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Esquecido, mas feliz

Fabrício Carpinejar, no Blog do Carpinejar

Eu posso esquecer a receita do minestrone da avó.

Eu posso esquecer a loja em que comprei a calça preta favorita.

Eu posso esquecer o restaurante que escolhemos para passar a virada do ano e o coquetel flamejante que bebemos, desculpa, fumamos (era a nossa piada).

Eu posso esquecer o autor do verso “nunca me perdi de vista: detestei-me, adorei-me, depois envelhecemos juntos”.

Eu posso esquecer o esconderijo dos óculos de sol.

Eu posso esquecer que toalha de crochê tem um lado certo.

Eu posso esquecer de desligar o alarme do celular, agendado na manhã anterior.

Eu posso esquecer que o carnê do carro vence no dia 7.

Eu posso esquecer a melhor marca de azeite.

Eu posso esquecer o diretor do filme em que um casal está perdido em Tóquio.

Eu posso esquecer os aniversários dos sobrinhos.

Eu posso esquecer que você odeia aspargos, mas gosta de palmito (o inverso de mim).

Eu posso esquecer de deixar a luz acesa no corredor, já que tem medo de atravessá-lo durante a madrugada.

Eu posso esquecer minha mania de enfiar os chinelos debaixo da cama e procurar o par pela casa inteira.

Eu posso esquecer qual é a rua do sapateiro para salvar a sola dos meus sapatos.

Eu posso esquecer o que significa tramela.

Eu posso esquecer as diferenças entre o jasmineiro e o jacarandá.

Eu posso esquecer se desliguei a cafeteira ou fechei a porta.

Eu posso esquecer o nome de nossos vizinhos.

Eu posso esquecer de temperar o bife.

Eu posso esquecer a capital de El Salvador.

Eu posso esquecer de colocar protetor ao jogar futebol.

Eu posso esquecer daquele perfume de figo que você usa, adquirido na Itália.

Eu posso esquecer de levar meus casacos à lavanderia.

Eu posso esquecer de responder e-mails de pedidos de entrevista.

Eu posso esquecer de fazer a cópia da chave da correspondência.

Eu posso esquecer da revisão do carro a cada 10 mil quilômetros.

Eu posso esquecer a lista dos anjos que decorei na infância ou como se chama a cobra que morde o rabo.

Eu posso esquecer de ajeitar a unha do pé direito, que dói ao caminhar muito.

Eu posso esquecer as exceções da crase.

Não morro de inveja de quem lembra de tudo, e esqueceu de amar.

Tenho amor, não tenho memória.

Posso esquecer tudo, menos de você que me acompanha desde sempre. Você me lembra do que vivo esquecendo.

Arte: Cy Twombly

Internauta antecipa que ganhador da Mega-Sena seria de GO

Felipe J, no Terra2698719-2295-it2

Dezesseis dias antes do sorteio da Mega da Virada, que premiou com R$ 81,5 milhões os três acertadores das dezenas sorteadas na noite de segunda-feira, 31 de dezembro, um internauta usou o Orkut para antecipar que um dos vencedores seria de Aparecida de Goiânia, em Goiás.

“Eu não deveria estar falando isso aqui. Mas meu tio é um dos diretores responsáveis pela ‘Mega da Virada’. Ele me afirmou que, neste ano, o ganhador vai ser da cidade de Aparecida de Goiânia. Podem printar’, escreveu o internauta anônimo em um fórum na rede social, em mensagem publicada no dia 15 de dezembro. Na tarde desta quinta-feira, o post foi apagado do fórum no Orkut.

Conforme previa o internauta, uma das apostas vencedoras foi feita no município de Aparecida de Goiânia. Os outros dois premiados são das cidades de Franca e São Paulo. Os números sorteados foram 33-14-52-36-32-41. O prêmio total de R$ 244,7 milhões foi o maior já pago pelas loterias Caixa em 50 anos. No total, foram vendidos 85 milhões de bilhetes, e arrecadados R$ 640,5 milhões.

Caixa descarta fraude
Em nota, a Caixa negou qualquer possibilidade de fraude no sorteio, e afirmou que “todos os processos de sorteio e apuração das Loterias Federais passam por recorrentes verificações de órgãos de controle interno e externo, como o Tribunal de Contas da União (TCU), e a Controladoria Geral da União (CGU)”.

