Vereadora segura calcinha durante discurso contra violência da mulher

Ela disse que comentário de colega incita a violência.
Vereador diz que Lucimara quer aparecer na mídia.

Vereadora do PCdoB usa tribuna para destacar violência contra a mulher (foto: Acrisio Siqueira/CMA)
Vereadora do PCdoB usa tribuna para destacar violência contra a mulher (foto: Acrisio Siqueira/CMA)

Publicado no G1

Em sessão realizada nesta terça-feira (25) na Câmara dos Vereadores de Aracaju, o Dia Internacional de Combate à Violência Contra Mulher, foi destaque no discurso da vereadora Lucimara Passos, (PCdoB).

Com uma calcinha nas mãos, ela falou sobre os dados da Organização das Nações Unidas (ONU), que revelam que uma em cada três mulheres no mundo já sofreu violência física ou sexual, e que cerca de 120 milhões de meninas já foram submetidas a sexo forçado, e 133 milhões de mulheres já sofreram alguma mutilação genital.

Parte da sua fala na tribuna se referiu aos comentários feitos pelo vereador Agamenon Sobra (PP) na semana passada sobre uma mulher cujo casamento foi cancelamento por ela está sem calcinha. Na ocasião, o parlamentar teria dito que mulher merecia ter sido surrada.

“O foco do meu discurso não era exibir uma calcinha. Isso foi feito para chamar à atenção contra as atitudes de preconceito relacionados a mulher. Como a realizada pelo vereador Agamenon. Atitude essa que ajuda a promover o preconceito contras às mulheres que não seguem um determinado padrão de comportamento”.

“Isso vai contra toda uma luta de anos, que travamos para nos libertar da opressão masculina. Não tem como calar diante de uma pessoa que tem acesso a Tribuna da Câmara e a imprensa para fazer esse tipo de comentário”, desabafou.

O vereador falou sobre o pronunciamento de Lucimara Passos através de uma nota enviada a equipe do G1 por sua assessoria. “Apareço na mídia com frequência buscando soluções para os problemas do povo de Aracaju, já a vereadora busca em mim uma maneira de estar na mídia, ela quer Ibope. Para mim esse assunto está encerrado, tenho outros temas mais importantes a discutir”.

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Em 5 anos, Polícia no Brasil mata o mesmo que a dos EUA mata em 30

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Publicado em O Povo

Policiais brasileiros mataram, entre 2009 e 2013, a média de seis pessoas por dia no País. Foram por volta de 11.197 óbitos provocados pelos homens da lei em cinco anos. O número supera o de mortes provocadas pela Polícia dos Estados Unidos ao longo de 30 anos: 11.090. Os dados integram o mais recente levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e compõe o 8º anuário de segurança pública.

Ainda de acordo com o levantamento, a tropa mais letal do País é a do Estado do Rio de Janeiro, seguido por São Paulo e a Bahia. Embora continue liderando o ranking de letalidade, o que ocorreu em quase todos os anos pesquisados, a Polícia do Rio reduziu a menos da metade a quantidade desse tipo de homicídio.

Em 2009, os homicídios naquele Estado provocados por policiais em serviço chegaram a 1.048 registros: 54% de todas as mortes praticadas pela Polícia do País naquele ano. Já em 2013, esse número caiu para menos da metade, com 416 registros, o que representa 20% das mortes em intervenção policial. Em 2012, chegou a ficar atrás de São Paulo. Os policiais do Rio mataram 419, enquanto os paulistas mataram 583.

Em 2012, a Polícia Militar paulista enfrentou guerra não declarada com o crime organizado, com baixas dos dois lados, o que elevou os índices de homicídio em todos os tipos.

Para a diretora-executiva do Fórum, Samira Bueno, a notícia positiva do anuário é a redução dos números no Rio: “A única notícia boa desse cenário são os dados cariocas. Desde a implantação das UPPs, o Rio tem tido uma redução expressiva de letalidade”.

São Paulo até poderia receber elogios semelhantes, já que os óbitos por intervenção policial caíram de 566 para 364 em cinco anos, queda de 36%. Esse bom desempenho acaba eclipsado pelo aumento de quase 40% dos homicídios praticados por policiais no horário folga. É impossível a evolução desse tipo de homicídio no Rio porque lá, assim como em outros estados, falta um controle estatal.

