa Sé publica o número de casos de abusos sexuais que chegaram até a Igreja. “Em 2012, temos informação sobre 612 casos de abusos sexuais, dos quais 418 deles envolvem crianças”, declarou. O Vaticano, porém, admite que não tem e não publica o número final de casos de pessoas que tenham sido punidas ou colocadas na prisão. “O processo não é público”, declarou.

Entre 2006 e 2012, o Vaticano confirma que recebeu mais de 3 mil casos de abusos sexuais cometidos pelo clero. Mas não informa quantos foram punidos e nem se os responsáveis foram impedidos de praticar suas missões religiosas.

Para Kirsten Sandberg, presidente do Comitê da ONU, a falta de punição no Vaticano impera. “A maioria dos padres tem se beneficiado da impunidade”, acusou. “As leis canônicas impõe o silêncio sobre as vítimas e existem inúmeros casos nos quais a Santa Sé se recusou a colaborar com a Justiça local”, completou.

Ativista e vítima de abusos sexuais, Miguel Hurtado também contestou a avaliação do Vaticano: “Os dados estão escondidos. O Vaticano concentra todos esses dados. Publicá-los seria uma forma de prevenir novos casos.”

Silvano Tomasi alagou que a Santa Sé tem modificado suas leis e, nos últimos meses, abriu um processo contra um funcionário por abusos sexuais contra crianças fora do território da Cidade do Vaticano. “Não há desculpas. Esses crimes não têm justificativa nas estruturas da Igreja”, insistiu.

OMS. Usando dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o núncio do Vaticano indicou que 150 milhões de meninas pelo mundo são alvo de abusos sexuais em diferentes instâncias da sociedade, além de 73 milhões de garotos, numa tentativa de mostrar que o problema não é apenas da Igreja. Tomasi pediu que a ONU faça sugestões para “ajudar” na luta contra o problema e garantiu que novas medidas estão sendo tomadas.

“Os abusos são cometidos pelo clero e outros funcionários da Igreja. Isso é muito sério, porque estão em posição de confiança e devem proteger a criança”, disse. “Essa relação é de confiança e por isso é crítica”, acrescentou.

O Vaticano aderiu ao tratado que protege menores em 1990 e, em 1994, apresentou uma série de informações para a ONU. Mas passou a permanecer em silêncio até que, em 2012, voltou a dar satisfações para a entidade.

A ONU pediu agora que o Vaticano entregue detalhes de todos os casos conhecidos de abusos sexuais contra crianças. O número estimado seria de 4 mil. Mas a Santa Sé aponta que é responsável pela implementação do tratado de proteção a menores apenas dentro do seu território, a Cidade do Vaticano, onde vivem 31 crianças.

Casos relatados de abusos sexuais para a Santa Sé:

2006 – 362 casos

2007 – 365 casos

2008 – 224 casos (191 deles contra menores)

2009 – 223 casos

2010 – 643 casos

2011 – 599 casos (404 contra menores)

2012 – 612 casos (418 contra menores)


Total: 3.029

Vaticano erra e chama Jesus de ‘Lesus’ em medalha comemorativa

Publicado no UOL

Divulgação/Instituto Poligráfico e Zecca do Estado

Divulgação/Instituto Poligráfico e Zecca do Estado

Uma coleção de medalhas oficiais do primeiro ano de pontificado do papa Francisco teve a distribuição suspensa pelo Vaticano por trazer escrito a palavra “Lesus” em vez de “Jesus”.

As medalhas tinham sido fabricadas de ouro, prata e bronze pelo Instituto Poligráfico e Zecca do Estado italiano e estavam em circulação desde o último dia 8 de outubro, dentro de entidades como a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (Apsa) e a Livraria Editora Vaticana.

A coleção foi confeccionada pela artista Mariangela Crisciotti e trazia a imagem de Jorge Mario Bergoglio, com a inscrição “Franciscus Pont. Max.An.I”.

No entanto, no verso da moeda, o erro aparece na inscrição em latim “Vidit ergo Lesus publicanum et quia miserando atque aligendo vidit, ait illi sequere me”.

O Instituto Poligráfico afirmou não ser o responsável pelo erro e disse que recebeu o material original do Vaticano.

“Quando é um projeto nosso, verificamos tudo. Mas, nesse caso, o projeto chegou pronto e nós o pegamos e fabricamos”, explicou a instituição à agência Ansa.