A Caixa afirma ainda manter um processo rigoroso de captação e processamento das apostas que impossibilita a adulteração de dados, e impede inserção de novas apostas após o início do sorteio. Os apostadores premiados são identificados, e seus dados são repassados à Receita Federal.

“Os sorteios das Loterias Federais são realizados em lugares abertos, com a presença e participação da população local e de órgãos de imprensa, que podem verificar e atestar a transparência e lisura de todos os processos envolvidos”, garante.

Os apostadores que recebem um prêmio das Loterias Federais nas agências da Caixa são identificados. Dados como nome, CPF e número de identidade são registrados e, posteriormente, são repassados à Receita Federal, ficando assim, à disposição dos órgãos públicos competentes.

“O ganhador tem o direito, por questões relativas à sua segurança e de seus familiares, de não ter seu nome e sua imagem divulgados ao público em geral. Porém, a Caixa sempre que instada a fazê-lo por órgãos que constitucionalmente detenham essa competência, disponibiliza essa informação”, afirma a nota.

A Caixa ressalta ainda que “é aliada e parceira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) na prevenção ao crime de lavagem de dinheiro e se submete às suas determinações, enviando, rotineiramente, informações sobre os pagamentos de prêmios e obedecendo a parâmetros definidos por aquele Órgão”.

O que acontece com as oferendas jogadas no mar no ano novo?

Débora Spitzcovsky, no Planeta Sustentável

Somos um povo bastante religioso e, especialmente no final do ano, o que mais vemos nas praias e florestas brasileiras são oferendas para os protetores da natureza, como Iemanjá e Iansã. Velas, barquinhos, alimentos, flores… na hora de fazer pedidos, todos somos muito criativos. Mas o que acontece com todos esses presentes que oferecemos aos orixás, guardiões da natureza?

Viram lixo e poluem o meio ambiente! Ou seja, ironicamente, toda a festa que fazemos para os protetores das matas, mares e cachoeiras, acaba contribuindo para a destruição da natureza. A solução, então, qual seria? Acabar com esses rituais de final de ano? De jeito nenhum, afinal, eles fazem parte da nossa tradição! Mas será que precisamos mesmo usar esse monte de coisa – que, no dia seguinte, vira entulho – para celebrar a virada do ano?

Os integrantes do Projeto Ecofotografias querem provar que não e, para isso, lançaram no último domingo, dia 20, uma campanha de conscientização, que incentiva a realização de oferendas mais responsáveis e sustentáveis. Como? Trocando os atuais presentes – que, cá entre nós, estão mais para “presentes de grego” – por ações que são positivas para a natureza, como, por exemplo, plantar uma árvore ou ajudar na limpeza de uma praia.

A ideia é bem bacana e, por mais que relutemos para mudar as tradições de final de ano, ninguém pode negar que adoraria acordar na manhã do dia 1 de janeiro e caminhar por uma praia sem cacos de vidro e outros entulhos, pode?

Então, que tal aderir?

Dez pessoas morrem durante culto da Igreja Universal em Luanda

Publicado originalmente no Portugal Digital29

Pelo menos dez pessoas morreram, na noite de segunda-feira, 31 de dezembro, em Luanda, capital de Angola, e 120 ficaram feridas durante uma cerimónia da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).

O acidente ocorreu no Estádio Nacional da Cidadela Desportiva onde decorria a vigília da IURD designada “Vigília da Virada – Dia do Fim”. A maioria das vítimas sofreram esmagamento e asfixia.

Segundo o Serviço Nacional de Proteção Civil e Bombeiros, o recinto tinha capacidade para 70 mil pessoas, mas concentraram-se no local 250 mil pessoas e apenas dois dos quatro portões estavam abertos.

Em declarações hoje à imprensa, o bispo-adjunto da Igreja Universal do Reino de Deus, em Angola, Ferner Batalha admitiu que o número de fiéis que esteve na cidadela excedeu a capacidade do recinto.

“A nossa expectativa era ter 70 mil pessoas, mas foi de longe superada”.

