Cantor baiano cria ‘axé do ebola’ e recebe críticas de internautas em site de vídeos

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Publicado em O Globo

Em meio a uma epidemia que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), já fez mais de quatro mil vítimas, desde março, na África, há quem consiga encontrar humor. O cantor Demétrius Sena, postou no YouTube um clipe com uma música de axé que brinca com o surto de ebola. “Ebola, ebola, tentando me matar/ Ebola, ebola, vai te contaminar”, diz um trecho. Postado no último dia 27, o vídeo teve mais de 33 mil visualizações e uma enxurrada de críticas.

Natural de Ilhéus, na Bahia, Sena trabalha com música desde 2009 e atualmente vive na Suíça, onde segue sua carreira musical. Ele conta que a letra, que faz uma ligação entre o ebola e uma menina que “adora ostentar”, propõe, na verdade, uma reflexão sobre a sociedade brasileira.

– Estive no Brasil recentemente de férias e percebi a grande falta de percepção das pessoas em relação à realidade. Fiz essa música em setembro para fechar o meu primeiro CD – conta Sena sobre a motivação por trás do trabalho. – No meu ponto de vista, quem ostenta tem uma mente pequena. Esta década está contaminada e ameaçada pelo vírus ostentação, que é tão desgraçado quanto o vírus ebola. É uma metáfora.

O clipe, que não para de ganhar compartilhamentos nas redes sociais, também vem enfrentando críticas. Para alguns internautas, o ebola é um tema sério demais para este tipo de abordagem. Sena dá de ombros:

– Estou usando a minha música pra fazer uma crítica ao sistema. Quis pisar nesse calo. Não ligo muito para críticas, levo na esportiva.

Perguntado se a música já pode ser considerada candidata a hit do verão, Sena afirma que esta não era a sua intenção. Entretanto, ele não descarta a possibilidade.

– Não fiz essa canção com a pretensão de criar um hit ou muito menos a música do carnaval. Foi apenas um protesto. Mas com a repercussão que está causando e se as pessoas conseguirem captar a minha mensagem, seria facilmente uma boa candidata à música do verão 2015 – vislumbra.

Abaixo, a transcrição da música:

Aqui não tem novinha

Não tem ostentação

Só muita verdade

Pra ganhar seu coração

Não sabe o português

Mas adora ostentar

Tomando Chandon

‘chei’ de conta pra pagar

Vai ver que é doença

Melhor não falar nada

Cabeça pequena

Espírito de privada

A nova geração

Que chegou pra desgraçar

O Brasil como um vírus

Estilo ebola

Ebola, ebola, tentando me matar

Ebola, ebola, vai te contaminar

Ebola, ebola, que miséra é essa

Comendo sua mente

Sai da frente tô com pressa

MAIOR EMERGÊNCIA NOS TEMPOS MODERNOS

A Organização Mundial de Saúde (OMS) informou nesta segunda-feira (13) que a epidemia de ebola é a “emergência de saúde aguda mais grave nos tempos modernos”. Além do aviso alarmante, a organização previu que o número de novos casos pode “aumentar exponencialmente”.

As declarações foram feitas pela diretora-geral da OMS, Margaret Chan. Segundo ela, o surto de ebola mostrou que “o mundo está mal preparado para responder a qualquer emergência de saúde pública grave”. Chan afirmou ainda que nunca tinha visto uma doença com potencial de falência do Estado tão destrutivo.

– Nunca vi um caso de saúde pública ameaçar tanto a própria sobrevivência das sociedades e governos em países já muito pobres – disse a diretora-geral da OMS.

O diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, Tom Frieden disse também na segunda-feira (13) que o país deve repensar as estratégias para evitar que a epidemia de ebola se alastre em território americano. Em uma coletiva de imprensa, Frieden reconhceu falhas no caso da enfermeira Nina Pham, de 26 anos, infectada enquanto tratava do paciente Thomas Eric Duncan, que morreu em decorrência do vírus na semana passada.

– Temos que repensar a nossa forma de tratar e controlar a epidemia, porque mesmo uma única infecção é inaceitável – disse Frieden.

