Cantando “Flashdance”, freira bate metaleiro e vence “The Voice Itália”

Na final do "The Voice Itália", Cristina Scuccia repetiu a música "No One", de Alicia Keys, apresentada na sua audição do programa, que surpreendeu jurados e telespectadores (foto:  Marco Bertorello)
Na final do “The Voice Itália”, Cristina Scuccia repetiu a música “No One”, de Alicia Keys, apresentada na sua audição do programa, que surpreendeu jurados e telespectadores (foto: Marco Bertorello)

Publicado no UOL

A freira Cristina Scuccia, de 25 anos, venceu a final do programa “The Voice Itália” nesta quinta-feira (5) com uma sequência de apresentações de música pop. Ela superou os competidores Giacomo Voli, Tommaso Pini e Giorgia Pino – respectivamente em segundo, terceiro e quarto lugares –, depois de cantar as músicas “Beautiful That Way”, da trilha sonora do filme “A Vida é Bela”, “Lungo La Riva”, “Gil Anni”, “No One” e “Flashdance… What a Feeling”.

No último embate, contra Giacomo Voli, Cristina teve 62,30% dos votos do público. Com longos cabelos cacheados, olhos claros e um visual metaleiro, Voli mostrou um repertório que foi da ópera “Nessun Dorma”, famosa na voz de Luciano Pavarotti, ao rock “Stairway To Heaven”, da banda Led Zeppelin. Em sua última apresentação, da música “Vivere il mio tempo”, da banda italiana Liftiba, o músico tocou violão e ganhou elogios dos jurados pela versatilidade.

Para ganhar a batalha final, a freira fez covers inéditos, duetos e até recitou o “Pai Nosso” no palco, arrancando muitos aplausos da plateia.

“Agradeço a todos aqueles que me ajudaram nesse período difícil”, declarou a religiosa, que teve uma experiência missionária de quase dois anos no Brasil, durante a qual ela trabalhou com jovens em situação de pobreza.

Sucesso no mundo inteiro, a freira recebeu apoio de internautas de outros países durante a transmissão da final. “Toda a sorte à freira Cristina! Te seguimos e torcemos da Argentina”, escreveu um deles no site oficial. Mensagens semelhantes foram postadas por torcedores de países como México, Canadá, Colômbia, Equador e do Brasil. “Brasil, com Sour Cristina, belissima”, escreveu Elisa Siqueira, de Guaratinguetá.

Surpresa com música de Alicia Keys
Cristina surpreendeu jurados e telespectadores do mundo inteiro ao cantar “No One”, de Alicia Keys, na audição do programa. Indagada se o Vaticano poderia reagir negativamente a sua participação no programa, ela respondeu: “Já que o papa Francisco fala de um evangelho de alegria, acho que estou em um bom caminho”.

Quando entrou no palco pela primeira vez no programa, de hábito preto e com uma cruz no pescoço, a freira surpreendeu pela aparência e pela voz, causando um verdadeiro furor nas redes sociais.

Até o cardeal Gianfranco Ravasi, o “ministro da Cultura” do Vaticano, publicou um tuíte, citando o apóstolo Pedro: “Cada um de nós, segundo o dom que recebeu, põem-no a serviço dos outros #irmãcristina”. “Tenho um dom, e eu o dou”, disse a irmã Cristina a um dos membros do júri, a apresentadora e cantora Raffaella Carrà, que lhe perguntou se era, realmente, uma freira.

“Mas o que o Vaticano diz?”, questionou o júri. “Espero um telefonema do papa Francisco”, brincou Cristina. O papa “nos diz que devemos sair (dos conventos), que digamos que Deus não nos exclui de nada, pelo contrário, Ele nos estimula a dar”, acrescentou.

Veja apresentação da freira cantando Flashdance no início de maio.

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Senado belga aprova lei que condena cantadas de rua

Agressores receberão multas entre € 50 e € 1.000 e poderão pegar até um ano de prisão
Bélgica é o primeiro país europeu a considerar as cantadas uma forma de assédio

Publicado em O Globo

O Senado belga aprovou uma lei que multa as pessoas que façam cantadas agressivas a mulheres em vias públicas e pode condená-las a até um ano de prisão. A Bélgica é o primeiro país europeu a considerar as intimidações sexuais uma forma de assédio.

A iniciativa ganhou força depois que a estudante Sophie Peeters gravou um documentário chamado “Femme de la Rue” (A Mulher da Rua) que mostra os assédios que sofre uma mulher ao caminhar nas vias públicas do país. Durante meses, ela filmou com uma câmera caseira as cantadas e insultos que ouvia de homens na rua.