Afirmou que na preparação do evento a organização notificou as autoridades policiais e pediu a colaboração da Cruz Vermelha de Angola e das Emergências Medicas para o acompanhamento da vigília antes, durante e depois.

A directora clínica do Hospital Américo Boavida, Lina Antunes, confirmou hoje, quando a unidade atendia as primeiras vítimas, que a causa principal das mortes foi a asfixia.

Realçou que, até por volta das 02h30 desta terça-feira o hospital tinha assistido 70 pessoas, relacionadas com o caso.

Explicou que, e de acordo com as explicações do pai de três das vítimas, a maior parte  resultou do incidente que ocorreu numa das entradas do recinto e onde terá havido uma certa confusão.

Milhares de pessoas provenientes de distintas zonas de Luanda estiveram presentes no Estádio da Cidadela para assistir à designada Vigília da Virada – Dia do Fim. Com informações da Angop.

dica da Raquel Foresti

Abra a porta para 2013 e permita que as mudanças fluam

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Ana Celia Aschenbach, no Mulher 7×7

Aproveite o início de um novo ano para dar uma sacudida na vida. Afinal, o que tira a gente do conforto faz pensar, refletir e definir caminhos.

Na hora de fazer os pedidos de ano novo nem sempre nos lembramos de que, para os desejos se realizarem, precisamos dar nossa dose de contribuição.  Se quisermos mudar qualquer coisa, necessitamos sair do conhecido e aventurarmo-nos no desconhecido. Claro, isso implica em correr riscos e muitas vezes não fazemos ideia se seremos capazes de controlar a situação. Por isso a tendência natural é nos acomodarmos na velha e conhecida zona de conforto, ou seja, tudo aquilo com o qual estamos acostumados a fazer, pensar ou sentir.

Já ouviu falar que se a gente não muda, vem a vida e, de repente, não mais que de repente, muda tudo?

Um ótimo exemplo dessa mudança está na natureza, que muda o tempo todo, a toda hora, toda estação. Na filosofia indiana, essa mudança também é sentida nos períodos em que o universo é criado, se mantém durante certo tempo, depois é destruído. Brahman, o deus absoluto, é quem atua criando o universo, depois vem Vishnu que o mantém e Shiva que o destrói. Depois, Brahman se manifesta, o universo começa a surgir novamente, iniciando-se um novo ciclo.

Muitas vezes quando as mudanças acontecem na nossa vida, temos vontade de praguejar Shiva. Como esse cara vem e desfaz as coisas assim? Estava tudo tão bom, tão certinho, tudo tão dentro dos conformes?! Claro, ninguém quer sair da zona de conforto. Mudanças induzidas em ritmo acelerado exigem muito foco e “fé” no nosso interior. Com ou sem Shiva ajudando a destruir a nossa zona de conforto, o medo pressentido é o da destruição.

Mas até chegarmos a isso, as nossas birras internas, os nossos bloqueios, medos e, principalmente, a nossa autossabotagem criam um escudo que não nos deixa enxergar o quão bom pode ser essa virada impulsionada pela vida, por Shiva. Por isso sempre acabamos por correr para a nossa zona de conforto, onde não existe qualquer possibilidade de mudança.

Hellooooo, já pensou que o Universo vive em mutação? E, de novo, se você não mudar, o Universo muda você. Simples assim. A vida é essencialmente dinâmica. Por isso é preciso adaptar-se continuamente às mudanças que ocorrem. Tudo é impermanente. Para cada existência, a verdade básica é que tudo muda. Ninguém pode negar essa verdade e todo o ensinamento do budismo está condensado nela.

Para dar uma forcinha, que tal praticar o ritual do desapego? Pode ser um bom começo para aceitar a lei da impermanência, essa arte de dizer adeus com elegância, fazer as pazes com o mundo e se preparar para 2013. Escreva num papel tudo o que você não quer mais para a sua vida: ideias, sentimentos, pessoas… Tudo o que você quer deixar ir embora. Faça uma oração e queime esse papel. Depois escreva em outro papel tudo o que você deseja para o ano que vai entrar. E repita o ritual da queima.

Feliz 2013, feliz impermanência, feliz renascer, feliz novo ciclo.