Americano pede desculpas por ter inventado o “pop up”

Publicado na Exame

“Todos nós passamos por situações tão ruins em nossas vidas que somos forçados a explicar nossas ações para lembrar a todos que tínhamos boas intenções. É óbvio que agora sabemos que o que fizemos foi um fiasco, mas deixe-me relembrá-lo que o que queríamos era fazer algo nobre e corajoso”, escreve Ethan Zuckerman, principal pesquisador do MIT Lab, um centro de estudos da instituição americana. Zuckerman refere-se especificamente aos pop-us, aquelas janelas que infernizam a vida de qualquer internauta, com anúncios pipocando no meio das páginas e que se tornaram o modelo mais forte de publicidade na web. É algo que ele criou, em um trabalho que durou 20 anos, e que hoje ele gostaria que desaparecesse.

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ETHAN ZUCKERMAN (FOTO: DIVULGAÇÃO)

“Desculpem-me. A intenção era boa”, escreveu o americano em artigo publicado ontem no The Atlantic. Lá, ele conta como a ideia surgiu, como os anúncios tornaram-se inconvenientes e propõe novos modelos de financiar o conteúdo na web.

De 1994 a 1999, Ethan trabalhou para o Tripod.com, ajudando a desenvolver, arquitetar e implementar um website que tivesse serviços e conteúdo para recém-formados. Quando o negócio faliu, ele tornou-se um webdesigner e desenvolvedor. Nos cinco anos seguintes, criou dezenas de modelos de negócio, tentando vendê-los para empresas. Ele e seus colegas não sabiam exatamente para onde o trabalho caminhava, mas no final, descobriram que haviam criado um modelo aplicável de anúncios em sites.

O pop-up viria depois, após uma empresa de carros ter ficado realmente brava quando um anúncio seu foi inserido em um site de sexo. Zuckerman então sugeriu remover o anúncio da página e colocá-lo em uma janela que seria aberta em primeiro plano e não levaria a uma associação direta entre marca e conteúdo do site. “E assim, ao longo dos anos, desenvolvemos uma das ferramentas de publicidade mais odiada de todos os tempos: o pop-up”.

 

Futuro da propaganda online

Zuckerman cita o programador Maciej Cegłowski para defender que o anúncio tornou-se o modelo mais negligente da internet, porque é o “mais fácil para um startup implementar, o mais fácil para investir em marketing”. Ele afirmou que o grande problema do modelo atual de anúncios online é que eles não seguem os interesses dos usuários, eles competem pela atenção deles. “É uma barreira que você tem que ultrapassar – minimizar janelas, clicando fora da janela do anúncio, ignorando-os – para conseguir ler o que você desejava quando clicou no link.”

O americano defende outros modelos para financiar conteúdo e serviços na web, com propagandas menos invasivas, que colham menos dados dos usuários. Uma delas seria o pagamento de pequenas taxas para utilizar aquele serviço. Para Zuckerman, o investimento em audiência poderia também ajudar a empresas a conseguir implantar caminhos diferentes e criativos. “Startups poderiam diminuir o plano de crescimento da receita com anúncios e focar em construir audiências. Se as receitas forem insuficientes para cobrir os custos e prover conteúdo ou serviços, isso não importa de início – o que importa é o crescimento da audiência. Um site com 10 milhões de usuários leais com certeza encontraria um outro modo de gerar receita”.

dica da Rina Noronha

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Com Facebook fora do ar, americanos pedem ajuda à polícia

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Publicado na Exame

Na tarde desta sexta-feira (1), o Facebook ficou fora do ar mundialmente durante aproximadamente duas horas. Com isso, usuários americanos da rede social recorreram à polícia para tentar resolver o problema.

O sargento Burton Brink, xerife do condado de Los Angeles, recorreu ao Twitter para explicar que a instabilidade do Facebook não era problema da polícia.

“#Facebook não é um problema legal, por favor, não nos ligue para avisar que ele está fora do ar, nós não sabemos quando o FB estará de volta!” Veja o tweet abaixo:

#Facebook is not a Law Enforcement issue, please don’t call us about it being down, we don’t know when FB will be back up!

— Sgt. Brink (@LASDBrink) 1 agosto 2014
O twitter oficial de comunicação do departamento também falou sobre o ocorrido, tweetando: “Por favor. Sem perguntas sobre quando o #Facebook estará de volta, nós não sabemos…Obrigada!”. Veja abaixo:

Pls. No questions about when #Facebook will be back up, we do not know… Thx! #LAPD

— LAPD Communications (@911LAPD) 1 agosto 2014
Segundo o Facebook, o problema afetava todas as APIs e superfícies web da rede social. “O Facebook passa por problemas que estão afetando todas as suas APIs e superfícies web.

Nosso engenheiros detectaram o problema e estão trabalhando para resolvê-lo rapidamente”, disse a empresa ontem, em comunicado. Por volta das 15 horas, o Facebook já se encontrava estável novamente.

