O impacto dos vídeos virais na vida off-line

Renata Lucchesi, no Vida Digital

Fenômeno vocacional da internet, eles quase sempre são superficiais e levados na brincadeira. Mas, como mostra reportagem de VEJA desta semana, já rendem fortunas, lançam moda e mudam hábitos

Se alguém lhe disser algo cifrado como “Oppa vive um estilo Gangnam”, e a isso associar uns passinhos de dança, a “dança do cavalo”, finja entender, faça cara de antenado, vá ao YouTube e descubra o mais recente megassucesso da internet. Trata-se do refrão, em coreano, do clipe irritantemente adesivo de um rapper sul-coreano. Nele, um certo Psy, eis o nome do Michael Jackson de araque, faz críticas ao bairro Gangnam, reduto dos ricos de Seul. Oppa é como as mulheres coreanas chamam os amigos ou namorados mais velhos. Desde que foi lançado, em julho, o vídeo já atraiu mais de 280 milhões de pessoas a seus incontornáveis quatro minutos. Você ainda vai vê-lo. A letra? Pouco importa. A coreografia e o ritmo é que colam. O burburinho criado em volta de Gangnam Style ecoa um fenômeno que tem a idade da internet, mas é ainda pouco compreendido: o viral, um bicho pegajoso. Viral é o status dado ao que é compartilhado milhões de vezes pela web. O termo traduz o fenômeno de multiplicação de um vídeo pelos corredores virtuais. Popularizou-se a partir de 2005 com a criação do YouTube. Os virais parecem bobagem para quem os vê de longe, mas têm moldado o comportamento on-line e off-line.

Existem vídeos de tudo quanto é tipo. Há o do coreano dançando. O de um americano admirando um arco-íris (soma 35 milhões de acessos), outro de um cão pulando em uma cama elástica (2,5 milhões) e o clipe de Ai Se Eu Te Pego, do neossertanejo Michel Teló (o brasileiro mais visto, com 436 milhões). Não há um número preciso de visualizações que se deve atingir para ganhar a alcunha de viral. Passar do primeiro milhão concede crédito. Superar 100 milhões consolida o vídeo: na prática, ele ganha algumas linhas de explicação na história da internet. O que chegou mais depressa à marca é o Kony 2012, manifesto contra um líder miliciano em Uganda. O mais visto até hoje é o da música Baby, do cantor Justin Bieber, com 800 milhões de visualizações. Descartados os virais de produção profissional, o campeão é Charlie Bit My Finger – Again, que mostra um bebê mordendo o dedo do irmão, com 483 milhões.

Cenas simpáticas – Um olhar cuidadoso aos virais que conseguem mais acessos permite identificar características comuns. “A fórmula ainda está em construção e reproduzi-la é o novo grande desafio para publicitários e produtores de filmes e músicas”, disse a VEJA o americano Kevin Allocca, responsável pela equipe do YouTube que analisa como surgem os campeões de audiência, como ganham popularidade e o que os faz explodir. O tema dos vídeos costuma girar em torno de assuntos de fácil compreensão e apelo emocional: bebês e animais em cenas simpáticas, danças engraçadas, músicas. Filmes mudos ou para os quais não é preciso ter proficiência na língua falada para entender o que é dito alcançam o sucesso mais rápido. Resumiu a VEJA o programador inglês Howard Davies-Carr, que filmou seus filhos no vídeo Charlie Bit My Finger – Again: “O apelo universal da fofura das risadinhas dos meus filhos é o que fez o filme se multiplicar. O sotaque inglês deles deixa a cena ainda mais agradável, mesmo para quem não fala o idioma”. Os virais se espalham primeiro pelo famoso boca a boca, ou melhor, de e-mail para e-mail. Sites de humor e redes sociais promovem discussões e piadas sobre os vídeos. É normal surgirem paródias e versões de terceiros. Brincadeiras que tiram sarro de Gangnam Style figuram entre as mais vistas da web. Naturalmente, por óbvio, o brasileiro Latino tirou sua casquinha e tratou de lançar uma versão brega da canção sul-coreana. Os vídeos estouram quando celebridades da web, por gostar deles (ou odiá-los), começam a replicá-los para seus fãs. O sucesso então sai do mundo virtual e parte para o real.

