Mulher de 101 anos vê mar pela primeira vez

Ruby Holt contou que nunca teve tempo ou dinheiro para visitar uma praia

A americana Ruby Holt viu o mar pela primeira vez na vida pouco antes de completar 101 anos (foto: BBC)
A americana Ruby Holt viu o mar pela primeira vez na vida pouco antes de completar 101 anos (foto: BBC)

Publicado por BBC [via G1]

A poucas semanas de completar 101 anos, a americana Ruby Holt viu o mar pela primeira vez na vida.

Ruby passou a maior parte da vida em uma fazenda na zona rural do Tennessee onde colhia algodão. Ela disse que nunca teve tempo ou dinheiro para visitar uma praia.

O asilo onde ela vive em parceria com ONG que realiza os últimos desejos de idosos pagou a viagem da americana até o Golfo do México, onde ela pôde, pela primeira vez em um século, caminhar sobre a areia e sentir as ondas em seus pés.

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A vida sem rédeas

ca. 1990s Wyoming, USA

Ricardo Gondim

A vida se parece com um cavalo chucro. Ela não obedece prognósticos, despreza vaticínios e nunca se prende aos trilhos da lógica. Quando puxada à direita, desobedece. Se afrouxamos as rédeas e cogitamos parar, eventos súbitos nos surpreendem. Quem não se dobra à verdade de que a vida é selvagem, desperdiça enormes pedaços da existência. O esforço de encabrestar o potro selvagem chamado vida, exaure. Querer antecipar o futuro é tarefa estafante, um delírio onipotente.

Ciência e tecnologia prometem trazer as variáveis da vida sob sua tutela. Mesmo com toda conquista médica, capacidade meteorológica e poder cibernético, por mais admiráveis, estamos longe, muito longe, de subjugar o tal potro.

Mantemos uma inquietação estranha. Ambicionamos controle. Como tornar o futuro minimamente previsível? A religião se oferece como resposta alternativa. Os templos lotados atestam sua força. A necessidade humana de antecipar-se a acidentes, de prever intempéries e de se proteger da aleatoriedade, leva muitos a acessar o divino. O desencanto pós-moderno é, em grande parte, responsável pelo avivamento da crença de que resta esperar pela proteção de Deus. A lógica do javismo de Deuteronômio ensina que Deus blinda, desde que ele contemple uma contrapartida dos filhos. Quem cumprir os mandamentos, cria defesa para tudo: do ataque dos gafanhotos na plantação à vaca infértil. Devido a essa expectativa, sobejam os marqueteiros da religião, que repetem (nunca de graça): Deus coloca seus filhos debaixo de suas asas. (Onde estão as redomas de aço ao dispor dos santos?) Outros místicos prometem: Com Deus, nenhum mal acontece. Livretos repetem, ad nauseum, fórmulas para fechar o corpo, quebrar maldição, receber milagre, anular o poder do diabo, alcançar graça, neutralizar os efeitos da macumba. Jargões, decorados e esbravejados, tentam gerar uma fé com o poder de domesticar o futuro selvagem.

Muito do que se busca no milagre não passa de esforço para tornar o dia a dia mais plácido e sem sacolejos ou surpresas desagradáveis. Acontece que essa mentalidade não encontra eco na tradição cristã  – nem se sustenta na realidade concreta das pessoas. Jesus jamais cogitou esse tipo de vida. O Nazareno se esforçou para mostrar que, antes de reverter a realidade, temos de mudar os conteúdos do coração. No universo conceitual do Carpinteiro, o mundo, repleto de predadores, sofre ameaça dos maus. Justos e injustos nunca se veem livres dos perigos da natureza. Viver é perigoso – arriscado.

Fé tem a ver com nossa capacidade de lidar com as diferentes fases da vida. Estações distintas compõe nossa história. Em cada uma delas – infância, adolescência, vida adulta e velhice – existem problemas. Fé se irmana à sabedoria para nos ajudar a encarar – e apreciar –  essas estações em sua beleza, limitações e desafios. Devido à fé, não nos destruímos nos picos de euforia ou nos vales de tristeza – na gangorra emocional – que as muitas épocas da vida trazem.

Nossa fé tem a ver, também, com liberdade. Quais as avenidas do amanhã, sempre inédito, que decidimos andar? Reconheçamos: toda liberdade é limitada. Não nos perguntaram nossa preferência de sexo, cor da pele, hereditariedade ou lugar de nascimento. Igualmente, ninguém opta se vai ou não precisar beber água. Podemos escolher, pelo menos, a atitude que beberemos. O modo como encaramos nossa contingência pode determinar nossa qualidade da vida. Fé procura influenciar a resposta aos prêmios, ou às vicissitudes, que compõe o enredo de nossa história.

