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A lição dos seios de Angelina Jolie

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Gilberto Dimenstein, na Folha de S.Paulo

Há pessoas que nos ensinam a mudar o mundo -e a começar por nós mesmos.

Certamente esse é o caso de Angelina Jolie que, depois de fazer uma análise genética, mandou a vaidade para o espaço e preferiu a vida: tirou os dois seios. Isso antes que qualquer tumor tivesse aparecido.

Por ter dois genes falhos, seu risco de contrair um câncer no seio era de 87% – a mesma doença que matou sua mãe ainda jovem. A atriz não queria que seus filhos passassem pelo mesmo sofrimento da perda da mãe.

Jolie está adiantando uma era: a era em que, graças ao aprimoramento da genética, as pessoas vão tomar providências muito antes de qualquer sintoma aparecer.

Não por outro motivo cientistas dizem que crianças que estão nascendo hoje devem viver até os 120 anos com relativa saúde.

Ou seja, os seios de Angelina são uma aula de saúde pública.

E pensar que muitas mulheres não querem parar de fumar com medo de engordar.

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Uma experiência de solidariedade: tatuadores ajudam mulheres a lidar com a mastectomia, criando arte em seu corpo (veja imagens aqui ).

Esculturas ultra realistas feitas para filmes

Viviane Werneck, no Blogs Pop

NEsculturaGeekCapaVeja o incrível trabalho do estúdio Schell Sculpture.

As esculturas, protótipos e maquetes sempre fizeram parte das grandes produções do cinema. Afinal, o que seria dos grandes filmes dos nossos heróis e vilões preferidos se não fosse a “ajudinha” visual desses trabalhos? O mais interessante é que de tão perfeitas, algumas dessas esculturas acabam se passando por personagens reais e, às vezes, o espectador nem nota a diferença.

Parte desse surpreendente trabalho é realizado no estúdio Schell Sculpture, que estão na ativa há mais de 10 anos. De acordo com o site Zupi, só para se ter uma ideia, o designer e proprietário Jordu Schell já participou nessa parte conceitual do cinema em mega produções como: “Avatar”, “As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian”, “300″, “Hellboy”, “Aliens vs Predator – Requiem”, “Homens de Preto”, “The Mist”, “Batman Returns”, “Edward Mãos de Tesoura”, “Alien: Resurrection”, “The X-Files Filme”, “Predator II”, “Galaxy quest”, “Evolução”, “Babylon 5 – The Series”, e por aí vai.

Vale muito a pena visitar o site oficial do estúdio para obter mais detalhes sobre a participação do Schell Sculpture nessa área e não deixe de conferir a galeria de imagens aqui.

Ilhas Salomão: o país onde os negros são naturalmente loiros

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publicado na Revista Afro

Nas Ilhas Salomão, cerca de 10% da população nativa, de pele negra, tem cabelo notavelmente loiro. Alguns insulares acreditam que a cor seria resultado da exposição excessiva ao sol, ou de uma dieta rica em peixe. Outra explicação seria a herança genética de ancestrais distantes — mercadores europeus que passaram pelos arquipélagos.

Essas hipóteses, no entanto, foram derrubadas por pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos. A variante genética responsável pelo cabelo louro dos insulares é diferente da que causa a mesma característica nos europeus.

— Este caso acaba com qualquer noção simplória que podemos ter sobre raça — revela o geneticista Carlos Bustamante. — Nós, humanos, somos lindamente diferentes, e esta é apenas a ponta do iceberg.

Bustamante e sua equipe publicaram as descobertas na edição desta semana da “Science”. Eles analisaram amostras da saliva de mais de mil insulares, com atenção especial para um subconjunto, formado por 43 louros e 42 pessoas de cabelos escuros.

Os pesquisadores conseguiram rapidamente identificar um gene responsável pela variação da cor do cabelo. Chamado de TYRP1, ele é conhecido por influenciar a pigmentação nos humanos. Sua variante encontrada nos cabelos louros dos habitantes das Ilhas Salomão não é encontrada no genoma dos europeus.

Veja mais fotos:

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‘Deixo meus exercícios como padre’, diz sacerdote envolvido em polêmica

Em resposta ao pedido de retratação, padre Beto deixará a Igreja. 
Diocese de Bauru, SP, tomou atitude após divulgação de vídeos na web.

A partir de segunda-feira, padre Beto deixa de celebrar missas, casamentos e outros rituais da igreja católica (Foto: Ana Carolina Levorato/G1)

A partir de segunda-feira, padre Beto deixa de celebrar missas, casamentos e outros rituais da igreja católica (Foto: Ana Carolina Levorato/G1)

Publicado originalmente no G1

Após declarações polêmicas acerca de temas como a homossexualidade, fidelidade e necessidade de mudanças na estrutura da Igreja Católica nas redes sociais que causaram um pedido de retratação por parte da Diocese de Bauru (SP), Roberto Francisco Daniel, conhecido como padre Beto, anunciou neste sábado (27), que deixará de exercer suas funções como padre a partir de segunda-feira (29).

Essa era a data limite para “confissão humilde de que errou quanto a sua intepretação e exposição da doutrina, da moral e dos bons costumes ensinados pela igreja”, como exigia a nota assinada pelo Bispo Dom Caetano Ferrari na última terça-feira (23), que pedia a retratação e retirada do conteúdo, contrário aos dogmas da Igreja, publicados na internet. “Eu não tenho do que me redimir. Muito menos a quem ou do que pedir perdão de tudo aquilo que eu fiz e declarei nas redes sociais. Se refletir é um pecado, eu sou um pecador e sempre serei. Não vou negar ser uma pessoa reflexiva e uma pessoa que pensa”, declarou o padre que, com sua decisão, deixa de celebrar casamentos, missas e outro rituais religiosos.

Na entrevista coletiva realizada na manhã deste sábado, o sacerdote afirmou aos jornalistas que sua decisão foi tomada após várias reflexões, entre elas, a de não aceitar que seja possível seguir um modelo que não respeita a liberdade de reflexão e expressão por parte dos fiéis e membros do clero.

“Acho impossível seguir o evangelho de Jesus Cristo em uma instituição que, no momento, não respeita a liberdade de reflexão e de expressão. O modelo que nos temos que seguir se chama Jesus Cristo e esse modelo viveu plenamente essa liberdade e fez com que as pessoas refletissem”, explica.

“Além disso, acredito que não é possível ser cristão em uma instituição que cria hipocrisia. Nós estamos em um momento em que a igreja faz questão de manter regras morais que são totalmente ultrapassadas para a nossa época e também em frente à ciência”, diz o padre irá entregar a carta de pedido de afastamento para o bispo na segunda-feira. Ele também divulgou uma nota no seu perfil em uma rede social, onde explica a decisão para o seus mais de 2.500 seguidores.

Até logo?
Apesar da decisão do sacerdote de deixar de celebrar os rituais católicos, padre Beto afirma que continua sendo padre e que sua saída do cenário católico de Bauru não é definitiva e que pode voltar à igreja se alguns pensamentos forem mudados.

“Não vou deixar de ser padre. Uma vez padre, sempre padre e vou viver na integridade de um padre. O que vou deixar de fazer é exercer os meus ministérios dentro da igreja católica como missas, casamentos, etc., mas permaneço como sacerdote, consciente de que fui ordenado e como um cristão que pensa”.

Questionado, padre Beto alega que não pretende fundar outras religiões e que a sua saída não tem nenhuma pretensão política, mas que também não pretende atuar em outras Dioceses por enquanto. Segundo o sacerdote, o clero sabe que impõe regras que as pessoas não vivem e fecha os olhos para as mudanças do mundo. “Eu não acredito que a marioria dos casais que frequentam a igreja não usam métodos contraceptivos. Nós temos regras que não são exercidas e isso precisa ser refletido”.

O padre também se referiu à uma omissão da igreja a respeito de problemas sociais graves como educação, saúde e comunicação. “A igreja como instituição forte que é deveria ter uma postura muito mais firme em frente ao congresso nacional. Os professores são mal pagos, o sistema penitenciário é péssimo e temos um código penal ultrapassado”, desabafa. ‘Deixo meus exercícios como padre e permaneço com a minha coerência de como atuaria Cristo no mundo em que vivemos hoje, um mundo contemporâneo’, diz o sacerdote.

Decepção
Padre Beto é conhecido na cidade por suas publicações em diversos meios, mas em entrevista concedida ao G1 na quinta-feira (25), Dom Caetano diz que apesar de existir um público que compartilha e segue suas opiniões, há uma grande parte dos fiéis que não concorda com as palavras do padre. “Ele gostaria que eu como bispo o apoiasse, mas digo a ele ‘Beto, coloque-se no seu lugar, quem te deu essa inspiração para uma missão profética de revolucionar a teologia, a doutrina e a moral da Igreja?’, argumenta o bispo.

Sobre a declaração do bispo, padre Beto afirma ter recebido a posição de Dom Caetano com certa decepção. “Recebi as declarações dele por um lado com decepção. Eu esperava que ele diante de criticas feitas à minha reflexão, que pensasse que tem um padre que reflete e que a igreja que precisa de alguém assim”, conta. “O que eu falei são reflexões e não um embate à Igreja Católica. Não atinjo a ordem da instituição de forma alguma”, completa.

De acordo com a assessoria imprensa da Diocese, o bispo só irá se manifestar oficialmente sobre o pedido de afastamento de Padre Beto na segunda-feira, quando a carta do sacerdote foi entregue a instituição.

Pedido de retratação
A nota oficial foi divulgada no site da Diocese na terça-feira (23) e pedia retratação do sacerdote até dia 29 de abril. Dom Caetano afirma que essa foi a primeira retratação formal pedida pela Igreja ao padre e que vídeos publicados na internet recentemente se tornaram a “gota d’água” para que uma atitude fosse tomada. Nas publicações, o padre discute temas como fidelidade, bissexualidade, divórcio e a necessidade de mudanças na estrutura da Igreja Católica.

Na página oficial da Diocese de Bauru em um site de relacionamentos,  internautas se manifestaram com comentários de apoio e repúdio à decisão de Dom Caetano. A discussão sobre as opiniões do padre não só partiram de Bauru, mas também de fieis de outras partes do Brasil e, ainda de acordo com a assessoria da Diocese, foi um dos motivos que levou a decisão de pedir a retratação.

Com um camisa preta com os dizeres 'não obrigado' em espanhol, padre decidiu deixar a igreja (Foto: Ana Carolina Levorato/G1)

Com um camisa preta com os dizeres ‘não obrigado’ em espanhol, padre decidiu deixar a igreja (Foto: Ana Carolina Levorato/G1)

 

A mulher que fez o jogador Bernardo perder a cabeça

Dayana Rodrigues, 23 anos, está com o traficante Menor P. há dois anos e também foi punida pela ‘traição’. Na favela, bandido passou a ser chamado de “Tufão”

Dayana, mulher do traficante Menor P. - VEJA

Dayana, mulher do traficante Menor P. – VEJA

Leslie Leitão, na Veja on-line

“Deixa ela passar. Não olha nem mexe. Sabe quem tá passando? É a mulher do chefe”. Popular nos bailes das favelas do Rio, o funk Mulher do Chefe traz, no refrão, uma brincadeira com uma das leis do tráfico de drogas. Flertar, brincar ou, como no caso do jogador Bernardo, envolver-se com a mulher de um chefe do tráfico é um delito punido com tortura, fuzilamento e desaparecimento do corpo da vítima. Bernardo, o meia vascaíno que escapou da morte no Complexo da Maré, foi salvo pela fama. O bandido Marcelo Santos das Dores, o temido “Menor P” e chamado também de “Astronauta”, foi alertado por outro jogador, o tricolor Wellington Silva, sobre as consequências óbvias da morte de uma figura conhecida nacionalmente: em resposta ao crime, a favela seria ocupada pela polícia e, como tem ocorrido nos últimos quatro anos, receberia uma UPP, algo que faz minguar os lucros do tráfico de drogas.

Bernardo cometeu um erro que já levou para o “microondas”, como é chamada a fogueira de pneus onde corpos são incinerados, um número incalculável de vítimas no Rio. A mulher que fez o jogador perder a noção do perigo é Dayana Rodrigues, de 23 anos, mãe de um menino de 6, filho de um traficante que já morreu. A criança chama Menor P. de pai, o que indica o grau de envolvimento do bandido com Dayana. Apesar de ser “mulher do chefe”, Dayana ainda mora com o pai e a irmã, em um apartamento na favela Vila dos Pinheiros, às margens da Linha Amarela. Como manda o figurino, Dayana gosta de ostentar riqueza e poder nas redes sociais – o que se traduz em joias douradas, poses em baladas, exibição de presentes caros e uma tatuagem, uma singela letra M, em homenagem ao amor com o traficante.