A ministra federal da Igualdade de Oportunidades, Joelle Milquet, declarou que a nova legislação considerará como ofensa criminal as intimidações sexuais nas ruas. A lei, que entrará em vigor em junho, também condenará os assédios nas redes sociais. As multas para o crime variam entre € 50 e € 1.000.

No entanto, a medida foi criticada por uma parcela da população belga, que ainda não sabe ao certo como serão feitas as repressões.

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Ney Matogrosso: “Se existia tanto dinheiro disponível para gastar na Copa, por que não resolver os problemas do nosso país?”

Augusto Nunes, na Veja on-line

Pouco mais de duas semanas depois do ex-presidente Lula exaltar as conquistas do Brasil Maravilha numa entrevista à emissora portuguesa RTP, o cantor Ney Matogrosso escancarou, durante um programa no mesmo canal, algumas verdades do Brasil real. Ao ouvir do apresentador Vítor Gonçalves a pergunta “Como está o Brasil?”, um dos maiores artistas do país responde: “Existe um enorme desconforto”, começa. “O governo brasileiro está gastando bilhões de reais para fazer estádios, enquanto nos hospitais públicos as pessoas estão sendo jogadas no chão, em cima de um paninho”.

A partir daí, Ney fala sobre educação, transporte público, Bolsa Família e corrupção antes de fazer a pergunta que todos os brasileiros decentes se fazem há meses: “Se existia tanto dinheiro disponível para gastar na Copa, por que não resolver os problemas do nosso país?”.

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Vídeo mostra filho de vice-prefeita rasgando nota de R$ 100 no RN

Eni Augusto de Carvalho disse que estava ‘em um momento de euforia’.
Imagens se espalharam nas redes sociais.

Vídeo circula nas redes sociais (foto: Reprodução/YouTube)
Vídeo circula nas redes sociais (foto: Reprodução/YouTube)

Publicado no G1

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o filho da vice-prefeita do município de Várzea, Cleide de Carvalho, e do ex-vice-prefeito de Parnamirim, Epifânio Bezerra, rasgando uma nota de R$ 100. Eni Augusto de Carvalho foi filmado em uma boate que fica em Natal e o vídeo foi publicado no YouTube. Vários outros vídeos com o rapaz estão publicados no Youtube, todos mostrando Eni ostentando com dinheiro e bebidas caras.

No vídeo, antes de rasgar a nota de R$ 100, o rapaz mostra a cédula para quem está gravando e diz “bando de liso”. No Nordeste, o termo “liso” quer dizer pessoa sem dinheiro.

Em contato com a Inter TV Cabugi, Eni reconheceu que “não deveria ter feito isso”, mas disse estar “em um momento de euforia com os amigos”. Eni disse ainda que para manter o padrão de vida que tem os pais trabalham das 7h às 22h.

Ao G1, Epifânio Bezerra, pai de Eni e ex-vice-prefeito de Parnamirim, disse que não apoia a atitude do filho e que está constrangido com a situação. “Eu não aprovo essa atitude dele. Tem uma turma que fica com essas brincadeiras, cada um querendo aparecer mais do que o outro. Ele é maior de idade, mas não foi essa a educação que demos a ele. Sempre construí minha vida dentro da ética. Ele está arrependido, não sabia que ia ter essa repercussão. Termina nos afetando na parte emocional e social, sou pai e sei o que estou sentindo”, disse. O G1 tentou entrar em contato com a prefeitura de Várzea por telefone, mas até a publicação desta reportagem, a vice-prefeita Cleide de Carvalho não foi localizada.

O juiz Luiz Cândido Villaça, da vara Criminal de Caicó, diz que rasgar dinheiro é crime. “O valor intríseco, que é o valor de face, imprenso no papel moeda é de propriedade do particular. O papel, visto como objeto, coisa, pertencente ao Estado e, portanto, quem rasga dinheiro, além de praticar um ato de vandalismo e ofender o senso comum da sociedade, ainda pratica o crime de dano qualificado, já que destrói patromônio pertencente ao estado”, disse. A pena é detenção de seis meses a três anos e multa.

Em contato com o G1 a Polícia Federal informou que não foi comunicada oficialmente sobre o caso.

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Fuck the poor: Publicidade expõe máscara de egoísmo

Sergio da Motta e Albuquerque, no Observatório de Imprensa

Parte de uma campanha publicitária criativa e ousada foi publicada no site da revista de marketing e mídia The Drum (7/4), que tem sedes em Edimburgo e Londres e vive um momento de grande crescimento. Contrataram jornalistas, investiram em pessoal especializado, mantiveram o investimento em toda a linha, enquanto as competidoras continuam a sair do mercado. O editor premiado ano passado e em 2014, Gordon Young, afirma que The Drum é o “maior site de marketing do Reino Unido por suas visões únicas”, e não é apenas um site de marketing: é “um vasto ecossistema de informação e conhecimento”.

