Nos dai hoje: sujeito se apresenta como bispo da igreja evangélica e oferece a candidatos votos dos fieis em troca de dinheiro

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Lauro Jardim, no Radar on-line

Políticos paulistas vêm sendo procurados por um sujeito que se apresenta como Bispo Victor, da igreja evangélica Apostólica Atos do Espírito Santo.

O que ele oferta: votos de fieis em troca de dinheiro. O pacote inclui visitas a dezoito igrejas, onde o cliente é anunciado candidato oficial da paróquia, e distribuição de santinhos nos templos.

Victor cobra 6 500 reais, mas negocia com o currículo e a influência sobre 7 000 eleitores. Segundo ele, seu séquito já ajudou a eleger um vereador, há dois anos, e deputados, em 2010.

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O texto de Rodrigo Constantino que sumiu do site da Veja

Miriam Leitão fala da tortura que sofreu na ditadura e quer pedido de desculpas. Legítimo, mas e o seu pedido de desculpas?

fonte: GLOBO
fonte: GLOBO

Publicado por Rodrigo Constantino

A jornalista Miriam Leitão decidiu revelar as supostas (aprendi com os jornalistas a usar o termo quando não há provas) torturas que teria sofrido durante o regime militar, incluindo ficar numa cela escura com uma jiboia e quase ser estuprada por vários soldados. São relatos chocantes, e não tenho motivos para duvidar de sua veracidade. Diz ela:

Minha vingança foi sobreviver e vencer. Por meus filhos e netos, ainda aguardo um pedido de desculpas das Forças Armadas. Não cultivo nenhum ódio. Não sinto nada disso. Mas, esse gesto me daria segurança no futuro democrático do país.

Uma postura decente. Miriam tem direito a um pedido de desculpas formal, e não resta a menor dúvida de que houve vários abusos e torturas por parte dos militares, o que é inadmissível. Segundo ela, seu único crime era integrar o PCdoB e fazer proselitismo entre os estudantes, além de ser namorada de outro militante, de quem estava grávida de um mês quando foi presa. Sendo verdade, isso não configura crime algum.

Infelizmente, o debate sobre nosso passado está tomado por emoções fortes e muitos interesses, tudo isso turvando a razão. A postura maniqueísta precisa ser abandonada. Compreender o contexto daquela época de Guerra Fria e ameaça comunista não é o mesmo que transformar os militares em santos, tampouco poupar aqueles que realmente praticaram tortura. Estes deveriam ter sido punidos pelos próprios militares decentes – grupo em maioria.

Por outro lado, a vitimização dos antigos comunistas, que tentam se pintar como legítimos democratas que do nada foram atacados por militares autoritários, não se sustenta por um segundo. Aquela turma jovem sonhava com o modelo cubano ou soviético, nada parecido com uma democracia. Alguns, como Fernando Gabeira, Arnaldo Jabor e Ferreira Gullar, fizeram uma dolorosa mea culpa de suas lutas juvenis equivocadas. Outros não. Querem pedidos de desculpas, mas não querem pedir desculpas.

Miriam Leitão, que gosta de um discurso de vítima em outras áreas (cartada sexual, racial, indígena etc), aproximou-se dos tucanos e passou a defender uma social-democracia nos moldes europeus, afastando-se assim do velho comunismo do passado. Com isso, passou a ser “acusada”, junto com os próprios tucanos, de “neoliberal” pela antiga esquerda mais radical. Não se conforma com isso.

Tanto é verdade que faz de tudo para ser “perdoada” pelos antigos companheiros. Mesmo quando precisa bater nos mais caricatos, nos “petralhas”, acaba atacando os conservadores e liberais também, como Reinaldo Azevedo e eu mesmo, para ficar bem na foto, posar de “neutra”. É um problema geral do tucanato: a lógica e a experiência os levaram mais para a direita, mas seus corações permanecem na esquerda. São prisioneiros emocionais do passado.

Acho, como já disse, que Miriam tem todo direito ao seu pedido de desculpas. Se sofreu o que diz mesmo, nada justifica isso. É uma postura covarde daqueles militares envolvidos. Mas ela não era uma heroína. Não era uma jovem democrata que defendia a liberdade. Era uma comunista, do PCdoB, entoando hinos marxistas e usando como símbolo a foice e o martelo.

Se essa turma tivesse logrado sucesso naquela época, o Brasil hoje seria uma imensa Cuba, algo que ainda não nos livramos justamente porque os comunistas ainda existem, sob o manto de bolivarianismo ou socialismo do século 21. Portanto, cabe perguntar: e o seu pedido de desculpas, Miriam, não teremos?

