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Dez lições de Vinicius para aprender a amar

vinicius6Xico Sá, na Folha de S.Paulo

Sim, mulherio, dez lições que aprendemos com Vinicius de Moraes, professor de existenciais disciplinas, poeta centenário, branco mais preto do afro-samba, menino erudito trabalhado na lírica da simplicidade, uma dádiva de criatura, fortuna do Rio, do Brasil e do mundo:

1) Aprendemos que homem que é homem não foge do vínculo afetivo –casou nove vezes-, não importa quanto tempo dure a ideia de infinito, o que vale é  gastar a febre amorosa como um bom selvagem. Na foto, Vinicius mostra como se faz romantismo: com Marta Ibánez.

2) Que só na intimidade é possível alcançar o mais elevado dos erotismos.

3) Que enquanto houver  língua e dedo nenhuma mulher nos mete medo, como no mantra preferido do poetinha.

4) Que beleza pode até ser fundamental, mas, como diz em “Receita de mulher”, tem que aplaudir as  saboneteiras e amar uma uma hipótese de uma lindíssima barriguinha.

5) Que não podemos ser genéricos nem repetitivos nas cantadas e muitos menos nos dizeres e devoções dos enamoramentos. Para cada mulher, um poema ou um gesto novo que seja.

6) Que para ser poeta não carecemos dominar obrigatoriamente a arte de fazer versos, o arco e a lira; é poeta todo aquele que vive a intensidade sem medo da mulher-abismo.

7) Que é preciso ser generoso, generosíssimo, com os amigos de verdade. Que também é preciso, em raras vezes, como fez Vinícius, blasfemar contra os bicões desconhecidos que abusavam de aparecer na casa dele para filar o bom uísque. Sim, o uísque, o melhor amigo do homem, o cachorro engarrafado, como definiu lindamente.

8) Que há poesia, mesmo com um filtro melancólico em preto e branco, em torcer pelo Botafogo.

9) Que para viver um grande amor é bom compreender  que “conta ponto saber fazer coisinhas, ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, filés com fritas, comidinhas para depois do amor”.

10) Que não amar com medo de sofrer é a maior das bobagens, é querer se vacinar contra a angústia da finitude, como se fosse possível sair vivo do amor ou da vida.

Amigo(a), dez lições é conta de mesquinho diante da sabedoria amorosa de Vinicius.  Sinta-se à vontade para ampliar essa tábua de conhecimento.

A devastadora “modernidade” do novo Iphone5

Suspeita de comprar estanho que é extraído por crianças e arrasa um paraíso ambiental, Apple reage tratando usuários como otários

Vinicius Gomes, no Outras Palavras

“Mineração sem regras reduz florestas a paisagem pós-holocausto, de areia e subsolo ácido. Crianças trabalham em condições chocantes. Um mineiro morre, em acidente de trabalho, a cada semana."

“Mineração sem regras reduz florestas a paisagem pós-holocausto, de areia e subsolo ácido. Crianças trabalham em condições chocantes. Um mineiro morre, em acidente de trabalho, a cada semana.”

Toda vez que um novo iPhone está para ser lançado, produz-se um frisson mundial. No caso do novo Iphone 5S, não foi diferente. Pessoas acamparam por semanas em frente à loja da Apple em Nova York, esperando que suas portas se abrissem. Quando isso finalmente ocorreu, foram saudadas pelos funcionários como se tivessem acabado de conquistar uma medalha de ouro nas Olimpíadas. Mas por trás de toda a fanfarra de marketing, existe uma realidade que quase nunca é acompanhada pela mídia com tanta empolgação como as filas em frente das lojas.

O jornalista britânico George Monbiot começou a revelá-la esta semana, em seu blog. A Apple, demonstrou ele, participa de um dos crimes ambientais que melhor expõem a desigualdade das relações Norte-Sul e a irracionalidade contemporânea. Ela provavelmente compra estanho produzido, na Indonésia, em relações sociais e de desprezo pela natureza que lembram as do século 19. Pior: convidada por ativistas a corrigir esta prática, a empresa esquiva-se – destoando inclusive de suas concorrentes. E, ao fazê-lo, usa argumentos que sugerem: trata o público s seus consumidores como se fossem incapazes de outra atitude mental além do ímpeto de consumo.

Monbiot refere-se ao uso, pelos fabricantes de celulares, do estanho extraído da ilha de Bangka, na Indonésia. O metal é indispensável para a soldagem interna dos smartphones. Cerca de 30% da produção global concentra-se na Indonésia – mais precisamente, em Bangka. O problema são as condições de extração.

