Quem está por trás do mito da Copa: o “Canarinho Pistola”

Canarinho ‘Pistola’ durante sua passagem por Viena, na Áustria
Foto: Lucas Figueiredo/ CBF / Divulgação

Três homens vestem a roupa do mascote que já nasceu “marrento”, tem inspiração na Disney e no esporte americano, e ganhou nossos corações

Larissa Godoy, no Terra

Marrento, boladão, enfezado. Muitos são os adjetivos que descrevem o Canarinho, mascote oficial da Seleção Brasileira. Mas nenhum está tão associado à personagem (tente fazer uma busca simples no Google, o adjetivo é sugerido automaticamente) e conquistou tão fortemente o coração dos torcedores como o ‘Pistola’.

Também pudera. O brasileiro está pistola. Seja pela lembrança do 7×1 ou por qualquer outro motivo que nos tire o sono. Os tempos são sombrios e o futebol parece não interessar tanto como antes — pelo menos é o que dizem as pesquisas. Por isso o sucesso do Canarinho é especial.

Eu só queria dar alegria para o meu povo

Três homens “vestem a camisa” do Canarinho. Um “titular”, que está na Rússia, e mais dois “reservas”, que permaneceram no Brasil. “O principal já teve experiência como mascote, mas, das primeiras vezes, ele estava quebrando um galho”, conta Fernando Torres, assessor de comunicação da CBF, em entrevista exclusiva ao Terra. Pelo menos até o fim da Copa, não há planos para que seus nomes sejam divulgados. Afinal, o anonimato é um dos fatores que ajudam na construção desse personagem, que já nasceu marrento.

“[A marra] já estava prevista”, detalha Torres, “essa postura confiante, por causa da feição dele”. Ou seja, desde a elaboração do figurino, executada por empresa que a CBF prefere não revelar o nome, Canarinho já era ‘pistola’. Os outros detalhes, porém, são toques adicionados pelo homem por trás do mito. “O andar, jogando os braços, e todos os detalhes. Havia o conceito, mas isso, na prática, foi adicionado pela pessoa que usa a roupa e acabou entrando definitivamente para a composição do personagem. Não dá para fazer o Canarinho, seja quem for, de outra forma.”

Benny the Bull, o touro mascote do Chicago Bulls, foi uma das inspirações do Canarinho
Foto: Frank Polich / Reuters

Ainda segundo o assessor, duas outras inspirações foram importantes para a construção da ‘persona’ Canarinho. Os mascotes norte-americanos, com a “interatividade e ironia” do Benny the Bull, o touro mascote do Chicago Bulls, por exemplo, e a Disney. “Existe uma preocupação nossa muito grande com um conceito espelhado na Disney. O Canarinho não pode aparecer em dois lugares ao mesmo tempo. Não é uma questão de enganar e dizer que só tem uma roupa, é construção de personagem”, explica.

Para dar cabo de toda a promoção, nove pessoas, de uma equipe de 30, estão de alguma forma ligadas ao mascote, sendo cinco lá da Rússia. Bom senso e respeito orientam as interações do Canarinho. “Não queremos que ele force a interação com ninguém. Ele é representante do torcedor. São cuidados básicos de comportamento com uma cultura diferente”, acrescenta. Outra recomendação é que os monumentos das cidades sejam explorados.

Canarinho com a estátua dos Beatles, em Liverpool, Inglaterra; orientação é de que mascote explore monumentos
Foto: Lucas Figueiredo/ CBF / Divulgação

#FreeCanarinho

Apesar de praticamente complementar nome do mascote, o apelido ‘Pistola’ é evitado pela CBF. Para as transmissões ao vivo, a recomendação é de que não se fale a palavra, mas, nas redes sociais a história é outra (vide a criação da própria hashtag no Twitter). O ambiente virtual, aliás, é tido como dos momentos-chave que indicou o seu sucesso. “Quando as pessoas começaram a criar apelidos para ele. Canarinho putaço, boladão, pistola. Esse momento é crucial porque fez com que a feição dele ganhasse o significado que a gente queria dar, é falar daquele cara que não quer perder”, conta Fernando.

Interação com público não deve ser forçada
Foto: Lucas Figueiredo/ CBF / Divulgação

Outros dois destaques foram a apresentação do Canarinho na Granja, em 2016, como um verdadeiro jogador de futebol, e a interação espontânea do mascote com a comissão e os jogadores. “Em um treino aberto nos amistosos, Tite orientou o Canarinho para onde chutar as bolas para a torcida, no fim do jogo. Aquilo ali foi uma virada de chave muito legal, de incorporação do Canarinho ao grupo.”

Interação espontânea com Tite, comissão e jogadores foi essencial para o sucesso do mascote
Foto: Lucas Figueiredo/ CBF / Divulgação

Durante a Copa, a não permissão de sua entrada nos estádios durante os jogos oficiais (que lançou a campanha #freecanarinho nas redes sociais, #libertecanarinho em tradução livre) não é um obstáculo para não vermos mais do mascote. “Dentro do estádio, ainda que ele entrasse, os mascotes têm uma atuação limitada. Durante o jogo é pedido para ele não interagir, para evitar qualquer tipo de provocação com a torcida.”

Agora, garantia boa mesmo para ver as fanfarrices do mascote mais querido do Brasil teremos com a boa atuação da Seleção no Mundial. Caso contrário, só nos próximos amistosos e na Copa América. Ou então na lembrança de uma pelúcia Canarinho, um sucesso entre crianças e adultos.

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