‘Fanfarrão’, detento dribla Justiça e coloca tornozeleira eletrônica em galo em Canoas (RS)

Publicado no UOL

A criatividade brasileira não parece ter limites. Para o bem ou para o mal. O exemplo mais gritante disso foi registrado em Canoas (RS), cidade da região metropolitana de Porto Alegre. Um preso em regime semiaberto resolveu enganar a Justiça e colocou a tornozeleira eletrônica em um galo. Isso mesmo que você leu: um galo.

Segundo informações do site clicRBS, Issac Selau, de 29 anos, prendeu o equipamento no pescoço do animal, o que permitia que ele saísse de casa para cometer crimes sem levantar surpresas.

A irregularidade foi flagrada pela Brigada Militar na casa do detento, que fica em uma área como ponto de tráfico de drogas na cidade gaúcha. Com Selau foram encontradas drogas e um revólver calibre 38.

Além de voltar para a cadeia, o preso deverá explicar como conseguiu remover a tornozeleira e colocá-la no galo sem chamar a atenção ou disparar um aviso para as autoridades.

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O futebol como religião secular mundial

Publicado por Leonardo Boff

A presente Copa Mundial de Futebol que ora se realiza no Brasil, bem como outros grandes eventos futebolísticos, semelhante ao mercado, assumem características, próprias das religiões. Para milhões de pessoas o futebol, o esporte que possivelmente mais mobiliza no mundo, ocupou o lugar que comumente detinha a religião. Estudiosos da religião, somente para citar dois importantes como Emile Durkheim e Lucien Goldmann, sustentam que “a religião não é um sistema de ideias; é antes um sistema de forças que mobilizam as pessoas até levá-las à mais alta exaltação”(Durckheim).

A fé vem sempre acoplada à religião. Esse mesmo clássico afirma em seu famoso “As formas elementares da vida religiosa: ”A fé é antes de tudo calor, vida, entusiasmo, exaltação de toda a atividade mental, transporte do indivíduo para além de si mesmo”(p.607). E conclui Lucien Goldamnn, sociólogo da religião e marxista pascalino: ”crer é apostar que a vida e a história tem sentido; o absurdo existe mas ele não prevalece”.

Ora, se bem reparamos, o futebol para muita gente preenche as características religiosas: fé, entusiasmo, calor, exaltação, um campo de força e uma permanente aposta de que seu time vai triunfar.

A espetacularização da abertura dos jogos lembra uma grande celebração religiosa, carregada de reverência, respeito, silêncio, seguido de ruidoso aplauso e gritos de entusiasmo. Ritualizações sofisticadas, com músicas e encenações das várias culturas presentes no país, apresentação de símbolos do futebol (estandartes e bandeiras), especialmente a taça que funciona como um verdadeiro cálice sagrado, um santo Graal buscado por todos. E há, valha o respeito, a bola que funciona como uma espécie de hóstia que é comungada por todos.

No futebol como na religião, tomemos a católica como referência, existem os onze apóstolos (Judas não conta) que são os onze jogadores, enviados para representar o país; os santos referenciais como Pelé, Garrincha, Beckenbauer e outros; existe outrossim um Papa que é o presidente da Fifa, dotado de poderes quase infalíveis. Vem cercado de cardeais que constituem a comissão técnica responsável pelo evento. Seguem os arcebispos e bispos que são os coordenadores nacionais da Copa. Em seguida aparece a casta sacerdotal dos treinadores, estes portadores de especial poder sacramental de colocar, confirmar e tirar jogadores. Depois emergem os diáconos que formam o corpo dos juízes, mestres-teólogos da ortodoxia, vale dizer, das regras do jogo e que fazem o trabalho concreto da condução da partida. Por fim vem os coroinhas, os bandeirinhas que ajudam os diáconos.

O desenrolar de uma partida suscita fenômenos que ocorrem também na religião: gritam-se jaculatórias (bordões), chora-se de comoção, fazem-se rezas, promessas divinas (o Felipe Scolari, treinador brasileiro, cumpriu a promessa de andar a pé uns vinte km até o santuário de Nossa Senhora do Caravaggio em Farroupilha caso vencesse a Copa como de fato venceu), figas e outros símbolos da diversidade religiosa brasileira. Santos fortes, orixás e energias do axé são aí evocadas e invocadas.

Existe até uma Santa Inquisição, o corpo técnico, cuja missão é zelar pela ortodoxia, dirimir conflitos de interpretação e eventualmente processar e punir jogadores, como Luiz Suarez, o uruguaio que mordeu um jogador italiano e até times inteiros.

Como nas religiões e igrejas existem ordens e congregações religiosas, assim há as “torcidas organizadas”. Elas tem seus ritos, seus cânticos e sua ética.

Há famílias inteiras que escolhem morar perto do Clube do time que funciona como uma verdadeira igreja, onde os fiéis se encontram e comungam seus sonhos. Tatuam o corpo com os símbolos do time; a criança nem acaba de nascer que a porta da incubadora já vem ornada com os símbolos do time, quer dizer, recebe já aí o batismo que jamais deve ser traído.

