Condomínios nunca mais serão os mesmos depois da pandemia

Por Márcio Rachkorsky, na Folha de S. Paulo

Há quase dois meses confinados nos apartamentos, moradores de condomínios fizeram descobertas incríveis, mudaram conceitos e quebraram paradigmas. Certamente, a percepção sobre o direito de vizinhança e a forma de morar nunca mais será como antes.

Dentre tantas novidades, algumas bastante singelas e outras mais profundas, valendo destacar:

1) Os funcionários da portaria e da limpeza não são mais invisíveis. Eles exercem atividades essenciais e merecem todo respeito e valorização;

2) O isolamento acústico é terrível, sobretudo nas construções mais novas e, muitas vezes, a culpa pelo barulho não é apenas do vizinho, que precisa viver em seu imóvel;

3) Há pessoas absolutamente mal-educadas, cujos hábitos desrespeitosos, por vezes insanos, se agravaram durante a pandemia. Para estes, é necessária a aplicação de multas pesadas;

4) Os síndicos exercem um papel primordial de liderança e merecem todo apoio e valorização;

5) Investir no aconchego de casa, cuidar da decoração, ter um lar equipado não é luxo algum, tampouco frescura, mas algo essencial para a dignidade. Depois que tudo isso passar, as pessoas investirão mais em suas moradias;

6) Adotar hábitos disciplinares simples de limpeza e higiene devem ser incorporados à rotina pós-quarentena, tais como limpar sapatos, tirar as roupas sujas assim que entrar em casa, lavar mais as mãos, não acumular louça na pia, guardar a bagunça, manter armários em ordem;

7) Comprar ou alugar um apartamento apenas em razão das áreas comuns (piscina, academia, quadras), sem avaliar as dimensões do imóvel e suas funcionalidades, pode ser uma furada. Os imóveis com cômodos mais espaçosos e arejados ganharam importância e isso é muito bom;

8) O boleto de condomínio é despesa prioritária, e pagar em dia é fundamental para manter o funcionamento a contento. Ficou evidente a importância de morar num condomínio com manutenção em ordem e contas saudáveis;

9) Há muita gente boa na vizinhança, pessoas educadas, conscientes, solidárias, talentosas. Aquele péssimo hábito de não falar com ninguém, de não conhecer ninguém, de só balançar a cabeça no elevador dará espaço, ao final desta jornada, ao fortalecimento das relações entre vizinhos;

10) É possível organizar atividades em grupo com os outros moradores, de forma a otimizar espaços e economizar dinheiro, como grupos de dança, de corrida, de ginástica e compras coletivas;

11) Reuniões e assembleias podem ser realizadas em ambiente virtual, de forma segura e civilizada, sem as famosas brigas e baixarias tão comuns em condomínios.

Quando tudo acabar e, apesar de toda tristeza e dificuldade, os condomínios estarão mais humanizados e viveremos dias melhores.

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