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Remédio para artrite faz crescer cabelo – e muito – em homem careca

Em estudo nos Estados Unidos, tratamento reverteu calvície em paciente com alopecia universal

Calvície: o problema atinge cerca de 85% dos homens acima dos 65 anos

publicado na Veja

Pesquisadores da Universidade Yale, nos Estados Unidos, podem ter descoberto um uso off label (isto é, fora da indicação original da bula) para um remédio indicado para artrite reumatoide: um tratamento contra a calvície. Em um estudo publicado online nesta quinta-feira no periódico Journal of Investigative Dermatology, os cientistas mostraram que a droga citrato de tofacitinibe fez crescer fios — e muitos — em um paciente de 25 anos completamente careca.

Trata-se do primeiro caso de tratamento bem sucedido relatado na medicina para alopecia universal, forma extrema da alopecia areata, distúrbio autoimune que promove queda de cabelo. O remédio fez crescer fios não apenas na cabeça do paciente, mas em regiões como sobrancelha, cílio e axila.

“O resultado é exatamente o que a gente esperava”, afirma Brett A. King, professor assistente de dermatologia da Escola de Medicina da Universidade Yale e autor da pesquisa. “Trata-se de um grande passo no tratamento de pessoas com essa doença (alopecia universal). Embora seja apenas um caso, nós prevíamos o sucesso do tratamento com base no que sabíamos sobre a doença e o remédio. Acreditamos que os mesmos resultados se repetirão em outros pacientes, e pretendemos tentar.”

Além de alopecia universal, o paciente tinha psoríase, uma condição autoimune que causa placas avermelhadas na pele. King decidiu tratar as duas enfermidades com citrato de tofacitinibe, um remédio para artrite reumatoide aprovado em 2012 pela Food and Drug Administration (FDA), agência que regula medicamentos nos Estados Unidos — no Brasil, o medicamento aguarda análise na fila de espera da Anvisa.

O citrato de tofacitinibe já havia se mostrado eficiente no combate à psoríase e, em estudo com camundongos, revertido alopecia areata. “Não há boas opções para tratar alopecia universal. O que existia de melhor na ciência parecia ser essa abordagem, e funcionou”, diz King.

​Em oito meses de tratamento, o cabelo do paciente cresceu totalmente, e não houve relatos de efeitos colaterais. Segundo King, a droga parece impedir o sistema imunológico de atacar os folículos capilares, consequentemente estimulando o crescimento dos fios.

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As paradas brasileiras estão dominadas pelos cantores evangélicos

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Lauro Jardim, na Veja on-line

Esqueça o Coldplay ou o One Direction, com discos recém lançados. Ou Caetano Veloso, que lançou um CD hoje. As paradas brasileiras estão dominadas pelos cantores evangélicos.

Com menos de 24 horas de lançamento, o CD Graça, de Paulo César Baruk, já está em primeiro lugar no Itunes. É o segundo  disco do cantor pela Sony Music e o décimo segundo em toda sua carreira. Em segundo lugar, Daniela Araújo, com o álbum Criador do Mundo.

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Que país? É este

bandeira-do-brasilPaulo Brabo

Em 2010, querendo me desiludir da Itália, um amigo italiano me mandou o link de um vídeo, feito dois anos antes, num comício na cidade de Treviso. O vídeo mostrava um discurso de Giancarlo Gentilini, naquela ocasião prefeito da cidade, em que o sujeito escarra opiniões de um ódio racial assombroso e recebe o aplauso unânime da multidão.

Lembro de ter pensado: isso nunca aconteceria no Brasil.

– Quero a revolução contra os acampamentos dos nômades e dos ciganos! – exige Gentilini no vídeo do comício. – Dois desses acampamentos aqui em Treviso foram destruídos por mim, e agora não resta nenhum. Quero eliminar os filhos dos ciganos, que vêm roubar os nossos anciãos.

Aquele quero eliminar os filhos dos ciganos, seguido da sua onda de aplausos, cortou-me verdadeiramente metade das ilusões, não só a respeito da Itália, mas do ser humano.

E o discurso corria inteiro por essa linha.

A respeito dos imigrantes ilegais, Gentilini disse: “seria o caso de vesti-los de lebre, para fazer pim pim pim com o fuzil”. Famosamente, o político escolheu ainda a expressão “limpeza étnica” para fomentar a expulsão dos homossexuais da sua cidade. Sobre os que se aproveitam de tumultos para depredar a propriedade alheia, sentenciou: “nenhuma piedade; deveriam vir fuzilados como no tempo da guerra.”

Enquanto eu via Gentilini dizer esse tipo de coisas em seu discurso, lembro de ter pensado (e dito): isso nunca aconteceria no Brasil. Mesmo se um político pensasse desse modo, não seria estúpido de dizer num comício, em praça pública. Não com gente filmando.

É claro, isso foi em outra vida, em 2010. É raro que eu me engane, mas quando acontece é da forma espetacular que você está vendo. Passados quatro anos, o Brasil tratou de eliminar a metade restante das minhas ilusões.

