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Projeto mostra vítimas de abusos sexuais segurando frases ditas pelo violentador

O projeto é forte e impactante, mas tem um papel importante para aumentar o diálogo na sociedade sobre esse tema.

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Por Jaque Barbosa, no Hypeness

Difícil acreditar, mas ainda nos dias de hoje, há pessoas que acham que vítimas de abuso sexual tiveram algum tipo de culpa por terem sido molestadas. Pra quebrar esse paradigma que torna a vida das vítimas ainda mais difícil, a fotógrafa Grace Brown iniciou em 2011 o Projeto Unbreakable, no qual sobreviventes de abusos sexuais são fotografadas segurando uma frase do violentador.

Até hoje, ela já fotografou mais de 400 pessoas, e diz ter recebido milhares de emails de vítimas que decidiram se expor com coragem, como forma de enfrentar o passado de frente e alertar para esse problema lamentável que ainda é muito recorrente na nossa sociedade atual. O projeto é forte e impactante, mas tem um papel importante para aumentar o diálogo na sociedade sobre esse tema. Veja algumas fotos do projeto:

“Pare de fingir que você é um ser humano.”

“Pare de fingir que você é um ser humano.”

“Isso fica entre nós” – meu avô, quando eu tinha 6 anos, depois 16, quando as memórias voltaram.

“Isso fica entre nós” – meu avô, quando eu tinha 6 anos, depois 16, quando as memórias voltaram.

“O que temos é tão especial, que as outras pessoas não vão entender.”

“O que temos é tão especial, que as outras pessoas não vão entender.”

“Você é uma menina má, não eu. Se lembre que você começou tudo isso.”

“Você é uma menina má, não eu. Se lembre que você começou tudo isso.”

“Você gosta disso?”

“Você gosta disso?”

“Não se preocupe, meninos geralmente gostam disso.”

“Não se preocupe, meninos geralmente gostam disso.”

“Você é bonita demais pra ser lésbica.”

“Você é bonita demais pra ser lésbica.”

“Ande logo e arrume essa bagunça” – ele se referindo ao sangue e sêmen no chão.

“Ande logo e arrume essa bagunça” – ele se referindo ao sangue e sêmen no chão.

“Me dê um beijo de boa noite.”

“Me dê um beijo de boa noite.”

“Ninguém vai acreditar em você. Sou seu marido – é a sua palavra contra a minha”

“Ninguém vai acreditar em você. Sou seu marido – é a sua palavra contra a minha”

“Seus pais foram jantar, mas não se preocupe – eu vou cuidar de você.”

“Seus pais foram jantar, mas não se preocupe – eu vou cuidar de você.”

Veja mais fotos do projeto aqui.

Se você também sofreu algum tipo de abuso sexual e quer participar do projeto, basta entrar em contato pelo email:  projectunbreakablesubmissions @gmail.com.

 

Grupos radicais budistas atacam muçulmanos no Sri Lanka

Grupos radicais budistas lançaram ataques contra muçulmanos no Sri Lanka, e alguns monges chegaram a se identificar como uma força policial paralela.

budistas

 

Publicado originalmente na BBC Brasil

Em protestos realizados nos últimos dias, alguns destes grupos costumam usar uma linguagem mais pesada, comparando os imãs a animais e pedindo que a maioria étnica do país, os cingaleses, não aluguem imóveis para muçulmanos.

Os muçulmanos são cerca de 9% da população do país e formam o terceiro maior grupo étnico do Sri Lanka, depois dos cingaleses e dos tâmeis. Eles tentaram ficar fora da guerra civil, mas muitos sofreram com os conflitos.

Os problemas começaram quatro anos depois de o Exército do país ter derrotado o grupo rebelde separatista dos Tigres Tâmeis.

Ativistas afirmam que, com o fim do conflito, o clima de triunfo estimulou os ataques contra uma nova minoria.

Agora, surgem informações de mesquitas atacadas e até de crianças muçulmanas discriminadas em escolas pelos colegas cingaleses.

Os clérigos muçulmanos rejeitam as alegações dos radicais budistas, que acusam fiéis islâmicos de tentar converter a população ao construir novas mesquitas.

O número de páginas na internet contra os muçulmanos também aumentou no Sri Lanka e, com cada vez mais manifestações de radicais linha-dura, muitos no país questionam se haverá um limite para a influência social e política dos religiosos.

‘Não temos condições de ficar’, diz pastor de igreja atacada em Sumaré

Após adolescente de 16 anos levar tiro no braço, templo vai mudar de lugar. 
Pai e filho invadiram o local na noite de sábado incomodados com barulho. 

Foto: Marcello Carvalho/G1

Foto: Marcello Carvalho/G1

Publicado originalmente no G1

Depois de um adolescente de 16 anos ter sido agredido e levado um tiro no braço após um culto na Igreja Assembléia de Deus Ministério Gerizim, no Jardim Santa Clara, em Sumaré (SP), na noite de sábado (23), o pastor titular e os membros da igreja decidiram se mudar do local. “Estamos fechando a igreja, vamos nos mudar, não temos condições de ficar aqui”, disse o pastor Alessandro Pereira Godoy.