Os virais criam discussões fervorosas, alçam anônimos ao estrelato e lançam moda e hábitos, tanto no universo on-line quanto no off-line. O cantor adolescente Justin Bieber apareceu em vídeos que publicava no YouTube. Agora, tem 28 milhões de fãs no Twitter, faz shows ao redor do mundo, participou de séries de TV e ganhou um filme sobre sua carreira. Seu estilo de se vestir, seu corte de cabelo e seu palavreado são replicados por adolescentes. A música é uma das indústrias mais transformadas. Nove dos dez virais mais vistos são clipes. Agora mesmo, neste fim de semana, o YouFest reúne em Madri, na Espanha, artistas que surgiram na internet. Talvez seja o único evento divertido do momento numa Espanha ferida pela crise do desemprego.

O impacto do viral também pode ser político. Apesar de conter diversos erros de informação, o vídeo Kony 2012 inflou discussões sobre a situação de crianças raptadas por milicianos na África. Discursos do presidente Barack Obama chegam a ser vistos por mais de 5 milhões de pessoas – e produções que criticam seu governo atingem patamar similar. Um filme que faz piadas de mau gosto com o islamismo serviu de ridículo pretexto para revoltas que culminaram em um ataque ao Consulado dos Estados Unidos em Bengasi, na Líbia, e no assassinato de um embaixador americano. Não raro, os virais rendem fortunas. O pai de Charlie, do Charlie Bit My Finger, lucrou 500 000 dólares com anúncios vinculados ao vídeo.

O hit do momento, o Gangnam Style, é um caso cujo impacto abrange todos esses aspectos. Sua letra que critica a elite sul-coreana despertou discussões até sobre gastos excessivos em cartões de crédito na Ásia. O rapper Psy ganhou fama internacional e novos contratos. Disse a VEJA Robert Kyncl, vice-presidente do YouTube: “Os virais mudaram diversos aspectos do cotidiano e a forma como nos comunicamos. Antes, canais de TV peneiravam quem se comunicava com grandes audiências e determinavam as celebridades. Essa barreira acabou”.

O maestro dos virais

DE OLHO NOS VÍDEOS – Allocca, do YouTube: “Servimos de plataforma para qualquer um” (Gilberto Tadday)

O trabalho do americano Kevin Allocca é entender o que são, como se multiplicam e o que representam os virais no ecossistema da internet. No YouTube, ele dirige a equipe responsável por analisar os tópicos mais populares. Também faz palestras sobre o tema. Em visita ao Brasil, Allocca falou a VEJA.

Como os virais afetam o mundo? Plataformas como o YouTube permitem que, pela primeira vez na história, um americano possa discutir com um japonês, em tempo real, sobre um vídeo que vê naquele momento. Tópicos antes restritos a uma cultura foram globalizados. Anônimos podem se tornar mundialmente famosos. Antes, o poder de vincular um vídeo era controlado pelos canais de TV. Hoje, qualquer um pode criar seu vídeo e mostrá-lo a quem quiser. O público peneira o que se torna popular.

Muitos tentam descobrir a fórmula que garante milhões de visualizações. Ela existe? É a pergunta do bilhão de dólares. A publicidade por meio de virais é efetiva porque só é vista por quem escolhe vê-la. Se milhões clicam, o sucesso do produto é garantido. Ainda se sabe pouco de como conseguir isso. O caminho é atentar para três aspectos de um viral: boa divulgação em redes sociais, instigar a interação e, o que é mais difícil de reproduzir, um elemento que surpreenda.

Por que vídeos bobos são tão populares? Rir da fofura de um bebê é compreensível para qualquer um. Para entender um filme complexo normalmente é preciso saber a língua falada nele. Um chinês dificilmente compreenderá um manifesto político brasileiro.

O que faz com que o YouTube seja constantemente processado por quem se sente incomodado por conteúdo exibido nele, algo que ocorre com frequência no Brasil? O conceito de vídeos on-line é difícil de ser compreendido. Diferentemente de um canal de TV, o que vinculamos não representa nossa opinião. Servimos de plataforma para que qualquer um diga o que pensa. Retiramos mensagens criminosas. Mas não podemos tirar um vídeo só porque a opinião nele contida desagradou a alguém.

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Amigos, amigos, Facebook à parte

Imagem: Google

Ruth de Aquino, na Revista Época

“Fingir orgasmos… quem nunca?” O post-alfinetada é da publicitária Mara Rocha, de 23 anos, no Facebook. Tinha endereço certo: seu ex-marido, Carlos Cavalcanti, de 43 anos. O “círculo de amizades” dos dois pegou fogo. Carlos cobrou explicações de Mara. Ela foi além: “Não citei nomes, mas, se a carapuça serviu, fique à vontade”. E deu a estocada maldosa: “O infeliz, em vez de ficar tentando satisfazer seu ego, deveria é aprender a satisfazer uma mulher na cama”.