Considero razoável entender a fé como a formulou o grande filósofo e matemático cristão Blaise Pascal, como uma aposta: se aposta que Deus existe tem tudo a ganhar; se de fato não existe, não tem nada a perder. Então é melhor apostar de que exista. O torcedor vive de apostas (cuja expressão maior é a loteria esportiva) de que a sorte beneficiará o time ou de que algo, no último minuto do jogo, tudo pode virar e, por fim, ganhar por mais forte que for o adversário. Como na religião há pessoas referenciais, da mesma forma vale para os craques.

Na religião existe a doença do fanatismo, da intolerância e da violência contra outra expressão religiosa; o mesmo ocorre no futebol: grupos de um time agridem outros do time concorrente. Ônibus são apedrejados. E pode ocorrer verdadeiros crimes, de todos conhecidos, que torcidas organizadas e de fanáticos que podem ferir e até matar adversários de outro time concorrente.

Para muitos, o futebol virou uma cosmovisão, uma forma de entender o mundo e de dar sentido à vida. Alguns são sofredores quando seu time perde e eufóricos quando ganha .

Eu pessoalmente aprecio o futebol por uma simples razão: portador de quatro próteses nos joelhos e nos fêmures, jamais teria condições de fazer aquelas corridas e de levar aqueles trancos e quedas. Fazem o que jamais poderia fazer, sem cair aos pedaços. Há jogadores que são geniais artistas de criatividade e habilidade. Não sem razão, o maior filósofo do século XX, Martin Heidegger, não perdia um jogo importante, pois via, no futebol a concretização de sua filosofia: a contenda entre o Ser e o ente, se enfrentando, se negando, se compondo e constituindo o imprevisível jogo da vida, que todos jogamos.

dica do Marcos Florentino

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Agressão física encabeça violência contra a mulher

Quase metade dos atendimentos no SUS são por espancamento

violencia-mulheres-550x280Cleide Carvalho, em O Globo

Se até os 14 anos meninas e adolescentes são vítimas principalmente de violência sexual, a partir dos 15 anos de idade é a agressão física que encabeça a lista da violência contra a mulher no país. Um levantamento feito a pedido do GLOBO pelo sociólogo Júlio Jacobo Waiselfisz, coordenador da Área de Estudos da Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais e responsável pelo Mapa da Violência, mostra que 46% dos atendimentos prestados pelo SUS a mulheres vítimas de violência correspondem a espancamentos. Na faixa etária de 15 a 59 anos, lesões provocadas por violência física superam 50% dos atendimentos. Quando se trata de mulheres acima de 60 anos, a agressão física segue alta (41,3%), e aumentam as ocorrências por negligência e abandono (19,1%).

— De longe, a física é a forma mais frequente de violência sofrida pelas mulheres. E não devemos esquecer que estamos lidando com a ponta do iceberg. Nem todas, nem a maioria das violências cotidianas vão parar nos postos do SUS — explica Waiselfisz, que analisou os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) de 2012, atualizados este ano.

De acordo com o levantamento, 106.030 mulheres vítimas de violência foram atendidas pelo SUS em 2012. A taxa chega a 107 por 100 mil mulheres. Isso significa que, a cada cem mulheres, uma foi agredida a ponto de precisar de atendimento médico. Mais de 75% dos casos acontecem a partir de 15 anos, e a prevalência é maior na faixa entre 15 e 19 anos.

Violência também psicológica

O segundo tipo de violência mais frequente é a psicológica e moral, que aumenta no ritmo em que avança a idade. Em terceiro lugar aparece a violência sexual, que ocupa o primeiro lugar para meninas até 14 anos. Em 70% dos casos, o crime acontece dentro de casa.

Maria Letícia Fagundes, médica do Instituto Médico Legal do Paraná e à frente da ONG Mais Marias, afirma que a tortura psicológica só não lidera a lista de violência contra as mulheres porque elas só se percebem vítimas depois da agressão física.

— É uma ação progressiva. Primeiro ocorrem as ofensas, depois as surras. A mulher só se dá conta do quanto foi torturada psicologicamente depois que foi fisicamente agredida — diz Maria Letícia.

A vulnerabilidade nas ruas é maior para jovens de 15 e 29 anos, quando as ocorrências em vias públicas representam de 20% a 24% do total. Mesmo assim, os crimes cometidos por agressores desconhecidos não passam de 10% do total. Enquanto a violência contra meninas de até 14 anos parte principalmente de pais e mães, na idade adulta a mulher é vítima em relacionamentos amorosos. Metade das agressões contra jovens entre 20 e 49 anos é praticada por maridos, namorados, ex-maridos e ex-namorados.

Os relatos feitos ao Disque 180, telefone de denúncias da Secretaria Nacional de Política para Mulheres (SPM), mostram que 25% das vítimas sofrem violência desde o início da relação. O período em que ficam expostas é longo: em 38% dos casos, o tempo de relacionamento chega a dez anos. Mesmo depois da Lei Maria da Penha, as mulheres demoram a denunciar por medo de serem mortas ou por vergonha.

