Jovens não temem a aids — e se deixam contaminar, diz pesquisa

DESCUIDO - Portador do HIV, o bailarino Rafael Bolacha diz que, nas poucas vezes em que fez sexo sem proteção, estava sob o efeito do álcool ou tinha certeza de que o parceiro não oferecia risco (foto: Luiz Maximiano/VEJA)
DESCUIDO - Portador do HIV, o bailarino Rafael Bolacha diz que, nas poucas vezes em que fez sexo sem proteção, estava sob o efeito do álcool ou tinha certeza de que o parceiro não oferecia risco (foto: Luiz Maximiano/VEJA)

Natalia Cuminale, na Veja on-line

Aos 25 anos, o ator e bailarino Rafael Bolacha viu sua vida mudar radicalmente. Sem alterar os hábitos alimentares nem a rotina de atividade física, em apenas três semanas ele perdeu 5 quilos. Preocupado, procurou um médico. Entre os exames pedidos, o de HIV. Alguns dias depois, veio o resultado positivo para o vírus causador da aids. Foi um baque. “Raramente fazia sexo sem proteção”, lembra. As poucas vezes em que Bolacha diz ter se exposto ao perigo foram por confiar no parceiro ou por estar sob o efeito do álcool. Hoje, aos 30 anos, o bailarino se dedica a conscientizar outros jovens sobre os riscos do HIV. Em breve, adaptará um livro de sua autoria, Uma Vida Positiva, para os palcos, em São Paulo. “Os jovens de hoje acham que estão imunes à contaminação”, diz. “E, se contraírem o vírus, acreditam que é só tomar os remédios que poderão levar uma vida normal.” Não é assim. Para manter o HIV sob controle, Bolacha toma seis comprimidos por dia. Não é fácil. O bailarino convive com crises diárias e severas de diarreia.

Bolacha não é exceção. A imensa maioria dos brasileiros sabe como o vírus é transmitido e como se proteger, mas muita gente ainda dispensa o uso do preservativo e não tem o costume de fazer o teste de HIV. Esse é o resultado de um levantamento conduzido pelo Departamento de Pesquisa e Inteligência de Mercado da Editora Abril, que edita VEJA. Parte integrante do projeto Atitude Abril – Aids, campanha institucional do Grupo Abril para a conscientização sobre a doença, o trabalho ouviu, via internet, em todo o Brasil, 15 002 homens e mulheres acima de 16 anos — 20% deles se declararam virgens e 5%, portadores do HIV. Dos sexualmente ativos, 11% têm relações desprotegidas e, deles, 33% não procuram investigar se carregam ou não o vírus. Outros levantamentos nacionais indicam números ainda maiores de displicência. Pelo menos metade dos brasileiros nunca ou raramente se protege durante o sexo. Deles, um em cada dois nunca fez o teste. Diz o infectologista Artur Timerman, uma das maiores autoridades brasileiras em aids: “Ter informação sobre determinada doença é diferente de ter consciência sobre ela. As pessoas sabem que é importante usar camisinha, mas ainda não introjetaram essa informação”.

Atualmente 720 000 brasileiros estão infectados pelo HIV. Desses, um em cada cinco não sabe que está contaminado. Da pesquisa Atitude Abril – Aids emergiram três perfis de risco — os jovens de 16 a 24 anos; os homens acima de 50 anos; e as mulheres com mais de 30 anos. A seguir, VEJA esmiúça o comportamento de cada um desses grupos.

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Os jovens não têm medo

Jovens de classe média contaminados pelo vírus da aids em baladas regadas a muito álcool e drogas têm se tornado figuras frequentes nos consultórios dos infectologistas. A probabilidade de um jovem praticar sexo inseguro é cinco vezes maior se ele tiver bebido demais. De acordo com os dados do Ministério da Saúde, as infecções pelo HIV entre rapazes e moças de 15 a 24 anos cresceu cerca de 25% entre 2003 e 2012. Na pesquisa Atitude Abril – Aids, 8% dos jovens até 24 anos declararam não usar camisinha. Outros levantamentos, no entanto, revelam dados mais assustadores. Segundo pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), divulgada no início do ano, um terço dos rapazes e moças de 15 a 24 anos dispensa a proteção. Os especialistas são unânimes em afirmar que, na realidade, esse número deve ser ainda maior.

