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6 pontos importantes para criar um viral

Traduzido por Felipe Nogs, da Forbes.

Eu nunca curti muito essa história de “tantos passos para criar tal coisa” ou “9 dicas para se obter sucesso com a internet”, sempre achei uma furada, porém, decidi nomear esse post dessa maneira para que você não pensasse que isso é uma fórmula pronta, que é só aplicá-la e funcionará. Nada é tão simples, principalmente se tratando de pessoas e internet. Mas, baseado na entrevista que a agência Mekanism concedeu a Forbes, vamos levantar aqui 6 pontos importantes que poderá te ajudar a fazer seu vídeo ir além de “um vídeo legal” e se tornar um verdadeiro vídeo viral.

Acredito ser importante lembrar que, com mais de 4 bilhões de acessos diários, a oportunidade da exposição através do Youtube é imensa. Porém, não é porque simplesmente seu vídeo está no Youtube e você acreditar que o conteúdo é muito legal, significa que você vai capturar o tipo de atenção que deseja.

Precisamos recordar que no Youtube são enviados 60 horas de vídeo em cada minuto onde mais de 4 bilhões de vídeos são visto por dia. Também que mais de 3 bilhões de horas de vídeo são assistidas a cada mês e obteve em 2011, 1 trilhão de visualizações. Fica a dúvida: como se destacar no meio de tanto conteúdo? Vamos ao ponto – na minha opinião – mais interessante dos 6:

1 – Crie doces com remédio

Segundo a Mekanism, a filosofia chamada “Doce com Remédios”, faz com que a recepção da mensagem seja maior quando aliada ao entretenimento. Por isso primeiro a pessoa recebe o “doce” – entretenimento – e em seguida vem a mensagem que você deseja passar .
“O desafio era fazer algo que promovesse a ASPCA e fizesse as pessoas sorrirem. Animais são divertidos. É possível encontrar milhares de vídeos de animais no Youtube com milhares de visualizações diárias, por um motivo: os bichos fazem coisas engraçadas, e as pessoas gostam de assistir a isso. Nós buscamos fazer algo assim, mas, diferentemente de uma criança em uma filmagem caseira, nós não poderíamos arranjar um animal e ficar esperando que ele fizesse algo interessante. Se quiséssemos criar um viral convincente, precisaríamos de nosso próprio gato, com um conceito que viesse descrito logo no título. E assim nasceu o Hovercat.” Continue lendo

Nu de professora de ‘Carrossel’ faz fracasso de bilheteria bombar na internet

Rosanne Mulholland em cena do filme "Falsa Loura"
Rosanne Mulholland em cena do filme “Falsa Loura”

Rodrigo Salem, na Folha de S.Paulo

Quando “Falsa Loura”, de Carlos Reichenbach, foi lançado nos cinemas, em abril de 2008, o filme atraiu cerca de 12 mil espectadores, deixando o diretor deprimido. O cineasta, morto em junho passado, achava que tinha feito um longa popular. Talvez estivesse certo.

“Falsa Loura” virou hit no YouTube, com cerca de 470 mil visualizações. O problema? A cópia no canal é ilegal. “Estou surpresa com a notícia. Quisera eu que o longa tivesse feito 400 mil espectadores”, diz uma atônita Sara Silveira, produtora do filme.

Com esses números, “Falsa Loura”, que ganhou impulso on-line por ter uma cena de nudez de Rosanne Mulholland, a professora Helena da novela “Carrossel”, ficaria em sexto lugar nas bilheterias daquele ano.

“Carlão estaria contente, porque ele queria que seus filmes fossem vistos, mas não ganhamos um tostão e pode atrapalhar as vendas das obras para a TV. Ainda não sei qual ação tomarei. Vou falar com meu advogado”, diz Silveira.

O longa de Reichenbach, no entanto, é apenas a ponta do iceberg.

Filmes nacionais estão completos no YouTube há algum tempo, mas agora foram compilados em uma única página, administrada pelo bacharel em filosofia pela USP Eduardo Carli de Morais, que mora em Goiânia e mantém blogs culturais.

“Eu mesmo não tenho o costume de fazer upload de filmes, porque a situação da contenda entre direitos autorais versus cultura livre ainda não está clara”, explica Carli.

Não é a opinião do advogado Caio Mariano, da Senna & Mariano Advogados: “Não há um ‘lugar cinza’. É uma forma de disponibilização da obra tal qual qualquer outra realizada em cinema, TV, DVD e afins. Tais direitos são de prerrogativa dos distribuidores ou produtores da obra audiovisual”.