“Bernardo é um menino bom”, diz o pai
Bernardo, do Vasco, foi capturado por traficante de favela do Rio

Dele, recebe mimos, e já ganhou pelo menos dois carros. O último deles um Peugeot 308 branco. No início do ano, Menor P. montou uma loja de sapatos para a amada. Os dois estão juntos há pelo menos dois anos – uma relação duradoura, se considerada a vida curta dos traficantes e a alta rotatividade dos relacionamentos no mundo do crime. No último dia 10, o apartamento da ‘segunda dama’ (sim, o traficante tem uma esposa e outras duas namoradas na favela) foi alvo de uma operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope), após receberem a denúncia de que o bandido estaria escondido ali, o que não se confirmou.

Balas perdidas? - Dayana também foi punida: ela foi atingida por cinco tiros nas pernas e dois no pé esquerdo, mas está fora de perigo e recebeu alta do hospital. A forma como o caso chegou à 21ª DP (Bonsucesso) é praticamente uma confissão de crime: a mãe, o pai e uma irmã de Dayana foram à delegacia acompanhados pelo advogado Nilson Lopes dos Santos – o mesmo que defende Menor P. das acusações de tráfico. A alegação: Dayana teria sido atingida por “sete balas perdidas”.

Bernardo, nas redes sociais, negou ter sido torturado, apesar de ter contado a história para o supervisor Renê Simões, na última quarta-feira. A própria mãe recusa-se a dizer se o filho, de fato, foi agredido. O depoimento do atacante estava previsto para hoje, mas acabou não acontecendo. Ele deve falar à polícia na semana que vem, quando finalmente apresentará sua versão sobre os momentos de terror na favela, que frequentava, como tantos outros jogadores, por ter amigos de outras épocas. Exemplo recente disso foi o atacante Adriano, que teve o nome envolvido com traficantes por ter presenteado a mãe de um deles com uma moto e doado 60.000 reais para a quadrilha da Vila Cruzeiro.

Empréstimo – Bernardo tinha tanta intimidade com bandidos da favela que chegou a pedir dinheiro emprestado ao traficante Menor P., em um dos momentos de atraso de salários do Vasco. Ele pegou com o bandido 40.000 reais e saldou a dívida quando voltou a receber do clube.

O caso de Bernardo vem à tona no momento em que corre, em Minas Gerais, o júri do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de ser o assassino da jovem Eliza Samudio, que namorou o ex-goleiro Bruno Fernandes, do Flamengo. O novo episódio deixa claro, além do risco que persiste nas favelas cariocas, a atração incontrolável que os craques da bola têm pelo perigo.

Bernardo tem dito a amigos que jamais pisará na favela da Maré outra vez. É uma decisão sábia, diante do problema que criou. O bandido Menor P. passou a ser, depois do episódio, ainda mais visado pela polícia. E está enfurecido: além de amargar a traição, tem sido desmoralizado na favela, onde recebeu o apelido de “Tufão”, em referência ao personagem interpretado por Murilo Benício na novela Avenida Brasil, sempre traído pela mulher, Carminha (Adriana Esteves). Muros da favela passaram a ser pichados com o novo apelido.

O bandido Nos quatro últimos anos, desde que assumiu o controle de quase todas as favelas do Complexo da Maré, localizado às margens da Linha Vermelha e da Avenida Brasil, rotas obrigatórias para turistas que chegam ao Rio de Janeiro pelo Aeroporto do Galeão, o traficante Marcelo Santos da Dores, conhecido como Menor P., expandiu seus tentáculos de poder usando e abusando da violência. Extorquiu (2 milhões de reais) empreiteiras que faziam obras públicas que passavam em seu reduto, capitaneou disputas pelo território que deixaram quase uma centena de mortos e puniu traidores com a morte. O criminoso adotou também políticas assistencialistas, distribuindo gás, remédios e presentes para moradores da favela em datas festivas como Natal, Dia das Crianças, promoveu shows de artistas famosos, como o cantor Naldo, e grandes cultos evangélicos para angariar a simpatia de todos os gêneros. Tudo isso, misturado à corrupção de parte das forças policiais a quem paga.

Menor P. – ou Astronauta – era tão confiante que gostava de dar recados no baile. Numa das gravações que foram parar no youtube, ele pede a união de todos os moradores e reclama que a polícia e o Diabo tentaram ‘ceifar sua vida’. E em seguida cita uma passagem bíblica: “Eu sou que nem o Monte Sião, que não se abala nunca mas permaneço para sempre”. O traficante encerra seu discurso demagogo pedindo gritos mais altos dos presentes ao baile: “Quero ouvir toda a comunidade gritando, porque quem manda na comunidade é vocês (sic), a gente só administra”.