O “infeliz” processou Mara, alegando que sua honra foi ferida pelos comentários da ex-mulher no Facebook. O juiz Antonio Ribeiro Rocha, do 2º Juizado Cível de Vitória, aceitou a denúncia por difamação e calúnia. Condenou Mara a indenizar o ex-marido em dez salários mínimos, de acordo com a história divulgada no site jurídico www.jusbrasil.com.br e na coluna de Joaquim Ferreira dos Santos, do jornal O Globo. Mara não se calou. Incansável no Facebook, disse: “Ele (Carlos) é tão consciente de sua incapacidade que só me processou por injúria e difamação, porque calúnia ele sabe que não é”.

É constrangedor para os amigos do ex-casal testemunhar tanta lavação de roupa suja. Esse tipo de episódio começa a ficar frequente nas redes sociais. Facebook, Twitter e outras redes têm benefícios imensos para a livre expressão de anônimos. Mas começam a virar confessionário. Há de tudo.

Há os depoimentos compungidos de amigos ou parentes que revelam estar falidos, sozinhos ou doentes, quase implorando uma atenção. Há uma turma cada vez maior que publica fotos de filhos, cachorros, gatos e netos para uma legião de gente que não está nem aí. Há quem aceite qualquer “amigo” em nome de uma popularidade fictícia. Há os que correm para o Facebook no minuto seguinte de levar um “pé na bunda” para mudar o status de relacionamento – e se declarar disponível. Há os militantes religiosos, políticos e esportivos, sempre torcendo para seu deus, seu partido e seu time. Há, como sempre, os malas invasivos, para quem você mesmo abriu as portas de sua linha do tempo, de sua página e até de sua casa.

As redes sociais viraram confessionário. É constrangedor testemunhar tanta lavação de roupa suja

A reportagem de capa desta edição de ÉPOCA destrincha mitos e verdades sobre o Facebook: 54 milhões de brasileiros estão lá, e muitos admitem ser dependentes dessa relação. Ficariam infelizes se perdessem essa troca, superficial ou profunda. Muitos são tão viciados que, antes de tomar café da manhã, dão “bom-dia” no “Face”, dizem que tiveram insônia ou dormiram bem, revelam o que sonharam, o que estão comendo, o que farão à noite.

E há os destrambelhados que perdem o pudor nas redes, fazendo das tripas coração. Isso é humano. É mais típico do humano brasileiro que do humano sueco. Duro é ser coagido a tomar uma posição nos barracos sentimentais e políticos. Quem acompanha o Facebook já percebeu broncas públicas e até amizades desfeitas, porque um se excede e ofende o amigo comum. Quantas saias justas de amigos que não compartilham a mesma ideologia. Por essas e por outras, aumenta o movimento dos que abandonam o “Face” e se dizem aliviados.

Já fui repreendida por amigos e amigas de verdade, porque não curti, nem cutuquei, nem compartilhei algo que foi postado – como se eu tivesse obrigação de ter visto aquilo e estar plugada dia e noite. Não adianta dizer que raramente entro no Facebook e uso a rede para mensagens particulares, de um para um. É uma heresia confessar isso hoje. Como se aplicasse na testa um adesivo: sou antissocial e arrogante, não me importo com meus amigos. Quando, na verdade, sinto o oposto.

O ator George Clooney, solteirão charmoso que adora um armário, afirmou preferir um exame de próstata em público a ter um perfil no Facebook. Não vou a esse extremo… mas está claro que a vulgarização do uso das redes sociais afugenta cada vez mais gente. A falta de regras de privacidade é outro temor real. O Facebook coleta nome de usuário, senha, contatos e localização. Cada vez que você visita uma página na web com o botão “curtir”, a rede social é avisada. Qualquer um acessa seus dados a partir de visitas a seu perfil por pessoas de sua rede de contatos.

Digamos que é isso mesmo que você deseja. Que todos – até mesmo desconhecidos – conheçam seus hábitos, seus sonhos, suas frustrações, suas conquistas, suas indignações, seus problemas, sua família. Quanto mais gente, melhor. Esse mundo foi feito para você. É preciso, porém, estar consciente das consequências, divertidas e nefastas, da festança virtual com penetras.

Mara deu um chute na etiqueta do “Face”. Não sei se Carlos era um marido atencioso na cama, mas acho que ele deveria ganhar o processo contra a ex-mulher.

dica do Marcos Florentino

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Motorista paga multa com 137 notas transformadas em origami de porquinhos

Publicado originalmente no Virgula

Após receber uma multa de trânsito, um motorista resolveu fazer uma gracinha no pagamento da penalidade. Ele transformou as 137 notas de um dólar, referentes ao valor, em origamis em formato de porquinho. Não satisfeito, ainda colocou as dobraduras dentro de caixas dunuts. A “arte” foi gravada em vídeo e postada no YouTube.