O canal reúne mais de 150 filmes nacionais completos, de raridades como “A Hora e a Vez de Augusto Matraga” (1965), de Roberto Santos, a novidades como “Paraísos Artificiais”, de Marcos Prado, lançado há três meses.

“Pela rapidez com que retiram os vídeos, acho que não teremos problemas, mas vamos discutir se haverá uma ação legal”, adianta Dodô Brandão, presidente da Associação Brasileira de Cineastas, que, apesar de ter enviado ofício à Ancine pedindo “punição”, sabe que o caso é mais complicado. “Sou contra colocar filmes completos, mas alguns autores podem gostar da exposição.”

É o caso de Rudi Lagemann, cujo drama “Anjos do Sol”, 2006, foi visto por apenas 30 mil pessoas nos cinemas e já ganhou 166 mil espectadores no YouTube.

“Fico feliz. É ruim quando o vazamento acontece no lançamento, mas meu longa já deu o que tinha de dar. Há outras pessoas que respondem pelos direitos e podem mandar tirar. Eu não vejo problema. A internet precisa ser nossa parceira”, afirma o diretor.

Mas outros diretores e produtores não gostaram de ver os seus longas disponíveis de graça no YouTube, que é parte do gigante Google. “É um absurdo, porque é preciso respeitar o mercado e a janela de lançamento. Acho que as pessoas precisam ter acesso à cultura, mas não pode ser leviano”, reclama Marcos Prado, que conseguiu retirar em 24 horas o seu longa “Paraísos Artificiais”, que acaba de sair em blu-ray, DVD e na loja do iTunes.

Atitude semelhante é adotada pela empresa que administra os direitos autorais das obras de Glauber Rocha, um dos cineastas com mais filmes no canal –há até uma versão italiana de “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro”, de 1969.

“O acervo inteiro de Glauber Rocha está disponível na Cinemateca Brasileira para quem quiser ver. Vamos analisar e vamos pedir para ser retirado, mas não queremos colocar ninguém na cadeia, apenas lembrar que é preciso autorização para exibir esses filmes”, afirma Silvia Gandelman, advogada e administradora dos direitos autorais das obras de Glauber Rocha.

No caso de uma reclamação dos donos dos direitos autorais, o Google verifica o vídeo, retira a obra, notifica o usuário, que pode até perder sua conta. Por meio de sua assessoria de imprensa, a empresa diz que “respeita os direitos autorais e trabalhou fortemente para criar ferramentas para combater a pirataria”, referindo-se ao investimento de US$ 30 milhões (R$ 60 milhões) no ContentID, ferramenta que identifica um conteúdo digital protegido por copyright.

“Não cheguei a receber nenhuma notificação do YouTube por ter criado este canal. Só recebo o informe quando um vídeo que integra alguma de minhas listas é excluído. Só hoje, 10 filmes foram excluídos. Se a tendência continuar, grande parte desse material que agora está disponível será ‘exterminado’”, conta Eduardo Carli de Morais, completando: “Pelo menos até que brote de outro usuário”.

foto: Luciana Figueiredo

‘Funk paulista’ vira moda no YouTube com carros, motos e notas de 100

Rodrigo Ortega, no G1

Um em cada dez clipes mais vistos por brasileiros no site é do estilo.
G1 contabiliza preços de artigos de luxo citados nos hinos da ostentação.

A batida não é diferente do funk carioca que esquenta bailes há 40 anos. Mas o sotaque, as letras e imagens são paulistas. Em vez de ousadias sexuais, os temas são artigos de preços altos: carros, motos, óculos, roupas, bebidas, etc. Na parada dos cem vídeos musicais mais vistos no YouTube no Brasil, atualizada a cada dia, estão presentes nas últimas semanas pelo menos dez produções de funk de São Paulo, cujos versos parecem leituras de catálogos de lojas de luxo. Nos clipes, tem até dança na boquinha da garrafa de uísque 18 anos. É o retrato da ascensão do funk paulista.

“A parada do YouTube está dividida entre pop, sertanejo e funk. Sertanejo está há um tempo, agora o funk vem com tudo. De São Paulo”, ressalta Finson Gallar. Ele administra redes sociais de uma agência paulista de funk. Antes, trabalhava com rock – NX Zero, Fresno e Restart foram clientes. “A garotada quer algo novo. MC Guimê tem 1,7 milhão de views por semana. MC Danado tem 500 mil”, conta o diretor artístico.

