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New York Times: Templo evangélico de R$ 680 mi no Brasil faz Cristo no Rio parecer ‘penduricalho’

Fiéis da Igreja Universal observam templo de R$ 680 milhões em São Paulo (foto: Daniel Kfouri/The New York Times)

Fiéis da Igreja Universal observam templo de R$ 680 milhões em São Paulo (foto: Daniel Kfouri/The New York Times)

Simon Romero, no The New York Times

Ele ocupa toda uma quadra desta abundante megacidade: uma versão com 10 mil lugares do Templo de Salomão.

Elevando-se em destaque contra os prédios próximos repletos de pichações, ele acena com paredes monumentais de pedras importadas de Israel e as bandeiras das dezenas de países onde sua proprietária, a Igreja Universal do Reino de Deus, está nutrindo seu império cristão evangélico.

Um heliponto permitirá a Edir Macedo, o magnata de mídia de 69 anos que fundou a Igreja Universal em uma funerária do Rio de Janeiro, em 1977, vir para os sermões. O vasto complexo de 11 andares conta com outros floreios, como um oásis de oliveiras semelhante ao jardim do Getsêmani, perto de Jerusalém, e mais de 30 colunas se erguendo aos céus.

“A Igreja Universal não poupou gastos”, disse Rogério Araújo, o arquiteto do projeto, que deverá ser inaugurado na quinta-feira (31) no bairro do Brás, em São Paulo (SP). Em uma visita ao local, acrescentou, “nós buscamos construir um colosso, algo que faria as pessoas pararem e observar, e foi o que entregamos”.

A réplica do Templo de Salomão, que levou quatro anos para ser construída a um custo de cerca de US$ 305 milhões (R$ 680 milhões), mostra o grande crescimento das seitas evangélicas no Brasil. Apesar deste país de 200 milhões de habitantes ainda ter mais católicos romanos do que qualquer outro país, o número de evangélicos no Brasil saltou de 15% da população, em 2000, para 22% em 2010, segundo números do censo.

Grandes igrejas evangélicas, particularmente instituições pentecostais como a Igreja Universal, também estão exercendo maior poder político por todo o Brasil, refletido na considerável bancada evangélica no Congresso e nos esforços de candidatos de todo o espectro político para atrair os eleitores evangélicos na eleição presidencial deste ano.

A presidente esquerdista do Brasil, Dilma Rousseff, deverá estar presente aqui na inauguração do templo, ressaltando o apoio que sua coalizão de governo recebe de um bloco de líderes evangélicos conservadores, incluindo o sobrinho de Macedo, Marcelo Crivella, um pastor da Igreja Universal e cantor gospel que, até recentemente, era ministro da Pesca.

O templo será uma das maiores estruturas religiosas do Brasil, fazendo o famoso Cristo Redentor do Rio, que em comparação tem a metade do tamanho, parecer um penduricalho

O templo será uma das maiores estruturas religiosas do Brasil, fazendo o famoso Cristo Redentor do Rio, que em comparação tem a metade do tamanho, parecer um penduricalho

Jato privado e passaporte diplomático

Ninguém mudou tanto a paisagem religiosa do Brasil quanto Macedo. Um televangelista e fundador da Igreja, Macedo agora viaja em jato privado com passaporte diplomático especial (um privilégio também concedido no Brasil às altas autoridades do Vaticano), expondo a teologia da prosperidade e elementos pentecostais como exorcismo e cura pela fé.

Com uma fortuna pessoal estimada em US$ 1,2 bilhão, Macedo saiu da obscuridade por meio de seu controle da Rede Record, uma das maiores redes de televisão do Brasil,  e de sua expansão agressiva da Igreja Universal, durante a qual enfrentou acusações de corrupção, incluindo evasão fiscal e lavagem de dinheiro.

Macedo ficou preso por 11 dias em 1992, sob acusação de charlatanismo e fraude. Ele rechaçou com sucesso outras investigações criminais, incluindo alegações dos promotores de que ele e outros líderes da Igreja desviaram doações dos fiéis para enriquecerem a si mesmos. No ano passado, ele cultivou uma aparência um tanto de mago, deixando crescer uma longa barba grisalha, além de ocasionalmente vestir o que parece ser um solidéu, semelhante aos usados por muitos judeus praticantes.