Segundo o religioso, o motivo da mudança é que os agressores são vizinhos da igreja e, por isso, o risco de acontecer outro ataque é grande. “Nós não sabemos o que vai acontecer, se eles conseguirem sair da delegacia podem vir aqui e matar todo mundo, nós não queremos morrer”, desabafou. Os suspeitos, identificados como Domingos e Pablo estão presos na cadeia de Sumaré, informou a Polícia Civil.

O local onde será criado o novo templo já está definido. Segundo os membros da congregação, um amigo, que pertence à outra igreja, já cedeu um barracão no mesmo bairro para que eles possam se mudar. Na manhã deste domingo (24), eles recolheram cadeiras, mesas, instrumentos musicais e todos os objetos da igreja para fazer a mudança para a nova sede.

Andréia Pacheco estava no salão no momento do ataque e ficou chocada com o que aconteceu. “Ficamos desesperados, queríamos defender o adolescente, mas não tínhamos como. É uma crueldade, eles ia matar um jovem de 16 anos”, contou a vendedora. Ela, que frequenta a igreja todos os dias, afirmou que não tem mais segurança nenhuma para ficar. “Se nós não mudarmos daqui eu não venho mais, é muito perigoso”, completou.

Ataque

O adolescente levou um tiro de raspão no braço e foi agredido com chutes e socos após o culto. Os suspeitos da ação são vizinhos do templo e estariam incomodados com o barulho, segundo a Polícia Militar. Eles foram presos.

De acordo com Godoy, os agressores são pai e filho, um de 57 anos e outro com idade entre 20 e 30 anos. Um pastor, de Bertioga (SP), também foi agredido, segundo testemunhas. Cerca de 30 pessoas estavam no local na hora da confusão.

Godoy disse que após o culto terminar os suspeitos atravessaram a rua e começaram a agredir com tapas e socos o religioso de Bertioga, que falava ao celular na calçada. Após a confusão, o agressor, de 57 anos, voltou para casa e pegou uma arma de fogo e foi para dentro do templo do Ministério Gerizim.

Ameaças

Dentro da igreja, apontou a arma para o pastor Godoy, que se escondeu no banheiro. Depois, pai e filho teriam ido em direção ao jovem de 16 anos para agredi-lo.

A cozinheira Lindinalva Pereira Cunha, que estava no culto, relata que tentou separar o adolescente dos agressores, mas não conseguiu. Depois de dar socos e pontapés no rapaz, o homem armado deu um tiro à queima roupa que acertou o braço do jovem.

Ele foi levado ao Hospital Estadual de Sumaré e não corre risco de morte. “Foi muita crueldade. Ele tentou matar um menino de 16 anos. Tentei separar, mas eles me jogaram do altar”, lembra Lindinalva. Na igreja ainda havia marcas de sangue na manhã deste domingo.

Tiros

Depois de atirar contra o jovem, segundo o pastor, o vizinho foi procurá-lo no banheiro. Como a porta estava trancada ele deu um tiro na fechadura, que ficou destruída. O religioso conseguiu fugir e o agressor teria disparado dentro do banheiro feminino e outro no teto do templo. Ao saírem da igreja pai e filho foram detidos pela Polícia Militar.

G1 foi até a casa dos suspeitos, mas ninguém quis comentar o caso. De acordo com a Polícia Civil, o caso foi registrado como tentativa de homicídio.

Novas lentes

imagem: Google

imagem: Google

Marina Silva

Têm coisas que alimentam nossas esperanças e reafirmam as utopias. Na semana passada, estive na Costa Rica para uma conferência sobre projetos socioambientais. Em três dias, tive a oportunidade de conhecer várias lideranças sociais da América Latina e suas experiências inovadoras, de expressivo resultado cultural, social, econômico e ambiental.

Foi muito animador transitar nesse ambiente. É o tipo de experiência que amplia a visão e deixa mais perceptível como é limitador restringir-se ao espaço da política institucional.

Venho dizendo que as sementes de profundas mudanças estão espalhadas por todos os lugares do mundo. Para percebê-las, é preciso colocar as lentes do século 21.

Edgar Morin diz que, no começo, a mudança é apenas um pequeno desvio e que devemos estar atentos para apoiar aqueles que devem e precisam prosperar. Vi muitas iniciativas com potencial de atualizar políticas públicas e impulsionar a sociedade rumo à sustentabilidade: serviço de saúde de excelência para populações de baixa renda, arte e esporte para inclusão social e combate à violência, usos criativos e socialmente inclusivos dos resíduos sólidos, acessibilidade… a lista é longa e variada.