O projeto Atitude Abril – Aids traz um dado revelador dessa realidade. Apenas um em cada quatro jovens associa a palavra medo à doença. A juventude do século XXI não testemunhou o horror dos primórdios da epidemia de aids. No início dos anos 80, quando não havia os remédios antirretrovirais, a infecção pelo HIV representava uma sentença de morte. Entre o diagnóstico e a fase terminal, transcorriam, em média, cinco meses. No fim da década de 90, com a criação do coquetel antiaids, foi possível prolongar, com qualidade, a vida dos portadores por tempo indeterminado.

É comum também o jovem dispensar a camisinha à noite e, no dia seguinte, recorrer ao uso profilático do coquetel. Administrados até 72 horas depois da exposição ao vírus, os medicamentos podem conter a proliferação do HIV. A maioria não leva em conta, no entanto, a extensa e dolorosa lista das reações adversas dos antirretrovirais — depressão, diarreia, anemia e gastrite, entre outras. No levantamento Atitude Abril – Aids, 36% dos entrevistados não acreditam nos graves efeitos colaterais dos medicamentos antiaids ou os desconhecem.

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A displicência da maturidade

Entre 2003 e 2012, as contaminações por HIV no Brasil cresceram assustadoramente entre as pessoas acima de 45 anos. Nesse universo, os homens com mais de 50 anos despertam a preocupação dos especialistas. De cada 100 entrevistados na enquete Atitude Abril – Aids, 47 têm relações sem camisinha. Outros trabalhos apontam um cenário ainda mais sombrio, em que esse índice chega a 63%. Apesar do comportamento de risco, 31% na pesquisa da Abril nunca se submeteram ao exame de HIV. Mas por quê? A maioria tem certeza de que não tem o vírus. Igualmente estarrecedor é o dado de que 11% não fazem o teste porque têm medo de descobrir que estão infectados. É um comportamento de altíssimo risco.

​O aumento da incidência de aids nesse grupo está diretamente associado aos avanços no tratamento da disfunção erétil. Os comprimidos an­ti-impotência lançados no fim da década de 90 afastaram o fantasma da impotência, e muitos homens recuperaram o vigor sexual. Eles, no entanto, não estavam habituados à camisinha. Um em cada três entrevistados para o Atitude Abril – Aids reconhece ter dificuldade para usar o preservativo. E o motivo? Para a maioria, porque atrapalha a ereção.

CERTEZA PERIGOSA - Gygy Maciel foi contaminada por um namorado médico: “Confiei demais. Fui ingênua”, diz ela. (foto: Luiz Maximiano/VEJA)
CERTEZA PERIGOSA - Gygy Maciel foi contaminada por um namorado médico: “Confiei demais. Fui ingênua”, diz ela. (foto: Luiz Maximiano/VEJA)

A exagerada confiança feminina

A paraense Gygy Maciel descobriu ser portadora do HIV aos 34 anos. Ela estava recém-separada. Fragilizada por causa do divórcio, Gygy começou a namorar seu ortopedista. Confiava plenamente nele, tanto que nunca cogitara o uso da camisinha. O relacionamento durou cerca de um ano. Pouco depois, por sugestão de uma amiga em comum, Gygy fez o exame. Positivo para o HIV. Das participantes do projeto Atitude Abril – Aids com 34 anos, em média, 14% dizem fazer sexo sem proteção porque, em sua maioria, confiam no marido ou namorado. Fora do universo das entrevistadas, o número de brasileiras nessa faixa etária que têm o mesmo comportamento está por volta de 52%.

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A esquerda caviar e o pobre conservador

O oposto à esquerda caviar não seria uma direita mortadela ou uma direita rapadura, mas sim o conservador astuto, pobre de espírito, aquele que contribui para que o menos favorecido aceite a pobreza de si próprio e legitime a riqueza de outrem

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César Zanin, no Pragmatismo Político

Esquerda caviar é o apodo usado hoje no Brasil para designar quem faz parte das classes mais favorecidas da sociedade e defende o socialismo ou mesmo o progressismo, em oposição ao capitalismo neoliberal ou simplesmente ao conservadorismo.

Muita gente pensa que a expressão foi inventada por algum colunista da Veja, mas já nos anos 80 era usada pelos detratores de Miterrand na França.

Podemos encontrar equivalentes em outras línguas também, o conceito remonta à primeira metade do século XX, talvez até mesmo à segunda metade do XIX.

Depois das manifestações de junho de 2013 e principalmente agora nas atuais eleições presidenciais, os ânimos para o debate e o embate políticos se exaltaram como não acontecia no Brasil nos últimos 30 anos.

A ideia da expressão é desqualificar, no estilo “Fla-Flu”, ou melhor dizendo, “Curíntia-antis”; denotando que os membros da esquerda caviar não são sinceros em suas convicções, uma vez que pregam uma sociedade socialista e, de maneira hipócrita, se beneficiam do sistema capitalista; implicitando que somente os pobres poderiam defender o socialismo com legitimidade.

Resta saber se, para quem acredita nessa ideia, a esquerda caviar seria ardilosa (fingindo ser simpática à causa dos menos favorecidos e ao mesmo tempo perpetuando as diferenças) ou apenas ingênua (desconhecendo que com essa postura poderia perder suas regalias).

Ainda não li o livro do colunista da Veja…

O ponto de partida para isto tudo é uma visão de mundo, de quem acredita nessa ideia de esquerda caviar, onde a sociedade foi, é e será dividida entre classes espertas e classes preguiçosas, favorecidos e desfavorecidos. Onde basicamente seria impossível todos serem ricos e a pobreza ser erradicada.

O medo corrente de aproximadamente metade dos eleitores brasileiros, herdado de um tempo em que não existia sequer isso de socialismo ou capitalismo, sussurra via PiG e costumes “de bem”, que o socialismo malvado da gang dos PeTralhas iria tirar as riquezas das classes favorecidas e dar aos pobres, desrespeitando a legitimidade da propriedade particular e acomodando a sociedade rumo ao atraso e à pobreza generalizada.

É um engano, pois além de estarmos no décimo segundo ano de governo federal do PT e sem maiores turbulências para os ricos (pelo contrário), o socialismo busca a igualdade social, algo bem diferente de empobrecimento geral (vide o mapa da pobreza no mundo da ONU, pela primeira vez na história sem o Brasil nele). Caso o engano em relação aos objetivos do socialismo persista, basta ver como vivem os cidadãos dos países nórdicos e perceber o quão parecidas são as propostas principais de reformas que a Dilma vem tentando colocar em pauta no Brasil.

E também porque ter outros em situação de inferioridade forçada e velada, à nossa disposição sustentando um ambiente em que nossas regalias abundam impedindo a dignidade de outros, olha, isso não pode ser conceito de riqueza; já está claro que, com os avanços da ciência e as novas tecnologias, os recursos atuais disponíveis em nossos ecossistemas seriam mais que suficientes para o bem-estar material de todos os humanos do planeta. Já está claro também que não o poderão ser por tanto tempo assim, visto que população cresce e o planeta, que não cresce, vem sendo cada vez mais estragado.

Eu repudio o consumismo desenfreado, pois gera desperdício e, com os recursos naturais limitados que são, cada vez mais tenho a convicção que deveríamos usar a lógica da ecologia para buscarmos cada vez mais tecnologia com menos desperdício.

Ciência como religião. E isso nada tem a ver com socialismo, tampouco com capitalismo.

Eu sei, estou enveredando por um caminho que poderá ser rotulado por muitos como utopia (inclusive por progressistas), além dos conservadores que tiveram a paciência de ler até aqui provavelmente me rotularem de petralha, mas tudo bem, poderei me aprofundar sobre esse conceito de uma sociedade científico-ecológica em outro texto, por ora voltemos ao tópico da esquerda caviar.

Esquerda caviar é o rico de esquerda, o bem-educado de esquerda, aquele que é visto como incoerente.

O escárnio é tanto que às vezes a própria pessoa chamada de esquerda caviar acaba se enxergando negativamente como tal. Isso causa confusão, alguns resignam-se e tendem a se distanciar da política, outros conseguem transformar a vergonha em reafirmação de conduta.

Já o pobre que elege os mesmos neoliberais conservadores que os mantêm desfavorecidos, esse acaba não sendo visto como incoerente por ninguém, pois a esquerda (seja ela caviar ou não) enxerga que ele é iludido (veja como conquistas suadas tais quais a abolição da escravatura, a CLT, o voto das mulheres etc foram de certa forma “contornadas” pelo modus operandi do capitalismo, mantendo a desigualdade social), e a direita finge que não enxerga incoerência alguma, finge que é assim que tem que ser.

O oposto à esquerda caviar não seria uma direita mortadela, ou uma direita rapadura, afinal Gandhi nunca se definiu como um socialista e, escolher para si a pobreza material, apesar de maravilhosamente louvável, nada tem a ver com socialismo; a meu ver o oposto à esquerda caviar é mesmo o conservador astuto, pobre de espírito, simpatizante do que a Veja publica, isto é, aquele que contribui para que o pobre aceite a pobreza de si próprio e legitime a riqueza de outrem, e principalmente para que ele acredite que a única maneira de se tornar rico é deixando o “time” dos pobres para trás, para então ajudar o “time” dos ricos a perpetuar esse jogo, ou melhor dizendo, jugo.

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Democracia & ‘Bolivarianismo': A Venezuela não é aqui

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Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa

A mídia tradicional do Brasil está relegando a segundo plano a pauta da corrupção, que predominou durante a campanha eleitoral no rastro de reportagens, declarações, vazamentos e alguma ficção maquinada para alimentar debates e propaganda política.

A nova palavra de ordem da agenda que os jornais tentam impor ao campo político é: “bolivarianismo”. A expressão foi destacada na primeira página da edição de segunda-feira (3/11) da Folha de S.Paulo, em artigo do colunista Luiz Felipe Pondé e em entrevista do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, e ganhou as redes sociais na terça-feira (4).

No caso do articulista, pode-se arquivar o texto na “cesta seção”, onde um dia os arqueólogos do besteirol reacionário irão identificar os protagonistas que a imprensa classificava como “intelectuais” nas primeiras décadas do século 21. O problema cresce quando a imprensa se serve de um ministro da Suprema Corte para alimentar teorias conspiratórias.

O Brasil não é a Venezuela, não ocorreu no passado recente o advento de um líder caudilhesco que se possa comparar ao presidente Hugo Chávez, morto em 2013, e a política nacional inaugurada em 2003 com a ascensão da aliança liderada pelo Partido dos Trabalhadores não guarda a mais remota similaridade com o processo venezuelano.

O que há é um esforço de representantes do estrato mais conservador da sociedade para colocar o bode na sala e obrigar a presidente reeleita a negociar o bloqueio de qualquer projeto que se aproxime da regulação da mídia, nem que seja para cumprir o que determina a Constituição sobre a concentração dos meios de comunicação.

Assim age o cartel da imprensa: primeiro ameaça com uma crise por meio de boatos, especulações e meias-verdades, depois propõe a negociação. No caso que se evidencia nesta semana, trata-se de exacerbar os ânimos da massa de manobra que não aceita o resultado das urnas, com a tese de que a presidente vai transformar o Brasil numa ditadura em seu segundo mandato.