A réplica do Templo de Salomão inclui várias menorás dentro da estrutura, onde os sermões serão feitos, além de uma grande menorá perto da entrada, que lembra o existente diante do Knesset, o Legislativo de Israel. A bandeira de Israel também está hasteada nas proximidades, ao lado das da Igreja Universal, Brasil e Estados Unidos, entre dezenas de outros países.

“Há apenas uma fé bíblica; é impossível dissociar o cristianismo de suas raízes judaicas”, disse Cássia Duarte, uma porta-voz da Igreja Universal. Ela enfatizou que Macedo foi absolvido de uma série de alegações de corrupção, fortalecendo a “pregação do evangelho” da Igreja.

Os estudiosos dizem que a promoção do simbolismo judaico da Igreja Universal em sua réplica do Templo de Salomão deriva de sua busca por legitimidade histórica, em uma Igreja que tem apenas 37 anos. O Templo de Salomão original teria sido construído na Jerusalém antiga pelo rei Salomão por volta de 1000 a.C. e destruído cerca de quatro séculos depois, em um sítio liderado por um rei babilônio.

“Macedo foi um pioneiro na utilização dos símbolos e rituais ligados ao Velho Testamento e judaísmo como elementos centrais na criação de uma Igreja capaz de conquistar corações e mentes”, disse Rodrigo Franklin de Souza, um especialista em história bíblica da Universidade Mackenzie, em São Paulo.

Cristo no Rio tem metade do tamanho

Até o momento, os líderes da comunidade judaica do Brasil adotaram uma postura relaxada diante do novo Templo de Salomão. “Por um lado, há a forma favorável com a qual a cultura e história judaicas são tratadas na estrutura”, disse Nilton Bonder, um rabino brasileiro cujos textos com temas espirituais são amplamente publicados. “Por outro lado, há o aspecto bizarro das dimensões do projeto e do marketing agressivo.”

O templo será uma das maiores estruturas religiosas do Brasil, fazendo o famoso Cristo Redentor do Rio de Janeiro, que tem apenas a metade do tamanho, parecer um penduricalho em comparação.

“O templo monumental será um símbolo poderoso tanto do Brasil, como epicentro do pentecostalismo global, quanto da Igreja Universal, como principal congregação desafiando a Igreja Católica no Brasil”, disse R. Andrew Chesnut, um especialista em religiões latino-americanas da Virginia Commonwealth University.

O projeto já conta com apoio entre alguns fiéis da Igreja Universal. “Eu fico empolgada só de ver o templo em uma foto”, disse Mauricea dos Santos Ribeiro, 72 anos, uma bancária aposentada que frequenta uma das igrejas da seita no Rio de Janeiro. Ela disse que um grupo de sua congregação planeja viajar para cá para ver o templo. “Eu estou contando os dias até nossa ida.”

Se o novo Templo de Salomão visa atrair nova atenção para a Igreja Universal, a estratégia está funcionando.

Os transeuntes param diante dele dia e noite. Alguns tiram fotos com seus celulares. Muitos olham com espanto, expressando suas reações em uma calçada lotada onde vigias, descritos como “Guardiões do Templo” em seus uniformes, patrulham a entrada.

“O templo é enorme, lindo, mas também ostentoso demais”, disse Solange Barbosa de Nascimento, uma costureira de 58 anos, que é fiel de outra Igreja evangélica brasileira chamada Paz e Amor, em uma manhã recente. “Eu me pergunto se não poderiam ter gasto todo esse dinheiro de outra forma, como cuidando dos pobres.”

Motorista de ônibus nega transporte a catador de latinhas e gera revolta em passageiros

onibus

Publicado em O Globo

“Me manda embora, ué”. Com esta frase um motorista de ônibus do Rio de Janeiro, da linha 474 (Jacaré – Jardim de Alah), respondeu aos passageiros que estavam no veículo quando foi criticado por não querer transportar um catador de latinhas.

O episódio aconteceu no último domingo, na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, e foi filmado por um dos passageiros. Para ver o vídeo, clique aqui.

O catador de latinhas teria entrado pela porta de trás do veículo e tentou pagar sua passagem, mas foi impedido pelo motorista. Os passageiros se revoltaram com a situação e reivindicaram a permanência do catador no veículo.

“Sai não. Ele está trabalhando com as latinhas dele lá atrás. Ficou o dia inteiro catando lata na areia. Desumano! Que negócio é esse?”, diz uma das passageiras.

Outros também se solidarizaram afirmando que se tratava de uma discriminação. Na publicação no Facebook, o autor do vídeo afirma que o motorista alegou que o ônibus não era caminhão de lixo.