As novas iniciativas criam uma espécie de superfície de sustentação social e econômica, mas também conceitual, de valores e “modus operandi”. Superam a mesmice e projetam o sonho de que um novo mundo é mesmo possível. Mostram que o mundo atual é fruto de nossas escolhas cotidianas, que podemos criar outras formas de organização e relacionamento entre nós e com a natureza.

Podemos ressignificar nossa experiência civilizatória. Podemos imaginar um Estado mobilizador, que incentive o potencial criativo da sociedade e nele se apoie para atualizar-se, desenvolver-se, recriar-se. Um mercado em que empresas com responsabilidade social e ambiental produzam bens e serviços para necessidades reais, muito além do supérfluo. Projetos culturais que humanizem as cidades e a convivência entre as gerações que nelas vivem. Programas que valorizem as comunidades tradicionais, detentoras de saberes raros e de alto valor civilizatório, estabelecendo vínculos e trocas saudáveis em vez da assimilação forçada ou do isolamento preconceituoso.

Esses e muitos outros sonhos são semeados em nossas cidades e vilas, campos e florestas. Estão nas escolas, nas comunidades, no trabalho de muita gente talentosa. São pequenos desvios que podem se transformar em grandes caminhos. É preciso mudar o olhar sem perder o foco e a clareza da visão. Em vez de enxergar no tecido social apenas números, votos ou impostos, podemos fazer como os cientistas do biomimetismo, que olham para a natureza em busca de boas ideias e soluções.

fonte: Folha de S.Paulo

Pastor brasileiro ‘abre portas’ de igreja após massacre nos EUA

Pastor brasileiro Walcir da Silva em sua igreja na cidade de Bethel, que atende a fiéis que têm filhos na escola Sandy Hook

Pastor brasileiro Walcir da Silva em sua igreja na cidade de Bethel, que atende a fiéis que têm filhos na escola Sandy Hook

Pablo Uchoa, na BBC

Do lado de fora da casa onde vive, em Bethel, Connecticut, o pastor evangélico Walcir da Silva podia ver na sexta-feira à noite o estacionamento “quase completamente lotado” da igreja onde trabalha.

Mas não por causa do concerto de Natal marcado para as 7h daquela noite – evento que fora cancelado mais cedo. Em qualquer outro momento, o natural seria que os cerca de 500 lugares disponíveis estivessem praticamente vazios.

“Em uma hora destas, o pessoal encontra nas igrejas um verdadeiro refúgio”, afirma o pastor.

Morando há cerca de um ano e meio na comunidade, distante apenas pouco mais de dez quilômetros da escola de Sandy Hook, Newtown, o pastor se diz “impactado com a reação das pessoas à procura de conforto religioso”.

O efeito da morte de 27 pessoas, entre elas 20 crianças, no vilarejo de Newtown, foi comparável à de um desastre natural de escala muito maior, afirma.

“É uma crise que vai além do social, não é uma crise comum”, disse ele por telefone à BBC Brasil. “É um ato de violência que expõe a fragilidade da sociedade em que vivemos. Uma sociedade em que alguém, de um instante a outro, pode fazer algo assim e causar tanta destruição.”

Vigílias

Depois do massacre, muitas igrejas nas proximidades de Newtown anunciaram vigília de 24 horas para velar pelas vítimas.

O musical que seria apresentado na Igreja Comunitária de Walnut Hill, onde o pastor Walcir se encarrega do ministério da diversidade, fazendo sermões em português, também foi desmarcado.

A igreja atende a cerca de 2.200 fiéis, entre os quais muitas famílias cujos filhos estudam na escola de Sandy Hook. Até o fim da sexta-feira, não havia informações de que nenhuma delas estivesse entre os mortos.

Diferente de Estados como Oklahoma, Tennesse ou Arkansas, onde mais da metade da população se diz evangélica, em Connecticut essa proporção fica em menos de 10%, de acordo com números do centro de pesquisas Pew Religion.

Por isso, para o pastor Walcir, o sentimento religioso despertado de forma tão “rápida” nas pessoas que buscaram as igrejas após a tragédia de Sandy Hook ilustra a grande necessidade espiritual que o massacre criou.

“Já recebi muitas ligações de pessoas aflitas e chocadas”, diz. “Passei o dia à disposição para atender telefones, compartilhar e orar. Nossa igreja está aberta hoje como um lugar de oração.”

A Walnut Hill Community Church tem 21 pastores e ele foi um dos que se voluntariaram para se revezar em acolher os fieis em busca de oração e aconselhamento.

“Este acontecimento tem os ingredientes necessários para que o povo americano faça uma oportuna e necessária reflexão sobre os seus valores relacionados a algumas de suas muitas ‘liberdades’, dentre as quais o ‘direito à posse de armas e munições’”, escreveu o pastor, em um email à BBC Brasil na noite da sexta-feira.

“Minha expectativa é que algum benefício advenha deste grande maleficio.”