Conteúdo marcado como João Pereira Coutinho

Tiranias democráticas

Tiranias democráticas
João Pereira Coutinho, na Folha de S.Paulo A convite da Liberty Fund —uma associação americana que promove dezenas de colóquios por ano pelo mundo inteiro e publica as grandes obras do pensamento político “liberal”— passei os últimos dias relendo Alexis de Tocqueville (1805-1859), autor do clássico “Da Democracia na América” (e do igualmente magistral “O Antigo Regime e a Revolução”). Da primeira vez que viajei com ele pelos Estados Unidos, […]

Laicos, graças a Deus

Laicos, graças a Deus
João Pereira Coutinho, na Folha de S.Paulo Leio nas notícias que um tribunal do Sudão condenou uma mulher à morte. Mas, na hora da sentença, os juízes confrontaram-se com um pormenor: a referida mulher está grávida de oito meses. O tribunal foi salomônico: a mulher pode dar à luz primeiro e só depois ser enforcada. Justíssimo. Mas qual foi o crime hediondo de Meriam Yehya Ibrahim? Eis a história, contada […]

Conhecer o monstro

Conhecer o monstro
João Pereira Coutinho, na Folha de S.Paulo No outono de 2001, cheguei à Universidade de Oxford para fazer pesquisas sobre o meu tema de doutorado. Instalei-me no colégio (o St. Antony’s) e depois fui falar com o meu supervisor, Henry Hardy, então “fellow” de um outro colégio (o Wolfson; nenhum deles, confesso com mágoa, serviu de cenário para os filmes de Harry Potter). A minha tese lidava com a noção […]

Homofobia não é crime

João Pereira Coutinho, na Folha de S.Paulo É um erro comum: alguém escreve sobre o julgamento de Oscar Wilde em 1895 e o apresenta como o momento infame em que a sociedade vitoriana resolveu reprimir “o amor que não ousa dizer seu nome”. Admito que essa versão faça as delícias das patrulhas, para quem Wilde virou mártir, ou santo. Mas, ironicamente, a perdição de Wilde não começou com a intolerância […]

Amy Winehouse: Sermão ao cadáver

Amy Winehouse: Sermão ao cadáver
João Pereira Coutinho, na Folha.com Morreu Amy Winehouse e os moralistas de serviço já começaram a aparecer. Como abutres que são. Não há artigo, reportagem ou mero obituário que não fale de Winehouse com condescendência e piedade. Alguns, com tom professoral, falam dos riscos do álcool e da droga e dão o salto lógico, ou ilógico, para certas políticas públicas. Amy Winehouse é, consoante o gosto, um argumento a favor […]