O papa Francisco foi eleito no último dia 13 de março, após a renúncia do papa emérito Bento 16. (Com Ansa)

dica do Walter Mendes

Papa: ‘A Corte é a lepra do papado’

Francisco afirma que o principal defeito da Cúria é se centrar somente no Vaticano
Pontífice se reúne com G-8 de cardeais para tratar das reformas na Igreja

Papa Francisco se reúne com oito cardeais para tratar da reforma na Igreja (foto: HO / AFP)

Papa Francisco se reúne com oito cardeais para tratar da reforma na Igreja (foto: HO / AFP)

Publicado em O Globo

VATICANO – No dia em que o conselho de oito cardeais em Roma começa a tratar das reformas na Igreja, o jornal italiano “La Repubblica” publicou nesta terça-feira uma entrevista exclusiva de seu fundador, Eugenio Scalfari, com o Papa Francisco. Como de costume, o argentino Jorge Mario Bergoglio disse o que pensa, com simplicidade e espontaneidade, surpreendendo até mesmo o jornalista, declaradamente ateu. O Pontífice voltou a fazer duras críticas à gestão da Igreja, classificando-a de “Vaticano-cêntrica”, e disse que fará de tudo para mudá-la.

Em uma parte da entrevista, que ocupa as três primeiras páginas do diário, Francisco disse que os mais afetados pelo narcisismo, o que ele chamou de uma “desordem natural”, são pessoas que têm muito poder, incluindo líderes da Igreja.

- Você sabe o que eu penso sobre isso? Os líderes da Igreja têm sido muitas vezes narcisistas, bajulados por seus cortesãos. A Corte é a lepra do papado – afirmou.

Perguntado se estava se referindo à Cúria, o Papa explicou que apesar de a Cúria (governo da Igreja) não ser propriamente uma corte, existem “cortesãos”.

- Não, na Cúria há alguns cortesãos, mas a Cúria como um todo é outra coisa. Gerencia os serviços necessários à Santa Sé. Mas tem um defeito: é Vaticano-cêntrica. Cuida dos interesses do Vaticano, que ainda são em grande parte interesses temporários. Essa visão esquece do mundo que nos rodeia. Não compartilho dessa visão e farei de tudo para mudá-la.

Sobre o conselho de cardeais, o chamado G-8 do Vaticano, Francisco advertiu que não se trata de cortesãos, mas de pessoas sábias e encorajadas com os mesmos objetivos. O Pontífice declarou-se consciente das dificuldades, mas convencido de que deve-se seguir em frente, com “prudência, firmeza e tenacidade”.

- Este é o começo de uma Igreja com uma organização não tão vertical, mas também horizontal.

O encontro entre o Papa e o jornalista ocorreu na última terça-feira, na residência Santa Marta, depois de os dois terem trocado cartas públicas sobre crença. A entrevista inicia-se com uma das principais preocupações de Francisco, já reveladas durante a viagem ao Rio: jovens e idosos.

- Os males mais graves que afligem o mundo nos últimos anos são a falta de trabalho para os jovens e a solidão dos idosos. Os idosos têm necessidade de cuidados e de companhia. Os jovens, de trabalho e de esperança, mas não têm nem um nem outro, e o problema é que já não buscam mais. Estão presos no presente. Você pode viver preso no presente? Sem memória do passado e sem o desejo de projetar um futuro construindo um projeto, uma família? – questionou.

Ele insistiu em sua intenção de abrir os braços da Igreja:

- Todo mundo tem sua ideia do bem e do mal e deve optar por seguir o bem e combater o mal a partir de sua compreensão. Isso seria o suficiente para melhorar o mundo.

O Papa também revelou que depois de ter sido eleito líder da Igreja Católica em março, considerou por alguns instantes a possibilidade de rejeitar o posto.

- Antes de aceitar, perguntei se poderia retirar-me por alguns minutos para um quarto anexo ao da varanda sobre a praça. Senti muita ansiedade – disse. – Fechei os olhos e todos os pensamentos desapareceram. Inclusive o de rejeitar a designação. Em algum momento, uma grande luz me preencheu. Durou um momento, mas pareceu muito tempo.

Eugenio Scalfari termina a entrevista dizendo que “se a Igreja torna-se aquela que ele (Francisco) quer e imagina, ele terá mudado uma época”.

dica do Ailsom Heringer