O vídeo chamou a atenção da mídia e tornou-se a nova sensação da internet: mais de 170 mil visualizações em 24 horas no YouTube, publicou o tabloide inglês The Mirror (8/4). A propaganda mostrava um rapaz caminhando em uma rua de pedestres em Londres. Ele trazia pendurado no pescoço um cartaz onde se lia: “Fuck the poor”. E panfletava entre a gente da capital britânica, sempre com o mesmo bordão: “F****-se os pobres”.

Não demorou muito para aparecerem os primeiros protestos e contestações. Pessoas de todas as extrações estavam ali, indignadas com a fleuma de um jovem que, com muita gentileza e educação, provocava a população apressada da grande metrópole como se estivesse prestando um serviço público essencial. A bronca do povo foi grande: jovens, senhores idosos, mendigos, gente pobre, estudantes e alguns tipos mal-encarados não aceitaram o que até então parecia uma grande barbaridade. O sujeito só não apanhou ali na rua por que atrás dele havia uma equipe de filmagem e olhos inquietos de policiais. E das ubíquas câmeras de controle urbano de Londres.

De súbito, o jovem virou o cartaz ao avesso. A frase que ele anunciava agora era outra: “Ajude os pobres”. A reação popular mudou radicalmente: a turma indignada desapareceu e a rua ficou novamente cheia de gente apressada, que passava pelo cartaz com a mesma indiferença que a população sempre dedicou aos miseráveis nas ruas das grandes metrópoles: eles estão ali para não serem vistos. São parte da paisagem urbana no dia a dia, e não são mais vistos como gente.

Os limites da solidariedade

O que foi feito de toda aquela repulsa contra o xingamento dos necessitados? Para onde foram os protetores dos pobres?

Muitos voltaram às suas massacrantes rotinas. Outros foram trabalhar para ganhar a vida e escapar da pobreza. Temem um futuro inseguro, onde a penúria paira sobre todas as cabeças da gente trabalhadora. Foram atrás do dinheiro para não morrerem desprovidos ou desamparados. Muitos continuarão a perambular pelas ruas de Londres à procura de trabalho. Qualquer trabalho. O medo da pobreza submete as pessoas a ponto de as tornar desumanas e insensíveis. O dinheiro na era digital não é mais apenas um meio universal para trocas de serviços e bens materiais: é uma muralha que as pessoas usam para se apartarem da miséria do mundo.

Não foi piedade que provocou a reação nas pessoas em Londres. Nem compaixão. Foi o pavor compreensível de gente comum diante de um mundo que não oferece estabilidade ou segurança a ninguém que precise trabalhar para viver. Apesar de todo o nosso progresso tecnológico se insinuar como panaceia, a solução para problemas sociais não virá das cabeças pensantes do Vale do Silício. A “revolução digital” não vai redimir a sociedade da desigualdade e da pobreza. Precisamos de mais soluções low-tech de baixo custo para ajudar milhões de pessoas ao redor do globo a viverem dentro de condições dignas. E de muita colaboração ativa.

O jovem que xingava os pobres na realidade era parte de um experimento social, um sóciodrama elaborado pela Publicis, uma das três maiores firmas de publicidade do mundo, para a Pilion Trust, uma organização de caridade londrina que cuida dos casos mais graves de pobreza e miséria na cidade e no país. O trabalho deles é emergencial, e tem pedido ajuda do governo e de doadores particulares. Eles fazem caridade voluntária, e isso no mundo de hoje em dia é algo fora do lugar. Coisa de religiosos e gente “atrasada” de “mentalidade paroquiana”. A campanha produziu um vídeo comovente e revelador: expôs a indiferença da sociedade com a pobreza sem maniqueísmo, e mostrou que o pavor diante de um futuro incerto supera a iniciativa de ajudar a quem precisa. “Nós sabemos que você se importa. Importe-se o suficiente para dar”, é a mensagem da campanha. Um bom exemplo de publicidade a serviço de uma causa social básica. Pobreza não é mais privilégio dos não-europeus. O mundo mudou.

O vídeo produzido para a instituição de caridade inglesa mostrou exatamente onde estão os limites da solidariedade em uma grande metrópole: nos bolsos e nas mentes preocupadas das pessoas estressadas que não têm tempo para aqueles que eles imaginam estar além de qualquer tipo de ajuda.

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