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Sobre sombras e luzes

Sobre sombras e luzes
Ricardo Gondim Dizem que Oscar Niemeyer projetou a Catedral de Brasília como metáfora em cimento, ferro e areia do Salmo 23. Ao contrário de outras igrejas, a entrada desce, escura. É vale de sombra e de morte. A vereda, entretanto, chega ao amplo e luminoso espaço, onde se encontra Deus. Salmo e catedral descrevem a vida de muitos, que declina e escurece. Sempre existe alguém que sente o caminho, já […]

O inferno

O inferno
Ricardo Gondim O invejoso não consegue esconder o tamanho de sua contrição. Por mais que agrida, sempre sofre. O valor que brilha nos outros dói nele. Não se conforma em ver-se preterido pela Providência. Seu talento, genialidade e riqueza não podem ser subavaliados. Muitas vezes piedoso no que constata, embarga a voz. Mas seu choro nunca expressa admiração. É jeito de remoer-se. Ardiloso, consegue até criar um eufemismo: inveja é […]

O que entendo por verdade

Ricardo Gondim Entre os diversos constrangimentos que passei nos últimos anos, o mais aborrecido aconteceu em um restaurante. Fui a um almoço achando que era um encontro de amigos. Na verdade, não passou de pretexto para uma sabatina. “Você acredita que existe a verdade?”. A pergunta, feita entre uma conversa trivial, pretendia ser um xeque mate. Se respondesse sem gaguejar, passaria no teste. Se hesitasse, seria escanteado. Não sei o […]

Angústia é ganho

Angústia é ganho
Ricardo Gondim Nascemos entre a bigorna e o martelo. A noção de perigo nos acompanha pela vida e não demoramos perceber: somos mortais. De repente, damos conta: o oceano onde nadamos não tem porto. Sabedores do fim, cansados de nadar contra a maré, provamos um fel chamado angústia. Não há como fugir, é o medo existencial que faz nascer a angústia. Dela vem o choro que nunca desengasga. A angústia é […]

Em louvor ao livro

Ricardo Gondim Meu pai lia obsessivamente. Todas as vezes que surpreendi papai, ao abrir a porta do quarto sem bater, eu o flagrava com um livro na mão. Ele assinava pelo menos duas revistas de notícias semanais e vários pasquins. Comprava folhetos subversivos não sei onde. Trazia, perigosamente, para casa literatura proscrita pelos ditadores. Professor de história, tinha um  fascínio enorme pela II Guerra Mundial. Na biblioteca, sobravam tomos, fotografias […]