Ninguém é uma ilha. Pessoas dependem de pessoas. Para viver é preciso saber estabelecer relacionamentos.  Fé repousa, assim, em um alicerce essencial: a convivência com o próximo. Nela, desenvolvemos nossa capacidade de amar e deixar-nos amar.

Como a vida é alazão arisco e indomável, vive quem respeita as fases que o tempo escancara, lida com suas flutuações emocionais e reconhece – e aceita – os desdobramentos de suas escolhas. Acima de tudo, vive quem se vê, neste vasto mundo, parte de uma mesma família.

Fé avisa ao potro: esperneie o quanto desejar, eu não desistirei.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

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Os felizes e os desgraçados

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Ricardo Gondim

Bem-aventurados os contentes com a vida.
Neles qualquer migalha divina
será bênção dividida.
E toda alegria,
a negação da rotina.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de beleza.
Neles encarna o Filho do Poeta.
Seus versos entrarão na sala da realeza
E só eles perceberão, no inefável,
uma partitura completa.

Bem-aventurados os trapezistas.
Eles no alto circo balançam.
No perigo de viver,
destilam nos mortais, pistas
que só os riscos aguçam.

Bem-aventurados os maratonistas.
Eles correm sem o prêmio esperar,
buscam metas
pela alegria das conquistas
que os anos querem temperar.

Bem-aventurados os impotentes.
Eles se sabem incapazes de amar,
se enxergam carentes,
e  só esperam o espírito depurar.

Mal-aventurado o africano.
A humanidade o ensinou a pescar
no rio do desengano.
Desgraçado o que aprendeu a descansar
no colchão desumano,
onde o piolho pica até cansar.

Mal-aventurada a mãe que chora
no morro carioca.
Ela que, em toda hora,
contempla o rés do chão traiçoeiro,
nunca terá desforra.
Não há cavalheiro
para o lenço estender
ou a face suavizar na
lágrima que lhe acalora.

Mal-aventurados os velhos.
Eles jazem alucinados
na impura enfermaria.
A cadeia os alucina aprisionados,
por malignos escaravelhos
que pendem nos lustres empoeirados.

Mal-aventurados os generais.
Eles festejam faustos feitos.
Mas, deles é o cálice pleno de ais.
Infelizes nos coitos, eles
sabem que suas mulheres são iguais
às meretrizes menos geniais.

Mal-aventurados os religiosos.
Eles, das verdades fazem dardos.
Deles nascem males rancorosos
que condenam seus convertidos
à eternidade dos medrosos.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

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Sinais de que a idade chegou para você

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Publicado no Deixa que eu manjo

A idade chega para todos nós. Uma hora ou outra vamos ter que lidar com cabelos brancos, alguns deles caindo, umas rugas a mais, e de repente você está numa mesa jogando dominó com os amigos. Saber que você um dia ficará velho e aceitar isso é um passo enorme para envelhecer com qualidade. A partir de qual idade o homem começa a sentir a idade batendo na porta? Não existe uma idade específica para as coisas acontecerem, mas você já pode ir interpretando os sinais e ficar atento para quando a “experiência” vier cobrar sua fatura.

Você fica extremamente caseiro

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Ser caseiro não é uma qualidade inerente à idade, mas ela aumenta exponencialmente quando você envelhece. Ter apego às suas coisas, seus móveis, curtir mais ficar em casa. Ser caseiro e mais intimista é algo que você passa a dar mais valor com mais maturidade. Você passa a prezar mais pela limpeza e a cuidar do ambiente em que você está.

Seus eventos passam a ser com menos (e mais chegados) amigos

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Sabe aquela viagem pra praia com 45 pessoas que você só conhece cinco? Aquela comitiva de gente que acaba espalhada em colchões de solteiro pela sala cheia de areia? Pois é, isso vai acabar quando você chegar a certa idade. Viajar com os amigos? Sim, mas com as condições mínimas de conforto e higiene para você não se sentir num poleiro. Os eventos casuais também passam a ficar mais seletivos. As baladas vão ficando mais raras, e os churrascos, jantares e eventos em casa de amigos ficam mais frequentes. Beber e dormir na rua passa a ser história para rir nesses eventos menores.

Você passa a ter prioridades com dinheiro

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Sabe aquele carro que você adiou comprar? Aquele apartamento que você não juntou dinheiro para dar entrada? Planos como esse passam a entrar na sua pauta quando você atinge certa idade. Você sabe que precisa fazer planos a longo prazo e que o planejamento financeiro passa a ser essencial para que eles saiam do papel. Aquela época em que o que você ganhava dava para financiar apenas as cervejas passou, e os meios que você usa para gerenciar sua grana devem mudar também.