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USB possui brecha de segurança que não pode ser resolvida

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Publicado no Olhar Digital

Dois pesquisadores de segurança estão prestes a divulgar uma descoberta sobre o USB que decreta o formato como um dos mais inseguros da atualidade.

Karsten Nohl e Jakob Lell construíram provas de conceito indicando que é possível contaminar uma unidade USB sem tocar na memória flash, focando apenas no firmware que controla suas funções.

Isso significa que nem a varredura mais completa encontraria o arquivo malicioso, e que qualquer coisa que use saída USB pode ser infectada – incluindo periféricos como teclado e mouse, além de pendrives.

Eles conseguiram colocar malwares nos chips usados para conectar um dispositivo ao computador e esses arquivos maliciosos são capazes de controlar funções e alterar pastas, além de direcionar o tráfego da internet a sites de interesse do atacante. Tudo sem serem notados.

O USB pode infectar o computador ou ser infectado por ele, e em nenhum dos casos o usuário comum tem chance de descobrir. Apenas um especialista com conhecimentos em engenharia reversa poderia encontrar o problema, mas só se estivesse procurando – e o firmware não costuma levantar suspeitas.

Os pesquisadores mostrarão como isso funciona durante a Black Hat, conferência anual sobre segurança que ocorre na semana que vem em Las Vegas, na intenção de estimular as pessoas a tomarem cuidado com o USB, porque este é um problema sem solução.

O que Nohl e Lell pretendem com a divulgação de suas descobertas é fazer um alerta para que as pessoas tratem dispositivos como pendrives da mesma forma que tratam seringas: cada um só pode usar o seu. É a única forma de garantir que não haverá complicações.

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Luto na web: redes sociais mudam relação das famílias com a morte

Amanda Tinoco perdeu seu filho adolescente há 5 meses. A internet a ajuda a lidar com o luto. - Camilla Maia
Amanda Tinoco perdeu seu filho adolescente há 5 meses. A internet a ajuda a lidar com o luto. – Camilla Maia

Perfis póstumos continuam sendo alimentados após a partida dos entes queridos

Thiago Jansen, em O Globo

Em janeiro passado, Amanda Tinoco, de 36 anos, sofreu a maior dor que pode se abater sobre uma mãe: em coma por quatro dias depois de ser atropelado, seu filho, Gabriel, morreu aos 16 anos. Em choque pela perda e em meio à saudade, a analista de telecomunicações encontrou no Facebook um canal para processar seus sentimentos, a partir das mensagens de solidariedade que recebeu na rede, das visitas ao perfil virtual de Gabriel e da oportunidade de interagir com os únicos capazes de entender o que ela sente, outros pais que perderam seus filhos.

O caso de Amanda não é exceção. Onipresentes na vida de milhões, as redes sociais transformaram a forma como nos relacionamos com o mundo, extinguindo, para muitos, as fronteiras entre o real e o virtual. Um grande impacto na vida e também na morte. Num fenômeno já notado por terapeutas e pesquisadores, esses sites vêm adicionando novos elementos à forma como lidamos com a perda de pessoas amadas, seja pela presença dos perfis dos mortos ou de grupos que os reúnem.

MENSAGENS DE AMIGOS E ESTRANHOS

Esta semana, o luto digital mostrou sua força global. Somente algumas horas depois de anunciada a trágica queda do avião da Malaysia Airlines sobre o Leste da Ucrânia, matando 298 pessoas, parentes e amigos de muitos deles iniciaram uma corrente de posts de despedida que se espalharam pela internet. Um texto postado por um dos passageiros que desistiram do voo — um holandês que publicou em sua página no Twitter uma foto do avião em que embarcaria — acompanhado de uma mensagem que fazia referência ao avião da Malaysia sumido em março, no qual ele também quase embarcou, foi compartilhado por centenas de milhares de internautas mundo afora. Sempre com palavras de luto e pesar. As redes se tornam, assim, a um só tempo, canais de informação e homenagem.

— Quando o acidente (com o filho, Gabriel) aconteceu, o Facebook acabou servindo como ferramenta de informação para nosso círculo de amigos, que passou a acompanhar a nossa luta durante o coma. O que vimos pela rede foi uma grande mobilização por meio de preces, mensagens de apoio e canalização de energia — lembra Amanda.

Nas primeiras semanas após a perda de Gabriel, marcadas por “entorpecimento e reclusão total”, Amanda diz que navegar na web era uma das poucas atividades que conseguia fazer devido à falta de disposição para conversar com outras pessoas. Nesse momento, o site a ajudou a descrever o seu desespero, mas também a encontrar conforto em homenagens de amigos do filho registradas no perfil do jovem — ainda mantido on-line por ela.

Em maio, com a aproximação do Dia das Mães, Amanda criou uma página na rede dedicada a mães que, assim como ela, perderam seus filhos.

— Isso foi importante, ajudou a formar uma rede de solidariedade. Só uma mãe nessa situação entende a dor que a morte de um filho provoca. Por isso, a cumplicidade encontrada nos ajuda — afirma, em referência à página “Mães para sempre”. — No meu caso, isso só foi possível por causa das redes.

