Idoso publica nota de falecimento falsa para receber visita de parentes

Incidente com Hajdar Lila ocorreu em Fushe-Kruje, cidadezinha da Albânia.
Ele acha que foi esquecido porque parou de enviar dinheiro a familiares.

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Publicado no G1

Incomodado com a falta de atenção por parte de seus familiares, um idoso albanês articulou um curioso plano para ser visitado e, em pleno dia de seu aniversário, emitiu uma nota falsa do próprio falecimento em um jornal local. Veja vídeo.

Para tornar a notícia de sua morte ainda mais crível, Hajdar Lila, um cidadão de Fushe-Kruje, uma pequena cidade próxima a Tirana, também colou alguns cartazes na rua para anunciar sua morte, nos quais incluíu uma foto e dados pessoais.

“Faz quatro anos e meio que voltei do Canadá e meus filhos, irmãos e, inclusive, meus primos ainda não vieram tomar um café na minha casa”, declarou Lila, de 70 anos, em declarações publicadas nesta terça-feira pelo portal “Shqiptarja.com”.

O idoso relatou que passou muitos anos vivendo na Grécia e no Canadá, mas que sempre enviou dinheiro e notícias a sua família.

De acordo com Lila, seus amigos e familiares sempre se mostraram muito amáveis com ele, mas, aparentemente, apenas pelo dinheiro e pelos presentes que lhes enviava desde o exterior.

“Enquanto estive no Canadá, eu ajudei o quanto pude todos com dinheiro. Eu tinha muita vontade de voltar para minha pátria e viver com meus entes queridos. Mas, agora que não me resta dinheiro, ninguém se importa mais com minha presença”, lamentou o idoso.

No entanto, mesmo com a simulação de sua própria morte, Lila não obteve muito sucesso na hora de reunir sua família, já que somente sua filha mais velha se dirigiu a sua casa para cuidar de seu suposto funeral.

Após esta experiência, Lila deixou claro que não aceitará ninguém no cemitério no dia de sua morte verdadeira, com exceção do coveiro.

“As pessoas devem ser respeitadas enquanto vivas e não depois de mortas”, finalizou o idoso, que, por sinal, não conseguia esconder a grande decepção com seus filhos.

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‘Avançamos muito’, diz jornal inglês. ‘Na última vez, o brasileiro assediado foi morto a tiros’

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Publicado no Terra

Um artigo publicado nesta semana no jornal inglês The Independent trata da detenção do brasileiro David Miranda no aeroporto de Londres e compara com o caso de outro brasileiro, Jean Charles de Menezes, que foi assassinado por forças de segurança do país em 2005.

“Avançamos muito. Na última vez, o brasileiro assediado foi morto a tiros”, diz o título do artigo de opinião assinado por Matthew Norman.

O texto usa um tom irônico para criticar as forças de segurança do país. Ele compara os dois casos e indica que a segurança do Reino Unido avançou nos últimos sete anos. Em vez de matar brasileiros sem motivo, eles agora só são interrogados e detidos por nove horas.

“Sete curtos verões depois que a polícia apagou Jean Charles de Menezes em um trem do metrô sem nenhuma razão aparente além da sua própria incompetência, o viajante Brasileiro que obedece a leis e não tem nenhuma ligação com terrorismo não espera nada pior de que ser retido em uma cela e interrogado por no máximo nove horas”, ironiza o texto.

“Não está claro se o senhor Miranda aprecia o quanto a polícia avançou desde que matou seu compatriota, mas até agora o ingrato não agradeceu por terem deixado ele voltar ao Rio vivo. Honestamente, algumas pessoas simplesmente não têm ideia do quanto são sortudas”, diz.

Mais adiante, entretanto, o texto deixa mais claro seu tom crítico:

“É uma desgraça que oficiais da polícia britânica tenham detido e interrogado um cidadão estrangeiro contra quem eles não tinham nenhuma suspeita de nenhuma ofensa, muito menos terrorismo”, diz.

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Há 13 anos, carroceiro limpa o rio Tietê

Há 13 anos, carroceiro limpa o rio Tietê

Alysson Villalba, no Caos Bravo

Há 13 anos, Everaldo Lagarto, 61 anos, navega recolhendo lixo nas águas do rio Tietê, em São Paulo.
Todos os dias, o carroceiro acorda cedo e inicia sua jornada de trabalho à procura de garrafas PET e outros materiais recicláveis. Nesses anos de trabalho, ele afirma que já viu de tudo, menos peixe vivo. O sonho do Seu Everaldo é conseguir uma casa e voltar para sua cidade, Caruaru/PE, onde vivem a mulher e duas filhas.

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Starbucks usou água de banheiro para fazer café durante 2 anos

Vídeo flagra funcionários da maior cafeteria do mundo usando água de banheiro para preparar o café servido aos clientes. Prática durou dois anos.

Foto: reprodução
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Publicado no Pragmatismo Político

Jornalistas de Hong Kong filmaram trabalhadores da Starbucks utilizando água de um banheiro de homens de uma garagem para preparar o café. A prática durou dois anos, informa o jornal digital “The Huffington Post”.