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Mais de 200.000 fotos do Snapchat vazam na internet

Hackers acessaram imagens guardadas por meio do serviço de backup Snapsaved

Snapchat enfrenta novo caso de vazamento de informações de usuários (foto: Divulgação/VEJA)
Snapchat enfrenta novo caso de vazamento de informações de usuários (foto: Divulgação/VEJA)

Publicado na Veja on-line

Mais de 200.000 fotos e vídeos de usuários do Snapchat, aplicativo que permite trocar fotos que desaparecem dez segundos após o envio, foram divulgadas na web neste domingo. As imagens, coletadas por meio do serviço de backup de imagens compartilhadas Snapsaved, foram armazenadas ao longo dos últimos meses. Com a promessa de guardar as imagens recebidas no Snapchat, os usuários forneceram suas credenciais de acesso ao site. Ainda não está claro se o Snapsaved foi invadido ou se foi criado com o intuito de acessar as imagens do Snapchat.

Os rumores sobre o vazamento das fotos de usuários do Snapchat começaram na última sexta-feira, quando hackers afirmaram no site 4Chan que estavam organizando o material para divulgar ao longo do final de semana. Logo após a publicação, a equipe do Snapchat negou uma invasão em seus servidores. A empresa culpou aplicativos de terceiros que, contra os termos de uso, armazenam fotos e vídeos trocados pelo Snapchat no aparelho do usuário. “Não somos a fonte desse vazamento”, disse o Snapchat, em comunicado.

No total, um arquivo de 13 GB contendo as imagens e vídeos dos usuários do Snapchat foram compartilhados por meio do 4Chan neste domingo. De acordo com o jornal britânico The Guardian, parte do conteúdo (cerca de 100 MB) seria composto por fotos de adolescentes – que formam a maior parte da comunidade do Snapchat – em cenas de nudez. Há suspeitas de que os hackers por trás do vazamento do Snapchat sejam os mesmos que divulgaram recentemente fotos de celebridades nuas, como Jennifer Lawrence e Kim Kardashian.

Em comunicado divulgado na manhã desta segunda-feira, o Snapsaved, fonte do vazamento das imagens, afirmou que foi alvo de uma invasão de hackers. Os donos do site se defenderam das acusações, publicadas no site Pastebin, de que o serviço teria sido criado com o intuito de roubar fotos e vídeos publicados pelos usuários do Snapchat. “Assim que percebemos a invasão em nossos sistemas, apagamos o site inteiro e todo o banco de dados associado a ele”, disse um representante da empresa, por meio do Facebook.

Essa não é a primeira vez que usuários do Snapchat sofrem com o vazamento de informações. Uma vulnerabilidade permitiu que hackers divulgassem dados, como nome de usuário, números de celulares e localização de 4,6 milhões de usuários do Snapchat em janeiro de 2014. Na ocasião, o vazamento ocorreu porque a equipe de segurança da empresa demorou a responder a um pesquisador da área de segurança sobre como resolveria a falha no serviço. Por conta disso, ele divulgou sua pesquisa sobre a vulnerabilidade na internet, o que permitiu que hackers invadissem o Snapchat.

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Suspeito de divulgar vídeo de sexo faz acordo na Justiça, em Goiânia

Empresário terá que prestar serviços comunitários durante cinco meses.
Vítima, que teve imagens postadas na web, ficou revoltada: ‘Ele saiu rindo’.

inocente

Publicado no G1

O empresário de 23 anos, suspeito de divulgar vídeos de sexo de uma estudante, de 20, com que se relacionou e ficou conhecida como Fran, foi julgado na tarde desta quarta-feira (8), em Goiânia. O caso foi encerrado depois que ele aceitou um acordo proposto pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) para prestar serviços comunitários por cinco meses.

A audiência, que durou cerca de 1h, ocorreu no 3º Juizado Especial Criminal de Goiânia, no Setor Parque Atheneu. O empresário, que respondia por injúria e difamação e sempre negou ter divulgado os vídeos, chegou e saiu sem falar com a imprensa. Já a vítima ficou revoltada com o resultado da sessão.

“[Sensação de] impunidade, porque cinco meses de pena para ajudar as pessoas não vai pagar o que ele me fez. Eu não me conformo. Ele saiu rindo da minha cara, disse que não é ele. Eu estou com muita raiva, sentida mesmo com essa situação toda”, afirmou chorando.

A advogada da vítima, Darlene Liberato, também lamentou a punição branda do empresário, mas disse que foi melhor do que ele ter sido inocentado. “Muito embora não tenha havido uma condenação como deveria, pelo menos foi um princípio. Ele não saiu impune e durante cinco meses ele vai ter que prestar serviços à comunidade”, pontuou.

O caso ocorreu há um ano. Mãe de uma menina fruto de outro relacionamento e atualmente com 3 anos, a estudante perdeu o emprego e interrompeu a faculdade devido a divulgação das imagens.

