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O Vaticano também faz download pirata – incluindo pornografia

Por Ana Freitas, no Galileu

vatican2.png1_O site Torrent Freak resolveu analisar os downloads do Vaticano. O resultado mostra quais são os filmes e programas de TV favoritos das cerca de 800 pessoas que vivem no menos país do mundo. Dessas 800, mais de 700 são conectados à Igreja Católica: são cardeais, diplomatas da Santa Sé e membros da Guarda Suíça, de acordo com o site oficial do Vaticano.

vatican2Além de dramas como Touch e The Americans, a lista que o Torrent Freak compilou também inclui pornografia:

Em nome da ciência, pesquisamos cada um dos títulos baixados – inclusive o arquivo curioso nomeado como RS77_Episode 01) e descobrimos que os moradores do Vaticano tem um ou dois interesses bem específicos. Não vamos linkar nossas descobertas aqui, mas fique à vontade para fazer sua própria pesquisa usando os títulos do print ali em cima. Não há um mandamento que proíba esses filmes diretamente, mas tem gente que diz que deveria haver.

O Torrent Freak não encontrou um padre disposto a comentar os resultados e aparentemente o Papa está “ocupado” hoje. No domingo?

Quer saber do que se trata o RS77Episode 01? A descrição do arquivo em alguns sites de torent diz que é um filme sobre “duas jovens que são raptadas e se divertem em um clube sado-masoquista”. Então a onda de 50 Tons de Cinza também tomou conta do Vaticano.

A faxina do papa Francisco

As tramas e os interesses materiais da Cúria são chinfrins. Superfaturaram até um presépio da praça de São Pedro. Estendem-se sobre obras, eventos, verbas hospitalares, orçamentos de escolas, viagens, mordomias e proteções. 

D. Cláudio (à dir.) durante apresentação do papa Francisco, no Vaticano foto: Valdrin Xhemaj/Efe

Foto: Valdrin Xhemaj/Efe

Escrito por Elio Gaspari na Folha de São Paulo.

O papa Francisco assumiu três reinados. Um, espiritual, alcança 1,2 bilhão de pessoas. Outro relaciona-se com a estrutura mundial da Igreja, com cerca de 3.000 bispos e um milhão de padres e religiosas. Finalmente, vem o Vaticano, com a Cúria Romana.

Certa vez perguntaram a João 23 quantas pessoas trabalhavam na Cúria, e ele disse: “A metade”. São 3.000 pessoas, respondendo a uma dezena de cardeais e a centenas de monsenhores. Apesar da pompa e da fama, a receita da Cúria Romana (cerca de R$ 700 milhões) é menor que a da Prefeitura de Nova Iguaçu (R$ 1,1 bilhão). Ela tem um braço financeiro no Banco do Vaticano, cujo ativo (R$ 16 bilhões) o coloca como um tamborete diante do Itaú (R$ 1 trilhão). Sua força está no poder que irradia.

Os papas mantêm imperial distância em relação a esses negócios, delegando-os a colaboradores próximos. Ao tempo de João Paulo 2º, o monsenhor poderoso na Cúria era seu secretário, Stanislaw Dziwisz, atual arcebispo de Cracóvia. Com Bento 16, veio o monsenhor Georg Gänswein, apelidado de “George Clooney do Vaticano”. Em torno do papa circulam questões espirituais e iniciativas diplomáticas, mas frequentemente ele se vê atropelado por roubalheiras e intrigas municipais numa corte onde o poder dos cardeais vem de conexões típicas da política italiana, a do “bunga-bunga” Berlusconi.

Pela essência espiritual da Igreja Católica e pelo caráter absolutista de sua monarquia, tudo o que acontece no mundo acaba naquilo que se costuma considerar a “crise da Igreja”. Se o arcebispo de Boston ou o de alguma diocese brasileira protegia pedófilos, o malfeito vai para a conta dessa crise.

Se o contínuo do prefeito de Nova Iguaçu furtar papéis de sua mesa, isso talvez não chegue a ser notícia nem sequer nos jornais do Rio de Janeiro. Quando o mordomo de Bento 16 varejou sua mesa, o que apareceu de mais estarrecedor foram as queixas do monsenhor Carlo Maria Viganó, secretário-geral da administração da Santa Sé. Por trás da campanha contra o padre estava o dedo do secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone. Pela qualidade e pelo montante envolvido, a irregularidade era um amendoim se comparada ao escândalo dos Legionários de Cristo do padre Marcial Maciel, quindim da plutocracia mexicana e de cardeais sobre os quais aspergia doações, um pedófilo promíscuo, que deixou seis filhos. Sua punição por Bento 16 foi severa, mas poderia também ter sido exemplar se tivesse exposto o exemplo, expondo suas relações em Roma. Bolas como essa estão quicando para o papa Francisco chutar.

Os cardeais italianos que vivem na política da Santa Sé são constrangedoramente municipais. Angelo Sodano, o poderoso secretário de Estado de João Paulo 2º, levou um ano para desocupar o gabinete quando Bento 16 substituiu-o por Bertone, que, por sua vez não fazia seu serviço. Os chefes da segurança do pontífice movem-se com um desembaraço sem similar nas democracias europeias.

As tramas e os interesses materiais da Cúria são chinfrins. Superfaturaram até um presépio da praça de São Pedro. Estendem-se sobre obras, eventos, verbas hospitalares, orçamentos de escolas, viagens, mordomias e proteções. Para limpar Roma, basta jogar detergente.

