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Em louvor ao livro

Ricardo Gondim Meu pai lia obsessivamente. Todas as vezes que surpreendi papai, ao abrir a porta do quarto sem bater, eu o flagrava com um livro na mão. Ele assinava pelo menos duas revistas de notícias semanais e vários pasquins. Comprava folhetos subversivos não sei onde. Trazia, perigosamente, para casa literatura proscrita pelos ditadores. Professor de história, tinha um  fascínio enorme pela II Guerra Mundial. Na biblioteca, sobravam tomos, fotografias […]

Tempo de partir

Ricardo Gondim Não perdi o juízo. Minha espiritualidade não foi a pique. Minhas muitas tarefas não me esgotaram. Entretanto, não cessam os rótulos e os diagnósticos sobre minha saúde espiritual. Escrevo, mas parece que as minhas palavras chegam a ouvidos displicentes. Para alguns pareço vago, para outros, fragmentado e inconsistente nas colocações (talvez seja mesmo). Várias pessoas avisam que intercedem a Deus para que Ele me acuda. Minha peregrinação cristã está, […]

O eleito

Ricardo Gondim Às vezes, querendo isolar-me e meditar, caminho por alamedas de antigos cemitérios. Reconheço a excentricidade. Mas não há nada mórbido ou sinistro em mim.  Ali, diante da mais crua realidade, sou colocado cara a cara com a vida, sem evitar a finitude dos meus anos. Bom lugar para repensar prioridades. Nessas andanças, vejo sepulcros antigos, semidestruídos, e imagino o que deve ter acontecido àquela família para deixar o […]

Salmo do desespero

Ricardo Gondim Certa mulher sofria de uma síndrome rara. Na flor da idade, dores, mal estar, debilitação, passaram a fazer parte do seu cotidiano. Na cabeceira do seu leito de hospital, enfermeiras encontraram um papel amassado. Abriram imaginando tratar-se de alguma receita médica ou talvez alguma correspondência recebida durante o tratamento. Para a surpresa de todos, era um Salmo desesperado: Hoje quero escrever um Salmo em que derramo todo o […]

Metáforas desconcertantes do divino

Ricardo Gondim Nietzsche disse que só acreditaria no Deus que soubesse dançar. As implicações filosóficas e existenciais dessa afirmação são enormes. Entre algumas: contingência, liberdade humana, o uso da sabedoria no improviso, desmonte da existência engrenada. Dizer que Deus dança significa que a vida pulsa com liberdade. Começo, meio e fim não jazem nos grilhões da necessidade. Em desagravo à espiritualidade nietzscheniana, atrevo-me dizer que o Deus que dança não […]