Por mais insano que possa parecer, esse é o mantra que vem sendo recitado na redação da revista Veja nos últimos dias. Os editores da revista dizem a quem quiser ouvir que estão empenhados em uma cruzada contra o fantasma de Hugo Chávez.

Jogo perigoso

A revista que já foi a joia da coroa do editor Victor Civita está preparando uma entrevista com um empresário venezuelano do setor de mídia para que ele diga como seria a imprensa num Brasil “bolivariano”. Depois das páginas amarelas de Veja, o conteúdo será reproduzido pelos jornais e provavelmente comentado pela TV Globo, no Fantásticoou no Jornal Nacional.

Protagonistas ensandecidos como o colunista da Folha acreditam piamente que “está em curso um processo de destruição da liberdade de pensamento no Brasil”. Ele chama Dilma Rousseff de “presidente bolivariana reeleita”.

O leitor fiel e de boa fé da Folha de S.Paulo pode argumentar que essa é apenas uma das muitas opiniões no diversificado cardápio de leituras que o jornal oferece diariamente. Afinal, personagens assim destrambelhados podem trazer alguma graça ao cotidiano da imprensa, para temperar a sisudez de um Clovis Rossi ou um Janio de Freitas. Mas não é possível dissimular que se trata de um texto de encomenda, ou seja, que faz parte da estratégia de edição.

Senão, vejamos: o assunto foi levantado na segunda-feira (3) em entrevista do ministro Gilmar Mendes, mas qual seria a oportunidade para transformar o jurista em notícia, se nada o destaca entre seus pares neste momento? Se ele estivesse dirigindo o Tribunal Superior Eleitoral, haveria aí uma pauta natural, uma vez que o principal partido da oposição questiona oficialmente o resultado das urnas. Fora isso, entrevistar Gilmar Mendes é apenas uma manobra para colocar na boca dele o que os editores querem dizer: que em dois anos o novo governo deverá nomear novos ministros do STF, e Mendes e os jornais acham que isso irá transformar a Suprema Corte em um “tribunal bolivariano”.

Não importa o argumento segundo o qual um tribunal formado por maioria de ministros nomeados por governos petistas condenou à prisão a antiga cúpula do PT. A imprensa teme que o tribunal se torne permeável ao cumprimento da regra constitucional sobre a concentração da mídia. O objetivo da manobra é dar credibilidade ao desvario sobre intenções totalitárias da presidente da República.

Com os aloprados golpistas assanhados nas ruas, trata-se de um jogo muito perigoso.

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TSE proíbe Veja de fazer propaganda de capa

Reprodução mostra capa da revista, que saiu em edição extra
Reprodução mostra capa da revista, que saiu em edição extra

Publicado por Estadão [via A Tarde]

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concedeu liminar na noite desta sexta-feira (24) que proíbe a editora Abril, responsável por publicar a revista Veja, de fazer propaganda em qualquer meio de comunicação da reportagem de capa segundo a qual a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teriam conhecimento do esquema de corrupção da Petrobras. A reportagem diz se basear em depoimento prestado na última terça-feira (21) pelo doleiro Alberto Youssef no processo de delação premiada a que ele se submete para ter direito à redução de pena.

O pedido para impedir a publicidade da matéria foi apresentado pela campanha de Dilma na tarde desta sexta-feira. A defesa da petista requereu ao tribunal que a revista se abstivesse fazer propaganda de sua capa, que tem, na opinião dos advogados de Dilma, conteúdo ofensivo à candidata à reeleição. Para a campanha petista, uma eventual publicidade do caso tem por objetivo único beneficiar a candidatura do tucano Aécio Neves.