 

O filho de Franciscos

Os sapatos do papa Francisco são vistos enquanto ele participa de conferência com os mais de 5.000 jornalistas que estiveram no Vaticano cobrindo a escolha do novo pontífice. Tradicionalmente, os sapatos do líder da Igreja Católica são vermelhos, mas o novo papa resolveu usar sapatos pretos e de cadarço (foto: Max Rossi/Reuters)

Os sapatos do papa Francisco são vistos enquanto ele participa de conferência com os mais de 5.000 jornalistas que estiveram no Vaticano cobrindo a escolha do novo pontífice. Tradicionalmente, os sapatos do líder da Igreja Católica são vermelhos, mas o novo papa resolveu usar sapatos pretos e de cadarço (foto: Max Rossi/Reuters)

Frei Betto, no UOL

Temos um novo papa com o nome de dois Franciscos: o de Assis (1182-1226) e o Xavier (1506-1552), este jesuíta como ele. Papa que, ao se apresentar ao mundo, da sacada do Vaticano, dispensou as vestes pontificais e pediu aos fiéis que rezassem por ele.

É significativo que dom Cláudio Hummes, cardeal brasileiro, tenha aparecido ao seu lado no momento em que se apresentou. Agora sabemos que foi um convite do próprio eleito. Dom Cláudio se sentou ao lado do cardeal Bergoglio durante o conclave. E foi o principal articulador de sua eleição. Não me surpreendeu saber que o nome de Francisco foi sugerido pelo ex-bispo do ABC paulista, pois dom Cláudio é franciscano e, no início da década de 1980, defendeu os metalúrgicos em greve liderados por Lula.

O nome de um papa revela um programa. No caso de Francisco, vários fatores são relevantes. São Francisco de Assis é o santo que, filho de Bernardone, pioneiro do capitalismo, criticou o novo sistema produtivo que gerava miséria. Até então a pobreza na Europa Ocidental decorria de guerras e pestes. Todos tinham ao menos uma gleba de terra para cultivar seus alimentos e criar uns poucos animais que garantissem seu sustento.

Graças à sua manufatura, Bernardone levou à falência inúmeros artesãos que produziam tecidos. As tinturas eram importadas da França. Tamanha a sua admiração pela nação que exercia hegemonia sobre a Europa Ocidental que batizou o filho com o nome de Francesco –aquele que vem da França.

Ao despir-se na praça de Assis, Francisco rejeitou o processo produtivo inaugurado por seu pai e fez opção pelas vítimas, os pobres. São Francisco é também o padroeiro da ecologia, amigo dos animais e enamorado do sol e da lua, aos quais dedicou cânticos.

Ao entrar na capelinha de São Damião, em Assis, o jovem Francisco escutou Jesus pedir-lhe que reconstruísse a igreja. Com seus amigos, Francisco se dispôs a restaurar a igreja da Porciúncula (hoje dentro da catedral de Assis) que estava em ruínas. Até que se deu conta de que a voz divina lhe fazia um apelo mais abrangente: tratava-se de reformar a Igreja Católica, o que o levou a fundar a Ordem dos Franciscanos.

Bergoglio é jesuíta. E nos primórdios dessa Ordem religiosa se destaca São Francisco Xavier, que evangelizou indianos e japoneses. Com certeza o novo papa, ao adotar o nome de Francisco, pensou no que significam para a Igreja os exemplos dos dois Franciscos.

A notícia de que Bergoglio, quando padre e bispo, teria sido cúmplice da ditadura argentina (1976-1983) não procede, segundo afirmação de Adolfo Perez Esquivel, prêmio Nobel da Paz, em quem confio. Bem comparando, Bergoglio não teve uma atuação profética como tiveram, sob a ditadura no Brasil, dom Paulo Evaristo Arns, dom Hélder Camara e dom Pedro Casaldáliga. Esteve mais próximo da atuação de dom Eugênio Sales, que preferiu agir nos bastidores em defesa dos perseguidos.

Um detalhe merece atenção. Karol Woityla, cardeal da Polônia, foi eleito papa no momento em que a Guerra Fria esquentava e Reagan desempenhava forte ofensiva ao socialismo no Leste Europeu. O pontificado de João Paulo 2º foi marcado pela queda do Muro de Berlim.

Nessa atual conjuntura em que governos populares e progressistas se disseminam pela América do Sul –Kirchner, Maduro, Dilma, Mujica, Morales, Correa– e Raúl Castro, de Cuba, preside a CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), verá a Casa Branca no novo papa um aliado para recuperar sua hegemonia sobre o Sul de nosso continente?

*Carlos Alberto Libânio Christo, 68, o Frei Betto, é frade dominicano, escritor, educador, teólogo e assessor de movimentos sociais. Foi coordenador de mobilização social do programa Fome Zero, do governo federal, durante parte do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, é autor do romance “Minas do Ouro” (Rocco), entre outros livros.

Agora que Deus é brasileiro e papa argentino, Dilma requisita a entrada do Vaticano no Mercosul

papa

Duda d’Paiva e Vinícius Antunes, impagavelmente no Sensacionalista

Dilma foi a única brasileira que não é humorista e comemorou a eleição do papa argentino.  Segundo ela, este é um bom momento para a América Latina, principalmente para o Mercosul e com o fato de Deus ser brasileiro e o papa argentino, já está pedindo a aceitação do Vaticano na mercado comum.

Segundo Dilma, a entrada do Vaticano será muito importante, principalmente no comércio do almas. Mas ela já disse que se nega a exportar crianças para o exterior. A presidenta já colocou a empresa Vale a disposição para minerar todo o ouro do Vaticano, mas ainda não recebeu o aceite. Já o Vaticano disse que parar entrar Dilma terá que frear o crescimento das igrejas evangélicas em nosso país.