Após a resistência do profissional, o catador resolveu sair do veículo, o que gerou mais revolta entre os passageiros, que passaram a pedir o dinheiro da passagem de volta para também deixarem o carro.

O motorista continuou a negar a continuou a viagem, dizendo que os passageiros poderiam utilizar o metrô mais próximo.

“Não falta empresa para mim”, respondeu ele ao ser criticado.

O consórcio Intersul, responsável pela linha 474, afirma que a conduta do motorista foi inadequada, “em desacordo com o treinamento que recebeu e as normas de conduta previstas para situações de conflito”.

Em nota, o consórcio ainda afirma que o profissional passará por um processo de requalificação e lamenta os transtornos causados aos passageiros.

Garoto negro mostra racismo na rede social Vine

Rashid Polo

publicado na INFO

Rashid Polo geralmente usa os sete segundos de vídeo no Vine para trivialidades. Ora reclama de professores, ora comenta como se sente ao ver a ex com outra pessoa, ora encena um suicídio no caso de ter de ouvir Happy, de Pharrel Williams, mais uma vez.

Mas também gosta de flagrar (e comentar) o racismo velado com o qual atendentes de lojas tratam rapazes negros como ele, de acordo com uma postagem do BuzzFeed. Basta entrar em um mercado ou uma loja de conveniência e lá está o funcionário, rondando-o para ver se o rapaz não furta algo.

“Ela está me seguindo pela loja o tempo to… Olha lá! Ela pensa que eu estou roubando!”

“Ela pensa que eu estou roubando! Ela pensa que eu estou roubando! Reparem.”

“No céu, todo mundo trabalha”, diz menino que inspirou “O Céu É de Verdade”

ceu1Publicado por Roberto Sadovski

Colton Burpo atende ao telefone com voz grave. Aos 15 anos, ele não é mais o garotinho que fica na memória após uma sessão de O Céu É de Verdade, drama de inspiração cristã baseado em uma experiência que ele teve aos 4 anos de idade. Em 2003, um apêndice perfurado o levou a uma cirurgia de emergência arriscada. Quando estava na mesa de operação, Colton diz que deixou seu corpo, viu seus pais em outros pontos do hospital e foi levado ao Céu, ao paraíso cristão, por Jesus. Conheceu sua irmã que morreu antes de nascer, conversou com seu bisavô, teve um vislumbre da vida do outro lado… e voltou para contar a história. “O Céu é como a Terra, todo mundo trabalha, todo mundo tem uma função”, explica, ao telefone. “Só que tudo lá é mais bonito.”

A história de Colton, narrada em fragmentos para seus pais, o pastor Todd e sua mulher, Sonja, causou problemas em sua comunidade, a pequena Imperial, no estado de Nebraska. Muitos tomaram por alucinações na mesa de cirurgia. Outros, pela vívida imaginação de uma criança de 4 anos. “Eu mesmo duvidei de minha própria fé”, confessa Todd. “Mas ele contou coisas que ninguém sabia, descreveu pessoas e situações com uma riqueza de detalhes que ele não poderia inventar.” A história se tornou um livro, publicado em 2010. Hollywood não ignorou as vendas e o enorme público-alvo em potencial, e O Céu É de Verdade, com Greg Kinnear no papel de Todd Burpo, materializou-se pelo diretor Randall Wallace (Fomos Heróis). O resultado foi um arraso: o filme faturou 90 milhões de dólares, um sucesso absoluto.

A verdadeira família Burpo, à época da publicação de O Céu É de Verdade

A verdadeira família Burpo, à época da publicação de O Céu É de Verdade

“É bizarro e assustador ver sua história ser interpretada por outras pessoas em um filme”, conta Todd, sempre bem humorado. “O livro é nossa visão do que aconteceu, já o filme conta sua própria história.” Em outras palavras, Hollywood dramatizou um recorte da vida da família Burpo e a experiência de Colton. Apesar de estar descrito em várias obras literárias, inclusive a própria Bíblia, o Paraíso cristão é, para muitos, uma metáfora, uma demonstração poderosa da força do simbolismo religioso. Não para Colton. “Eu ainda lembro de tudo claramente”, conta, tímido. “Sentei no colo de Jesus, conheci meu bisavô. Eu sei o que vi e o que vivi”. E como a descrição de Hollywood se compara com o que ele testemunhou? “Ah, eles fizeram um trabalho bacana.” Todd acrescenta: “A primeira vez que eu vi Connor Corum, que interpreta Colton aos 4 anos, foi como se estivesse vendo meu filho. Eles recriaram alguns dos momentos mais difíceis de minha vida.”

