
Protesto em Londres Foto via Facebook
João Marques de Almeida, no Facebook
Como cidadão, creio que as decisões políticas de um país devem refletir a vontade do povo. Democracia representativa é isso, os eleitos devem representar a voz do país como um todo, ou ao menos chegar perto desse ideal.
Governar pelo povo e para o povo, sem nunca deixar de abraçar e proteger as minorias e os que mais carecem de “governo”, no intuito de levar a sociedade a um patamar de liberdade, fraternidade, igualdade (tratando o igual como igual e o desigual como desigual, como prega nossa isonômica constituição).
O que anda acontecendo no nosso digníssimo congresso (ou o que sempre aconteceu, na medida da nossa ingenuidade ou apatia política) é mais e mais descaradamente o extremo oposto, numa inversão total do objetivo de um governo. (vocês são representantes do povo e não donos do poder, meus queridos políticos! Quando a nação em massa clama e protesta, o mínimo a se fazer é ouvir);
Já como cristão, tenho em mim asco ainda maior pelas atitudes dos falsos-pastores e de qualquer que tente jogar o Cristianismo na lama suja dos “podres poderes”. (A César o que é de César, caros “pastores”! Isso serve tanto pra moeda quanto pra política). Como engolir um ser que se diz “representante de Cristo” que vem e prega a tal “teoria da prosperidade” a pessoas espiritualmente, educacionalmente e financeiramente carentes, invertendo o conceito do dízimo na velha e suja bandeira medieval da venda de bênçãos que o próprio Lutero tão firmemente lutou pra derrubar?
Sem nem mencionar os inúmeros falsos ensinamentos e fundamentalismos religiosos do século XVI já derrubados e desmascarados cansadas vezes sem fim. O nome disso é abuso espiritual e é um fenômeno não só brasileiro, haja vista o cenário fundamentalista-político americano, por exemplo. (Quem quiser conhecer mais sobre o abuso espiritual no Brasil, sugiro a leitura do livro “Feridos em nome de Deus” da jornalista Marília de Camargo César).
Feliciano é apenas mais um representante de um “Irracionalismo Cristão”, reciclado inúmeras vezes num looping indesejado da história e que a eterna imperatriz humana – a ignorância – permite que aconteça. E pelos motivos “piores possíveis de sempre” (poder, ganância, dinheiro). Os exemplos atuais são muitos e todos conhecem.
Além de tudo, é bom lembrar que vivemos num estado LAICO, ou seja, qualquer Cristão que quiser se meter a representar o Estado, deve fazê-lo no total respeito aos contrários, como todo bom e verdadeiro cristão (ou como diria Jesus, com AMOR AO PRÓXIMO, alteridade, conceito cada vez mais esquecido em nossos tempos). De outra forma, não se meta a viver de política. Dito isso, é bom que todo e qualquer que se diz cristão passe a analisar seus próprios conceitos e posicionamentos com relação a estes abusos. (Luther King já dizia que o problema do mundo não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons).
Perceba que os únicos momentos em que Jesus realmente se revoltou e pregou com grande veemência foi ao se dirigir justamente aos fundamentalistas religiosos de sua época. (os ditos fariseus). Não entram no reino dos céus nem deixam entrar. Atravancam o caminho. Afastam as pessoas de Deus, quando deveriam juntar.
Deus não se impõe sobre a livre vontade de ninguém, meu amigo, saiba bem disso. “Quem tiver ouvidos que ouça”, dizia sempre Jesus, que não parava pra ficar importunando ninguém, falava a sua palavra e saia pelo seu caminho, caminho que sabia bem qual era (extremamente político em cada ato e palavra sem nunca ter se metido em politicagens romanas, diga-se). Ora, a própria teologia cristã prega que quem é assim de tal modo impertinente, que tenta imperar de toda forma sobre a sua liberdade e vontade, lhe oprimindo nesse processo é o próprio diabo; este sim…
Né não, Feliciano? As palavras falam do que o coração está cheio e é pelos frutos que sabemos onde finca a raiz de cada um. Assim se revela de fato a quem se segue e por quem se prega.