Surdez, osteoporose, hérnia: 6 males que o cigarro causa e muitos não sabem

Publicado no Viva bem

Quando falamos dos problemas causados pelo cigarro, a primeira coisa que geralmente vem à mente é o câncer. Talvez algumas doenças no coração e dentes amarelados também entrem nessa lista, mas ela é bem mais extensa do que isso. Para se ter ideia, o tabagismo está relacionado a pelo menos 50 doenças diferentes, de acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer).

“Muitos dos usuários de tabaco não sabem nomear doenças específicas causadas pelo cigarro além do câncer de pulmão. Desconhecem que fumar também causa problemas circulatórios, infarto e outras doenças”, diz o relatório da OMS sobre a Epidemia Global de Tabagismo, lançado em 2008.

No Brasil, o uso de imagens nas advertências sanitárias das embalagens de produtos fuminígeos está prevista desde 2001. Os alertas, que surgiram justamente para o consumidor ter ciência do que o cigarro causa, incluem problemas como envelhecimento precoce; perda do bebê e parto prematuro; enfisema, câncer de pulmão e morte; impotência sexual; trombose e gangrena; câncer de boca, língua e esôfago; cegueira; infarto e outras doenças do coração.

“Alguns desses problemas se tornaram óbvios para a população brasileira, mas nem todo mundo sabe que existe uma relação entre o cigarro e a osteoporose, por exemplo”, diz André Nathan, pneumologista do Hospital Sírio-Libanês.

Doenças menos óbvias ligadas ao tabagismo

1 – Osteoporose

Fumar libera componentes tóxicos que interferem no funcionamento do osteoblasto, responsável pela formação do tecido ósseo. De acordo com estudo publicado no periódico Acta Ortopédica Brasileira, por seu efeito prejudicial na densidade mineral óssea, o cigarro tem sido também apontado como capaz de aumentar o risco de fraturas, bem como induzir a perda de massa óssea em homens e mulheres.

E o problema não se restringe apenas a idosos fumantes. “Há relatos de perda de massa óssea em homens jovens e saudáveis, considerados fumantes pesados (mais de 21 cigarros/dia)”, escrevem os pesquisadores. Além disso, em maio deste ano, um estudo publicado no periódico Faseb Journal descobriu que o cigarro induz a transformação de células do sistema imune em outras que reabsorvem o osso.

2 – Cegueira

O cigarro causa degeneração macular, que leva à cegueira. Como o fumo causa um estresse oxidativo (espécie de processo de envelhecimento) muito alto, ele intensifica o processo degenerativo da mácula na retina, região responsável pela transmissão das imagens colhidas pelo olho para o cérebro.

3 – Perda auditiva

Apesar de a ciência ainda não explicar exatamente qual a relação entre o tabagismo e a perda auditiva, uma série de estudos mostraram que essa ligação realmente existe. Uma pesquisa publicada no periódico Nicotine & Tobacco Research, por exemplo, analisou os efeitos da nicotina e do tabaco em mais de 50.000 participantes por oito anos. Os resultados revelaram um aumento de 1,2 a 1,6 vezes da perda de audição entre fumantes em comparação com quem nunca fumou. O aumento do risco diminuiu nos cinco anos seguintes ao término do tabagismo.

4 – Hérnia de disco

O tabagismo prejudica o fluxo da microcirculação, que conta vasos sanguíneos muito pequenos. Como o sangue funciona como uma ponte de transporte de nutrientes do disco cartilaginoso entre as vértebras, a interrupção desse fluxo causa degeneração do disco. A predisposição genética ainda é a principal causa da hérnia, mas o cigarro acelera o processo.

5 – Úlcera gástrica

O cigarro é agressivo à mucosa do estômago, deixando o trato gástrico mais propenso à gastrite e à úlcera. Isso porque a nicotina, geralmente relacionada apenas à dependência química, pode inibir ou reduzir a secreção de muco e bicarbonato e aumentar a secreção ácida. A quantidade maior de ácido pode causar irritação, inflamação do revestimento do estômago (mais conhecida como gastrite) e, em longo prazo, a úlcera, que é a ferida no estômago.

6 – Demência

Assim como com a surdez, a relação entre o cigarro e o declínio cognitivo ainda não é explicada, mas há evidências de que ela existe. Um estudo publicado no periódico Annals of Clinical and Translational Neurology observou mais de 50.000 homens e descobriu que os fumantes tinham risco maior de desenvolver Alzheimer e outros tipos de demência. Os que já haviam abandonado o cigarro há anos e os que nunca fumaram apresentaram, respectivamente, 14% e 19% menos chance de demência em comparação aos que continuavam a fazer uso dos cigarros.

Parar de fumar diminui riscos
Ao parar de fumar, alguns benefícios já são imediatos. Há uma normalização dos batimentos cardíacos e da pressão arterial. O indivíduo volta a sentir o olfato normalmente e, consequentemente, o paladar. Com o tempo, o risco de desenvolver doenças como bronquite, infarto e câncer diminuem, aproximando-se ao da população que nunca fumou.

“Não é uma coisa imediata porque, se a pessoa fumou, ela já induziu uma série de reações inflamatórias que podem desencadear o aparecimento de uma célula cancerígena. Mas, com o tempo, volta ao normal”, diz Humberto Bogossian, pneumologia da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.

Segundo o médico, para câncer, em 10 anos o ex-fumante tem o mesmo risco de uma pessoa que nunca fumou. Para doenças cardiovasculares, é entre cinco e 10 anos. “Se as alterações já apareceram, como placas de aterosclerose e câncer, parar de fumar não fará com que elas sumam, mas evitará que novas se formem”, diz.

Fontes: André Nathan, pneumologista do Hospital Sírio-Libanês; Humberto Bogossian, pneumologia da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein; Marcos Ávila, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia; João Paulo Bergamaschi, ortopedista e cirurgião de coluna, diretor do Instituto de Ensino e Pesquisa CK, da Clínica Kenendy São Paulo, membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia; Maristela Gomes de Almeida; proctologista do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos.

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