Difíceis. Igualmente fantásticos. Para quem não compartilha a fé dos Burpo, uma fantasia elaborada. Quando eu pergunto como eles acham que alguém que segue o Islamismo ou o Budismo veria o Céu, caso tivesse uma experiência como a de Colton, a resposta é supersônica. “Não sei, não posso nem imaginar”, dispara Colton. “Acho que, ver o que eu vi, é para quem acredita em Jesus e em seu amor.” Religião é, de fato, assunto complexo. Mas Todd se apressa em fugir da pregação. “Muitas pessoas tiveram experiências como a de Colton”, continua. “Muitos adultos, porém, tem medo de relatar o que viveram, justamente pelo temor em serem chamados de malucos.” O pastor conta que, após a publicação do livro, muitos o procuraram, mesmo ser compartilhar sua fé cristã, para dizer que acreditam em Colton.

Colton foi ao Céu, voltou e nem trouxe uma camiseta…

Colton foi ao Céu, voltou e nem trouxe uma camiseta…

Se, como filme, a história pode ser encarada como uma fantasia cristã, do lado de cá a família Burpo enfrentou críticas pesadas. Vários líderes religiosos atacaram a descrição nada bíblica do Paraíso feita por Colton, com Jesus montado em um cavalo colorido como um arco-íris, Maria ajoelhada ante o trono de Deus e uma vida no pós-vida não muito diferente do que temos por aqui. Já personalidades não religiosas apontam que tudo não passou de uma fantasia infantil, já que a mente de um menino de 4 anos ainda seria incapaz de discernir realidade e fantasia.

“Já ouvi todo tipo de agressão, mas também ouvi muitos testemunhos de fé”, conclui Todd. “Não posso dizer a ninguém no que acreditar. Eu mesmo demorei para fazer as pazes com minhas crenças! Mas acredito em meu filho, e acredito no que ele experimentou.” Mais de uma década depois, Colton Burpo segue a vida, um adolescente normal, nenhuma sequela nem de sua operação, nem de sua experiência fora de seu corpo. “Você então está OK, Colton?”, pergunto, no que logo sou interrompido por Todd Burpo, que brinca: “Fisicamente ele está ótimo, mas seus irmãos nunca vão dizer que ele é OK”.


dica do Tércio Ribas Torres

Juiz da semifinal é pastor, ouviu a voz de Deus e evita apelido ‘demoníaco’

O árbitro Marco Antonio Rodríguez foi o mais jovem a apitar na 1ª divisão mexicana, aos 22 anos (foto: Getty Images)

O árbitro Marco Antonio Rodríguez foi o mais jovem a apitar na 1ª divisão mexicana, aos 22 anos (foto: Getty Images)

Publicado no UOL

Marco Antonio Rodríguez, escolhido para apitar a semifinal entre Brasil x Alemanha, é classificado como “o único juiz cristão da Copa” pelos veículos mexicanos especializados em notícias do mundo gospel. Quando pendura o apito, o árbitro verga uma cópia da Bíblia e trabalha como pastor evangélico em uma igreja da cidade de Milpa Alta, na região metropolitana da Cidade do México.

Aos 40 anos, em sua terceira Copa, ele não quer ser chamado pelo apelido que virou uma espécie de sobrenome desde que se tornou famoso, “Chiquidrácula” (Minidrácula), graças a uma suposta semelhança com um personagem de uma antiga e popular comédia mexicana.

Rodríguez diz que seu trabalho pastoral e suas atividades ligadas a crianças carentes não combinam com a ligação com um personagem demoníaco, como o senhor dos vampiros.

Sua vida de pregador às vezes se mistura com à de árbitro, como no dia em que foi acusado pelo técnico Carlos Reinoso, do América, de o ter expulsado de campo apenas porque o treinador acusou o juiz de não ser cristão como ele, Reinoso, era.

Em uma gravação de quase 20 minutos disponível no Youtube, é possível ouvir Rodríguez dando um emocionante “testemunho” sobre sua vida religiosa. “Estou muito feliz de estar aqui hoje”, começa o juiz. “Poderíamos falar sobre por que não dei um pênalti para o Toluca ou por que expulsei Cuauhtémoc Blanco, mas hoje quero contar a vocês como Deus mudou a minha vida.”

