Ex-deputado que quis “rebaixar” padroeira do Brasil ganha cargo no governo

Publicado no UOL

O ex-deputado federal Victório Galli Filho (PSL-MT), autor de um projeto que extinguia o título de Padroeira do Brasil dado a Nossa Senhora Aparecida, foi nomeado hoje para atuar como assessor especial da Presidência da República. No novo cargo, Galli Filho, que foi pastor evangélico, vai receber R$ 16,9 mil por mês.

Galli Filho foi eleito deputado federal em 2014, mas não conseguiu a reeleição em 2018, obtendo 52,9 mil votos. Antes de 2014, porém, ele chegou a assumir o mandato de deputado federal por duas vezes atuando como suplente.

Foi em 2007 que ele apresentou o projeto que alterava a lei que instituiu Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. O texto proposto por Galli Filho tirava da santa a condição de padroeira do país e a colocava como “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.

À época, Galli Filho disse que a proposta deveria ser considerada útil “para a promoção da igualdade entre os cristãos brasileiros, sem privilégios à maioria de orientação cristã” e que o projeto havia sido sugerido por pessoas que não eram católicas.

GALLI FILHO DEVERÁ TER BOM TRÂNSITO COM BANCADA RELIGIOSA

Outro projeto polêmico apresentado pelo agora assessor especial da Presidência na Câmara dos Deputados chegou à Casa em 2012, quando ele ainda era suplente.

Galli Filho propôs um projeto que alterava o código penal e impedia pessoas que, por crença religiosa, fizessem comentários considerados ofensivos a uma determinada orientação sexual não poderiam ser processados por injúria ou difamação.

O projeto tocava em um dos pontos mais polêmicos das ações que tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal) que discutem a criminalização da homofobia. Líderes religiosos contrários ao projeto afirmavam que a criminalização da homofobia poderia ferir a liberdade de crença.

A posição do governo, expressada pela atuação da AGU (Advocacia-Geral da União), é contrária a ação que tramita no Supremo.

O projeto de Galli Filho avançou pouco na Câmara e, no início deste ano, foi arquivado.

Apesar do arquivamento do projeto, a proposta de Galli Filho é um indicador do seu perfil como parlamentar e do grupo formado pelo governo. Antes de entrar na política, percorreu o caminho comum à maior parte dos integrantes da bancada evangélica do Congresso Nacional. Foi pastor (da Igreja Assembleia de Deus) e professor de teologia.

Como ex-integrante da bancada evangélica, Galli filho deverá ter bom trânsito junto à chamada “bancada da Bíblia”, uma das mais influentes no governo Bolsonaro e considerada fundamental para a aprovação tanto dos projetos relacionados às pautas econômicas quanto daqueles da chamada pauta “comportamental”.

Até a última atualização desta matéria, a reportagem não havia conseguido localizar o ex-deputado. Procurados, Planalto e Casa Civil não se manifestaram.

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