Para desgosto do “artista” o tribunal municipal não aceitou o pagamento da multa daquela forma e fez o cidadão (identificado em sua página de vídeos como Bacon Moose) desdobrar nota por nota antes de entregar o dinheiro.

No vídeo, o pagamento da dívida se dá da seguinte forma: o homem, que não aparece em frente às câmeras é questionado sobre como pretende pagar a taxa e responde “Em dinheiro”, em seguida, abre as duas caixas que, para surpresa do funcionário trazem os origamis. “O que é isso? Não vou aceitar assim”, anuncia o agente. “Por que não? É legal, é moeda legítima. Pagaria com cartão, mas é cobrada uma taxa de 5%”, responde, sendo obrigado a desmanchar as dobraduras.

O funcionário fica um tanto irritado com a cena, já que o cidadão não cede, dizendo que passou quatro horas fazendo os porquinhos. Outro homem é chamado à sala, faz fotos e ri da situação, dizendo que entende o trabalho que teve para fazer os origamis, mas que é necessário desfazê-lo.

Três horas depois, o “grande massacre dos porcos de dólar” – como é chamada a cena no vídeo – é finalizado e os funcionários começam a rir.

Na página do YouTube, “Alce Bacon” explica que fez a gracinha por não achar a multa justa, já que “Os policiais espalham suas câmera pela cidade de forma que se tornam uma armadilha para arrecada dinheiro. Sendo assim, decidi pagar de forma adequada”.

Assista (em inglês):

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Surfista de 180 quilos ‘desafia a gravidade’ e encara ondas gigantes

Publicado originalmente no Extra

O americano Jimbo Pellegrine, de 40 anos, é um exemplo para as pessoas superarem seus limites. Mesmo pesando 180 quilos, ele se dedica ao esporte que mais adora: o surfe. E, surpreendendo a todos, consegue se manter em pé em cima da prancha, encara ondas gigantes e tubos nas melhores praias do Havaí e da Califórnia. Em um vídeo gravado em 2009, Pellegrine aparece pegando altas ondas, e se mantendo em pé em todas elas.

Filho de pai surfista e formado em Harvard, Pellegrine começou a surfar com apenas quatro anos. Em entrevista ao site “Chubstr”, o americano contou que as pessoas ficam com medo quando ele sobe na prancha.

– As pessoas estão sempre com temor, especialmente quando vou a lugares que eu não nunca tinha surfado ainda.Normalmente, as pessoas ficam com olhares estranhos, desconfiadas. Depois não acreditam no que veem – disse.

Pellegrine contou ainda que ganhou esculturas e cartazes em algumas praias.

– Há lugares onde você pode encontrar o meu nome esculpido em cimento e cartazes sobre mim. É engraçado – afirmou.

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Perigo: Vídeo reúne ‘fails’ com mulheres de biquíni

Mulher cai de cara na areia (Foto: Reprodução/YouTube)
Mulher cai de cara na areia (Foto: Reprodução)

Título original: Vídeo no YouTube reúne ‘fails’ com mulheres de biquíni

Aline Jesus, no TechTudo

Vídeos de mulheres de biquíni costumam fazer sucesso no YouTube. E mais um deles está bombando na página. No entanto, não é por mostrar meninas sexy ou desfilando seu talento em algum tipo de concurso de moda. Pelo contrário, é uma grande compilação de fails de pessoas em roupa de banho.

O “Bikini Fails: The Ultimate Compilation”, ou Compilação Definitiva dos Fails de Biquíni, foi criado pelo canal ClipNationDotCom e já supera a marca incrível dos 1 milhão de views. Nas imagens reunidas na edição, há os mais variados tipos de micos de meninas de biquíni.

“São as melhores cenas de mulheres de roupa de banho fazendo coisas idiotas”, diz a descrição do vídeo. Entre estas tolices, estão por exemplo uma garota que é “arremessada” longe por um galho de árvore, outra que toma um belo tombo próximo à piscina, uma dupla que se exibe “um pouco alterada” para a câmera e muito mais.

A compilação tem pouco mais de três minutos de duração e diverte os usuários do YouTube desde o dia 23 de agosto. Além das centenas de milhares de visualizações, já são também mais de 1.500 “gostei” no vídeo. Estatísticas expressivas para uma gravação que não está nem a uma semana no ar, não é?

Confira o vídeo abaixo para entender o motivo de tanto sucesso:

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