Depois de viver a adolescência e os primeiros anos da vida adulta de maneira “depravada” e “obscura”, o juiz sentiu a mão de Deus em sua vida ao superar uma alegada infertilidade e fecundar sua mulher, que deu à luz sua primogênita Abigail.

Anos depois, o casal foi abençoado novamente com a gravidez de Shalom, mas o feto esteve perto de morrer por causa de uma complicação no útero da mãe.

O médico queria fazer uma cirurgia que poderia salvar a grávida, mas causar a morte de Shalom. O pai se lembra de ficar repetindo à mãe e aos médicos: “Deus vai nos mostrar algo, Deus vai nos mostrar algo”. Decidiu com a mulher não operar. Foram embora do consultório prometendo ao médico que, aos nove meses, ele faria o parto de Shalom. “O médico disse que eu estava louco, mas eu acreditava no Senhor”, lembra o juiz.

Shalom nasceu sem sustos cinco meses depois. “A minha relação com Deus é pessoal”, afirmou o juiz em uma entrevista anos depois.

Em 2003, Rodríguez ouviu pela primeira vez a voz d’Ele. Estava do outro lado do mundo, no Catar, apitando um campeonato local, quando Deus o acordou no meio da noite. “Ouvi claríssimo, pela primeira vez: ‘Para agora! Porque vai acontecer uma tragédia em sua família’.”

Sem entender a razão, o juiz começou a chorar e rezou por uma hora, pedindo a Deus que poupasse sua família do que quer que fosse. Até que sentiu “uma paz” e foi dormir. No dia seguinte, sua mulher telefonou informando que a irmã de Rodriguez, Marissol, esteve muito perto de morrer.

O juiz tem certeza que suas orações foram fundamentais para que a tragédia não se consumasse. “A partir daí, comecei a sentir um desejo ardente de me tornar íntimo de Jesus Cristo.”

Rei dos cartões

Dentro das quatro linhas, Rodríguez é descrito como um juiz rigoroso e às vezes exagerado. Talvez ele seja o único árbitro da história do futebol a ter mostrado dois cartões amarelos ao mesmo tempo, um em cada mão, para dois jogadores diferentes.

Aconteceu na final do Campeonato Mexicano de 2011, e um dos advertidos não evitou um risinho diante dos dois braços estendidos do juiz. Rodríguez pegou cinco jogos de suspensão pelo exotismo do método, classificado por seus detratores como um “show de arrogância e exibicionismo”.

Ele também entrou na história da Libertadores ao expulsar aos 25 segundos de jogo um atleta do Atlético Nacional, da Colômbia. Foi o cartão vermelho mais precoce da história da competição – e um dos mais exagerados também.

Apesar do excesso de rigor, Rodríguez já pode se considerar um dos árbitros mais bem sucedidos do México, já que vai comandar sua sétima partida de Copa do Mundo. Foram quatro jogos em 2006 e 2010, além de Bélgica x Argélia e Uruguai x Itália, no Brasil.

Neste último confronto, ele não viu a famosa mordida de Suárez em Chiellini, um dos fatos mais memoráveis desta Copa. Também expulsou o italiano Claudio Marchisio, cartão vermelho a que o time europeu credita boa parte de sua eliminação precoce.

Mas além de cartões e Cristo, o juiz tem outra fixação: o aprumo de seu cabelo, que raramente é visto em outra posição senão a de extremamente colado ao crânio (esse penteado, aliás, é o principal responsável por todos acreditarem que ele é um sósia do conde Drácula).

Foi na sua Copa de estreia, na Alemanha, que o árbitro percebeu que poderia ganhar dinheiro também no ramo da estética capilar. Ele apitava Costa do Marfim x Sérvia debaixo de muita chuva. O penteado impecável começou a desmontar. O juiz lamentou o fato de não haver no mercado um gel fixador tão potente que pudesse resistir a uma chuva daquelas.

Quatro anos depois, sua empresa, a “Producciones Chiquimarco”, lançava o “Chiquigel”, em duas versões: amarela (firme) e vermelha (extrafirme). “Não é como os outros géis que você passa e fica aquela coisa branca como se você tivesse caspa. Como o “chiquigel” não há outro no México ou no mundo”, garante o juiz-empreendedor.

Dizem que a atuação de um juiz é tão boa quanto menos ele aparecer em campo. No caso do Chiquidrácula, passar despercebido é um desafio muito maior.