— O fim do relacionamento é um momento de risco para a mulher. Muitos assassinatos ocorrem com o rompimento — diz Aline Yamamoto, coordenadora de Acesso à Justiça e Combate à Violência da SPM.

Ainda hoje os tribunais abrandam a pena aplicada aos autores desse tipo de crime, sob argumento de que foi cometido sob “forte emoção”.

— Não são crimes passionais. São crimes de ódio cometidos com requintes de crueldade, com mutilações do corpo feminino — ressalta Aline.

Na América Latina, 11 países já tipificaram o crime de feminicídio. No Brasil, o projeto de lei aguarda aprovação no Legislativo. Entre 84 países do mundo, o Brasil ocupa o sétimo lugar em homicídios de mulheres, com taxa de 4,4 homicídios em cem mil, atrás de países como El Salvador, Rússia e Colômbia. As mortes estão em alta: a taxa de homicídios de mulheres entre 15 e 29 anos subiu de 6,93 por cem mil habitantes em 2004 para 7,75 em 2011. A gravidade da situação levou a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou a violência contra a mulher no Brasil a sugerir a inclusão da discriminação de gênero na Lei de Crimes de Tortura. Aprovado pelo Senado, o projeto está na Câmara dos Deputados e em abril passado foi retirado do plenário por falta de acordo para votação.

Desde 2009 está parado no Legislativo o Projeto de Lei 4.857, chamado de Lei da Igualdade, que tipifica o crime de discriminação de gênero contra a mulher e estabelece pena de detenção e multa.

— Os projetos relativos à mulher não são prioridade no universo masculino — afirma a deputada Jô Morais (PCdoB/MG), líder da bancada feminina.

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Esse anúncio fará você pensar sobre a violência doméstica

publicado no Adnews

Experimentos para detectar a reação das pessoas com relação a um produto ou situação representam uma forte tendência na propaganda. Recursos como câmeras escondidas também tem sido utilizados recorrentemente.

O último deles retrata a ação das pessoas que testemunham a violência doméstica. A campanha #ViolenceIsViolence foi criada pela fundação ManKind Initiative, que luta para acabar com a violência no Reino Unido.

A simulação aconteceu nas ruas de Londres e envolveu um casal de atores, que discutia até chegar às vias de fato. O filme que você verá a seguir mostra a reação das pessoas em duas situações distintas, primeiro o homem no papel de agressor, e depois no papel de vítima.

Confira o filme:

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Em Alagoas, sessão de tortura comandada por policiais é filmada

Jovem apanha e é recriminado por tatuagem; Secretaria de Defesa Social diz que imagens serão analisadas por corregedoria independente

Odilon Rios, em O Globo

Policiais civis e militares comandaram e gravaram uma sessão de tortura com um jovem, sem identificação, que apanha no rosto por causa de uma tatuagem nas costas. O caso está sendo apurado pela Corregedoria da Secretaria de Defesa Social de Alagoas. O vídeo tem duração de dois minutos e cinco segundos e circulou pelo “WhatsApp” de jornalistas em Maceió. O material não tem data e não é informado o local.

— Ô doutor, por favor, pelo amor de Deus. Vou apagar essa tatuagem — diz o jovem, enquanto recebe tapas no rosto. Os policiais riem e o jovem chora.

Uma farda da PM, usada pela tropa, aparece no vídeo e o jovem cita o nome “Sikêra”. Sikêra Júnior é apresentador do programa Plantão de Polícia, da TV Alagoas.

— Sikêra, eu tô arrependido desta tatuagem. Vou pedir perdão na TV Alagoas. Isso é coisa de Zé Ruela — dizia o jovem, repetindo frases do policial.

— Ô doutor, não fui pego com nada, o senhor mesmo viu. Eu sou usuário de maconha — diz o jovem, levando mais tapas no rosto.

— Desculpa, desculpa — repete o jovem.

“O Comando não aceita este tipo de comportamento”, disse a assessoria do Comando da Polícia Militar, que acrescentou ter encaminhado o material para a Secretaria de Defesa Social. “Será analisado por uma corregedoria independente”, disse a assessoria.

Violência em Alagoas

Levantamento do Escritório sobre Drogas e Crime das Nações Unidas com base em assassinatos ocorridos no ano de 2012 apontou Maceió como a quinta cidade mais violente do mundo em homicídios por cada 100 mil habitantes. Há dois anos, o governo federal implantou o plano Brasil Mais Seguro, para diminuir a quantidade de assassinatos no estado. O plano também é aplicado na Paraíba, a partir da experiência alagoana.

Nos últimos dias, casos chocantes de violência se sucederam. Na cidade de Joaquim Gomes, zona da mata alagoana, o estudante Franklin Luiz Morais de Santana Júnior, de 18 anos, foi morto na porta da escola onde estudava. A polícia não tem pistas dos criminosos. A vereadora Heloísa Helena (PSOL) foi assaltada e ameaçada com uma tesoura dentro de casa por quatro assaltantes, em Maceió. O filho dela ficou ferido ao tentar defender a mãe. Os dois passam bem.

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