Se Jesus não nasceu em 25 de dezembro, por que o Natal é comemorado nessa data?

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Marcelo Verrumo, na SuperInteressante

Não, segundo muitos especialista no assunto, Jesus Cristo não nasceu nessa data. Na Antiguidade, povos pagãos realizavam nesse dia o Natalis Solis Invicti, o “nascimento do sol invencível”, uma festa em homenagem ao deus persa Mitras. O Natalis, que podia ser celebrado entre 22 e 25 de dezembro, era realizado pelos pagãos nesse período porque é nele que acontece o solstício de inverno, o dia mais curto do ano.

Em 354 d.C., a Igreja, na figura do Papa Libério, cristianizou a festa pagã e começou a comemorar nela o nascimento de Jesus. Hoje, ele é celebrado nesse dia nas Igrejas Católica, Anglicana e Protestante. A Igreja Ortodoxa, que se baseia no calendário juliano, celebra o Natal em 7 de janeiro, quando o menino Jesus teria sido batizado.

Afinal, quando Cristo nasceu?

Em entrevista à Revista Mundo Estranho, o cientista da religião Carlos Caldas defende que, entre estudiosos, é consenso que Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro. O primeiro argumento é climático e está na própria Bíblia, livro que afirma que Cristo nasceu em um período de recenseamento, no qual as pessoas deveriam ir do campo às cidades. Sendo o inverno de Israel tão rígido, como explicar esses deslocamentos? “Também por causa do frio, não dá para imaginar um menino nascendo numa estrebaria”, disse o professor à publicação. Ao que tudo indica, Cristo nasceu entre março e novembro, quando o clima é menos rigoroso.

Comentários

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2 Comentários

  1. Martin Lourenço Selela disse:

    Amigos sou capaz de dizer-vos, que a bíblia mostra claramente as datas de certos acontecimentos tais como: o dilúvio, as pascoas indicando as datas específicas das suas comemorações. Segundo Deus no testemunho do profeta Amós Cap.3, 7 que o senhor não faria nada sem avisar seu povo, e o que ele ordenou não está sendo observado abrem os olhos gostam da verdade mas não vivem dela

  2. FABIO GRANA disse:

    A festa do Natalício de Nosso Senhor Jesus Cristo não tem nada a ver com as saturnálias, festa romana que ocorria entre os dias 17 e 22 (ou 23) de dezembro, nem com qualquer outra festa ou divindade pagã, seja Mitra, Horus, Dioniso, Krishna ou qualquer outra. Diz-se mais comumente que o 25 de dezembro cristão fora aproveitado da comemoração pagã do “nascimento do sol vitorioso”. Na verdade, o culto ao “sol vitorioso” foi estabelecido pelo imperador Aureliano no final do século III d.C. em sua própria homenagem. Ele mesmo se proclamava “pontífice do sol” (o étimo do nome Aureliano é aurora = nascer do sol). Posteriormente, a pretexto de comemorar o “sol vitorioso”, o imperador Juliano, que fora cristão e apostatou, fixou a respectiva festa no dia 25 de dezembro com o evidente intuito de contrastar a festa cristã, que desde muito antes já se comemorava nesta data. Com efeito, há notícias históricas do século II d.C. da celebração do Natal à meia-noite do dia 25 de dezembro, como se vê, por exemplo, do Liber Pontificalis. Também da mesma época uma fala de Teófilo (115-181 d.C.), Bispo de Cesareia, na Palestina: “Devemos comemorar o nascimento de Nosso Senhor em qualquer dia da semana em que cair o dia 25 de dezembro.” (Magdeburgenses, cento. 2. c. 6. Hospinian, De origine Festorum Chirstianorum). E, ainda, Santo Hipólito de Roma (170-240 d.C.): “A primeira vinda de Nosso Senhor na carne ocorreu quando Ele nasceu em Belém, no dia 25 de dezembro, uma quarta-feira, enquanto que Augusto estava em seu quadragésimo segundo ano, que é de cinco mil e quinhentos anos de Adão. Ele sofreu no trigésimo terceiro ano, 25 de março, sexta-feira, o décimo oitavo ano de Tibério César, enquanto Rufus e Roubellion eram cônsules.” (Comentário sobre Daniel). É importante também destacar os estudos de Josef Heinrich Friedlieb (Leben Josef Heinrich Friedlieb de J. Christi Erlösers Des. Münster, 1887, p. 312) e de Shemaryahu Talmon (The Calendar Reckoning of the Sect from the Judean Desert. Aspects of the Dead Sea Scrolls, in Scripta Hierosolymitana. vol. IV, Jerusalém 1958, pp. 162-199), que com seus estudos estabeleceram retroativamente a ordem sequencial do sistema de revezamento das turmas de sacerdotais para o serviço no Templo de Jerusalém e, consequemente, as épocas do ano em que que serviu no templo São Zacarias, pai de São João Batista, que era sacerdote. Recentemente, Tommaso Frederici publicou o cálculo da data de nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo com base nesses estudos em cotejo ao relato do Evangelho de São Lucas (“25 dicembre, una data storica”. artigo da Revista “30 giorni”. 11/2000). Note-se que no século IV d.C., São João Crisóstomo já fundamentava a data tradicional do Natal partindo da data em que São Zacarias recebera a visita do Anjo Grabriel noticiando a concepção de seu filho e, como é atestado biblicamente, nesse momento ele servia no Templo de Jerusalém (Patrologia Graeca, XLVIII, 752, XLIX, 351). O anúncio da concepção de Jesus Cristo dado pelo mesmo anjo foi recebido por Maria Santíssima quando Santa Isabel já contava seis meses de gravidez (Lucas 1,26). São João Crisóstomo afirma que o serviço de São Zacarias foi no Dia da Expiação, fazendo assim acontecer no outono (do hemisfério norte) a concepção de São João Batista. Adicionando-se seis meses, temos que a concepção de Nosso Senhor Jesus Cristo cai na primavera, muito provavelmente 25 de março. Mais nove meses e temos seu nascimento aos 25 de dezembro. Para além desses dados históricos, e sendo certo que mães em pleno uso de suas faculdades mentais são incapazes de esquecer as datas de nascimento de seus filhos, ainda mais quando se trata do unigênito, seria plausível supor que Nossa Senhora deixaria de informar corretamente a data do nascimento de seu filho a quem lhe perguntasse? E, aliás, seria plausível que os discípulos não tivessem perguntado?

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