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Sobre manipular antônimos

As freiras nos ensinaram que há dois caminhos: o caminho da natureza e o caminho da graça. Você tem de escolher que caminho seguir. A graça não tenta agradar a si mesma. Aceita ser menosprezada, esquecida, escanteada. Aceita insultos e ofensas. A natureza só quer agradar a si mesma. Obriga os outros a agradá-la também. Tem prazer em controlar, em impor sua vontade. Encontra motivos para ser infeliz quando o […]

Perdão e poder

Paulo Brabo Não é de estranhar que Jesus de Nazaré tenha se recusado a reduzir a virtude a um conjunto confortável de regras; não é de estranhar que ele tenha se negado firmemente a indicar que a conduta do reino pudesse ser domada em normas ou esgotada pela obediência passiva. Essas suas cautelas se enquadram de modo natural em seu projeto de rejeitar o uso de qualquer ferramenta de manipulação […]

O acalentado conforto da proibição

Paulo Brabo Só os grandes articuladores da fé, que vivem e pensam em esferas distantes da multidão, é que falam da sua religião em termos profundos e categorias teológicas. Para uma pessoa normal, ou para alguém que observa de fora, uma religião é mais claramente definida pelas suas proibições. O cidadão comum, muito sensatamente, prefere não ter de sentir-se à vontade entre termos como atonement, parousia, kenosis, koinonia e kairos. […]

As divinas gerações

As divinas gerações
Paulo Brabo “Dieu d’Abraham, Dieu d’Isaac, Dieu de Jacob” non des philosophes et des savants. Blaise Pascal, Mémorial (1654) De todas as lendas que sustentam os fundamentalismos cristãos, talvez nenhuma seja mais infundada – e por certo nenhuma é mais útil – do que a ideia de que há um único modo de se ler e de se entender a Bíblia, um modo de interpretação que permaneceu inalterado ao longo […]

Dexter Morgan, padroeiro do século XXI

Paulo Brabo Não chegou até mim arte televisiva contemporânea mais bem escrita do que Dexter, o seriado norte-americano sobre um assassino em série que mata assassinos em série. E não se trata só dos enredos bem amarrados, do uso inteligente e bem-humorado das narrações em off, das ambições shakespearianas dos arcos narrativos e da construção de edifícios de suspense mais altos do que se considerava humanamente concebível. Há a questão […]