Em 1997, Silvio Santos quis versão brasileira de Chaves, e Quico quase fez Trapalhões

Publicado no Notícias da TV

Muitos anos antes de realizar especiais com artistas brasileiros, o SBT cogitou ter uma edição nacional de Chaves. Em 1997, Silvio Santos enviou um representante ao México para negociar com Roberto Gómez Bolaños (1929-2014), criador do personagem. No mesmo ano, o intérprete de Quico, Carlos Villagrán, esteve no Brasil e cogitou participar de uma nova versão do humorístico Os Trapalhões.

Na época, Chaves já estava no ar pelo SBT havia 13 anos e continuava fazendo muito sucesso. Além disso, a visita de Villagrán teve bastante repercussão na mídia, o que deixou Silvio ainda mais empolgado.

“O empresário resolveu procurar Bolaños para propor-lhe participação no projeto. O SBT dispõe-se a pagar os direitos pelo uso da imagem do personagem e pretende mesclar antigos textos do programa com novos esquetes, escritos por Bolaños”, destacou O Estado de S. Paulo de 15 de junho de 1997.

Roberto Manzoni, o Magrão, que dirigiu programas como Viva a Noite (1982-1992) e Domingo Legal por muitos anos, foi o enviado de Silvio para a Cidade do México, um mês antes, em maio, para fazer o convite formal a Bolaños –o encontro foi confirmado por sua secretária.

E não foi a primeira vez que o intérprete de personagens como Chaves e Chapolin foi assediado por personalidades brasileiras. “Xuxa propôs que fizesse roteiros para seu programa. E Pelé chegou a falar na possibilidade de lançar um longa-metragem com Chaves. Bolaños recusou, em respeito ao personagem, que foi feito para a TV. Alegou também falta de tempo”, destacou o Estadão.

A iniciativa não teve êxito, e o SBT só fez uma versão nacional de Chaves em 2011, para comemorar os 30 anos da emissora. Participaram do programa nomes como Renê Vanorden, que viveu o garoto do barril, Carlos Alberto de Nóbrega, Ratinho, Lívia Andrade e Zé Américo, entre outros.

No mesmo ano, foram gravados mais dois programas, no final do ano, com mudanças no elenco –Alexandre Porpetone, por exemplo, herdou o papel principal.

Quico e Os Trapalhões
A onda de rumores envolvendo Chaves em 1997 não parou por aí. Em sua passagem de 45 dias pelo Brasil, quando fez uma turnê com um circo pelo interior de São Paulo, Carlos Villagrán esteve no programa Jô Soares Onze e Meia (1988-1999), conheceu seu dublador no Brasil, Nelson Machado, e carregou a mídia por onde passou.

Na mesma reportagem do Estadão, seu empresário, Hugo Cortéz, disse que o humorista poderia integrar uma nova versão do humorístico Os Trapalhões, ao lado de Renato Aragão e Beto Carrero (1937-2008).

Alguns dias antes, ao mesmo O Estado de S. Paulo, Villagrán disse que aceitaria trabalhar no Brasil. “Se houver alguma proposta, terei muito prazer em voltar à TV”, disse em 8 de junho daquele ano.

Um ano antes, em junho de 1996, Aragão estava muito insatisfeito com a Globo, que tirou Os Trapalhões do ar em 1995 e exibia apenas reprises do programa. Em reportagem do Estadão, o humorista disse que estava pensando em deixar a emissora.

“De repente, a gente vira móveis e utensílios, e isso está me incomodando”, desabafou. “Vou para onde tenha melhores condições de trabalho e possa experimentar alguma novidade”, completou.

Segundo ele, duas emissoras estariam interessadas em seu passe –na época, a mídia citava que o SBT queria contratá-lo. E ele estava elaborando um novo programa ao lado de Beto Carrero e um terceiro sócio, cujo nome disse não ter autorização para revelar. O produto, de acordo com o jornal, estava sendo desenvolvido como produção independente e também incluiria o eterno parceiro Dedé Santana.

Aragão, no entanto, continua até hoje na Globo, onde atuou, depois desse episódio, em atrações como Zorra Total (1999-2015), Aventuras do Didi (2010-2013) e A Turma do Didi (1998-2010). Um remake de Os Trapalhões foi feito pela Globo em 2017. Villagrán continua em atividade, aos 75 anos, atualmente numa turnê de despedida do personagem Quico.

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