O G1 selecionou faixas de funkeiros de São Paulo e de artistas de outros estados – que já incorporam a influência paulista das letras de ostentação -, e calculou quanto dinheiro seria necessário para comprar os produtos citados nas letras. As cinco músicas, lançadas em 2012, figuram no ranking de vídeos musicais mais vistos no YouTube no Brasil, graças a versos como “Vida é ter um hyundai e uma hornet / 10 mil pra gastar com rolex e juliet / Melhores kits, vários investimentos / Ai como é bom, ser o top do momento”.

“Quando faço uma letra, me inspiro no que vejo e vivo. Todo mundo gosta de ter um carro bacana. Eu tenho dois. Em uma balada, hoje, é importante o traje que você usa, estar com um relógio legal”, diz o paulista MC Danado, que é produtor de eventos. Ele tem outros investimentos, como cita na letra de “Top do momento” (veja clipe). O clipe tem quase 8 milhões de visualizações. O sucesso no YouTube é fundamental para estourar: estes artistas raramente gravam discos. Quando o fazem, mais distribuem do que vendem. O negócio é (literalmente) lançar CDs ao público. “Jogo 50 ou 60 discos por show”, diz Danado.

O diretor de “É classe A” (veja clipe), de MC Backdi e BioG3, é Konrad Dantas, o Kondzilla, nascido no Guarujá (SP). Ele diz que não precisa alugar objetos de valor para filmar. “Quem não é desse mundo acha que funkeiros são um bando de favelados. O pessoal não sabe como o funk gera dinheiro. Tem músico girando mais de R$ 150 mil por mês”, diz Konrad. Ele planeja um documentário sobre o funk de ostentação. “Quando as letras de São Paulo falavam mais de crimes, o baile não enchia, havia confusão. Hoje, com a ostentação como tema principal, atingiu a mulherada. As pessoas querem ver o que gostariam de ter”, explica.

Aos 19 anos, MC Guimê é o maior sucesso atual do gênero. Ele começou a cantar em 2009, com Rodolfinho, outro funkeiro paulista em ascensão. “A ostentação não foi criada por nós, já existia com artistas do Rio e outros lugares. Mas nós adotamos e deu certo.” O cantor de Osasco (SP) conseguiu 11 milhões de acessos no YouTube com “Tá patrão”. Já soma quatro milhões com “Plaque de 100″ (veja clipe). Guimê quer gravar um disco com novos parceiros como Emicida, e cantar outros temas além de posses materiais. “Só não trabalho com funk proibido, porque quero entrar em qualquer lugar.” Sobre os carros e produtos dos vídeos, diz que reúne entre os seus e os de parceiros.

Viviane Queiroz tem 17 anos e cursa o 1º ano do Ensino Médio em Duque de Caxias (RJ). A MC Pocahontas, legítima “novinha” na cena do Rio, canta letras sensuais. Mas teve maior sucesso com atitude improvável no funk carioca: seguir uma tendência de São Paulo. Ela chamou o paulista Kondzilla para gravar o clipe de “Mulher do poder” (veja clipe) - “é pelo YouTube que os contratantes nos conhecem”, ela justifica. “Aqui no Rio, o funk é mais da ‘ousadia’. Mais duplo sentido, pouca letra e mais dança. Mas o que está batendo agora é ostentação. Por isso fiz ‘Mulher do poder’. É a realidade. Que mulher não gosta de andar arrumada, gastar muito?”, pergunta. Kondzilla ajuda a explicar o novo protagonismo paulista: “Apesar de o Rio ser o berço do funk no Brasil, o dinheiro está em São Paulo”.

A inspiração é clara. “Olha como é que nós tá” (veja clipe), do MC Buru, de Belo Horizonte, tem refrão idêntico a “Tá patrão”, de Guimê, e cita o nome do paulista. O clipe também é semelhante, com direito à dança na boquinha da garrafa de uísque 18 anos. Guimê aprova a apropriação. “Teve gente que criticou. Mas eu não vi maldade. A intenção foi comentar a música, dizer que curtiu. Acho legal ver MCs de fora, do Rio, de BH, de qualquer lugar, falando desse tema.” Guimê, que já fez show para 12 mil pessoas em São Paulo, conseguiu público recente de 6 mil em Florianópolis. “O funk de São Paulo está com força espetacular, nem a gente esperava. A procura dos contratantes pelos MCs paulistas é enorme”, comemora Guimê.