“A vida dele continua normal. Quem sofreu as consequências fui eu. Eu quero que o meu caso sirva de lição para outras meninas. que passem pelo que eu passei. Eu fui bastante forte em lidar com essa situação, mas várias meninas não”, afirmou.

No fim da audiência, o carro que foi buscar o empresário entrou pelo estacionamento exclusivo para funcionários do juizado. A juíza Sandra Regina Teixeira Mendes, responsável pelo caso, afirmou que abriu uma exceção para evitar tumulto na saída dele.

Sobre o processo, ela disse que não poderia conceder entrevista porque o caso corre em segredo de Justiça.

Vítima saiu chorando da audiência: 'Não me conformo' (foto: Sebastião Nogueira/O Popular)
Vítima saiu chorando da audiência: ‘Não me
conformo’ (foto: Sebastião Nogueira/O Popular)

Vídeos
Os vídeos foram divulgados em outubro do ano passado via mensagens de celular e na web. Nas imagens, é possível ver a estudante em atos sexuais. O caso ganhou repercussão e virou meme [termo usado para frases, imagens e vídeos que se disseminam na internet de forma viral].

As gravações se propagaram rapidamente pelo aplicativo de celular. Em um dos vídeos, a jovem aparece fazendo um sinal de ‘OK’. O símbolo virou piada nas redes, com montagens de políticos. Fotos de celebridades fazendo o gesto também começaram a ser usadas pelos internautas. No entanto, algumas imagens teriam sido tiradas antes da polêmica e não se referiam ao caso.

Na época em que as imagens foram divulgadas, Fran afirmou que não se arrependeu de gravar os vídeos porque fez por amor. “Era com uma pessoa que eu amava e em quem eu confiava”. Só que isso não deveria ter sido mostrado para ninguém”, disse. No entanto, por causa da publicação dos vídeos, ela disse que sua vida “virou um inferno”.

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Já é o bastante Deus reconhecer o seu valor

É sempre legal antecipar aqui no blog gente que vai bombar nas redes em diferentes estilos.

William Gomez, Saulo Filguer e Rafael Souza moram em Serra (ES) e há pouco tempo um amigo postou um dos vídeos deles cantando. Sucesso imediato.

Pop gospel de Anderson Freire, “Raridade” dá ao trio a possibilidade de passear dos graves aos agudos limpíssimos. No vídeo abaixo, Saulo agradece o carinho dos fãs e canta 1 trecho de “Vem, filho amado”, do Diante do Trono.

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Pedófilo relata tentativas de tratar a doença e o medo do descontrole

G1 teve acesso a depoimento exclusivo em que homem fala do transtorno.
Especialistas comentam a falta de tratamentos que podem evitar crimes.

Ilustrações de Mariana Leme
Ilustrações de Mariana Leme

Giovana Sanchez e Bruno Machado, no G1

Como foi a reação quando o senhor contou para a sua esposa?
– Nossa, ela ficou arrasada. Na hora, ela não falou nada. Ela não teve palavras. Eu consegui conversar com ela na semana seguinte, já na prisão.
– O senhor tem alguma religião? Procurou ou já tinha?
– Eu já tinha, eu já era evangélico. Ajuda não tinha pedido para ninguém. É muito difícil pedir ajuda. Se eu falasse “eu sou ladrão” era mais fácil. Pedófilo não, porque o pedófilo já é estigmatizado mesmo. É um criminoso. Não é um doente, é um criminoso.

Marcos* tem 52 anos, dois filhos adolescentes, uma esposa e um emprego. Ele também tem culpa – a culpa de quem cometeu um crime e teve que ir para a cadeia para perceber que precisava de ajuda. A culpa de quem tem uma doença que é associada quase automaticamente a um crime: pedofilia, termo médico para o desejo sexual por crianças.

Com a voz trêmula, Marcos agradece a Deus por ter a família perto. No depoimento obtido com exclusividade pelo G1, ele fala do medo de não conseguir se controlar, “de virar um pervertido”. O impulso começou na adolescência. “Eu achava que era normal para todas as pessoas.” Há cerca de dez anos, Marcos passou a acessar mais a internet e tudo piorou. “Fiquei um viciado nesse tipo de site. Como eu posso dizer? Eu virei um visitante, comecei a colecionar figurinhas. Comecei a ver vídeos de sexo envolvendo crianças.”

Rastreado pela Polícia Federal, Marcos foi preso em flagrante por ter vídeos de pedofilia em seu computador. Segundo dados da PF fornecidos pela ONG SaferNet Brasil, de 1999 a 2013 ocorreram 333 prisões por esse delito. Só no ano passado, foram 860 inquéritos e 134 prisões em flagrante por posse ou consumo de pornografia infantil.