O café abriu em 2011 no arranha-céu do banco Bank of China, no centro da cidade. Não tinha água na cozinha da Starbucks, por isso os empregados decidiram fazer uso de uma garagem próxima com um carrinho cheio de recipientes vazios que enchiam com água de uma torneira a dois metros do urinário.

Ao voltar ao café, os empregados utilizavam a água e preparavam o café. Necessitavam ir à garagem até setenta vezes ao dia para obter a água já que havia muitos clientes, escreve o diário de Hong Kong “Apple Daily”.

Apesar de todas as explicações dadas pelos porta-vozes da empresa, os clientes da rede em Hong Kong estão indignados.

[Starbucks] obtém grandes lucros a nível mundial, mas optou por utilizar a água do banheiro para fazer o café neste local em vez de gastar uns centavos para utilizar água destilada. Pagamos alguns dólares para comprar uma caneca de café e obtemos tal falta de respeito a nossa mente e a saúde”, escreveu um dos clientes na página de Facebook de Starbucks.

Vídeo:

Dica do Israel Anderson

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O terror da ambivalência

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Luiz Felipe Pondé, na Folha de S.Paulo

Você esconderia judeus em sua casa durante a França ocupada pelos nazistas? Não, não precisa responder em voz alta.

Melhor assim, para não passarmos a vergonha de ouvirmos nossas mentiras quando na realidade a janta, o bom emprego e a normalidade do cotidiano sempre valeram mais do que qualquer vida humana. Passado o terror, todos viramos corajosos e éticos.

Anos atrás, enquanto eu esperava um trem na estação de Lille, na França, para voltar para Paris, onde morava na época -ainda bem que tinha minha família comigo porque Paris é uma cidade hostil-, li a resenha de um livro inesquecível na revista “Nouvel Observateur”.

Nunca li esse livro, nem lembro seu nome, mas a resenha era promissora. Entrevistas com filhos e filhas de pessoas que esconderam judeus em casa durante a Segunda Guerra davam depoimentos de como se sentiram quando crianças diante dos atos de coragem de seus pais e suas mães.

A verdade é que essas crianças detestavam o ato de bravura de seus pais. Sentiam (com razão?) que não eram amados pelos pais, que preferiam pôr em risco a vida deles a protegê-los, recusando-se a obedecer a ordem: quem salvar judeus morre com eles.

Podemos “desculpar” as crianças dizendo que eram crianças. Nem tanto. Adolescentes também sentiam o mesmo abandono por parte dos pais corajosos. Cônjuges idem.

Está justificada a covardia em nome do amor familiar? Nem tanto, mas deve-se escolher um estranho em detrimento de um filho assustado?

Tampouco dizer que os covardes também seriam vítimas vale, porque o que caracteriza a coragem é exatamente não se deixar fazer de vítima -coisa hoje na moda, isto é, se fazer de vítima.

Não foi muito diferente aqui no Brasil durante a ditadura, guardando-se, claro, as diferenças de dimensão do massacre.

No entanto, não me interessa hoje essa questão da falsa ética quando o risco já passou -a moral de bravatas. Mas sim a ambivalência insuportável que uma situação como essa desvela, na sua forma mais aguda.

Ou meu pai me ama ou ama o judeu escondido em minha casa, ou, ele me ama, mas não consegue dormir com a ideia de que não salvou alguém que considerava vítima de uma injustiça, e por isso me põe em risco. Eis a razão mais comum dada por esses pais, quando indagados, da razão de pôr em risco sua vida e família: “Não conseguia fazer diferente”. Mas a ambivalência da vida não se resume a casos agudos como esses.

Freud descreveu os sentimentos ambivalentes da criança para com o pai no complexo de Édipo: amo meu pai, mas quero também me livrar dele, e também sinto culpa por sentir vontade de me livrar dele.

Independente de crer ou não em Freud plenamente (sou bastante freudiano no modo de ver o mundo, e Freud foi o primeiro objeto de estudo sistemático em minha vida), a ambivalência aí descrita serve como matriz para o resto da vida.

Os pais amam os filhos (nem sempre), mas ao mesmo tempo ter filhos limita a vida num tanto de coisas (e hoje em dia muita mulher deixa para ser mãe aos 40 por conta deste medo, o que é péssimo porque a mulher biologicamente deve ser mãe antes dos 35). Apesar dos gastos intermináveis, no horizonte jaz o possível abandono na velhice por parte destes mesmos filhos “tão” amados.

Mas, ao mesmo tempo, não ter filhos pode ser uma chance enorme para você envelhecer como um adulto infantil que tem toda sua vida ao redor de suas pequenas misérias narcísicas.

Casamento é a melhor forma de deixar de querer transar com alguém devido ao esmagamento do desejo pela lista infinita de obrigações que assola homens e mulheres, dissolvendo a libido nos cálculos da previdência privada.

Mas, ao mesmo tempo, a liberdade deliciosa de transar com quem quiser (ficar solteiro), com o tempo, facilmente fará de você uma paquita velha ridícula sozinha que confunde pagar por sexo com um homem mais jovem com emancipação feminina. E, no caso do homem, o tiozão babão espreita a porta.

E, também, terá razão quem disser que mesmo casando você poderá vir a ser uma paquita velha ou um tiozão babão.

Quantas ambivalências espera você nessa semana?

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