Conteúdo marcado como textos de Ricardo Gondim

Mãos de joalheiro

Ricardo Gondim Dentre todos os medos, assombro-me em virar um homem de palavras ríspidas e de textos cínicos. Quero, na página, a mesma atitude de minhas reações quando estou perto de gente. Se perco a beleza da doçura, sinto-me péssimo – pretendo continuar assim se não for íntegro ao redigir qualquer coisa. Ao desconsiderar a sensibilidade que um dia afirmei e por não conseguir renová-la diante do meu próximo, faço-me […]

Ler, tarefa difícil

Ricardo Gondim Leio Saramago. Dono de um texto recheado de percepções sutis, sua pena é ágil. Saramago tem magia, suas provocações tanto se eternizam como se universalizam. Resolvi copiar um trecho de A Caverna. Entendo que ler, tarefa difícil, implica em ir além. Mas qual além? Deixemos que  o próprio Saramago diga no diálogo entre Cipriano Algor e Marta, a filha: “Vivi, olhei, li, senti, Que faz aí o ler, […]

O escarro

Ricardo Gondim Há tempo escrevo memórias. Gosto de garimpar reminiscências. Não desisto de viajar a lugares de outrora. Nessas idas, vejo  como os lugares encolheram. Os olhos da criança que fui um dia são maiores do que os meus, adulto. De Londrina não revejo só o pó vermelho que encardia tudo – a terra roxa enodoava do calcanhar às tardes de temporal-,  vou à velha catedral onde fiz a Primeira […]

Chore comigo

Chore comigo
Ricardo Gondim Chore comigo. Precisamos nos juntar e reverter o que disfarça os processos que conspiram contra a vida. Vivemos em um mundo alheio, frio, indiferente.  Para não ficarmos cara a cara com a morte lenta do planeta, das famílias, das pessoas, criamos palavras, conceitos e lógicas; meros anteparos para nosso desdém. Quando convém somos piedosos, outras vezes, inclementes. Mas, sempre em busca de justificativas. Chore comigo. Fazemos tudo para impedir […]

Frágeis intuições sobre o amor

Frágeis intuições sobre o amor
Ricardo Gondim O que se pode falar do amor? Inaptos, hesitantes, imperfeitos, homens e mulheres guardam frágeis intuições sobre o amor. Há de se concordar com Miguel de Unamuno: “o amor é o que há de mais trágico no mundo e na vida; o amor é filho da ilusão e pai da desilusão; o amor é a consolação na desolação, o único remédio contra a morte, da qual ele é […]