A ação da defesa de Dilma se ampara no artigo da Lei das Eleições que prevê que a propaganda eleitoral no rádio e na televisão restringe-se ao horário gratuito, sendo proibida a veiculação de propaganda paga. Essa mesma vedação, segundo campanha da petista, é estendida à divulgação de propaganda na internet e por meio de outdoors. Em caso de descumprimento da liminar, os advogados de Dilma cobram a aplicação de multa de R$ 1 milhão por veiculação proibida.

A campanha da presidente argumentou ainda que a revista Veja antecipou sua edição em dois dias com a “nítida intenção de tumultuar a lisura do pleito eleitoral do próximo domingo (26)”. Citam ainda que a revista teria postado no Facebook dela, com 5,4 milhões de seguidores, notícia com o título “Tudo o que você queria saber sobre o escândalo da Petrobras: Dilma e Lula sabiam”. Essa propaganda teria sido reproduzida na página oficial do PSDB, partido do adversário na disputa ao Palácio do Planalto, também na mesma rede social.

Em sua defesa, a Editora Abril sustentou que as liberdades de comunicação e de atividade econômica são direitos previstos na Constituição. Esses direitos, disse a editora, “não podem ser sufocados por medidas de cunho censor sob a alegação de imaginária propaganda eleitoral”. Para Abril, o que se pretende é “impedir a imprensa de divulgar assunto que a sociedade tem o direito de tomar conhecimento”. “Não houve ilícito algum na matéria publicada na edição e tampouco nas propagandas de divulgação da revista, de modo que a representada (Editora Abril) agiu no seu estrito direito constitucional”, afirmou.

Em parecer, o procurador-geral Eleitoral, Rodrigo Janot, manifestou-se a favor da campanha da Dilma. Para Janot, diante da iminência da realização de uma propaganda eleitoral irregular, é necessário proibir a divulgação das publicidades sob pena de acarretar “prejuízo irreparável ao equilíbrio e (à) lisura do pleito”.

Em sua decisão, o ministro Admar Gonzaga, relator do processo, afirmou que há elementos para acatar o pedido liminar, suspendendo, até o julgamento do mérito, qualquer publicidade da editora sobre o assunto. Segundo ele, cabe ao TSE “velar pela preservação da isonomia entre os candidatos que disputam o pleito”. “Desse modo, ainda que a divulgação da revista Veja apresente nítidos propósitos comerciais, os contornos de propaganda eleitoral, a meu ver, atraem a incidência da legislação eleitoral, por consubstanciar interferência indevida e grave em detrimento de uma das candidaturas”, afirmou o ministro.

Admar Gonzaga – um dos advogados da campanha de Dilma em 2010 – disse ainda que a antecipação em dois dias da divulgação da revista “poderá transformar a veiculação em verdadeiro panfletário de campanha, o que, a toda evidência, desborda do direito/dever de informação e da liberdade de expressão”.

“No caso, muito embora o periódico possa cuidar – em suas páginas – desse tema sensível, confirmando sua linha editorial de maior simpatia a uma das candidaturas postas, entendo que a transmissão dessa publicidade por meio de rádio, ou seja, de um serviço que é objeto de concessão pelo Poder Público e de grande penetração, desborda do seu elevado mister de informar, com liberdade, para convolar-se em publicidade eleitoral em favor de uma candidatura em detrimento de outra”, afirmou o ministro, em decisão divulgada às 23h36 desta sexta-feira (24).

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Crivella tenta no TRE censurar reportagem da Veja

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Lauro Jardim, na Veja on-line

Marcelo Crivella entrou com uma ação na Justiça eleitoral para retirar do ar uma reportagem publicada no sábado por VEJA em que o site da revista revelou que seu filho foi favorecido pela atuação do pai como ministro da Pesca (Leia a reportagem aqui). O TRE negou hoje conceder uma liminar que censuraria a reportagem.

Não é a primeira vez nesta campanha que Crivella quer impedir a divulgação de dados não-favoráveis à sua campanha. No início do segundo turno, o senador tentou – e, depois, voltou atrás – proibir a divulgação de pesquisas eleitorais.

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