Sem controle

A maioria dos estados estava, até pouco tempo, sem controle ao menos das mortes praticadas por policiais de serviço. Apenas 11 das 27 unidades federativas conseguiram apresentar essa contabilidade solicitada pelos pesquisadores do fórum. “A maioria das polícias do País não tem a prática de fazer acompanhamento na letalidade policial. Há uma subnotificação. Sabemos que é bem maior do está registrado”, acrescentou. (das agências de notícias)

NÚMEROS

11.197 mortes foram provocadas por policiais brasileiros de 2009 a 2013

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Religiões de matriz africana sofrem perseguição em comunidades cariocas

Estudo aponta existência de 847 terreiros no estado, dos quais 430 sofreram atos de discriminação e 132 foram atacados; “há pastores evangélicos convertendo líderes do tráfico e os usando para expulsar os terreiros”, diz antropólogo

foto: Matias Maxx / Vice
foto: Matias Maxx / Vice

Brian Mier, no Vice Brasil [via Opera Mundi]

Recentemente, uma bomba foi jogada dentro de um terreiro em Porto Alegre. Não foi um evento isolado. Ataques contra praticantes das religiões de matriz africana estão aumentando em todo o país. Uma das situações mais graves acontece no Rio de Janeiro, onde, em muitas favelas, igrejas evangelizaram os chefes do tráfico e os pressionam a acabar com terreiros e outras manifestações da cultura afro-brasileira nessas comunidades. Um estudo da PUC-Rio e do governo do estado aponta a existência de 847 terreiros no Estado. Desse montante, 430 sofreram atos de discriminação e 132 já foram atacados por evangélicos.

Certa noite, eu estava em um baile funk, dentro de uma comunidade controlada pelo tráfico, cercado por pessoas bêbadas e chapadas. Em determinado momento, a música parou para deixar um pastor evangélico subir no palco e liderar milhares de pessoas em uma oração. Eu pensei: se o candomblé é, como muitos evangélicos acreditam, “coisa do capeta”, por que eles deixam o funk rolar livremente nas comunidades controladas pelo tráfico evangelizado, com seus fuzis norte-americanos com os adesivos de “soldado de Cristo”? Por que o funk, com suas letras elogiando álcool e violações dos 10 mandamentos, com seu tamborzão, ritmo que traz elementos do candomblé, não só é tolerado como, às vezes, parece ser encorajado por certas figuras religiosas?

Procurando uma resposta para estas perguntas, parti para um terreiro que existe há mais de 50 anos na Baixada Fluminense a fim de falar com Adailton Moreira, antropólogo e um dos líderes do movimento contra a intolerância religiosa. Sentamos debaixo de uma árvore no quintal cercado de estátuas e imagens históricas da cultura ioruba, e ele começou falar.

“A intolerância tem uma base forte de racismo. Grande parte dos seguidores das religiões de matriz africana é de negros, mulheres, pobres, gays, lésbicas – ou seja, tudo que a sociedade eugênica burguesa elitista neste país não gosta. E existem, de fato, pastores evangélicos convertendo atuais líderes do tráfico e os usando para expulsar os terreiros das comunidades. Tem muitos lugares hoje, como Maré e Jacarezinho, onde o pessoal nem pode usar um incensador. O Estado é completamente omisso. Eu trabalhei na pesquisa da PUC, e a maioria dos praticantes das religiões de matriz africana no estado nos contou que passou por constrangimentos – a violência física, material e imaterial contra eles está aumentando. E não é só nos terreiros: o samba e o jongo também estão desaparecendo nas comunidades. Pouquíssimas comunidades ainda têm jongo. No interior do estado, os quilombolas estão todos sendo evangelizados. Isso é tirar a alma deles, como fizeram com os índios no passado. É um projeto de colonização moderna.”

“E o funk,” perguntei, “por que ele é tolerado? Será que, na cabeça dos pastores evangélicos, é mais fácil lidar com ele porque ele pertence ao diabo, enquanto o candomblé representa outra forma de interpretar o mundo, fora do conceito cristão do universo?”

