Por que seu ex pode ser seu par perfeito

Publicado na BBC

“Não faz o meu tipo.” Provavelmente todos já ouvimos alguém dizer essas palavras, seja de um amigo próximo ou de um personagem de comédia romântica. Mas, apesar de toda a sua prevalência em conversas sobre relacionamentos modernos, quase ninguém investigou se algo como “um tipo” realmente existe.

Pesquisas recentes indicam que temos preferências quando se trata de características demográficas e físicas, como educação, idade, cor do cabelo e altura. Mas há poucas evidências que sugerem que buscamos tipos particulares de personalidade. Agora, um grupo de pesquisadores pode ter finalmente encontrado alguns – e se você não tem certeza de qual é o seu tipo, pode olhar em um espelho.

Em um estudo recente, pesquisadores do Painel Alemão da Família, grupo interdisciplinar de acadêmicos que estudam relações interpessoais, avaliou como mais de 12 mil participantes comportavam-se em relação a “cinco grandes” traços de personalidade – abertura à experiência, autocontrole, extroversão, amabilidade e neuroticismo. Ao longo de nove anos, os pesquisadores acompanharam o status de relacionamento dessas pessoas, que também tiveram que convencer seus parceiros a preencher o mesmo questionário de personalidade pelo bem da ciência.

Depois de nove anos e milhares de questionários, os pesquisadores chegaram a 332 participantes que estiveram em relacionamentos com pelo menos dois parceiros românticos diferentes e que estavam dispostos a participar do estudo. Isso é uma queda considerável no tamanho da amostra, mas mais do que suficiente para tirar conclusões sólidas dos dados.

Atuais parecidos com ex – e com você mesmo
Os resultados mostraram que os atuais parceiros dos participantes descreveram suas personalidades de maneiras semelhantes aos ex-parceiros. Então, enquanto as pessoas tendem a acreditar que suas preferências de personalidade mudam com o tempo, parece que temos um “tipo” específico que persiste nos relacionamentos. Na maioria dos casos, a similaridade foi testada apenas em dois parceiros, mas para os 29 participantes que tiveram mais de dois parceiros analisados, os resultados foram os mesmos.

Goste ou não, se você está procurando ativamente por um parceiro, é provável que ele tenha uma personalidade mais próxima do seu ex do que você gostaria de admitir. Mas o seu tipo também pode estar próximo da sua personalidade. A pesquisa mostrou que as personalidades dos parceiros não eram apenas semelhantes entre si, mas aos próprios participantes.

Buscar um pouco de você em seus parceiros pode ajudar a explicar por que nossas personalidades tendem a ser relativamente estáveis ao interagir com amigos e entes queridos. É muito mais fácil buscar relacionamentos que nos permitam manter nossas ideias atuais de como somos.

A única exceção são os extrovertidos. Aqueles participantes que pontuaram alto em abertura para experiência e extroversão eram muito menos propensos a escolher parceiros com personalidades também extrovertidos e curiosos, tanto em relacionamentos passados como nos presentes.

O estudo poderia ter potencial para encontros online. Embora pesquisas anteriores tenham se esforçado para prever o desejo romântico por traços de personalidade e preferências, esta pesquisa sugere que, assim como os serviços de streaming de música usam nossa biblioteca existente para fazer recomendações personalizadas para novos sons empolgantes, os aplicativos de namoro podem usar nosso histórico de relacionamento para nos ajudar a encontrar futuros pretendentes.

É claro que, dado que não sabemos quanto tempo duraram os relacionamentos no estudo, não há garantia de que essa estratégia funcione. Demasiada semelhança num relacionamento pode fazer com que os parceiros se sintam incapazes de crescer e se desenvolver. Pessoas casadas podem ter uma tolerância particularmente baixa a comportamentos que o novo cônjuge compartilha com seu ex-marido ou esposa, e tal semelhança pode gerar ansiedade e desesperança.

Por outro lado, ter um parceiro atual que se pareça com um ex-parceiro pode facilitar os processos de vinculação e ajudar a estabelecer padrões positivos de interação. Portanto, é cedo para culpar as altas taxas de divórcios numa tendência de sempre escolher os mesmos tipos.

Uma pesquisa como essa não é uma resposta final quando se trata da busca por uma alma gêmea. Existem muitos outros fatores que influenciam com quem entramos em um relacionamento romântico. Mas não se surpreenda se a próxima atualização em seu status de relacionamento for apenas um retorno ao status quo.

Este artigo, de autoria de Stanley Gaines, saiu originalmente na publicação The Conversation

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