Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus

Por Ed René Kivitz, no Instagram

Já ouvi muitos pregadores interpretando o sentido da célebre expressão de Jesus “dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. Sempre me chamou a atenção o gestual dos comunicadores, geralmente apontado César de um lado, e Deus do outro, usando para cada um uma das mãos, como se ambos estivessem em patamares de igualdade, apenas em lados opostos.

A verdade, entretanto, é que o gestual correto deveria ser apontar para cima referindo a Deus, e para baixo indicando o lugar de César, pois entre ambos existe não apenas uma hierarquia, como também absoluta distância qualitativa. A relação entre o reino de Deus e o império de César não é de polarização entre alternativas legítimas.

O reino de Deus é luz, o outro, trevas; o reino de Deus é libertação, o outro, escravidão; o reino de Deus é justiça, o outro, Mamon; o reino de Deus é vida, o outro, morte. O reino de Deus não é um entre tantos outros possíveis, é juiz e redentor de todos os demais. Não existem vários senhores polarizados, mas apenas um: Jesus Cristo!

Quem experimentou a metanoia e enxergou o reino de Deus vive sob o imperativo de discernir as lógicas de Cristo, acima, e dos Césares de ocasião, abaixo. Isso exige afirmar de maneira contundente que não existe polarização entre o razoável e o inadmissível. Polarização é coisa entre alternativas aceitáveis horizontais. O reino de Deus é vertical!

[Arte: Dinheiro de César, de Rubens, 1640]

Comentários

Este QR-Code permite acessar o artigo pelo celular. QR Code for Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus

Deixe o seu comentário