Por uma cultura de paz

Por Ed René Kivitz

A conhecida Lei de Talião, encontrada tanto no Código de Hamurabi quanto na Lei de Moisés (Levítico 24.19,20), não é um incentivo à vingança e à retribuição do ato violento, e muito menos estímulo a que se faça justiça com as próprias mãos. Antes, “olho por olho, dente por dente”, é exatamente o oposto, na verdade, uma regra que estabelece limites para a retaliação à ofensa ou dano sofrido, e uma explícita contenção do ímpeto humano à prática desmedida da violência: quem tem um boi roubado não pode matar o filho do ladrão; quem levou um tapa no rosto não pode esfaquear seu agressor.

Jesus vai muito além, e ressignifica completamente a maneira como resolvemos as ofensas e tratamos quem nos persegue ou contra nós pratica o mal: “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’. Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus” (Mateus 5.43).

A razão da resposta não violenta é esclarecida mais adiante, quando Pedro é repreendido por Jesus após ter ferido o soldado romano que executava sua prisão: “Quem usa a espada, pela espada morrerá” (Mateus 26.53), ou simples e claramente “violência gera violência”.

Ao tempo em que me ajoelho em respeito e solidariedade ao luto e em intercessão pelas famílias vitimadas pela tragédia que se abateu sobre a Escola Estadual Raul Brasil na cidade de Suzano, SP, levanto minha voz contra a cultura de ódio, violência e armas na mão que assola o meu país.

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