“Funk não é uma religião, tem outro apelo cultural e político que as religiões de matriz africana não podem ter com o tráfico. E tem um grande projeto econômico atrás dessas ações de arrebanhar fiéis e de promover salvação. Milagres acontecem, mas tudo em uma organização econômica muito perversa.”

Parti para a Maré, conjunto de 16 comunidades com 130 mil habitantes, onde ouvi dizer que só sobrara um terreiro. Procurei Carlos, ex-traficante evangélico e líder comunitário, para ouvir outra opinião sobre o assunto. Após encontrá-lo na Favela Nova Holanda, ele me deu uma carona para a Praça do Forró do Parque União, onde há vários bares e restaurantes excelentes. Paramos ao lado de um córrego, e eu perguntei por que não tem mais terreiros na Maré. “Não acontece em todos os lugares, mas eu sei que tem algumas comunidades onde o tráfico realmente expulsou os terreiros”, ele falou, “como no Morro do Dendê. Vinte anos atrás, você via muitos chefes de tráfico usando guia, seguindo orixás – eles gostavam muito do Zé Pelintra. Mas chegou um tempo em que parece que não estava dando resultado. É tudo o mesmo Deus, certo? Oxalá é o mesmo Deus dos cristãos, mas acho que ficou mais simples para muita gente só rezar para um. Acho que, para os pobres e negros nas favelas, seguir a religião evangélica tem mais sentido hoje em dia, e o candomblé virou outra tradição negra que se elitizou – hoje em dia, é mais a classe média que curte.”

“E os bailes,” perguntei, “por que um evangélico vai deixar um baile acontecer, com tantas músicas que falam sobre temas como promiscuidade e violência?”

“O baile é uma tradição que vem de muitos anos atrás, antes da chegada da religião. E ele traz lucro para o tráfico, claro. Às vezes, durante o baile, eles tocam louvores, ou vem uma fala de cinco minutos de um pastor. Às vezes, o baile, o tráfico e a religião viram uma coisa só. Ninguém tira o espaço do outro.”

Se ninguém tira o espaço do outro, entra a parceria econômica de funk, drogas e religião. Não pode dizer a mesma coisa para manifestações afro-brasileiras, como o candomblé, que existem há bastante tempo neste país, quando comparadas às igrejas evangélicas. Se o processo de conversão é uma coisa natural, por que se precisa de violência? Por que o Jardim Vale do Sol, terreiro em Duque de Caxias, foi atacado por evangélicos oito vezes? Será que, por causa de algumas pessoas, isso também faz parte de um projeto econômico?

foto: Matias Maxx / Vice
foto: Matias Maxx / Vice

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Mulher liga para a polícia para pedir pizza e atendente percebe pedido de socorro; leia a conversa

pizza

publicado na Marie Claire

Uma mulher ligou para a polícia para pedir uma pizza de pepperoni, mas o que ela queria mesmo era ser socorrida após sofrer violência doméstica. A atendente, do outro lado da linha, percebeu a emergência e enviou uma viatura à casa da vítima. A conversa foi publicada na internet e, também, no jornal “Metro”.
“911 (número da polícia dos EUA), onde é a emergência?”
“123 Main St.”
“Ok, o que está acontecendo?”
“Gostaria de pedir uma pizza.”
“Senhora, você ligou para o 911.”
“Sim, eu sei. Gostaria de pedir uma pizza de pepperoni, com cogumelo e pimenta”
‘Ummm… sinto muito, você sabe que ligou para o 911, né?’
“Sim, você sabe quanto tempo vai levar para chegar?”
“Ok, senhora, está tudo bem aí? Você tem uma emergência?
“Sim, eu tenho.”
“E você não pode falar porque há alguém no local com você?”
“Sim, isso mesmo. Sabe quanto tempo vai demorar?”
“Tenho um policial a pouco metros de sua localização. Há armas na casa?”
“Não.”
“Pode ficar no telefone comigo?”
“Não. Até mais, obrigada”
A atendente, após desligar o telefone, verificou que no endereço já havia sido registrado outros casos de violência doméstica.
Quando os policiais chegaram na casa, descobriram que a mulher havia sido agredida violentamente pelo namorado, que estava bêbado.
Depois do incidente, a atendente falou: “acho que ela foi muito esperta em usar este truque. Definitivamente foi uma das ligações mais memoráveis”.

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