Ruralistas, linchadores de rua, matadores de índios, expulsadores de sem-terra, comentaristas de tv, articulistas da Veja, deputados, fan pages do Facebook – o Brasil de 2014 ecoa com o tom de voz e o discurso fascista do Giancarlo Gentilini: aquele mesmo discurso que eu cria que o público brasileiro, obcecado que somos com a cordialidade e o bom-mocismo, não estaria jamais disposto a engolir. “Bandido bom é bandido morto” é coisa que se dizia entre um comício e outro. Em 2014, leigos e políticos brasileiros abandonaram esse recato.

Não é que o Brasil tenha em poucos anos mergulhado em trevas; aconteceu apenas que a nossa face fascista veio para a luz.

* * *

Lembro que depois de assistir ao vídeo do comício em Treviso perguntei ao meu amigo italiano como era possível existir gente caindo no discurso fascista em pleno século vinte e um. Como não ver a semelhança entre as exaltações de Gentilini e as de Mussolini? Entre as suas soluções e as soluções de Hitler?

Na Itália a crise econômica e o desemprego tem acentuado as tensões raciais ao longo da última década. Os imigrantes (especialmente africanos, chineses e muçulmanos) são muitas vezes vistos como os caras que vem de fora para roubar os empregos dos nacionais, comprar propriedades que sempre pertenceram a boa gente italiana, manchar a cultura com a sua desreligião e mamar nas tetas do Estado.

Não são nem de longe todos os italianos que veem as coisas desse modo, mas os fascistas nunca foram conhecidos por falar pouco, com pouco entusiasmo ou em voz baixa. Giancarlo Gentilini é um dos líderes do movimento separatista Lega Nord/Liga Norte, que propõe a independência do norte da Itália: uma versão mais organizada daquele ideal reacionário brasileiro que sonha com a independência do sul produtivo porque está convicto de que um nordeste de aproveitadores puxa o país continuamente para baixo.

A verdade é que os admiradores de Giancarlo Gentilini não ignoram a semelhança entre o seu discurso e o de Mussolini. Eles na verdade o admiram precisamente por causa disso: exatamente como os brasileiros que falam com nostalgia dos anos da ditadura porque “naquele tempo pelo menos havia ordem nas ruas”.

Foi essencialmente a crise econômica que fez o fascismo mostrar a sua cara de verme, como se fosse coisa aceitável, na Itália contemporânea. Se o neofascismo brasileiro encontrou ocasião para fazer a mesma coisa, provavelmente foi devido ao efeito acumulado de três mandatos presidenciais do PT.

O governo do PT, apesar de inúmeras falhas de projeto e de execução, acabou trazendo para o centro da discussão nacional tensões que existiram por séculos à margem das discussões oficiais: a desigualdade na distribuição de renda e de terras, os direitos dos índios, o desequilíbrio racial, a tendência do livre-mercado a produzir a oligarquia, o direito de propriedade a recursos universais, o círculo vicioso da pobreza e da exclusão.

Como todos os governos com viés de esquerda, o PT tomou por missão criar ferramentas que lembrassem a todos que ninguém é melhor do que ninguém. Uma missão quixotesca, não há como negar, tornada ainda mais embaraçosa quando assumida por uma instituição ou um governo, mas por outro lado todas as causas bem-intencionadas parecem utópicas e ridículas até produzirem alguma transformação.

Porém treze anos da ênfase ninguém é melhor do que ninguém o fascista que há nos brasileiros não foi capaz suportar em silêncio. O discurso fascista – seja o de Hitler, o de Mussolini, o de Giancarlo Gentilini ou o dos ruralistas brasileiros – insiste no oposto. Alguns são melhores do que os outros! Há uma tremenda diferença entre nós e eles! – berram os fascistas de todas as eras. Nós somos gente de bem; eles são uma ameaça aos nossos valores e devem por isso ser eliminados.

“Nós” somos sempre nós, os fascistas/gente de bem que estamos falando. Os “eles” a serem eliminados são escolhidos de acordo com a demanda local. Para Hitler eram os judeus. Para Giancarlo Gentilini são imigrantes, ciganos, africanos e muçulmanos. Para os neofascistas brasileiros são os índios, negros, homossexuais, nordestinos, sem-terra. A letra muda, a música é fúnebre e é a mesma.

* * *

Se você admira um canalha como Gentilini ou como seus correligionários brasileiros, meu amigo, que posso te dizer.

Há um certo fascínio em ver alguém reconhecer publicamente a sua mesquinheza e seu desprezo pelo próximo, e assinar o seu testemunho com a notícia de que não está disposto a mudar e não vai. O canalha deliberado e esclarecido é uma visão infernal mas justamente por isso irresistível; não é inconcebível que sua feiura responda pelos seus convertidos. O que o fascista acha necessário dizer continuamente é: “e daí? Eu sou uma caricatura e assumo; nego a minha humanidade e a do próximo, o que você tem com isso”.

Não tenho nada com isso, além do inferno que você quer fazer vazar da sua vida para a minha e para a dos outros. Um lado mesquinho todos temos, mas o inferno é como o lixo: cada um deveria conter o avanço do seu.

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