O jornalista as descreve: “Uma orgia de mineração sem regras está reduzindo um sistema complexo de florestas tropicais e campos a uma paisagem pós-holocausto de areia e subsolo ácido. Dragas de estanho, nas águas costeiras, também estão varrendo os corais, os manguezais, os mariscos gigantes, a pesca e as praias usadas como ninhos pelas tartarugas”.

130926-bankga03A cobiça pelo estanho barato não poupa nem a natureza, nem o ser humano. Monbiot prossegue: “Crianças são empregadas, em condições chocantes. Em média, um mineiro morre, em acidente de trabalho, a cada semana. A água limpa está desaparacendo. A malária espalha-se e os mosquitos proliferam nas minas abandonadas. Pequenos agricultores são removidos de suas terras”

Estas condições desesperadoras desencadearam reação de ativistas. A organização internacional Amigos da Terra articulou o movimento. Não se trata de algo conduzido por rebeldes sem causa. A campanha reconhece que eliminar a mineração seria uma proposta inviável, por desempregar milhares de pessoas. Propõe, ao contrário, um pacto. Todo o estanho produzido em Bangka é adquirido pelas corporações que fabricam celulares. Se elas concordarem em respeitar condições sociais e ambientais decentes, a exploração de gente e da natureza não poderá prosseguir.

Sete fabricantes transnacionais abriram diálogo com a campanha: Samsung, Philips, Nokia, Sony, Blackberry, Motorola e LG. A única das grandes fabricantes a se recusar foi a Apple – também conhecida por encomendar a fabricação de seus aparelhos às indústrias de ultra-exploração do trabalho humano da Foxconn.

O mais bizarro, conta Monbiot, são os estratagemas primitivos usados pela Apple para evitar um compromisso de respeito aos direitos e à natureza. O jornalista procurou por duas vezes, nos últimos dias, o diretor de Relações Públicas da empresa. Propôs, em nome da transparência, um diálogo gravado. Sugestão negada. Na conversa reservada, relata, não obteve informação alguma, exceto uma sugestão: dirija-se a nosso site.

Mas é lá, diverte-se Monbiot, que a Apple mais zomba da inteligência dos consumidores. A corporação informa, placidamente, que “a Ilha de Bangka, na Indonésia, é uma das principais regiões produtoras de estanho no mundo. Preocupações recentes sobre a mineração ilegal de estanho na região levaram a Apple a uma visitas de inspeção, para saber mais”. Mas a Apple não reconhece que compra o metal produzido em Bangka – provavelmente para não se comprometer com a campanha contra a exploração devastadora. O jornalista, então, pergunta: “Por que dar-se ao trabalho de uma visita de inspeção, se você não usa o estanho da ilha? E se você usa, por que não admiti-lo?”

Tudo isso sugeriria renunciar a um celular? Claro que não, diz Monbiot. Trata-se de exigir das empresas respeito a normas sociais e ambientais. Pressionadas, sete corporações transnacionais ao menos admitiram debater o tema. A Apple destoou. Quem tem respeito pelos direitos sociais e pela natureza deveria evitar os aparelhos da empresa, recomenda o jornalista.

130926-bangka02Quem quer ir além pode, por exemplo, optar pelo Fairphone, celular produzido por empreendedores expressamente interessados em proteger direitos e ambiente. Estará disponível a partir de dezembro. Porém, mais de 15 mil unidades já foram vendidas, nos últimos meses a consumidores conscientes.

dica do Leandro Miranda da Gloria

Restaurante cria cardápio no Instagram

Vinicius dos Santos, no Papos na Rede

O restaurante nova-iorquino Comodo realizou uma ação naquela rede social famosa de fotos, o Instagram. Explorando este lado social da internet, o estabelecimento percebeu que ninguém sai de casa sem celular para ir jantar, e ainda percebeu que as pessoas gostam de publicar as fotos dos pratos de comida que estão comendo.

Sabendo de tudo isso, o restaurante criou a hashtag #ComodoMenu que foi incluso nas páginas do cardápio incentivando os consumidores a publicar um foto com esta hashtag. Assim, utilizando aquele lado em que acreditamos quando um amigo nos indica ou divulga algo que realmente vale a pena experimentar.

Por fim, o restaurante conseguiu criar um cardápio em uma rede social através de crowdsourced.

Confira o vídeo: