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YouTube funcionará como uma emissora de TV, diz Google

Felipe Zmoginski, na INFO

O principal executivo do Google para um de seus produtos mais populares, o indiano Shiva Rajaraman, afirmou hoje, em entrevista a INFO, que o YouTube deve se aproximar de um modelo que o transforme em uma espécie de “televisão online”, em que o usuário sintoniza o conteúdo que deseja e passa a consumi-lo de forma ininterrupta.

Diretor do YouTube, Rajaraman disse ainda que o serviço de vídeos fará um grande esforço nos próximos meses para facilitar a veiculação de vídeos ao vivo em sua plataforma e criará novas características para permitir que os produtores de conteúdo possam ser remunerados pela audiência que obtêm no serviço.

Shiva Rajaraman, diretor do YouTube, diz que a plataforma irá se transformar em uma espécie de "televisão online"

Shiva Rajaraman, diretor do YouTube, diz que a plataforma irá se transformar em uma espécie de “televisão online”

Por qual razão o YouTube vai incentivar a transmissão de vídeos ao vivo? Nós acreditamos que o próximo passo para o YouTube é tornar-se um canal de vídeos em que as pessoas podem acompanhar eventos em tempo real. Vamos incentivar emissoras de TV e produtores de vídeos a criar talk shows, espetáculos de música e conteúdos criativos para transmiti-los ao vivo pelo YouTube.

Como vocês farão isso? Estamos buscando uma série de acordos com estúdios que produzem conteúdo em larga escala e com qualidade. Ao mesmo tempo, criamos uma API de analytics que permitirá a esses produtores monitorar de forma mais precisa a audiência de seus vídeos e ajudá-los a entender como podem melhorar sua performance e monetizar seu conteúdo.

Transmissões ao vivo são mais difíceis de serem monitoradas? Não há o risco, por exemplo, de usuários enviarem vídeos de sexo, violência ou com conteúdos ofensivos com maior frequência do que já ocorre atualmente? Há riscos, mas nós sabemos gerenciar isso. Temos uma comunidade muito apaixonada, que nos ajuda a monitorar tudo o que vai ao ar e coloca “flags” nos conteúdos que considera impróprios. Isso funciona muito bem hoje e não vejo motivo para não funcionar bem no futuro.

Você acredita que será possível desenvolver softwares que analisem vídeos veiculados no YouTube e sejam capazes de descobrir se há nudez em uma determinada imagem ou, então, se há veiculação de conteúdo protegido por copyright? Estas tecnologias são bastante complicadas e, no momento, não recorremos a elas. Alguns testes com softwares deste tipo demonstram, por exemplo, que uma imagem de um bebê nu pode ser confundida com algo impróprio. Então, confiamos no trabalho de nossa comunidade e, claro, temos pessoas dentro da divisão do YouTube que se dedicam apenas a ver vídeos e analisá-los sob o ponto de vista de nossos termos de serviço.

Quantas pessoas fazem isso atualmente? Não falamos sobre números, mas posso dizer que somos muito eficientes e conseguimos ver grande parte do conteúdo publicado em nossa plataforma.

Recentemente, o Google pediu para a Microsoft tirar do ar um app do YouTube para Windows Phone. Essa atitude não pune os usuários de uma plataforma rival, no caso, um competidor do Android?  Na verdade, qualquer usuário do Windows Phone pode acessar os vídeos do YouTube, sempre que quiser. Ele pode usar o browser, por exemplo, e nós estaremos lá. Somos um produto ´webbased´.

Sim, mas o app poderia oferecer uma experiência mais confortável… Não somos contra apps do YouTube para outras plataformas. Esse aplicativo específico a que você se refere, porém, feria nossos termos de serviço, feria nossas regras de desenvolvimento e, por enquanto, precisou ser retirado da loja de apps da Microsoft.

Tudo o que acontece na internet em apenas um minuto

Um fenômeno tão grande, tão revolucionário e com tantas facetas que é impossível entender tudo o que está acontecendo numa só olhada.

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Por Silvia Bassi, no IDG Now

Nesta sexta-feira, 17/04, comemora-se o Dia Mundial da Sociedade da Informação, que acabou sendo interpretado como dia mundial da internet. Um fenômeno tão grande, tão revolucionário e com tantas facetas que é impossível entender tudo o que está acontecendo numa só olhada.

O que acontece nesse universo num minuto? O blog Inside Scoop, mantido pela Intel, resolveu sumarizar num quadro tudo o que rola na rede nesses sessenta segundos. Só um trailer: em um minuto, 204 milhões de emails são enviados. A Amazon fatura 83 mil reais em vendas. Enquanto usuários fazem upload de 3 mil fotos para o Flickr, outras 20 milhões de fotos são vistas. Pelo menos 6 milhões de páginas do Facebook são vistas ao redor do mundo. Mais de 61 mil horas de música tocam na rede Pandora e mais de 1,3 milhão de clips são assistidos no YouTube.

O Dia Mundial da Sociedade da Informação, conhecido como Dia Mundial da Internet, foi criado em 17 de maio de 2005 na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada na Tunísia e seu objetivo era a criação de uma data comemorativa para a inclusão digital. A meta era diminuir a exclusão digital e interligar países desenvolvidos e subdesenvolvidos, garantindo acesso mundial à rede. Antes de 2005, o dia 17 de maio era conhecido como o Dia Mundial das Telecomunicações, em comemoração à fundação da União Internacional de Telecomunicações (UIT), ocorrida em 1865.

Jornalista Magali Cunha analisa discurso de Damares Alves: “Apresenta elementos críticos genéricos e imprecisos, inverdades e manipulação explícita de dados”

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título original: Assessora da Frente Parlamentar Evangélica ataca governo federal em palestra e fornece argumentos para reações das igrejas a políticas públicas

Magali do Nascimento Cunha, no Mídia, Religião e Política

Um vídeo postado no Youtube e amplamente disseminado nas redes sociais e em sites e blogs evangélicos mostra uma palestra de Damares Alves, realizada na Primeira Igreja Batista de Campo Grande (MS), na noite de 13 de abril, com o tema “O Cristão diante de Novos Desafios”. Damares Alves é apresentada como pastora da Igreja do Evangelho Quadrangular, com intensa atuação política: é assessora do Senador Magno Malta, assessora jurídica da Frente Parlamentar Evangélica e da Frente Parlamentar da Família e Apoio a Vida e diretora de assuntos Parlamentares recém-criada Associação Nacional de Juristas Evangélicos (ANAJURE). Ela também atua como secretária nacional do Movimento Brasil Sem Aborto.

Damares Alves constrói o seu discurso com base em extratos de materiais veiculados em período recente – cartilhas, produzidas fundamentalmente pelos Ministérios da Saúde e da Educação; livros produzidos para crianças e adolescentes; e outros produtos impressos – para criticar o que classifica como a disseminação de uma apologia ao sexo e às drogas entre crianças e adolescentes, em especial nas escolas, coordenada pelo governo federal. É enfatizada uma crítica ao governo brasileiro nos últimos dez anos como responsável por tal situação que ameaça a família brasileira. A pastora cobra uma ação mais enérgica das igrejas evangélicas contra estas autoridades que estão lá, segundo o seu discurso, “porque nós deixamos”.

O clima em torno da palestra se dá também no contexto dos acontecimentos em torno da indicação do Deputado Federal do PSC Pastor Marcos Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, e toda a controvérsia de sua plataforma relacionada às questões que envolvem a sexualidade humana. Vale registrar que o culto em que Damares Alves participou foi realizado na Primeira Igreja Batista de Campo Grande (MS) onde, um dia antes (12 de abril) foi realizado um evento político: o Encontro Estadual de Lideranças Evangélicas.

Segundo a revista Carta Capital, entre os 350 pastores presentes no evento havia 25 parlamentares, como a vereadora Rose Modesto (PSDB), liderança da bancada evangélica local e autora da lei que obriga o poder público a apoiar eventos evangélicos, Herculano Borges (PSC), que aprovou projeto para proibir a instalação de máquinas de preservativos nas escolas, e Alceu Bueno (PSL), opositor do reconhecimento de uma associação de travestis como de utilidade pública.

O encontro foi aberto pelo presidente do Fórum Evangélico Nacional de Ação Social e Política (Fenasp) que ali estava para formalizar a criação da Frente Parlamentar Evangélica da cidade, por isso a presença dos pastores da cidade na reunião com o objetivo de: “Alinhar os evangélicos para disseminar valores cristãos por meio de leis políticas públicas” (veja aqui).

São esses valores que Damares Alves declarou defender por meio do conteúdo apresentado. Ao se assistir integralmente a palestra de 1h13m, porém, percebe-se que a seleção de materiais da qual a advogada faz uso, são extratos adaptados artificial e forçosamente a sua pauta de abordagens. Os extratos são apresentados como se fossem a íntegra das cartilhas e livros e a explicação oferecida traz, além de elementos críticos genéricos e imprecisos, inverdades e manipulação explícita de dados para dar veracidade às abordagens.

Damares Alves tenta apagar tais generalismos, imprecisões e manipulações com justificativas como “tenho muita coisa para mostrar, tenho que passar rápido”; certamente, ao se apresentar num culto evangélico, dificilmente haveria contraposição, tal o caráter de verdade atribuído à sua palavra.

Uma pesquisa para a produção deste texto em cada exemplo/argumento apresentado de Damares Alves demonstra claramente o que está dito acima. A pesquisa se configurou na busca de informação sobre os materiais citados em cada slide apresentado na palestra, com acesso direto à fonte e/ou em referências sobre ela, e comparação das informações coletadas com os argumentos apresentados na palestra. A reprodução das falas segue com fidelidade a forma da referida palestrante. O resultado é exposto em texto que pode ser acessado aqui.

dica do Sidnei Carvalho de Souza

Ignorada na ‘câmera do beijo’, garota joga refrigerante na cara do namorado

Publicado originalmente no UOL Jogos

Um vídeo gravado durante um dos intervalos da partida de beisebol entre os times Fresno Grizzlies e Colorado Springs Sky Sox, na Califórnia (EUA), acabou de maneira infeliz e com grande repercussão nas redes sociais. Para se ter ideia, o vídeo já teve mais de 1,1 milhões de visitas na página do Fresno Grizzlies no YouTube, conforme mostra essa matéria do site norte-americano Huffington Post.

Conhecida como a “câmera do beijo”, a imagem mostra casais nas arquibancadas. Pela tradição da brincadeira, ao ser flagrado pela câmera, o casal deve se beijar. Entretanto, uma garota foi ignorada três vezes pelo namorado. Nas duas primeiras vezes em que foram focalizados pelas câmeras, o rapaz falava ao celular e a evitou. Projetada nos telões do estádio, a imagem surpreendeu os espectadores da partida.
Irritada com a atitude do namorado, na terceira vez em que ele evitou o beijo, ela se levantou da cadeira e jogou um copo de refrigerante no rosto do rapaz. A imagem causou uma reação no público. O namorado ficou atônito, enquanto o público gritava e aplaudia o gesto da garota.

dica do Rogério Moreira

Pastora que pregava cura gay revela: “Fiz tudo o que a igreja mandou fazer para deixar de ser lésbica, não deu certo”

Lanna Holder e Rosania Rocha - Gabriel Quintão

Lanna Holder e Rosania Rocha – Gabriel Quintão

Tuka Pereira, no Virgula

Ali no número 1600 da avenida São João, no centro de São Paulo, existe uma igreja evangélica em que as pessoas celebram a palavra de Deus, pagam dízimos, cantam em uníssono músicas animadas sobre o evangelho, e, em plena quarta-feira, lotam as cadeiras para acompanhar o culto. Tudo isso seria exatamente igual a qualquer outra igreja, se não fosse o fato de que a Comunidade Cidade de Refúgio se tratasse de uma igreja inclusiva, que recebe de portas abertas gays e lésbicas, sem julgamentos sobre suas orientações sexuais.

Para falar sobre a igreja, é preciso adentrar a história de duas mulheres que tiveram suas vidas completamente modificadas em 2002, quando se apaixonaram: Lanna Holder e Rosania Rocha.

EX-LÉSBICA E EX-HÉTERO

Lanna sempre soube sua orientação sexual e aos 17 anos teve sua primeira experiência com uma mulher. No entanto, acreditava que sendo lésbica seria condenada ao inferno. Aos 21 anos se converteu à religião evangélica e deixou de lado uma companheira. Pouco depois se casou com um pastor, teve um filho, e a religião passou a ser parte principal de sua vida. Pelas igrejas do Brasil, ela pregava sobre a “cura” a que havia sido submetida e passou a ser vista como um exemplo a ser seguido – e uma prova viva de que seria possível superar a homossexualidade.

Em vídeos disponíveis no YouTube, é possível ver longos sermões da pastora pregando sobre a maldição e o pecado da homossexualidade. Igrejas lotadas de fiéis aclamaram suas palavras e acreditaram estar diante de uma pessoa “regenerada” e “trazida de volta ao caminho do bem”.

Em 2002, no entanto, a história mudou quando Lanna conheceu Rosania em uma igreja evangélica em Boston, nos Estados Unidos. Rosania, que morava na cidade, onde era dirigente de louvor de uma igreja frequentada por brasileiros, era casada com um pastor, com quem teve um filho. Muito conhecida na comunidade evangélica por cantar músicas gospel, iniciou uma grande amizade com Lanna, de quem sempre estava perto nos cultos: onde Lanna pregava, Rosania cantava. Da amizade ao amor bastaram seis meses e suas vidas foram viradas de cabeça para baixo. De celebridades evangélicas adoradas, Lanna e Rosania viraram párias na religião que ajudavam a espalhar.

Confira abaixo a entrevista que o Virgula Lifestyle fez por telefone com as pastoras:

Como foi a sua conversão e o processo para se tornar uma ex-lésbica?

Lanna – Eu tinha 21 anos quando me converti à religião por achar que iria para o inferno por causa de minha orientação sexual. Eu usava drogas, era alcoólatra e quando me converti essa parte da minha vida deixou de existir. A religião funcionou como um processo de restauração na minha vida, mas a minha orientação sexual nunca foi alterada. Eu nunca vivenciei nenhum processo de cura, mesmo assim segui numa busca constante para deixar de ser lésbica. Eu pensava: ‘Deus me libertou das drogas e do alcoolismo e não consegue me libertar da homossexualidade?’. Na igreja, a homoafetividade é apresentada ou como uma possessão demoníaca ou como uma doença. Eu tentava lidar com as duas coisas. ‘Se é uma doença, Deus vai ter que curar e se eu estiver possessa de algum espírito maligno, Deus vai ter que me libertar’. Tentei por sete anos.

A religião faz uma lavagem cerebral contra a homossexualidade?

Lanna – Hoje eu cheguei à conclusão de que a religião demoniza tudo o que ela não explica e não entende. A homossexualidade é uma questão muito cheia de ramificações e interpretações. A própria igreja não chega a um consenso sobre o que pensa a respeito. Enquanto tem uma parte que garante que é uma possessão demoníaca, outra parte tem certeza de que é uma doença. Por mais que no fundo a igreja saiba que a homossexualidade não é abominável, ela se recusa a corrigir um erro. É difícil voltar atrás e reconhecer que errou depois de milênios condenando os homossexuais. É mais fácil manter como está.

Você escondia sua verdadeira orientação sexual ou estava convicta de que havia sido realmente “curada”?

Lanna – Eu divulgava essa tal cura havia sete anos e pregava contra a homossexualidade. As pessoas me conheciam como “A missionária Lanna Holder, ex-lésbica”. Quando fui pra Boston, eu já estava conformada, achando que teria que viver minha vida toda escondendo minha verdadeira orientação sexual. Eu mentia, pois tinha certeza de que a minha orientação sexual era imutável, ao contrário do que eu fazia as pessoas acreditarem. Fiz tudo o que a igreja mandou fazer para deixar de ser lésbica: quebra de maldição, cura interior, desligamento de alma, quebra de vínculo. Depois de tudo, minha orientação sexual não mudou e então cheguei à conclusão de que fazia parte da minha natureza. Esconder foi a minha única opção. Fiquei casada com um homem, não porque era o que eu queria, mas porque era o imposto para que eu não fosse para o inferno.

Como foi o momento em que você se viu diante da paixão por uma mulher após tantos anos garantindo ser ex-lésbica?

Lanna – Nos conhecemos e no começo nos tornamos grandes amigas. Tivemos uma associação total na religião e quando chamavam a Rosania para cantar, me chamavam para pregar. A vida nos uniu. Viajamos pelos Estados Unidos juntas e eu confidenciava a ela os problemas que tinha em meu casamento, pois como o “exemplo” que eu era, não podia contar para ninguém o que eu enfrentava. Não falava sobre minha orientação sexual, mas conversávamos sobre diversas questões. Quando me dei conta, tudo o que eu fazia era pensando na Rosania. Eu queria estar ao lado dela e percebi que aquilo que eu sentia não era apenas amizade. Eu chorei muito, orei muito e perguntava a Deus quando aquilo passaria. Minha paixão por ela começou a confrontar com tudo aquilo que eu dizia ser errado em minhas pregações.

Como você encarou a paixão pela Lanna já que nunca havia tido interesse em uma mulher antes?

Rosania – Eu percebi um sentimento diferente por ela e então conversamos e admitimos estar apaixonadas. Choramos muito, pedimos muito perdão a Deus e, como éramos casadas, nos sentíamos muito erradas, pois cometemos adultério. Nosso pecado na verdade não foi o nosso amor, mas sim o fato de sermos casadas e de adulterarmos por seis meses. Quando eu era criança, me sentia um pouco diferente das minhas amigas. Mas nunca tinha tido contato sexual com uma mulher até, de repente, me ver apaixonada pela Lanna. Nada foi planejado, deixei o barco me levar, tentei fugir, ficamos separadas, mas a vida nos uniu. Eu sempre digo que me apaixonei por um ser humano e não necessariamente por uma mulher.

Como foi a reação da igreja ao saber que vocês estavam juntas?

Rosania – Contamos aos nossos maridos e depois aos nossos líderes, que nos aconselharam a não contar nada a ninguém para preservar a imagem da igreja. Confiamos que tudo daria certo, eu pensei que voltaria para meu marido e que a Lanna seguiria a vida dela, já que estava decidida a se separar. Mas assim que viramos as costas, eles (os líderes) pegaram o telefone e começaram a ligar para toda a comunidade evangélica contando a novidade. Eu morei 20 anos nos Estados Unidos e convivi com pessoas na igreja a quem considerava parte de minha família. Quando tudo aconteceu, tudo mudou. Eu entrava no banheiro para passar um batom, e as mesmas pessoas que se diziam minhas amigas, saíam imediatamente. Se tivéssemos nos apaixonado por outros homens e cometido adultério do mesmo jeito, a reação teria sido completamente diferente. Passaríamos por um período de disciplina e nossos “amigos” continuariam por perto. Como me apaixonei por uma mulher, subi ao púlpito e pedi perdão por ser quem eu era, mas nunca mais consegui me encaixar na igreja. Me usavam para pregar sobre pecado e aquilo acabou se tornando um circo.

Muitos nos disseram que não tínhamos caráter por termos assumido nosso amor, mas para ter coragem de enfrentar tudo e todos, foi preciso muito caráter. Eu poderia ter ficado cantando e a Lanna pregando sem nunca ninguém imaginar que tínhamos algo. Muitas pessoas da igreja são hipócritas, pregam uma coisa e fazem outra. Tem gente casada que prega para multidões e sai para pegar as menininhas da cidade, tira a roupa na frente da câmera e coisas do gênero. São pessoas assim que nos massacram. Eu me sinto muito mais em paz com Deus sendo o que sou de verdade.

Lanna – Quando eu me converti, já comecei a pregar que eu era uma ex-lésbica e então me tornei uma referência da cura. Na minha época eu era um Silas Malafaia falando que homossexualidade era coisa do demônio, que os gays iam para o inferno. É interessante perceber como a gente cai do cavalo com as nossas convicções. Eu que tanto perseguia os gays, me tornei uma perseguida com o mesmo discurso que eu usava ao assumir minha homossexualidade.

Como é a relação com seus ex-maridos atualmente?

Rosania – Temos uma relação muito bacana. Ele se casou de novo e será pai mais uma vez. Ele mora nos Estados Unidos e sempre o vejo, pois meu filho mora com ele.

Lanna – Só falo com meu ex-marido sobre assuntos relacionados ao nosso filho.

Como é a relação com seus filhos (Rosania tem um filho de 15 anos e Lanna tem um filho de 11 anos)

Rosania – De toda essa história, a coisa mais legal é a nossa relação com nossos filhos. Somos uma família incrível, agimos de maneira muito natural. Meu filho ama a Lanna e adora conversar com ela. Aliás, ele conta mais coisas pra ela do que pra mim. Não tem como uma pessoa afirmar que uma família constituída por gays não é coisa de Deus. Somos uma família feliz que vive em harmonia.

Como surgiu a ideia da igreja inclusiva?

Lanna – Tentamos frequentar outras igrejas, mas sempre ouvíamos as mesmas afrontas dos pastores no púlpito contra os gays. Começamos a fazer amizade com uma série de ex-evangélicos que também não eram aceitos na igreja por conta de sua orientação sexual. Pensamos em fazer algo em nossa casa mesmo, mas em 2011 inauguramos a igreja com 15 pessoas, hoje temos cerca de 500 membros.

Tirando o fato da igreja inclusiva aceitar os homossexuais, o que mais a diferencia das outras?

Lanna – Nada, se alguém entrar aqui sem saber que é uma igreja inclusiva vai achar que é uma igreja evangélica como qualquer outra. Sexo é só depois do casamento, temos dízimos e ofertas, louvamos a palavra de Deus… A bíblia do gay é a mesma do hétero, a única diferença é que interpretamos diferente a questão da homossexualidade. Não somos ativistas gays, mas acreditamos na inclusão.

Como vocês conquistam novos fieis?

Lanna – O evangelismo mais difícil é o de um gay. Primeiro que você já tem que entregar o folheto da igreja dizendo que ele é aceito como é, caso contrário eles rasgam o papel na nossa cara, jogam no chão… Na abordagem, eles logo acham que somos da igreja do pastor que fala mal, então já nos apresentamos como pastoras casadas antes de fazer o convite. Vamos nos pontos de maior concentração do público gay em São Paulo, que é a região da avenida Paulista, a rua Vieira de Carvalho e outras. Paramos nas portas das boates e fazemos flashmobs, cantando e dançando. Com isso, geramos curiosidade e eles se aproximam para saber de onde somos. Sempre vêm várias pessoas à igreja depois dessas abordagens. Vamos também à Parada Gay, à Feira da Diversidade e à Caminhada Lésbica entregar nossos folhetos.

O que os evangélicos convencionais acham da Comunidade Cidade de Refúgio?

Lanna – Tem pessoas que vêm aqui na porta para nos afrontar, teve uma senhora que quase me agrediu aqui na frente. Nos xingam, dizem que a nossa igreja é Sodoma e Gomorra, que é coisa do diabo. Há quem ligue e fale desaforos, deixe recadinhos mal-educados nas redes sociais… Tem quem pense, obviamente não é todo mundo, que aqui tem imoralidade, promiscuidade, que é um ponto de encontro para achar parceiros sexuais.

O que vocês acham do Silas Malafaia?

Lanna – Não temos nada contra o Silas Malafaia, mas achamos que ele só cresceu na religião baseado em polêmicas, a bola da vez são os homossexuais. Ele tem um discurso prepotente de dono da verdade e usa de muita ira para se referir aos gays. Lamentamos muito isso, porque o Silas Malafaia afasta todos os gays da igreja, pois eles acabam achando que todos os pastores pensam dessa forma. Mas ele não representa a maioria dos pastores. Ele não sabe o que ele fala (se referindo à comparação feita por Malafaia de gays a bandidos). Pregue a palavra de Deus, Malafaia! Pare de fazer polêmica!

E Marco Feliciano?

Rosania – A única coisa que temos a dizer ao Feliciano é: “cresça”! Ele é uma pessoa narcisista e tudo o que ele faz é para ganhar holofotes. Infelizmente ele está conseguindo isso da pior maneira possível.

Igreja Inclusiva - Gabriel Quintão

Igreja Inclusiva – Gabriel Quintão