Médica e terapeuta especializada em luto há 14 anos, Adriana Thomaz afirma que, há pelo menos cinco, nota os impactos que sites como o Facebook têm nas pessoas que perderam entes queridos.

— Se, antes, as redes eram usadas para homenagear os mortos, agora elas estão se tornando espaços de busca por solidariedade. Além disso, há também uma tendência na formação de grupos envolvendo pessoas com experiências semelhantes, que se associam para buscar compreensão — explica Adriana. — Há ainda uma necessidade de não deixar a memória do ente desaparecer, a partir da manutenção do seu perfil virtual.

Adriana diz observar que, em diversos casos, como o de Amanda, as redes digitais vêm ajudando os enlutados a lidar com a ausência da pessoa querida. No entanto, isso não é regra:

— Há aspectos negativos também. No luto, a negação também é uma fase, e, ainda que saudável e natural, quando prolongada pode tornar a vida da pessoa complicada. Nesses casos, a dificuldade de lidar de maneira saudável com as dinâmicas das redes pode fazer com que o enlutado as use como forma de evitar a realidade.

Maria de Lourdes Casagrande, de 53 anos, diz ter consciência sobre a dualidade dos efeitos que o virtual pode ter sobre aqueles que perderam alguém. Depois da morte do filho Denis, de 21 anos, em setembro de 2013, ela conta que decidiu preservar o perfil do jovem no Facebook como forma de “mantê-lo vivo”.

— Nesse momento, você só pensa em preservar a memória da pessoa. E como, para os jovens, o site é muito usado, faz sentido manter a página no ar para que as pessoas que o conheceram possam se lembrar dele — afirma a gerente comercial, que, apesar da decisão, diz ainda não se sentir preparada para visitar a página. — Ainda é muito doloroso.

denis.jpg.pngNo entanto, a rede também tem sido fonte de alento. Após a morte do jovem, assassinado em uma festa na Universidade de Campinas (SP), onde estudava, os amigos dele criaram a página “Somos todos Denis” no Facebook, para homenageá-lo. Ainda que a visite apenas às vezes, Maria de Lourdes diz que as mensagens deixadas nela lhe fazem bem:

— Não tiram a minha dor, mas aliviam. Agora, queiramos ou não, essa presença na rede também remete à dor da perda. Então, tento não acessá-la nos momentos em que estou me sentindo frágil.

Após a morte de um usuário, as redes sociais permitem que o seu perfil possa ser retirado da web ou assumido por parentes, mediante solicitação e envio de documentos. Mas essas informações costumam ficar meio escondidas. Para aqueles que optarem por assumir os perfis dos que se foram, é importante explicitar que o gerenciamento está sendo feito por outra pessoa.

— Isso evita que, em momentos de fragilidade, pessoas enviem mensagens achando que ninguém vai lê-las, mas que podem causar constrangimentos — afirma a terapeuta Adriana.

Para além da administração das páginas dos que se foram por parentes, grupos de usuários se dedicam a listar os perfis dos mortos, estabelecendo uma espécie de cemitério virtual. Criada no Facebook em 2009, o “Profiles de gente morta” reúne mais de 10 mil membros que, diariamente, incluem perfis de recém-falecidos, adicionando a causa da morte e, quando possível, notícias que a comprovam.

Ainda que reconheça que a página pode ser vista como mórbida, seu criador, Victor Santos, de 33 anos, nega que explorar a dor alheia seja sua intenção:

— O objetivo principal é que ela funcione como uma espécie de memorial aos falecidos com perfis na rede, uma homenagem e um registro virtual. Entendo os julgamentos. Não é algo comum, gera interpretações incorretas. Mas a página trata de algo natural, que faz parte da vida.

FENÔMENO É TEMA DE ESTUDOS

Moderadora do grupo, Ana Bittencourt, de 39 anos, vê a popularidade dele como resultado da curiosidade que muitas pessoas sentem sobre a morte.

— Para muita gente, a morte ainda é um tabu, e o grupo acaba sendo um espaço onde elas têm liberdade para discuti-lo — afirma. — Há regras. Proibimos imagens de violência. Também inibimos críticas aos falecidos porque não admitimos desrespeito. Já recebemos pedidos para remover perfis da lista. Nesses casos, atendemos prontamente. Não é nossa intenção magoar ninguém.

A relação do mundo virtual com a morte atrai inúmeros pesquisadores. Organizado pelos professores Cristiano Maciel e Vinicius Pereira, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o e-book “Digital Legacy and Interaction: Post-Mortem Issues” (Legado digital e interação: Questões pós-morte), de 2013, reúne artigos do mundo todo que abordam aspectos técnicos, legais e culturais do tema.

Para Cristiano, o assunto tende a se intensificar:

— Antigamente, o cemitério ficava longe, mas agora a presença da pessoa falecida está logo ali. E muitos jovens da geração Z estão tendo o primeiro contato com o tema nesse ambiente — afirma.

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