Você percebe que sua época de fazer bobagem passou

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Raspar o cabelo do lado e fazer um moicano? Fazer um look novo na barba? Vestir aquelas camisas sem passar que parece que foram mastigadas por um bode? Não mais depois de uma certa idade. Algumas bobagens têm data de validade para serem feitas (e você já sabe disso, não é?). Então o jeito é aproveitar enquanto dá tempo. Depois, é melhor respeitar a idade que você tem.

Ah, e tem os sinais físicos também!idoso_sinais

Já não aguenta mais dar aquele pique na pelada? Os cabelos estão ficando mais ralos? A barriguinha já insiste em não te abandonar mais? Pois é amigo, são os tempos de jovem indo embora. O mais importante é a consciência de ter vivido bem os anos de juventude, para poder rir do tempo bom que passou ao invés de reclamar aquilo que não conseguiu viver. E sobre a barriguinha, não se preocupe: as mulheres preferem assim.

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Os 40 são os novos 30, só que não

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Mariliz Pereira Jorge, na Folha de S.Paulo

Você está se levando muito a sério, disse meu psicanalista. Olhei para ele e pensei, como a gente deixa esse tipo de coisa acontecer. Parece que foi ontem que tudo que eu planejava era chegar até o fim de semana.

Não perdia o sono, não sabia o que era ansiedade, muito menos perceber um desânimo, e não entender de onde vem esse peso que nos afunda.

Durante muito tempo eu consumia a vida. E quando me dei conta é a vida que me consome. São prazos, cobranças, mais contas do que dinheiro, falta de paciência, saco cheio, intolerância, um bufar constante. Passei a não me aguentar, porque não aguentava mais o pouco do muito que me rodeava.

É complexo. Mas quem já passou por isso sabe o que é. A gente se sente muito jovem ou nem pensa no momento porque está ocupado demais em viver. Nunca fui inconsequente. Não ser careta, certinha, não tem nada a ver com ser porra louca. Eu apenas percebi muito cedo que tinha mundo demais, tinha gente demais, tinha vida demais para conhecer e desbravar por aí.

Então, você se depara com o mestre dos clichês: a vida é feita de escolhas. E quando você olha tem 40 anos. E entra em crise porque não sabe se fez as escolhas certas. E começa a contestar se tudo o que fez valeu a pena. E se pergunta quando você começou a ficar tão chata. E olha para os lados e pensa, de onde veio esse medo da vida?

Tudo começa a ganhar uma proporção maior do que deveria. Você pensa que talvez, e só talvez, deveria ser a antítese da música dos Titãs. Amei muito, arrisquei muito, vi centenas de pores do sol, caguei para os problemas, morri de amor algumas vezes, aceitei sempre o que a vida me trouxe. E agora, José?

Agora todo mundo casou, teve filhos, comprou uma casa –ou duas–, se separou, casou de novo, foi promovido. E você continua sem saber o que fazer na semana seguinte.

Tomo um copo de água. Olho para o meu psicanalista, ele ri. De mim, claro. E começa a dizer o que a gente não deveria esquecer.

Quando começamos a olhar todos os problemas que surgem na vida adulta, focamos apenas em resolver o que nos traz o conforto imediato e não exatamente o que nos faz feliz. Chega uma hora que a gente resolve que chegou o momento de ter estabilidade na vida. Para a maioria essa urgência chega aos 30. Para outros aos 40, que são os novos 30 –só que não, exatamente.

Aos 30 você morre de tédio de pensar nessa monotonia da estabilidade. Mas aos 40 começa a acreditar que deveria ter engolido alguns sapos no trabalho e no amor, para não ter que pensar na semana que vem. E assim, ser infeliz para sempre.

Os paradoxos da vida. Quero tudo, mas não agora. Nem sempre as coisas acontecem quando queremos, principalmente para os adoradores da vida, para quem o tempo pode ser a qualquer hora. A gente precisa desarmar essa bomba prestes a explodir dentro de nós, que se chamam convenções, obrigações, chateações e olhar de novo apenas para o que nos dá prazer.

Quanto mais converso com o meu senhor Freud, mais me convenço de que estou tentando ser alguém que não sou –e nem preciso ser. Não sou a garota certinha, que planeja passo a passo o que vai acontecer amanhã. Não sou eu. Quanto mais quero prever o futuro, mais sofro com o presente. Quero usar a maturidade para viver a vida de uma forma mais adolescente, quando tudo que a gente mais faz é ser feliz, porque acredita que tem a adolescência pela vida afora.

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