Marcos ficou na cadeia por pouco mais de um ano – a pena por esse crime vai de 1 a 4 anos de prisão. Ao ser solto, procurou ajuda. “Era muito constrangedor. Nas primeiras sessões, até para falar com o médico era muito difícil”. Hoje ele toma quatro tipos de medicação (antidepressivos em geral), além de fazer acompanhamento psiquiátrico.

“Foi muito importante, tanto o tratamento ambulatorial quanto o psicológico. Eu era compulsivo, assistia aos vídeos compulsivamente, masturbação compulsiva também. Acabou tudo isso”, explica ele.

O desejo sexual por crianças é catalogado nos manuais médicos como uma doença da família das parafilias – transtornos de preferência sexual que incluem, por exemplo, incapacidade de consentir com o ato e humilhação do parceiro. A pedofilia afeta menos de 1% dos homens e entre 0,2% e 0,3% das mulheres – assim haveria algo como 997 mil homens e até 311 mil mulheres no Brasil. A doença é diagnosticada a partir dos 16 anos em pessoas que apresentam frequentes ou intensas fantasias, atividades ou práticas sexuais com crianças ou jovens menores de 13 anos.

O imaginário social geralmente toma todo agressor de crianças por pedófilo. Mas, segundo os médicos, nem todo pedófilo é agressor de crianças, e nem todo agressor de crianças é pedófilo.

Há dez anos, o psiquiatra Danilo Baltieri fez uma pesquisa para seu doutorado com agressores sexuais de crianças em uma penitenciária de São Paulo. De todos, 20% eram pedófilos diagnosticados. Segundo a literatura internacional, a porcentagem de transtornos mentais entre agressores sexuais de crianças pode variar de 30% a 60%. “Esses 20% [de pedófilos] estavam lá sem tratamento, sem abordagem, nada”, diz o psiquiatra e professor da Faculdade de Medicina do ABC, que comanda o único centro que atende especificamente parafilias de forma voluntária e gratuita no Brasil.

“Não é um transtorno de fácil diagnóstico. É difícil, não basta uma única consulta”, explica.  O tratamento é feito inicialmente com psicoterapia em grupo de um tipo específico: a cognitivo-comportamental, com foco no comportamento “sexualmente desviado” do paciente.

No ambulatório do ABC, Baltieri atende de forma gratuita 20 pedófilos – 19 homens e 1 mulher. Alguns já foram presos por abusar de crianças ou por consumir pornografia infantil – e há quem não tenha cometido crimes. “Muitos indivíduos com pedofilia de fato não atuam, eles apenas fantasiam sexualmente e às vezes até se casam com mulheres. [...] A pedofilia não é crime, a pedofilia é uma doença. O que é crime é estupro de vulnerável, é o ato. Alguns indivíduos com a doença atuam contra a criança e são criminosos. [...] Existe a tendência a dizer ‘pedofilia é crime, denuncie’. Isso é um absurdo total que só prejudica os pacientes que precisam de tratamento”, explica Baltieri, que trata pedófilos há 15 anos.

A ideia de que o pedófilo é um doente e precisa passar por tratamento é compartilhada pela dona de casa Débora*, de 29 anos, do interior de SP. No final de julho, ela estranhou o fato de sua filha de nove anos ter recebido um convite de amizade no Facebook de um jovem que pedia para ela instalar um aplicativo de mensagens temporárias.

“Monitorei, tirei ela do Facebook e fiquei falando com ele como se fosse a minha filha. E ele se manifestou. Ele perguntava se eu já conhecia sobre sexo, se queria aprender, que ele queria fazer. Mandava fotos dos órgãos. Aí eu insistia em falar que era uma criança, porque tinha que caracterizar pedofilia, e ele falava que não tinha problema, porque já tinha visto todas as fotos e gostava dela assim mesmo. Foi aí que eu fiz todos os boletins de ocorrência e fui atrás da Polícia Federal”, afirmou ela em entrevista ao G1.

A mãe descobriu que o homem é um ex-aluno da escola da filha, em Piracicaba (SP), de 18 anos. Ela entrou em contato com a mãe dele e marcou um encontro com os dois. “Foi um encontro triste pra mim, a mãe dele estava ali, junto, muito desesperada, sem conseguir acreditar no que acontecia. Eu vendo o sofrimento daquela mãe, eu sendo mãe também, eu sofri muito”, disse Débora. “Ele precisa de tratamento. Porque ele não vai mudar da noite pro dia.”

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